Posts com tag ‘au pair’

12
abr
2010

Cuidando de idosos na Irlanda

Alguém ai já considerou a possibilidade de cuidar de idosos uma alternativa de trabalho na Irlanda? Bom, antes de eu chegar aqui em Dublin, essa possibilidade nunca tinha passado pela minha cabeça! Hoje em dia posso dizer que foi a melhor decisão, pois trabalhando com meus velhinhos pude melhorar meu inglês (afinal, é inglês o dia todo), ganhar uma graninha e ainda fazer muitas amizades!

Vamos começar do começo… (peço desculpa ao pessoal do grupo de e-mail, pois este post foi baseado em algumas das discussões)

O sistema todo funciona assim: quando os velhinhos estão bem velhinhos, a enfermeira da área deles prescreve que eles precisam de ajuda com as tarefas do dia-a-dia (desde serviços de casa, compras, até higiene pessoal) e assim determinam o número de horas que os velhinhos irão receber ajuda… varia de 1 hora por semana a 3 horas por dia. Então o velhinho, ou seu responsável, recebe uma lista de agências que oferecem o serviço de Home Care (Home Care significa que o idoso será ”cuidado” no conforto da sua propria casa). É bem difícil conseguir trabalhar sem ser por agências porque o governo não libera o dinheiro da ajuda direto pra família. Alguns sites de agências:

www.comfortkeepers.ie

www.privatehomecare.ie

www.bluebirdcare.ie

www.homeinstead.ie

Um dos maiores probemas é que a colocação é demorada… entre você ser entrevistado (a entrevista é pesada… eles fazem algumas perguntas pra te pegar e você não passa na entrevista sem ter um nível de inglês muito bom) até começar a trabalhar leva semanas pois a agência precisa checar todas as suas referências e também ver se você não tem registro na Garda, somente depois disso tudo é que eles vão te oferecendo os clientes aos poucos… Outro problema é que a colocação de homens é muito mais demorada… eles dão preferência para as mulheres! Todas as pessoas envolvidas neste tipo de trabalho precisam ter o curso de Manual Handling (como levantar ou mover coisas pesadas sem ter problemas na coluna, basicamente) , algumas agências oferecem o curso de graça ou a ser descontado do pagamento, mas não são todas.

Eu trabalho para a Comfort Keepers, uma das maiores empresas de Home Care da Irlanda, com atuação em todo o País. O salário varia de 9 a 10 euros por hora. Eles não exigem que você tenha experiência na área e fornecem na própria empresa o curso de Manual Handling a ser descontado do pagamento. A colocação é com base na região que você vive, eles tentam te passar clientes que moram relativamente perto de você mas já cheguei a andar 1 hora para chegar na casa do velhinho, para trabalhar 1 hora… ou seja, perdi 3 horas do meu dia para trabalhar 1… isso pode acontecer, principalmente no começo, quando se está disposto a aceitar qualquer cliente, só para fazer dinheiro.
 
Eu adoro trabalhar com os velhinhos, sempre tive sorte de trabalhar com ótimas pessoas e que adoram conversar, mas o trabalho nem sempre são flores, as vezes preciso dar banho e ajudá-los a ir ao banheiro. Cheguei aqui disposta a vencer novos desafios e com certeza esse foi um dos grandes! Os ganhos foram imensos, aprendi muito sobre vida, vivência, paciência, independência, dependência, sofrimento, morte (sim, já perdi 2 clientes). O que posso dizer com todas as letras é que um sorriso (por mais banguelo que seja) não tem preço!

28
set
2009

Vida de Au Pair – Trabalho de Au Pair na Irlanda

A Aline Dian compartilhou com a gente a experiencia dela como Au Pair.

Oi gente,

Me senti inspirada p/ escrever alguma coisa sobre os meus 5 meses como Au Pair. Como disse em um email essa semana, eu consegui um outro emprego em Dublin e estou deixando a familia que moro aqui em Navan. Sempre vejo emails aqui no grupo sobre as vagas e tudo mais, mas nunca vi nenhum contando como eh ser au pair. E hoje, apos meu ultimo jantar aqui com a familia (e muita choradeira, diga-se de passagem rs) resolvi contar p/ voces um pouquinho do que vivi aqui.

Quando cheguei em Dublin (na pior fase da crise) eu era como a maioria das pessoas… desesperada por um emprego, querendo muito trabalhar, por exemplo, em um pub (pois achava ser divertido) e nao queria nem pensar em cuidar de crianca e muito menos morar na casa de alguem.

Apos quase 2 meses de busca por um emprego e nenhum retorno, o dinheiro foi acabando e eu me conformei que a melhor solucao (e mais rapida) seria ser au pair. Na epoca eu achei que fosse a pessoa mais azarada do mundo pq a unica familia que me quis era uma de Navan (1 hora de Dublin), mas, sem muitas opcoes, aceitei o emprego mesmo assim. Deixei p/ tras meus amigos em e muitas outras coisas de que eu gostava.

Apos uma semana, eu vi que, na verdade, eu tinha tido muita sorte. A familia com quem passei os ultimos 5 meses se tornou (sem nenhuma hipocrisia) a minha familia aqui na Irlanda. Tive momentos otimos aqui e nao me arrependo da decisao que tomei, alem disso, descobrimuitas coisas aqui que eu nao tinha em Dublin.

Eh claro que, as vezes, da vontade de atirar a crianca na parede (a cada 5 min, mais ou menos), que algumas das suas obrigacoes nao sao das mais agradaveis (aqueeeeeela fralda suja, sabe?) e voce nao toda a liberdade que teria em sua propria casa (festas, por exemplo), mas voce (alem do salario) ganha muitas outras recompensas como: uma otima qualidade de vida sem ter as despesas normais de uma casa, um quarto feito com todo carinho p/ voce e, muitas vezes, uma familia.

O que quero dizer, principalmente para quem estar vindo, nao eh “va ser au pair” e sim nao substime esse “estilo de vida” rs… assim como tudo na vida, ser au pair tem seus pros e contras e eu, sinceramente, levarei otimas lembrancas daqui. Pude praticar a lingua e, principalmente, viver da maneira irish (o que mtas vezes nao eh possivel quando se divide um apto, principalmente com brasileiros). Eh claro que ja ouvi historias de meninas que nao se deram bem com a familia e tudo mais… o que estou contando aqui eh aminha experiencia (que fique claro rsrs)

Mas chega uma hora em que voce sente a necessidade de buscar novas experiencias, acredito que nunca devemos nos acomodar (por melhor que seja a situacao que estivermos) e isso fez com que eu buscasse um outro tipo de atividade em Dublin. Nao sei se estou tomando a decisao correta nem se vou me arrepender depois, mas isso soh saberei arriscando.

Beijos!!!

Aline Dian

Mais uma cidada do mundo contando sua história. Conte a sua também!

25
mar
2009

Orgulho de amigos brasileiros

Emprego está difícil? Está.

Entender inglês nos primeiros dias é difícil? É.

As respostas são sempre as mesmas. Porém, vou contar aqui duas histórias, de dois brasileiros amigos especiais meus, que me deixaram orgulhoso: G e Mago! (Os nomes reais não serão relevados por questão de sigilo)

G estava em busca de emprego, não tinha ingles fluente, mas tinha muita força de vontade. Em uma de suas buscas, recebeu uma proposta para trabalhar em outra cidade, como Au Pair.

Mesmo sendo uma cidade pequena e afastada de Dublin, ela foi atrás. A empregadora fez a entrevista, perguntou sobre disponibilidade de mudança, etc e claro: ambas tinham medos e incertezas.

Uma porque não sabia como seria a vida sozinha em outra cidade morando na casa de uma família, e, do outro lado, a empregadora que tinha dúvidas se seria uma pessoa confiável e que não abandoraria o posto de uma hora pra outra.

Foi aí que ela fez a diferença. G se ofereceu a ficar lá e trabalhar no final de semana, para que ambas pudessem se testar. Acredito que esse mínimo gesto tenha feito a diferença na escolha da empregadora, pois mostrou que ela poderia confiar na G, e a G viu que poderia encarar o desafio.

Muitos diriam “ah, eu também faria isso” mas na prática as vezes não fazem. Ou por estarem desesperados pelo primeiro salário ou por não estarem calmos para raciocinar na hora da entrevista.

Pois bem, o segundo caso é um pouco diferente.

Mago, grande amigo, alpinista vindo de uma vida de muitas batalhas, conseguiu emprego em uma loja de esportes, no setor de alpinismo.

Como todos sabem, lojas trabalham com comissão, e todo mês tem metas de vendas. Se voce mal fala inglês e trabalha em um setor pouco requisitado da loja (comparado com futebol, rubgy e outros esportes), teoricamente terá grandes problemas nas vendas.

Eis que Mago, com sua força de vontade e sabendo que emprego está difícil, se esforçou ao máximo para que pudesse alcançar as metas. No primeiro mês de trabalho, não só bateu sua meta, como foi o vendedor com MAIS VENDAS.

Foi fácil? Não.

Mudar-se para uma cidade de 20 mil habitantes, do outro lado do país, pra morar na casa de uma família que não fala sua língua, é fácil? Não.

Mas a dedicação desses dois me deixaram orgulhoso mais uma vez. Mostra que pequenos gestos e seu real esforço fazem a diferença. Não só na Irlanda, mas em qualquer lugar do mundo.

Se é pra isso que você veio, esteja disposto. Não tente encontrar empecilhos antes mesmo de tentar.

Quantas vagas tem no FAS hoje? 50? Então encare como 50 oportunidades.

11
nov
2008

Trabalhando de Au Pair

Essa é uma dica da Catherine, que acabou de chegar e está trabalhando como Au Pair de uma família na Irlanda. Ela conta um pouquinho de como é e como faz pra ser Au Pair. Thanks Cath! :)

Olá, primeiramente, acho importante dizer que Au Pair não é uma “profissão” reconhecida aqui, portanto não é possível se inscrever em algum programa e contar com o apoio de uma agência caso algo dê errado, como as meninas que querem ir para os EUA fazem. Por esse motivo, não existem regras. As famílias, no entanto, parecem preferir meninas que tenham entre 20 e 30 anos. A maioria não exige experiência anterior, a não ser no caso de recém-nascidos, e nem algum tipo de documentação/certificação especial (enfermagem, por exemplo). A carteira de habilitação também não é obrigatória mas pode ser diferencial, pois alguns deles pedem pra você buscar as crianças na escola, por exemplo.

Eu estava com um pouco de medo de chegar aqui e não encontrar emprego. Comecei a procurar uma família ainda no Brasil, uns quatro meses antes do meu embarque. O primeiro passo foi me cadastrar em vários dos inúmeros sites que existem para essa finalidade. A maioria não me deu nenhum retorno, mas os seguintes funcionaram bem:

www.greataupair.com
www.aupair-world.net
www.easyaupair.com

Foram centenas de e-mails e algumas ligações (sempre deles pra mim). As perguntas eram basicamente as mesmas: se eu já havia cuidado de crianças, se sabia cozinhar, se estava disposta a fazer um pouco de trabalho doméstico (geralmente passar a roupa das crianças e arrumar a bagunça deles, etc), o que gostava de comer e de fazer nas horas vagas. É mais uma conversa bem informal durante a qual eles checam seu perfil e, muitas vezes, o seu nível de inglês. Apesar das famílias não exigirem inglês fluente, acho que é bem complicado eles contratarem alguém que não consiga se comunicar direito, pois isso dificulta tanto a integração com a família quanto no próprio progresso da criança.

Admito que procurar uma família é um processo bem frustrante porque muitas vezes você acha que está tudo caminhando bem e a família nunca mais te responde. E sempre tem um detalhe ou outro que não se encaixa no que você está procurando.

Um mês antes da minha viagem, fechei com uma família. É importante que você tenha alguma referência sobre eles, pois eles não serão apenas chefes. São pessoas desconhecidas com quem você vai morar num país estranho. Geralmente, eles mesmos oferecem o contato da antiga au pair para que você converse e tire suas dúvidas. No meu caso, falei com a brasileira que havia trabalhado para eles e chequei as informações. Eu iria receber 100 euros por semana (o salário varia entre 100 – 150 euros semanais) para trabalhar 40 horas e cuidar de duas crianças.

Duas semanas antes do embarque, recebi um e-mail de uma outra família que também estava interessada no meu perfil. Eles ofereceram mais (130) para trabalhar menos (25 horas). Sei que vou parecer muito mercenária, mas não tive dúvidas! Depois de muito conversar com essa nova família e com a au pair deles, avisei a outra família sobre a minha decisão.

Não há contrato, só acordo verbal. É comum ouvir meninas reclamando que estão trabalhando muito mais do que havia sido combinado, principalmente em relação ao trabalho doméstico. A dica é optar por uma família que já tenha uma cleaner. No meu caso, eu não faço praticamente nada em casa. Nem a minha roupa eu não preciso passar! Só preciso ajeitar a bagunça das crianças, mas isso é bem tranqüilo.

Acredito que a maior vantagem em ser au pair consiste no fato de você ter moradia (quarto individual) e alimentação e poder treinar seu inglês a todo momento. O primeiro ponto positivo, porém, é também o mais problemático. O choque cultural é muito grande (as crianças aqui de casa tomam banho duas vezes por semana e os pais costumam ser extremamente metódicos) e é complicado separar seu horário de trabalho do seu momento de descanso. É comum as crianças entrarem no meu quarto no domingo de manhã para brincar, por exemplo.

Bom, é isso. Como em qualquer emprego, há coisas boas e ruins. Acho que o ponto principal é ser bastante paciente e tolerante. Às vezes é bem desgastante cuidar das crianças e penso em largar tudo, mas gosto da segurança que esse emprego me dá e adoro quando as crianças chegam da escola e ganho aquele abraço gostoso!