Já estamos quase na reta final de 2010 e o que se pode falar da situação irlandesa junto a crise mundial? O pior já passou, ou ainda estamos no olho do furação? Há esperança no final do túnel, ou é melhor debandar para outros países? Nesse especial, você vai entender numa linguagem informal esses e alguns outros pontos importantes sobre,”A CRISE NA IRLANDA!”.

Reprodução: Jornaldenegócios
Do último especial sobre economia até aqui, pouca coisa mudou. Foram muitos altos e baixos, para cada boa notícia, três negativas. Anunciaram o fim da recessão, mas na verdade (foi uma coisa técnica), anunciaram crescimento inesperado de 2,7%, mas na verdade, gerado apenas pelas exportações, ah e também esperava-se uma redução no índice de desemprego, mas na verdade ele só aumentou. No primeiro trimestre a economia cresceu, no segundo voltou a contrair e agora, nos últimos minutos do segundo tempo, só Deus sabe o que vai acontecer.
Olhando assim da vontade de voltar para casa, mas como dizem por ai, sempre existe uma luz no fim do túnel!!!!!!!!!!! Vamos a algumas questões chaves, para entender o que anda rolando por aqui.
A economia está estabilizada?
É o que afirma categoricamente o ministro das Finanças Brian Lenihan e os economistas também confirmam. A questão é, mesmo estabilizada a economia irlandesa segue enfraquecida. Mas a estabilidade é importante para o mercado, para atrair investidores, aumentar a circulação de grana e então, ajudar o país a crescer novamente, mas isso leva tempo.
Saímos da recessão?
Sim, de fato, no primeiro trimestre a Irlanda saiu “tecnicamente” da recessão, mas o que isso significa? A grosso modo, saímos do olho do furacão, mas cobertos de cinzas e ranhuras. Saímos do saldo negativo, mas continuamos sem muito gás na conta bancária (entendeu?). O que temos hoje, é um país no caminho do crescimento, mas com muita coisa para consertar em setores cruciais. Principalmente no comércio, setor financeiro (bancos), industrial e o mais importante para a população como um todo, o desemprego, que hoje é um dos piores da Europa, 13,8%, segundo dados do último balanço.
Quer um exemplo prático da atual situação irlandesa? Digamos que você ficou uma temporada sem emprego, as contas acumularam, o cartão de crédito bombando, corta daqui, corta dali, esquece balada, esquece a roupa nova do natal. Ai um belo dia, depois de muita correria uma oportunidade aparece, ufa, rola aquele alívio, mas você continuará tendo que por as finanças em ordem. Continuará segurando a onda dos gastos e só depois de muito perrengue voltará ao padrão que tinha antes. É o que está acontecendo por aqui, saímos da recessão, mas a casa precisa ser arrumada, voltamos a crescer, mas a passos lentos. O problema é que estamos falando de uma nação inteira e em proporção infinitamente maior, sem falar que ainda existem os fatores externos, como por exemplo, a própria crise da zona do euro.
Desemprego
Uma coisa que devemos levar em conta é que existe diferentes perspectivas de encarar o momento econômico irlandês e um deles, é a nossa, imigrantes intercambistas. Ora, assim como os irlandeses, nós, brasileiros de passagem por aqui, também somos atingidos, mas vamos considerar as devidas proporções. Primeiro, o que vemos nos noticiários reflete a realidade de pessoas que estavam acostumadas a um nível de vida muito superior ao da realidade brasileira. Pessoas que hoje possuem dívidas de financiamentos, que estavam acostumadas a salários de mais de 800 euros semanais, e que vinham de uma economia muito forte. Claro que isso tem um impacto devastador.
Segundo ponto, nós estamos de passagem por aqui, pelo menos a maioria. Qual o nosso objetivo inicial em solo irlandês? Suponho que seja o inglês, experiência internacional, viajar, etc. Bom, olhando por esse ângulo e analisando os números vale algumas constatações. Há dois anos se pagava paticamente 50% a mais do valor que pagamos hoje pelo curso de inglês. O aluguel para estudantes não custava menos que 300 euros mensais (e nem adiantava choramingar), hoje isso mudou muito. As escolas precisam sobreviver e estão mais flexíveis, os valores dos alugueis idem. Sem falar na questão do visto. A história é sempre a mesma, a crise vem as portas se fecham, claro, a culpa quase sempre é atribuída ao imigrante.
Bom, esta sendo assim na América do Norte, esta sendo assim na Inglaterra, França, na Australia e a lista só cresce, no entanto, na Irlanda, pelos menos até uma segunda ordem ainda se pode manter o sonho do intercâmbio, com preços possíveis e poucas exigências. E outra, a situação irlandesa hoje não foge muito da que nós, brasileiros estávamos acostumados a lidar no dia a dia antes de nos tornarmos um país emergente. Então pessoal, considerem tudo isso.
O que de fato nos atinge diretamente é sim, a questão do desemprego. Afinal, se antes, chegávamos aqui e escolhíamos vagas, atualmente elas estão mais escassas. Demora-se mais tempo para conseguir um trampo, então venha preparado e com uma graninha extra para segurar as pontas nos 2 ou 3 primeiros meses, quem sabe quatro. Está naquele esquema de: “tomei emprestado para vir”, avalie bem os riscos, pois, fazer mundos de dinheiro não será tão fácil. Lembre-se, chegando aqui a perspectiva é de ter despesas nos primeiros meses e depois recuperar com o grana do primeiro trabalho, agora imagine se você já chegar aqui devendo, faça bem suas contas!
O que diz as previsões?
Bom, 2010 vai ficar nisso, mas como já afirmavam economistas no início da crise, a Irlanda sofreria drasticamente nos dois primeiros anos (2009-2010) e encontraria o rumo nos anos seguintes. Os investimentos, a proposta de uma economia inteligente, as investidas nas empresas internacionais, os programas de requalificação profissional, as novas linhas de investimentos, tudo isso e mais uma série de ajustes começarão a mostrar resultados vagarosamente a partir do ano que vem.
Um novo reporte publicado por agentes do governo mostram uma perspectiva de crescimento no setor varejista de 76%, principalmente nos grandes centros (Dublin, Galway, Cork). O mercado se aquecendo, os pontos vão encontrando os seus “iiiiis”. Os preços em muitos setores continuarão em queda e, com a estabilização das instituições financeiras, os financiamentos principalmente para a compra da casa própria, voltarão a acontecer, o que de uma forma ou de outra, também impulsiona o crescimento econômico. E crescimento é igual a oferta de emprego!!! \o/
Claro que nos setores mais atingidos como, construção civil, a reação será mais lenta. Um exemplo disso foi o anuncio da Dublin Institute of Tecnology – DIT, que juntamente com o governo anunciou a construção de centros universitários e de saúde, um investimento de pelo menos 486 milhões de euros e que deverá gerara 4mil empregos, mas num período de dez anos.
Além dos ajustes internos, o Estado terá ainda a dura tarefa de restabelecer o status do país junto ao mercado internacional. Com o rebaixamento da Irlanda junto as agências de classificação de risco, ficou ainda mais complicado atrair investidores. Entre os desafios do governo, os economistas alertam a necessidade de mais cortes nas contas públicas, além de indicar que é muito pouco provável que o governo consiga atingir a meta estabelecida para 2014.
De olho no futuro

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O governo foi questionado sobre a atual política de redução do desemprego, além de ser altamente criticado pelo índice histórico e negativo. São cerca de 455 mil trabalhadores desempregados recebendo benefício do governo. E como criar emprego para toda essa gente? O governo aposta na “smart economy”, ou seja, geração de empregos em esferas tecnológicas e em níveis superiores. O problema é, grande parte dos desempregados são considerados profissionais não qualificados. Ou seja, o governo terá a dupla tarefa de além de criar empregos, requalificar profissionais. É aí que novamente acredito ser um ponto positivo para os intercambistas que pensam num plano de carreira na Ilha.
Primeiro porque qualificação não cai do céu, precisa-se de tempo, segundo, porque o governo já enfrenta outro problema. Os jovens irlandeses qualificados estão debandando para outros países, pois, recém-formados e cheio de planos, eles não estão dispostos a esperar dois, três anos pelas vagas que as empresas multinacionais que estão chegando aqui irão disponibilizar.
A população envelhecida da Europa é outro problema recorrente. O último reporte populacional mostrou que a Irlanda enfrentará problemas num futuro bem próximo. Isso porque, o país é um dos que mais cresce. Tem muito idoso, muita criança nascendo, já quanto a população produtiva e jovem? Bom, essa tem ido para outros países. Então fiquem de olho, pois, daqui a pouco a Irlanda vai precisar pedir socorro e sofrerá com a carência de mão de obra jovem qualificada no mercado e se você estiver preparado com certeza pode encontrar espaço. Pense nisso!!!!!
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