Arquivo de ‘Reflexões’ Category

31
dez
2009

Feliz 2010 do E-Dublin pra vocês!

Pois é pessoal, hoje é o fim e o começo! Não tem como não terminar um ano e não pensar em tudo que passou e planejar um pouco do que está por vir…

Neste momento estou em Trindade, bom, não tão “glamouroso” como ano passado que estava no “leste Europeu“! Não tão glamouroso na fala, mas tão glamouroso quanto no sentimento de mais um ano que se encerra com o sentimento de missão cumprida! Se na virada passada, pude pensar que estava realizando um sonho de morar fora e que tudo era maravilhoso, neste ano posso mais um vez pensar que acordei do sonho aqui no Brasil ainda mais maduro para uma realidade ainda melhor do que a que eu tinha deixado: mesmos amigos, melhor emprego, muitas viagem pelo brasilzão afora (e Argentina, Uruguay também)!

E também, obviamente a oportunidade continuar escrevendo no E-Dublin e conhecendo muita, muita, mais muita gente bacana, seja pela internet, seja na rua, seja nos nossos E-Dublincontros ou outros eventos, como a palestra no Rio Grande do Sul e o FanatiCorrs no Ibirapuera!

Muito obrigado a todos pela confiança que vocês depositam no E-Dublin, pode ter certeza, que é motivo de orgulho a cada dia… Foi em 2008, foi em 2009 e será em 2010! Cada e-mail que recebemos, cada e-mail que vocês trocam na lista, cada comentário de post (mesmo quando descascando, até porque a gente merece de vez em quando) é mais um motivo de alegria e inspiração para visitar e escrever no meu Gmail e no e-dublin.ie todos os dias!

No E-Dublincontro de Natal, mais alegria! É incrível ver as pessoas se conhecendo, trocando idéias e se ajudando… Não é preciso pedir, os E-Dubliners se ajudam, entre um conversa e outra, eu tinha a oportunidade de parar alguns segundos e observar a conversa dos outros, e pensar “isso tudo vale a pena”! Vale a pena virem de Santos ou de Cubatão para o encontro (né Tati, né dani?) então vale ainda mais a pena pra mim…

Acredito que o também Edu, mas eu fecho o ano muito feliz com toda minha vida real, e também virtual que tem como ator principal o E-Dublin!  E assim como o Edu, estou tirando uma pequena férias do E-Dublin (e do trampo também), volto no dia 05/01, já bronzeado (ou vermelho) e já no novo ciclo iniciado pelo estouro da champagne (quer dizer, sidra) e pelas 7 ondinhas!

Paz, amor, solidariedade, fraternidade, carinho, muita irlanda pra todos e próspero 2010!

Beijos e abraços do E-Dublin!

23
dez
2009

Retrospectiva 2009 – Reflexões

Nem só de dicas é feito o E-Dublin. E talvez o grande diferencial do E-Dublin em relação a qualquer outro portal de informações é que existem humanos por trás disso tudo. Humanos que riem, que choram, que erram, que acertam, que se divertem, que sentem saudades, que acreditam em algo maior, que tem amigos e que acima de tudo, precisam um dos outros.

Eu sou um deles. Um cara médio, sem super poderes e muito menos auto-suficiente.

Esse ano foi o de maior mudança, e se ano passado falávamos de medos e incertezas,  esse ano ficou marcado por pessoas que vem e vão na nossa vida.

Uma delas é bem conhecida por todos vocês aqui: O Homero. No final de 2007 decidimos juntos que iríamos fazer essa viagem pra Irlanda. Pesquisamos, perguntamos pra várias pessoas, entramos em fóruns, comunidades, comecamos a juntar dinheiro, decidir as datas, até que no dia 04/04/2008 embarcamos com destino a Dublin.

Ambos com um sonho em comum e uma grande amizade, que se fortaleceu a cada dia.  Correrias, conquistas, desabafos, tudo sempre foi compartilhado entre nós.  Foi um desafio que nós dois tivemos ao morar sozinhos pela primeira vez, descobrir coisas novas.

Bom, vocês acompanharam tudo isso em 2008. Acontece que 2009 mudou. Em fevereiro passei férias no Brasil, e o Homero voltou de vez. Contei um pouco da minha revolta com o ciclo de educação no Brasil, matei saudades de amigos e família, mas em nenhum momento pensei em ficar de vez. Voltei pra Irlanda.

Inicialmente o baque não foi grande, pois Homero e eu estávamos “saturados” no sentido de “super-presentes” um na vida do outro, então acabou sendo mais uma novidade morar literalmente sozinho em Dublin.

Bom, não parou por aí. No passar dos meses, outros vários amigos importantes foram indo embora: Pozzanni, Ju, Betinho, Peter, Bruna Primo, Mocotó, Li Carvalho, Bernardelli, João, Micky, Heather,  e vários outros.

Depois de ter completado esse ciclo de 1 ano morando aqui, essa mudanca de amigos fica mais clara. Me perguntava: Porque os brasileiros vão embora da Irlanda?

Lembrei de um bilhete que minha ex-namorada me escreveu em um papelzinho, quando ela voltou pro Brasil, após 5 anos morando em Londres: “There’s no place like home.

E isso é único, simples e verdadeiro. Basta você definir onde é sua casa. Seu lar. Eu tenho um amor incondicional pela minha família, meus amigos e meu país.  Não é preciso estar lá fisicamente pra sentir isso. Me orgulho de tudo.

Me orgulho de dizer que sou brasileiro;
Me orgulho de cantar o hino nacional dentro de um pub Irlandês;
Me orgulho de ver meu irmão crescer e cuidar da minha mãe e minha mãe dele;
Me orgulho de abraçar meu pai e sair com ele pela Irlanda a fora;
Me orgulho de ver minha outra “famílea” cantar parabéns no meu aniversário mesmo eu não estando lá;
Me orgulho de saber que os leitores desse blog se importam em nos conhecer como pessoas, e não como disk-ajuda;
Me orgulho de ver pessoas e empresas valorizando esse espaço;
Me orgulho por acreditar em Deus;
Me orgulho por tudo que passou.

E isso me mantém vivo aqui. São vocês, amigos, familiares, “famileares”, leitores, parceiros e principalmente Deus, que continua abrindo portas e mais portas.

Se o Natal foi mágico ano passado, esse ano será ainda mais especial. E quero poder mais uma vez compartilhar com todos vocês. Sejamos todos fortes, pois é especial. É um natal de todos nós. Não estamos a sós.

Confesso que estou sentindo uma borboleta no estômago nesse momento, e olhando pra parede pra disfarçar os olhos vermelhos segurando lágrimas, aqui no escritório.

Fiquem com Deus, e cuidem um dos outros, onde estiverem.

De coração,
Edu.

19
out
2009

Porque os brasileiros vão embora da Irlanda?

Nós sempre falamos de vir, porque vir, como se preparar pra vir, mas após ler uma reportagem recente, resolvi comentar um pouco sobre a volta. Porque algumas pessoas, mesmo que empregadas, voltam para seu país de origem?

O exemplo que vou usar é do jogador Adriano. Graças a uma carreira de sucesso no Brasil, Adriano foi parar na Europa. Defendeu grandes clubes, era artilheiro de temporadas, e tinha um contrato até o final de 2010 com o Inter de Milão.

Adriano tinha fama, dinheiro, uma boa vida na Europa, mas resolveu voltar para o Brasil. Reincidiu o contrato e foi parar no Flamengo, em sua cidade natal, o Rio de Janeiro.

Ele disse em uma entrevista recente no Globo Esporte:
Eu precisava disso. Aqui (no Brasil) as pessoas falam a minha língua, entendem a minha cultura. É muito mais fácil. Volto para casa após os jogos e tenho minha família, os meus amigos. Isso me faz muito mais feliz do que antes. Aqui é Brasil. Apesar das dificuldades somos um povo vencedor“.

Saudade? Não necessariamente. Adriano se sentia deslocado, um peixe fora d’água.


As vezes vejo brasileiros com bons empregos, vivendo razoavelmente bem, alguns a mais de 2, 3 anos aqui na Irlanda, e de repente eles simplesmente voltam pro Brasil. Muitos vem pra viver essa experiencia em 1 ano, outros em 3, 5. Mas a maioria vem com um plano de um dia voltar.

Porque isso acontece? Será que estão se sentindo deslocados? Já deu o que tinha que dar?

Acredito que tudo na vida é uma experiência. A maior diferença aqui, é que a experiência é mais intensa. Acontece de repente, muda muito rápido e muda muito.

Por melhor que seja seu inglês, você sempre vai ter um momento que vai sentir um certo alívio ao falar português com um brasileiro. Não pela fluência da língua, mas pela familiaridade cultural, pela gesticulação em comum, pelo mesmo repertório histórico. E é por isso que muitos criam um apego muito rápido com algumas pessoas ou flatmates.

Seu repertório de vida pode não ser o mesmo de outro brasileiro, mas ambos sabem o que é o trânsito de São Paulo, o queijo de Minas, O chimarrão do Sul, o carnaval de Salvador ou as praias do Rio.

Outro fator que acredito ser crucial é a família e os amigos. A família do ponto de vista da segurança. Eu, particularmente, nunca fui fã de festas de família e participava muito pouco. Porém, quando tenho uma boa notícia pra contar, a primeira pessoa que penso é minha mãe.

Ouvir o que meu irmão esta fazendo ou evoluindo me dá vontade de participar mais da vida dele. Não considero isso “saudade”, mas sim envolvimento. Interesse em se manter próximo de alguém que você ama.

E os amigos? Quem nunca foi pra um lugar aqui e pensou: “Ah, se aquele meu amigo X estivesse aqui! É a cara dele!”

Acompanhar e-mails dos seus amigos programando a viagem de fim de ano, a cervejinha do fim de semana ou mesmo contando do almoço com o pessoal do trabalho. São momentos que você sente ter perdido, apesar de outros milhares que você ganha aqui.

Não existe certo e errado. Você faz escolhas. É um desafio de uma experiência que infelizmente não vai ser compartilhada fisicamente com seus amigos do Brasil ou familiares. Porém, será sua história. A história que você está fazendo, pra caso pense em voltar, poder sentar na mesa de bar e contar como foi.

Adriano, o jogador, continua recebendo propostas, mas não aceitou nenhuma até agora.

E você? Vai aceitar a proposta de virar estudante na Irlanda ou vai preferir se acolher à sua vida no Brasil?

Imagens:
http://soccerlens.com
http://www.lazeresportes.com
http://globo.com

9
out
2009

Solidão a dois

É clichê dizer que tudo nesta vida tem os dois lados: bom e ruim! Mas nem sempre a gente consegue enxergar como algo pode ser ruim, ou como algo pode se tornar ruim em algum momento. Só a experiência faz com que descubramos isso. Antes que eu seja apedrejado, queria dizer que o que vou contar aqui é apenas um sentimento ruim que passa e que não chega nem perto dos benefícios. Qual é, ou pode ser, o lado ruim de ir com um amigo para a Irlanda?

A minha resposta é que não existe NENHUM lado ruim nisso, entretanto, somos seres humanos e temos sentimentos, coisas que não conseguimos controlar. Quem é capaz de assumir que sente inveja? Quem é capaz de demonstrar que se sente excluído, diferente, mais fraco? São sentimentos que alguns controlam, e põe a razão acima e superam sem problemas. Outros, menos racionais, além de ter, revelam os seus sentimentos, impulsivamente, ou mesmo sem perceber, sem querer, sem maldade.
Há alguns dias estava conversando com uma amiga brasileira que está em Dublin e ela passou uma situação semelhante a minha. Assim como eu, ela foi para Dublin com uma amiga, um ótimo incentivo e conforto principalmente para o primeiro mês longe de casa.
No caso dela, a situação estava um pouco mais difícil, 2 meses haviam passado e nenhuma delas tinha conseguido emprego até que… A amiga, conseguiu um emprego!
Compra cerveja! Estoura o champagne! Chama os amigos! Aaaaaaaeeeee minha amiga conseguiu o emprego… Parabéns, vamos celebrar!
No dia… no dia seguinte… hmmm… pouts! Caiu a ficha! EU SOU A ÚNICA DESEMPREGADA! Aaaaaaaahhhhhhh, manhêêêê! Bate aquele Leve Desespero.

De um lado, a alegria pelo amigo que consegue um emprego! Do outro, uma mistura de sentimentos: inveja? Não, que isso, eu não tenho isso! Não passou em nenhum momento que eu queria estar no lugar dela! Solidão? Não, imagina, por que? Só porque agora todos meus amigos(você só tem um ou dois) estão empregados menos eu? Só porque ela vai ficar fora trabalhando e eu vou ficar enfurnada procurando emprego? Orgulho ferido? não é só porque eu falo inglês melhor, tenho uma experiência maior que vou ficar com o orgulho ferido porque ela conseguiu emprego antes de mim… Autoflagelação? Eu nem me acho tão incompetente assim, tá bom! sou incompetente, todos conseguem menos eu… o que fiz de errado? Desespero? Não pode estar falando sério, mas de amanhã em diante não fico menos do que 12h por dia enviando currículos, até falto na escola se precisar (e falto mesmo, mas será que ajuda mesmo?)…
Não adianta negar, tudo que acontece a nosso redor nos influencia de alguma forma, principalmente quando se trata de alguém próximo. O cigarro, a comida ou a cama viram seu melhor amigo por alguns dias, por algumas horas, minutos ou segundos… cada um reage de uma forma!
Esta é uma das diferenças de ir sozinho ou “acompanhado”. Ir sozinho, é ir preparado a ficar sozinho deste o começo, desde o momento mais difícil, quando tudo é novo e aprendizado. Ir acompanhado, é a possibilidade ainda ter um porto seguro, alguém para dividir aprendizados, experiências, a solidão, a tristeza e principalmente as alegrias. O único problema é que nem sempre as alegrias são divisíveis, muito menos as tristezas!
Qual a melhor forma de lidar com isso? Rezar? Buscar semelhantes? Se concentrar nas suas forças? Cada um sabe do seu… para mim, a melhor forma, sempre é tentar transformar qualquer sentimento ruim em alguma força interior que te faça mover adiante ainda com mais ímpeto: “Se ele conseguiu, eu também posso!” Fácil? Não, não é… Mas só é vencedor quem enfrenta batalhas e supera desafios! Pegue o escudo da razão e a espada da força de vontade, e se junte àqueles que atingiram seus objetivos seja sozinho, ou sozinho em dois…
Originalmente publicado em 27/04/09.