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16
dez
2009

Retrospectiva E-Dublin 2009 – Crise

Pra nossa sorte venta muito, muito mesmo na Irlanda… e o vento levou. Bom, dizer que tudo se foi é mentira, mas os ventos de 2009 levaram um pouco da crise embora! Acho que esta é uma retrospectiva que começa em Julho de 2008 quando falamos em crise, recessão, pela primeira vez! Depois começamos a separar as coisas e ter uma noção de como de forma macro e como no dia a dia a crise estava impactando.

Naquela época o que se falava era de uma crise politico-economica na Irlanda, alguns eram bem pessimistas e diziam que dali pra frente pioraria muito antes de começar a melhorar. Passou a primeira votação do Lisbon Treaty (é, na Irlanda também rola tapetão), e o não venceu. Em setembro de 2008 o estopim: a crise americana do Sub-prime fazendo com os países europeus um grande dominó, a começar pela Irlanda, que como disse, desde de Julho já comentava uma crise interna. Em novembro já falávamos dos impactos.

Esta crise foi ruim pra muita gente, muitos brasileiros que chegaram no fim de 2008, só conseguiram arrumar um emprego e se estabilizar em fevereiro, março. Daqueles que chegaram em novembro, e vocês podem ouvir aqui no E-Dublincast,  nenhum conseguiu um emprego antes do fim do ano. O Mocotó se virou, criou o Mocotour… O Jesse, virou taxista de bicicleta nas madrugadas frias… O Adriano, bem, fora a parte do dedo, ele começou a lavar carro e conseguiu se estabilizar também.

Bom… mas isso tudo faz parte de 2008, e também do inverno. Sempre dizíamos, fim do ano as coisas param por causa do inverno, com crise então, não precisava nem dizer que janeiro e fevereiro iam ser dificeis! E começamos anunciando mais reflexos da crise sobre a nossa vidinha pacata em Dublin.

Não por isso (mas em partes por isso) voltei para o Brasil em fevereiro, carnaval, alegria!

A expectativa era que o verão trouxesse novamente a prosperidade, já que traz turistas. É verdade que em maio estávamos falando que haviam lugares com filas gigantescas por emprego, e era verdade. Mas ao mesmo tempo que isso acontecia e que a Globo mostrava uma reportagem completamente desconexa com a realidade no Profissão Repórter, alguns E-Dubliners começam a dar as caras com boas notícias… Teve gente que até emprego na área conseguiu, e sem falar um inglês maravilhoso como muitas vezes imaginamos.

Aproveitando essa ladainha toda, aproveitamos pra voltar a discutir a crise (que teve seu pico no Brasil em março/09) em mais um E-Dublincast, sobre a tal da crise.

Neste meio tempo ouvimos algumas notícias preocupantes, mas sempre justificáveis e algumas aceitáveis

Passado mais de  um ano de crise, ou melhor, de histeria (principalmente no Brasil, onde a mídia insistia em criar o caos), as coisas parecem estar se acertando. É verdade, muita gente passou varios perrengues. Outras tiveram corte de salário… Algumas voltaram no meio da crise, outras foram ficando, ficando… algumas dessas ainda vão ficar, outras vão voltar com um baita rombo na conta (né Mocotó?), mas, acredito que pior já passou, e que as pessoas que passaram(e estão passando) pela crise na Irlanda só tem que agradecer a oportunidade do aprendizado e do desafio, pois, se hoje a crise para muitos passou a ser coisa do passado, é porque os guerreiros que ali estão tiverem força de vontade e alegria pra superá-la.

E que venha 2010… =o)

9
nov
2009

Boas notícias! A crise na Irlanda está melhorando

Assim como eu, muitos e-dubliners estão incessante busca pelo emprego perfeito, e claro, no fim todos querem ter um emprego bacana aqui na Irlanda e preferencialmente trabalho na área.

Pois bem, trago boas notícias, ó nobres camponeses! A “tal da crise” está melhorando! \o/

Isso ficou explícito pra mim no dia 1 de Outubro, quando recebi uma ligação de uma agência de recrutamento, me oferecendo uma vaga.

Quase não acreditei, pois era uma das agências que eu havia enviado currículo láááá do Brasil, quase 2 anos atrás. Eles disseram as seguintes palavras:

Temos boas notícias! Recebemos o sinal verde pra voltar a contratações. Empresas estão nos ligando e nos briefando pedindo profissionais de diversas áreas, seu currículo estava em nosso banco de dados e percebemos que seu perfil encaixa para essa vaga…

Quase não acreditei. Aliás, eu não acreditei nos primeiros 3 minutos de conversa no telefone, afinal: “você se encaixa no perfil“, “pegamos seu CV do banco de dados” e “sinal verde pra contratar” são coisas que eu jamais ouviria de uma agência de recrutamento (nosso currículo sempre vai pro limbo, também conhecido como “banco de dados”!)

Bom, e eis que a notícia era verdadeira. Tanto que na mesma semana OUTRA agência me ligou, oferecendo outra vaga. Pegadinha do Mallandro (Há!)?


Nada! São as boas notícias chegando mesmo :)

Claro que agora, mais próximos ao final do ano, o ritmo de contratações naturalmente diminui. Novembro ainda é um mês que promete, mas Dezembro e Janeiro vai ser bem parado, assim como Dublin inteira será.

Pra quem ainda está na busca do seu emprego perfeito, não pare! Se você é au pair, use seu tempo livre pra enviar currículos. Se você ainda está no Brasil e está pra chegar, comece a mandar CV! Mande uma cover letter dizendo quando você chega, que tem muito interesse em aprender e poderia negociar um trabalho part-time, ganhando menos, pela experiência mesmo, etc.

Seja seu próprio vendedor, demos algumas dicas de emprego e sempre que possível mais e mais dicas de trabalho.

Contei um pouco das tristes notícias da crise e impactos na empresa, mas Dublin está se recuperando, com mercado mais enxuto e mais seleto, porém vivo. Não desistam, a busca começa agora!

P.S: Não é o nosso hino nacional que diz “Verás que um filho teu não foge à luta”?

20
jul
2009

Reflexos da crise no trabalho – Parte 3

Pois é jovens E-Dubliners. Em novembro contei como foi o primeiro reflexo direto da crise no meu trabalho. Pouco depois, mais direto, impossível: o paycut. Sim, corte de salário.

Bom, passados 6 meses, o dono da empresa já havia dito que haveria um reajuste dependendo do revenue (renda) da empresa e prospecções.

Infelizmente o mercado não colaborou, as verbas continuam muito baixas e por mais que ficássemos horas extras e passando noites acordados não conseguimos atingir as metas.

O principal problema foi e é o cash flow. Os clientes estão pagando os invoices de 60 a 90 dias depois que são emitidos, e nesse meio tempo temos salário, conta de luz, fornecedores e mais outras milhares de contas pra pagar.

Com base nesse reflexo negativo, eis que veio mais um paycut. Sim, mas dessa vez um pouco mais agressivo. Alguns funcionários tiveram cortes de até 25% do salário!

Apertou o cerco meus caros. Não bastassem os paycuts, 3 funcionários foram demitidos, dentre eles uma das minhas chefes.

Choros, clima tenso e muita gente disparando CVs pra todos os lados nessa última semana.

Agradeço a Deus por ainda ter meu emprego, ainda poder pagar minhas contas (dessa vez um pouco mais apertado) e principalmente por saber que sou uma peça importante para a empresa. Ser o único estrangeiro da empresa, e passar pelo segundo corte é algo a se comemorar, não reclamar.

Cheers!

4
mai
2009

Recessao na Irlanda: 500 pessoas na fila

Esse texto foi enviado pela Thay, nossa nova colaboradora, em respeito a fila gigante vista recentemente para vagas de Sales Assistant na Londis.

Viajar é bom demais. Descobrir novos lugares, entrar em contato com pessoas diferentes e aprender a conviver com distinções culturais. Tudo vai muito bem até o momento em que se precisa buscar um emprego para se sobreviver hoje em dia.

Quem caminhou ao redor de uma das vias mais famosas de Dublin na semana passada pôde ver uma enorme fila de em media 500 pessoas, se formando na Grafton Street com Stephen Green`s North.

O alvoroço crescia a cada minuto e curiosos perguntavam do que se tratava pensando ser a provável venda de ingressos para um show de alguma banda incrível. Algumas câmeras não profissionais registravam o acontecido e a constatação da realidade – o motivo pelo qual a multidão se juntava no queue: propostas de emprego da rede Londis, na promessa de abertura de duas unidades com geração de quarenta novos postos de trabalho (sales assistant).

Indianos, Paquistaneses, Maurícios e Brasileiros, em sua grande maioria, engrossavam a fileira de desempregados. Quem até hoje vivia sua vida de forma normal alheio a crise atual, se chocou desacreditando no que via. O vídeo foi postado no youtube gerando centenas de comentários ao redor do mundo.

O que espanta não é nem somente a situação em si, mas o racismo e a falta de percepção de alguns nativos, autores de respostas ofensivas cheias de revolta quanto à globalização, imigração e xenofobia – um deles chega a sugerir a instalação de uma placa oferecendo vôos gratuitos aos imigrantes para voltar aos seus países de origem.

O teor de muitos comentários mostra o medo de que o dinheiro que deveria circular por terras celtas seja mandado para outro lugar e de que pessoas de fora roubem trabalhos de irlandeses. Alguns também se surpreendem com a visível miscigenação cultural que toma conta da Irlanda nos últimos anos.

É triste ver tanta ignorância por parte de gente esclarecida e sofrer nas filas de entrevistas enquanto se tenta garantir seu sustento de forma honesta sem a opção de esperar a ajuda governamental da qual muitos europeus desfrutam.