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12
mar
2010

E-Dublin News! 12/03/2010 Especial St Patrick’s Day

E- Dublin News hoje presta homenagem a São Patrício (St Patrick’s)!!!

Happy St. Patrick´s Day!

Vocês imaginam andar pela calçadas de Dublin e dar de cara com um homenzinho com aspecto do Gandalf do Senhor dos Anéis? Pois acredite, a Irlanda já esteve repleta de Gandalfs e não apenas no aspecto físico, mas também, com todo o aparato de mistério, bruxaria e poderes sobre a natureza. Ou seja, uma aberração para a Santa Igreja Católica do século V, foi aí que surgiu a figura de São Patrício, um jovem ex-escravo e sacerdote, incumbido de levar a doutrina Cristã para a Ilha Verde.

E tenho que confessar, Patrício, foi o cara. Com muito jogo de cintura, paciência e um pezinho na bruxaria (pelo menos é o que conta muitas lendas irlandesas), ele bravamente mudou a crença do povo da época. Quem vai explicar, por exemplo, o desaparecimento das cobras na Irlanda? Dizem que Patrício botou uma por uma para correr daqui, é claro, que assim como Adão e Eva, a maça e aquela história de paraíso vai bem pelo mesmo caminho (ou você ainda acredita nisso?).

As serpentes foram usadas apenas como uma metáfora para que o povo daquela época (Druidas), compreendesse que os ritos pagãos e todas as coisas que a fé católica colocava como pecado deveria ser banidas da ilha. Bom, funcionou. Não existe Irlandês que não acredite na história, além do que, até onde sei, nunca se teve notícia de nenhuma cobra com cidadania irlandesa.

Sai o paganismo Druida e entra a fé cristã introduzida por Sâo Patrício. Imagens: Reprodução

São Patrício foi um diplomata do seu tempo. Ao contrário do que acontecia no resto da Europa, onde a fé católica era imposta pelo Império Romano e muitas vezes com apelo de guerra, Patrício foi muito mais esperto.

Ficou íntimo do que os Druidas acreditavam e aos poucos foi misturando elementos da fé cristã na cultura local, quer um exemplo? O trevo, quer elemento mais irlandês que esse? Ou você acha que essa foi uma invenção do Patrício? Nada, o povo pagão na cultura Celta já acreditava no conceito da trindade, só que para eles a representação era de corpo, alma e mente.

O Santo apenas “adaptou” algo que já existia e passou a doutrinar os Druidas usando o trevo (Shamrocks), para explicar a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Nem precisa dizer que, o que era bom ficou ainda melhor não é? Trino e Santo, pronto, era o que o povo precisava para simpatizar com fé cristã.

Ai você deve estar se perguntando, ok, São Patrício foi um santo e tanto, saiu da condição de escravo fugido a figura mais importante da Irlanda, embutiu o catolicismo numa sociedade 100% pagã, mas o que tudo isso tem a ver com a farra que se comemora no seu dia? Não era para ser uma celebração religiosa? Na verdade é, não é à toa que São Patrício é venerado em outros países e os irlandeses matêm o costume de ir a missa para pedir pelos missionários de todo o mundo, só que, de 461 d.C (pensa), até os dias de hoje muita coisa aconteceu nessa terra de vales verdes.

A tradicional St. Patrick´s Day Parade se popularizou por paises como Estados Unidos, Canadá, Austrália e até Russia. Fotos: Ávany França

Vamos aos fatos. Primeira coisa, o dia 17 de março, é na verdade o dia em que São Patrício teria morrido (assim como os dados de seu nascimento, tudo é muito incerto). E como patrono da Irlanda, muitas coisas relacionadas à ele são ovacionadas pelos irlandeses, o trevo, o verde, além de março ser o período de se saudar a primavera que está chegando (ou seja, época de renovação em todos os sentidos). Todas essas simbologias acompanharam os nativos pelo mundo afora.

Aliás, já contamos aqui sobre um dos períodos mais difíceis da Irlanda, The Great Irish Famine, quando os irlandeses abandonaram a ilha para fugir da fome que alastrava o país. Eles imigraram e carregaram consigo a fé cristã e todas as simbologias associadas a São Patrício, inclusive a festa. A cada mês de março, no dia de São Patrício era a oportunidade máxima de gritar aos quatro cantos o orgulho de ser Irlandês. Imagine você o que isso não representava. Os irlandeses saiam nas ruas vestidos de verde e celebrando o St. Patrick´s Day. A culinária, a música, a dança, e claro, a bebida, fechavam o pacote, ah e o detalhe, a alegria dos irlandeses era tanta que eles disseminaram a ideia que no dia de São Patrício, todos viram irlandeses. Daí, para virar carnaval, ou melhor, Parada, foi um pulo só. E assim, chegamos a comemoração que conhecemos hoje.

Na América, Canada e Austrália, onde há muitos imigrantes irlandeses o Dia de São Patrick´s é comemorado oficialmente, com direito a decoração nas escolas e até os córregos e rios costumam ganhar o tom verde irlandês. O resto do mundo entrou na dança e assim como acontece no Brasil, os pubs costumam organizar programação especial no mês de março, em homenagem ao patrono irlandês. E já que é para virar irlandês que seja em grande estilo. Com muitas pints de Guinness, decorado de trevo, de duende, ahh e outro quesito fundamental, use algo na cor verde, dizem por aí que aquele que não seguir a tradição pode voltar para casa com algumas marcas de beliscão. Eu não pagarei para ver :) .

E para quem quer conhecer mais sobre St. Patrick e sobre a história irlandesa segue duas recomendações:

A short History of The Irish People, by Mary Hayden, MA and George A. Moonan
A Traveller´s History of Ireland, by Peter Neville

Saiba tudo sobre a grande festa que acontece na semana de hoje até o dia 17 na Irlanda! http://www.stpatricksday.ie/cms/home.html

Veja aqui como foi o o St Patrick’s Day em 2009!

Slainté! :)

27
dez
2009

Mundy, Damien Rice ,Glen Hansard & Bono busking on Grafton St

Feliz Natal E-Dubliners!

Ainda nesse clima, gostaria de compartilhar com voces algo que foi inédito pra mim. Mundy, Damien Rice ,Glen Hansard e Bono Vox tocando na Grafton Street!

Sim, eles estavam lá, na rua, igual qualquer outro músico, rodeados por pessoas que estavam passando, tocando músicas no violão pra arrecadar dinheiro pra caridade.

Todo ano acontece algo similar, e é muito comum ver muita gente arrecadando dinheiro pra doar para instituições de caridade.

O nome pra atividade de “tocar nas ruas” geralmente pra ganhar uns trocados, é chamado “busk”. E quem toca é o “busker”. Por isso o título “busking” ;-)

Bom, o E-Dublin apareceu lá bem no finalzinho, e como reconheci apenas o vocalista do The Frames, Glen Hansard inicialmente, vocês vão perceber que no vídeo só falei do The Frames, mas na verdade os artistas que tocaram foram: Mundy, Damien Rice ,Glen Hansard e Bono Vox (O Bono não estava mais lá quando cheguei)

É isso aí, quem sabe da próxima a gente chega no comecinho! Divirtam-se e boas festas!

23
dez
2009

Retrospectiva 2009 – Reflexões

Nem só de dicas é feito o E-Dublin. E talvez o grande diferencial do E-Dublin em relação a qualquer outro portal de informações é que existem humanos por trás disso tudo. Humanos que riem, que choram, que erram, que acertam, que se divertem, que sentem saudades, que acreditam em algo maior, que tem amigos e que acima de tudo, precisam um dos outros.

Eu sou um deles. Um cara médio, sem super poderes e muito menos auto-suficiente.

Esse ano foi o de maior mudança, e se ano passado falávamos de medos e incertezas,  esse ano ficou marcado por pessoas que vem e vão na nossa vida.

Uma delas é bem conhecida por todos vocês aqui: O Homero. No final de 2007 decidimos juntos que iríamos fazer essa viagem pra Irlanda. Pesquisamos, perguntamos pra várias pessoas, entramos em fóruns, comunidades, comecamos a juntar dinheiro, decidir as datas, até que no dia 04/04/2008 embarcamos com destino a Dublin.

Ambos com um sonho em comum e uma grande amizade, que se fortaleceu a cada dia.  Correrias, conquistas, desabafos, tudo sempre foi compartilhado entre nós.  Foi um desafio que nós dois tivemos ao morar sozinhos pela primeira vez, descobrir coisas novas.

Bom, vocês acompanharam tudo isso em 2008. Acontece que 2009 mudou. Em fevereiro passei férias no Brasil, e o Homero voltou de vez. Contei um pouco da minha revolta com o ciclo de educação no Brasil, matei saudades de amigos e família, mas em nenhum momento pensei em ficar de vez. Voltei pra Irlanda.

Inicialmente o baque não foi grande, pois Homero e eu estávamos “saturados” no sentido de “super-presentes” um na vida do outro, então acabou sendo mais uma novidade morar literalmente sozinho em Dublin.

Bom, não parou por aí. No passar dos meses, outros vários amigos importantes foram indo embora: Pozzanni, Ju, Betinho, Peter, Bruna Primo, Mocotó, Li Carvalho, Bernardelli, João, Micky, Heather,  e vários outros.

Depois de ter completado esse ciclo de 1 ano morando aqui, essa mudanca de amigos fica mais clara. Me perguntava: Porque os brasileiros vão embora da Irlanda?

Lembrei de um bilhete que minha ex-namorada me escreveu em um papelzinho, quando ela voltou pro Brasil, após 5 anos morando em Londres: “There’s no place like home.

E isso é único, simples e verdadeiro. Basta você definir onde é sua casa. Seu lar. Eu tenho um amor incondicional pela minha família, meus amigos e meu país.  Não é preciso estar lá fisicamente pra sentir isso. Me orgulho de tudo.

Me orgulho de dizer que sou brasileiro;
Me orgulho de cantar o hino nacional dentro de um pub Irlandês;
Me orgulho de ver meu irmão crescer e cuidar da minha mãe e minha mãe dele;
Me orgulho de abraçar meu pai e sair com ele pela Irlanda a fora;
Me orgulho de ver minha outra “famílea” cantar parabéns no meu aniversário mesmo eu não estando lá;
Me orgulho de saber que os leitores desse blog se importam em nos conhecer como pessoas, e não como disk-ajuda;
Me orgulho de ver pessoas e empresas valorizando esse espaço;
Me orgulho por acreditar em Deus;
Me orgulho por tudo que passou.

E isso me mantém vivo aqui. São vocês, amigos, familiares, “famileares”, leitores, parceiros e principalmente Deus, que continua abrindo portas e mais portas.

Se o Natal foi mágico ano passado, esse ano será ainda mais especial. E quero poder mais uma vez compartilhar com todos vocês. Sejamos todos fortes, pois é especial. É um natal de todos nós. Não estamos a sós.

Confesso que estou sentindo uma borboleta no estômago nesse momento, e olhando pra parede pra disfarçar os olhos vermelhos segurando lágrimas, aqui no escritório.

Fiquem com Deus, e cuidem um dos outros, onde estiverem.

De coração,
Edu.

4
nov
2009

Você Sabia? The Great Irish Potato Famine

Fonte: http://www.ig.orapois.com.br/humor/piadas/fotos-engracadas/batata-sexy_id7660_p0_mc0.html


Essa história rolou na sala com um dos professores irish… depois da aula o chamei para saber mais detalhes…

Você sabia que a Irlanda já teve quase o dobro da população atual em seu território, algo em torno de 9 milhões? Que desses milhões de irlandeses, cerca de 2 milhões morreram de fome entre os anos de 1840 e 1849 e outros 2 milhões imigraram para países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália?

Imagine pessoas batendo de porta em porta clamando por alimentos, estabelecimentos sendo saqueados, e pessoas desnutridas cambaleando pelas calçadas de Dublin, Galway e condados Irlandeses. Surto? Não, realidade. Esse era o retrato da Irlanda na segunda metade do século XIX. A crise irlandesa ficou conhecida mundialmente como a Grande Fome da Batata.

Toda população foi afetada pela Potato blight, uma praga que atingiu as plantações de batatas por anos seguidos, culminando no empobrecimento do solo e na falta de alimento na região. As pessoas abandonaram as zonas rurais e rumaram para as cidades em busca de comida. Os relatos históricos citam famílias raquíticas invadindo casas e debruçadas sobre o solo na busca de qualquer vestígio de alimento. Triste não é? As pessoas morreram primordialmente de inanição e por doenças como Tifo.

Por outro lado, a Coroa Britânica que administrava a Irlanda, limitou-se a distribuição de soupas para a população, o que não aplacou a fome na região. Aliás eis outro capítulo interessante na história irlandesa. Você sabe de onde vem o hábito de comer potato dos irlandeses? Longe de ser por opção, na verdade, esse hábito se deu por praticidade, ou melhor, necessidade. Como as terras irlandesas eram dominadas pelos britânicos, os fazendeiros tinham que alugar o espaço para plantio, o detalhe era que 80% de tudo o que era cultivado, era destinado a Coroa Britânica, com o que sobrava, apenas 20%, restavam aos locais plantar algo que fosse fácil e garantisse um alimento nutritivo, ou seja, batata. A carne de porco também entrou na dieta irlandesa, pelas mesmas razões, a facilidade de se manter o animal e pelo pouco espaço que se dispunham para isso.

É isso! Da próxima vez que forem comentar sobre a adoração dos irlandeses por “potato”, lembrem-se que o fato esta lincado a triste história da dominação britânica e escassez de alimento.

Para quem quiser saber mais sobre The Great Irish Potato Famine, vale dar uma olhada no livro de mesmo nome, do escritor James S. Donnelly, Jr, ou ainda visitar o The Famine Museum, em Strokestown Park – Strokestown – Co. Roscommon. http://www.strokestownpark.ie/museum.html

Ávany França