Arquivo de ‘Reflexões’ Category

8
jun
2010

Quais os seus objetivos com o Intercâmbio?

Quando decidimos fazer o intercâmbio, muitas vezes é por um “5 minutos” que dá um desespero para mudar. Foi um pouco assim pra mim… Mas independente disso, quando realmente decidimos, juntamos o dinheiro e finalmente compramos nosso pacote existem algumas coisas que queremos realizar: juntar dinheiro, experiência pessoal, aprender o idioma, fugir do Brasil (ou dos credores hehe) etc.

No ano passado o Thiago Nascimento levantou a lebre e propôs a discussão do assunto. E este ano voltamos a conversar sobre os objetivos dele e dos outros… O que a gente observou foi que muitos mudaram seus objetivos, se frustraram ou se surpreenderam com a nova vida. E com você, como será?

Propomos um desafio:

1 – Preencha o formulário abaixo com seus objetivos e contato:

http://creator.zoho.com/homerocarmona/interc-mbio-meus-objetivos-e-dublin/form-perma/Interc_mbio_Meus_objetivos_E_Dublin/

2 – Alguns (3 ou 4) meses após a sua chegada a Irlanda (ou qualquer outro destino, não importa), nós enviaremos um e-mail para você, te lembrando dos objetivos e querendo saber: E aí, conseguiu o que você queria? =o)

É isso aí galera, não vamos deixar nossos objetivos virarem promessa de ano novo, vamos atrás do que desejamos!

Participe do nosso grupo de discussão por e-mail no Google Groups!

24
mai
2010

Intercâmbio: o momento em que conhecemos pessoas especiais‏

A viagem de intercâmbio começa muito antes do embarque. Quando você decide pela Irlanda ou qualquer outro lugar do mundo e até mesmo quando você ainda esta decidindo o destino.

A busca por informações já é uma jornada que te possibilita descobrir quão pequenos somos e quanta gente bacana tem por aí, seja simplesmente postando dicas no orkut, procurando se ajudar e se encontrar para ir, chegar e quem sabe ficar juntos no destino.

Bom até então, somente coisas genéricas, mas vou explicar o porquê disso.

Até o embarque…

Ainda na época da procura / decisão, além das pessoas obvias (mãe, namorada, amigos próximos) tantas outras começam a chegar até você com um carinho que não se podia imaginar. Frases como “vou sentir sua falta” começam a vir de diversas pessoas, e às vezes repetidamente… Pra mim foi um primeiro estralo no sentido de “caramba, eu devia dar mais atenção pra essa ou aquela pessoa”.

Pra mim, o fato mais marcante pré-viagem foi a despedida no aeroporto. Uma amiga querida, mas de pouco contato (e que gravou a minha música de despedida comigo), saiu da casa dela, pegou um baaaaita congestionamento na via Dutra, para chegar e simplesmente me dar tchaw… Foi um abraço, 5 minutos de papo, lágrimas e fim… E estávamos falando no caminho, ela sabia que ia ser assim, poderia ter meia volta a qualquer momento.

E os primeiros dias de desespero?

Antes mesmo do embarque, assim como todos que no lê, saímos a procura de informações e ombros amigos. E a que mais me marcou foi um contato que o Edu encontrou, a nossa atual colaboradora Kenia. Ela recebeu nossos PPS e muitas ligações perguntando informações básicas que tínhamos nos primeiros passos. Não foi a toa que se tornou uma grande amiga nossa e dos velhinhos irlandeses.

Logo na chegada conhecemos alguns outros recém chegados, mas que já tinham quase 1 mês Irlanda e já estavam estabelecidos com casa e emprego. Estas almas caridosas nos chamaram para almoçar na casa deles. Compramos a carne e levamos. Talvez quem ainda não foi não tenha noção do valor deste nobre ato hehehe. Comida na rua em Dublin é caro, na hostfamily só se serve café e janta… Logo, almoçar com amigos pode trazer ótimas economias e principalmente uma alimentação mais adequada, o que pode te ajudar a não contrair uma gripe na sua chegada, o que é muito comum por conta da mudança de clima, umidade, hábitos (ex. andar muuuuuito e no frio) entre outras coisas.

E como esquecer o dia do Matrix, quando os ficamos horas andando em circulos pelas ruas de Dublin 2 sem saber como ir para a O’Connell? Quando estávamos completamente perdidos, em uma esquina da Dame St., um caro brasileiro viu a gente se debatendo com o mapa e nos ofereceu ajuda. Assim como um senhor que eu não entendia nada… ou então em Paris a velhinha falando em francês comigo… são vários os exemplos neste caso!

E por que não ajudar para matar o tempo e alegrar a alma?

O cara que inventou o trabalho não sabia o monstro que ele estava criando, e que pra piorar se tornou um mal necessário. Sendo assim, nesta árdua tarefa de encontrar o tão almejado emprego de garçom, contar com os amigos é importante. Graças a indicação do Edu me tornei garçom em Punchestwon. Certamente, cedo ou tarde eu encontraria algo, mas ele foi mais umas pessoas especiais que fez parte da minha vida irlandesa e da minha carreira em catering. Além disso, nada melhor que um verdadeiro amigo para te dizer tudo que você não quer, mas precisa ouvir… Neste tópico a recíproca foi (e ainda é) verdadeira hehehe.

Aquela história de ajudar quem está chegando virou coisa séria né Mocotó? O fulano resolveu ajudar E-Dubliners que estavam chegando apenas pela alegria de ajudar. Pagava as passagens do bolso mesmo estando desempregado… E depois, quando todo mundo queria uma mãozinho, criou o Mocotour , mas não deixo de criar amigos e dava sempre a mão, o braço e muitas vezes o ombro. Mostrava os principais lugares, ajudava no PPS, oferecia almoços e até ajudou os novos viajantes a arrumar um lugar para morar, (ele alugou até a minha casa para novos viajantes quando eu estava de saída), e por que não virar amigo também dos novos moradores? O envolvimento proporcionado aos que deixavam a casa foi tanto que algumas das pessoas que moraram eu até fantasiei que conhecia…

Pra não dar ponto sem nó, como nos últimos dias eu não tinha casa, ele se privou da sua privacidade e me deu seu chão e um colchonete no seu quitinete (que dividia com a noiva) por alguns vários dias, inclusive o meu último!

E aquela nossas amigas corajosas? E não é que ela também tá na lista?

Bom, já adianto que não sou fã de feijoada, mas sabe comida da mãe? Casa da avó? E não estou falando da idade, pois elas poderiam sim ser minha mãe, estou falando do carinho com o qual elas preparavam o arroz, a feijoada e o cafézinho brasileiro… e acima de tudo nos recebiam e criavam o cliema! Pode parecer bobagem, ou fora do contexto, mas mais importante que fazer baladas brasileiras (coisa que não fiz) é suprir a carência que temos do nosso Brasil, do nosso jeito de viver e conhecer as pessoas… E a única lembrança que posso ter disso é o meu último fim de semana em Dublin, junto a elas e tantos outros e-dubliners. Isso é real, admiro a quem quer manter as coisas boas do Brasil sem deixar que isso seja uma vida brasileira no exterior e a morte do propósito do intercâmbio. Parabéns Rô e Lili!

E-Dubliners na Fejuca!

E-Dubliners na Fejuca!

Muitas vezes quando estamos em nosso dia-a-dia acabamos olhando e ressaltando sempre o lado ruim das pessoas, mas o intercâmbio nos dá a possibilidade de acreditar no lado bom, pois se não acreditarmos nisso, podemos sentar e chorar sozinhos. Confiar nas pessoas não é fácil, confiar nas pessoas quando não se tem onde se escorar, é o básico da fé. Quando um ou outro disser que acredita em Deus, porém não acredita nas pessoas (sim, eu já ouvi isso), esta pessoa pode por o ponto final no seu intercâmbio.

Eu aprendi, mas talvez não pratique ainda 100% (a gente é burro, humano, erra demais, fazer o que?), que o importante da jornada é saber olhar o que e quem é especial e tentar ao máximo ser também especial quando possível. Mesmo que não te digam, tem sempre alguém esperando isso de você e no intercâmbio todo dia é dia de ser e encontrar alguém especial.

9
mai
2010

Mundo Afora (Mundo Adentro) – DNI ou DNA?

DNI ou DNA?

Irene é minha companheira de trabalho, do turno da tarde. Irene deve ter uns 20 e poucos anos. Irene nasceu e cresceu na Colômbia. Sua mãe é de lá. Mas morando aqui Irene é uma… sudaca. Esse é o termo pejorativo que os espanhóis utilizam para se referir aos indivíduos provenientes de suas ex-colônias do sul d’América. Em castelhano: Sudamérica. Daí sudaca.

São os sudacas que aqui normalmente limpam as privadas onde os outros defecam e os pratos onde todos cuspimos. Mas Irene é uma sudaca especial. Ela atende hóspedes internacionais na recepção de um albergue no centro da cidade, Barcelona. Atende hóspedes e faz check-ins. Faz check-ins and check-outs.

Irene é uma sudaca especial também porque seu pai é daqui, Barcelona, capital da Catalunha. O pai de Irene migrou para a ex-colônia Colômbia durante os anos de ditadura franquista, aliás, bem piores e mais longos que os nossos de ditadura “cirquista”…

Sendo assim, enfim, Irene é portadora de cidadania espanhola. Irene, portanto, está legalmente apta a viver, morar, circular e trabalhar em qualquer um dos 25 países que compõem este big-burg pós-contemporâneo. O muro caiu, mas outros, institucionais-burocrático-legais, foram levantados, altíssimos. A moeda? Uma só. Forte. Canhões foram substituídos por oficiais de alfândega mirándote feo. Welcome to… União Européia.

Unidos?

Ontem à noite, depois do trabalho, Irene caminhava pelas Ramblas com o namorado Bryan, americano do Texas. Bryan já leva algum tempo aqui. E ao contrário de Irene, Bryan não tem ascendência européia, apesar de ser branco, alto, loiro, olhos azuis, bem educado, culto, bem alimentado, bem vestido, enfim “bonitinho”… Bryan, portanto, não tem os mesmos direitos civis que Irene, de ir-e-vir. Bryan não tem cidadania européia. Teoricamente não poderia estar aqui, a não ser sob o status de visitante ou estudante, gastando livremente seus dólares, isso pode, mas com data marcada pra sair. Entretanto, Bryan mora aqui. Bryan mora aqui e tem trabalho.

Naquela noite, Bryan levava à mão uma lata de cerveja aberta. Irene não bebia. Caminhava apenas. Caminhavam em direção à casa de Bryan. Em algum momento um polícia se aproxima de Bryan e informa que ele não poderia estar bebendo álcool ali, em local público, ao ar livre, nas Ramblas ainda por cima, a maior vitrine da Espanha… Bryan apologizes. O polícia pede documentação, o que Bryan imediatamente informa “não tenho”, em inglês ou em castelhano carregado de texano. O polícia se dirige à Irene e igualmente lhe pede documentação. Irene lhe apresenta e, sob petição, lhe entrega seu DNI español. Documento Nacional De Identificación.

Quem não mora aqui não sabe, nem os europeus sabem, mas a Espanha só existe como Estado. Estado e reino. A Espanha não é uma nação, pois está formada por pessoas, povos, gente cujos sentimentos não apresentam a… “convicção de um querer viver coletivo” (wikipedia.com), isto é, separatistas. Os catalães são mais diplomáticos. Os bascos, terroristas. E os galegos vão na onda. Sendo assim, o poder central Madrid (também casa dos reis católicos, patrocinadores oficiais de grandes descobertas continentais e, atualmente, prestáveis inauguradores de museus quando a agenda do primeiro-ministro está cheia…), comete um erro sócio-político-terminológico explícito, embora sutil, ao batizar o documento real-estatal de… “nacional”. Que o Senhor esteja convosco.

Mas isso é assunto para outra discussão…

O polícia lhes pede que o acompanhem. E vão até a delegacia mais próxima. Lá, e durante todo o percurso, Irene fica sem a posse de seu DNI, o qual segue em mãos do agente. Ao chegar à delegacia, após argumentação infrutífera com a personificação armada do Estado real, isto é, o polícia, e sem entender o que se passava, Irene tensiona-se, exaltada: “Pero ¿qué pasa? Me puede decir ¿qué pasa? O que eu fiz! Poderia devolver meu DNI, por favor?” O polícia lhe diz à queima-roupa, straightfowardly: “A senhorita se crê espanhola apenas porque possui isto?”, indicando-lhe o cartão de papel plastificado, material do qual é feito o tal DNI. Irene é estrangeira pela boca, pelo sotaque da ex-colônia, colombiano-sudaca, indefectível. Não há DNI que disfarce.

Irene, agora criticamente tensa, arranca seu DNI da mão do polícia. No mesmo instante Bryan é levado para fora daquela sala. “Pra uma cela talvez?”, imaginei. Irene permanece ali, ela, aquele policial, e outros três mais rodeando-a.

Três mais?

Julgando o ato de Irene um desacato à autoridade, o polícia responde com um abuso de autoridade sub-bárbaro: pega Irene pelo cabelo, longos rastas, puxa-a em sua direção, e lhe dá um tapa na cara.

Irene imediatamente rebate dando-lhe outro.

Estava formado o episódio.

Todo o resto da história e sua conclusão eu não sei. Não consegui continuar prestando atenção… Irene nos contava hoje, chorando, inconsolada, e com medo de sair à rua… Exame de corpo de delito pra quê? Um tapa na cara não deixa marcas. E que provas? E Bryan?

Bryan não havia sido levado pra cela alguma. Apenas para uma sala de espera ao lado.

Sala de espera?

Irene, portanto, não possui testemunhas, a não ser os três outros policiais que a cerceavam.

Câmeras? Não. Nunca houve “grandes irmãos” em salas de tortura…

Bryan não viu nada do que se passou com Irene e nem sequer chegou a ser multado por infringir a nova “Lei de Ordenança Civil” do novo prefeito, que proíbe as pessoas de irem nuas na sua pelas ruas e de tomarem cerveja pelas Ramblas, e calles, e outros becos mais. Ao contrário de Gabrielito, um outro companheiro meu de trabalho, ajudante de limpeza, desses que limpam o chão por onde as pessoas pisam… Boliviano, traços inca, pele parda, cabelo grosso preto. Em 2007, Gabrielito foi pego pela polícia na mesmíssima Rambla. Dormiu aquela noite no xadrez e recebeu uma “carta-convite” para “retirar-se” do reino, ou Estado, mas definitivamente não-nação. Gabrielito, ao contrário de Irene, não tinha “papeles en regla”, isto é, documentação em dia. Todos os seus dias eram noites. Estava ilegal no país, assim como Bryan…

Parece-me, então, que “papeles en regla” ou passaportes capa cor vinho, letras douradas e emblemas do rei já não garantem mais o acesso. Mais importante que o DNI ficou o DNA. Portar uma cara “limpa”. Está acima da lei. É isso?

Lei?

Sendo assim, estou trocando meu passaporte europeu por uma lata de cerveja. Aberta… Inglês eu já falo. Posso até forçar um acento texano. Ou californiano. Melhor: nova yorkino…

Bonitinho eu já sou…………………….

Adriano Barchese
Barcelona, janeiro 2010

3
mai
2010

Documentário sobre a história da estudande brasileira Aline Barros

Nós não gostamos de noticiar tragédias e muito menos olharmos o lado vazio do copo. E por isso, mais do que merecidamente, estamos contando aqui como Aline Barros está se recuperando, e temos fé de que ela em breve voltará a andar.

Além disso, como a Ana falou lá no Irlanda news, temos a promessa de ir encher a cara com a mãe da Aline muito em breve!

Acompanhem o vídeo super bem produzido pelo jornalista e cineasta Earnani Lemos, sobre a nova vida da Aline.

Doações para Aline Barros podem ser feitas no Brasil ou na Irlanda:
Banco: Bradesco (Varginha)
Agência: 0510-0
Conta poupança: 59592-6

Bank: AIB
Sort code: 93-32-95
Account no.: 07636182