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29
mar
2010

E-Dublin News! Especial Balanço 1° Trimestre: crise, empregos etc.

Primeiro trimestre de 2010 indo embora e toda aquela história de crise e recessão parece que ficou lá em 2009. Será? Como será que estão as coisas na Ilha Verde? Já dá para acreditar numa boa colocação no mercado de trabalho, ou o que ainda nos resta é o sub-emprego? Nesse ESPECIAL o E-Dublin vai facilitar a sua vida eliminando todos aqueles indicadores econômicos, cifras e taxas de juros, pois, isso é coisa de economista. A gente quer mesmo é saber onde a coisa vai pegar para nós, simples mortais.

1° T R I M E S T R E

O ano começou mostrando que aquela conversa de político, pelo menos aqui, na Irlanda, pode ser levada um pouco à sério (também não vamos acreditar em tudo). Digo isso, porque no final de 2009 uma série de anúncios foram feitos pelo governo. Falou-se do fim da recessão, de uma retomada econômica e dos planos para atrair investidores. A retomada é coisa para longo prazo, já que, apesar de ser um país veementemente católico, milagres por aqui não costumam ser assim, tão comuns. Fim da recessão? Acabamos foi entrando para o grupo dos porquinhos, ou melhor, PIIGS (alguém sabe quem batizou essa sigla?). Pois é, a tal PIIGS, ou apenas PIGS, mostrou que a invunerabilidade do euro não é assim, tão verdadeira e que, países como Portugal, Itália, IRLANDA, Grécia e Espanha podem causar muito transtorno na zona do Euro e também ao mundo, se não cuidarem do deficit fiscal. Ok… está todo mundo correndo atrás para equilibrar as finanças e nessas horas, fazer parte de um bloco faz toda a diferença, a Irlanda que o diga.

I N V E S T I M E N T O S

Foto Reprodução: tv124

Já faz um tempo que a Irlanda vem se fortalecendo na área de tecnologias e, claro, no sufoco, o governo criou uma estratégia para provocar o mercado e atrair investidores. A aposta é na IDA (calma, ninguém vai a lugar algum). A Industrial Developmen Authority (IDA), foi criada lá nos anos 1970, num momento em que a Irlanda, tinha o esteriótipo de um país rural e estava muito atrás dos demais países do bloco europeu. A sacada era atrair olhares dos investidores internacionais, propondo alto nível educacional, população jovem, financiamentos generosos de capital, pesquisa de desenvolvimento, moeda estável e acesso livre e direto a outros países europeus e o melhor, sem taxas. Pois é, a IDA deu tão certo que voltou a atuar à todo o vapor agora.

Em janeiro empresas como Microsoft, a StremServe e o Grupo UPC escolheram a terra da Guinness como sede para disseminar suas operações na Europa. Isso é interessante não só para a economia irlandesa, que anda precisando de um impulso, mas também, para aqueles que estão pensando na Irlanda para um plano de carreira. E não pense que as investidas do governo se limitam às áreas de tecnologias. A ideia é investir nas áreas emergentes. A indústria farmacêutica é uma delas e anda ganhando holofotes nesse primeiro trimestre, sem falar que foi um dos pouquíssimos setores que fecharam 2009 com 12% de crescimento. O último grande anúncio do setor, foi feito pelo sorridente Taoiseach Brian Cowen com a chegada da PPD, em Co Westmeath. A empresa se instala na região prometendo 250 postos de trabalho e investimentos de €14milhões e claro, com suporte da IDA.

The Love Irish Food, campanha incentiva o consumo do produtos made in Ireland. Reprodução

A estratégia do governo é compreensível, como as empresas irlandesas ficaram bem baqueadas com a recessão, é hora de voltar a estimular a entrada de capital estrangeiro. Vocês vão continuar tendo notícias de empresas demitindo ou fechando. Segundo relatório do FAS, o desemprego pode atingir pico de 13.5% em 2010. Vão continuar vendo nos panfletos dos supermercados o símbolo do trevo irlandês gritando: compre-me , compre-me, sou um produto Irlandês, ajude a economia local.  A área de construção civil pode continuar adormecida por muito tempo, alias, segundo estimativas do Ulster Bank, continuará em queda durante todo o ano, chegando a cair 40%. O comércio em geral deve ir segurando a onda do jeito que da. Fecha um mercado ali, abre-se uma loja de calçados acolá.

Outro ponto que vale uma atenção é a não linealidade. Se no passado todos os olhares estavam voltados para a capital, Dublin, agora, a coisa mudou um pouco de forma. Galway, Cork, Limerick e Belfast estão na crista da onda e na pauta dos investimentos governamentais. Uma matéria do Galway Independent coloca Co Galway como uma das melhores regiões para se procurar emprego, principalmente nos setores de engenharia, vendas, ciências, alimentos e tecnologia. No caso da Irlanda do Norte, o investimento não se limita à implantação de novas empresas, mas também, em pesquisas e inovações tecnológicas. Mostrando que o governo está trabalhando para criar uma identidade por lá. A Queen´s University em Belfast, por exemplo, terá dez profissionais contratados pela Seagate Tecnologies só para pesquisas e desenvolvimento. Mas lembrem-se, todo esse esforço vai demorar um pouco para aparecer, coisa para médio e longo prazo.

Para quem esta chegando, a dica é, espalhem-se! Visualizem esses destinos para intercâmbio também, porque não? Para quem já está aqui, aqueçam as impressoras e comecem a direcionar seus currículos para outras praças. Visitem constantemente os sites das empresas, pois, os anúncios de novas contratações são quase sempre para os próximos anos, e, o que pode parecer desestimulante, pode ser uma boa oportunidade de já chegar aqui empregado, ou, conseguir uma colocação na sua área. Ai você pensa, pô, tô precisando trabalhar agora, ok eu também. Mas que tal continuar na busca diária por um trampo, e também deixar um currículo no site da tal empresa? Numa hora dessas, quando você menos esperar a oportunidade vem. E vamos combinar, não custa nada.

Vale lembrar, a perspectiva de crescimento econômico para 2010 para a Irlanda é de ínfimos 1% e,  segundo relatório da Organization For Economic Co-Operation and Development (OECD), os danos causados em diversos setores da economia irlandesa foram demasiados e levará tempo para se restruturar a casa . Os parceiros econômicos internacionais vão crescer progressivamente, mas com respostas só no último trimestre do ano, a taxa de emprego ainda será alta até o meio do ano. Ou seja, não acredite em tempos maravilhosos em 2010, no máximo fique feliz com a oportunidade que você agarrar. E sabe aquela coisa de ficar de olho nas áreas emergentes? Vamos dar uma forcinha e deixar o link das principais apostas empresariais na Irlanda em 2010.

Clique para acessar a lista das principais empresas investidoras em 2010. Reprodução: Irish.Independent

16
dez
2009

Retrospectiva E-Dublin 2009 – Crise

Pra nossa sorte venta muito, muito mesmo na Irlanda… e o vento levou. Bom, dizer que tudo se foi é mentira, mas os ventos de 2009 levaram um pouco da crise embora! Acho que esta é uma retrospectiva que começa em Julho de 2008 quando falamos em crise, recessão, pela primeira vez! Depois começamos a separar as coisas e ter uma noção de como de forma macro e como no dia a dia a crise estava impactando.

Naquela época o que se falava era de uma crise politico-economica na Irlanda, alguns eram bem pessimistas e diziam que dali pra frente pioraria muito antes de começar a melhorar. Passou a primeira votação do Lisbon Treaty (é, na Irlanda também rola tapetão), e o não venceu. Em setembro de 2008 o estopim: a crise americana do Sub-prime fazendo com os países europeus um grande dominó, a começar pela Irlanda, que como disse, desde de Julho já comentava uma crise interna. Em novembro já falávamos dos impactos.

Esta crise foi ruim pra muita gente, muitos brasileiros que chegaram no fim de 2008, só conseguiram arrumar um emprego e se estabilizar em fevereiro, março. Daqueles que chegaram em novembro, e vocês podem ouvir aqui no E-Dublincast,  nenhum conseguiu um emprego antes do fim do ano. O Mocotó se virou, criou o Mocotour… O Jesse, virou taxista de bicicleta nas madrugadas frias… O Adriano, bem, fora a parte do dedo, ele começou a lavar carro e conseguiu se estabilizar também.

Bom… mas isso tudo faz parte de 2008, e também do inverno. Sempre dizíamos, fim do ano as coisas param por causa do inverno, com crise então, não precisava nem dizer que janeiro e fevereiro iam ser dificeis! E começamos anunciando mais reflexos da crise sobre a nossa vidinha pacata em Dublin.

Não por isso (mas em partes por isso) voltei para o Brasil em fevereiro, carnaval, alegria!

A expectativa era que o verão trouxesse novamente a prosperidade, já que traz turistas. É verdade que em maio estávamos falando que haviam lugares com filas gigantescas por emprego, e era verdade. Mas ao mesmo tempo que isso acontecia e que a Globo mostrava uma reportagem completamente desconexa com a realidade no Profissão Repórter, alguns E-Dubliners começam a dar as caras com boas notícias… Teve gente que até emprego na área conseguiu, e sem falar um inglês maravilhoso como muitas vezes imaginamos.

Aproveitando essa ladainha toda, aproveitamos pra voltar a discutir a crise (que teve seu pico no Brasil em março/09) em mais um E-Dublincast, sobre a tal da crise.

Neste meio tempo ouvimos algumas notícias preocupantes, mas sempre justificáveis e algumas aceitáveis

Passado mais de  um ano de crise, ou melhor, de histeria (principalmente no Brasil, onde a mídia insistia em criar o caos), as coisas parecem estar se acertando. É verdade, muita gente passou varios perrengues. Outras tiveram corte de salário… Algumas voltaram no meio da crise, outras foram ficando, ficando… algumas dessas ainda vão ficar, outras vão voltar com um baita rombo na conta (né Mocotó?), mas, acredito que pior já passou, e que as pessoas que passaram(e estão passando) pela crise na Irlanda só tem que agradecer a oportunidade do aprendizado e do desafio, pois, se hoje a crise para muitos passou a ser coisa do passado, é porque os guerreiros que ali estão tiverem força de vontade e alegria pra superá-la.

E que venha 2010… =o)

9
nov
2009

Boas notícias! A crise na Irlanda está melhorando

Assim como eu, muitos e-dubliners estão incessante busca pelo emprego perfeito, e claro, no fim todos querem ter um emprego bacana aqui na Irlanda e preferencialmente trabalho na área.

Pois bem, trago boas notícias, ó nobres camponeses! A “tal da crise” está melhorando! \o/

Isso ficou explícito pra mim no dia 1 de Outubro, quando recebi uma ligação de uma agência de recrutamento, me oferecendo uma vaga.

Quase não acreditei, pois era uma das agências que eu havia enviado currículo láááá do Brasil, quase 2 anos atrás. Eles disseram as seguintes palavras:

Temos boas notícias! Recebemos o sinal verde pra voltar a contratações. Empresas estão nos ligando e nos briefando pedindo profissionais de diversas áreas, seu currículo estava em nosso banco de dados e percebemos que seu perfil encaixa para essa vaga…

Quase não acreditei. Aliás, eu não acreditei nos primeiros 3 minutos de conversa no telefone, afinal: “você se encaixa no perfil“, “pegamos seu CV do banco de dados” e “sinal verde pra contratar” são coisas que eu jamais ouviria de uma agência de recrutamento (nosso currículo sempre vai pro limbo, também conhecido como “banco de dados”!)

Bom, e eis que a notícia era verdadeira. Tanto que na mesma semana OUTRA agência me ligou, oferecendo outra vaga. Pegadinha do Mallandro (Há!)?


Nada! São as boas notícias chegando mesmo :)

Claro que agora, mais próximos ao final do ano, o ritmo de contratações naturalmente diminui. Novembro ainda é um mês que promete, mas Dezembro e Janeiro vai ser bem parado, assim como Dublin inteira será.

Pra quem ainda está na busca do seu emprego perfeito, não pare! Se você é au pair, use seu tempo livre pra enviar currículos. Se você ainda está no Brasil e está pra chegar, comece a mandar CV! Mande uma cover letter dizendo quando você chega, que tem muito interesse em aprender e poderia negociar um trabalho part-time, ganhando menos, pela experiência mesmo, etc.

Seja seu próprio vendedor, demos algumas dicas de emprego e sempre que possível mais e mais dicas de trabalho.

Contei um pouco das tristes notícias da crise e impactos na empresa, mas Dublin está se recuperando, com mercado mais enxuto e mais seleto, porém vivo. Não desistam, a busca começa agora!

P.S: Não é o nosso hino nacional que diz “Verás que um filho teu não foge à luta”?

20
jul
2009

Reflexos da crise no trabalho – Parte 3

Pois é jovens E-Dubliners. Em novembro contei como foi o primeiro reflexo direto da crise no meu trabalho. Pouco depois, mais direto, impossível: o paycut. Sim, corte de salário.

Bom, passados 6 meses, o dono da empresa já havia dito que haveria um reajuste dependendo do revenue (renda) da empresa e prospecções.

Infelizmente o mercado não colaborou, as verbas continuam muito baixas e por mais que ficássemos horas extras e passando noites acordados não conseguimos atingir as metas.

O principal problema foi e é o cash flow. Os clientes estão pagando os invoices de 60 a 90 dias depois que são emitidos, e nesse meio tempo temos salário, conta de luz, fornecedores e mais outras milhares de contas pra pagar.

Com base nesse reflexo negativo, eis que veio mais um paycut. Sim, mas dessa vez um pouco mais agressivo. Alguns funcionários tiveram cortes de até 25% do salário!

Apertou o cerco meus caros. Não bastassem os paycuts, 3 funcionários foram demitidos, dentre eles uma das minhas chefes.

Choros, clima tenso e muita gente disparando CVs pra todos os lados nessa última semana.

Agradeço a Deus por ainda ter meu emprego, ainda poder pagar minhas contas (dessa vez um pouco mais apertado) e principalmente por saber que sou uma peça importante para a empresa. Ser o único estrangeiro da empresa, e passar pelo segundo corte é algo a se comemorar, não reclamar.

Cheers!