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21
ago
2008

Grafton College – Avaliação dos Professores

Um dos maiores medos dos futuros habitantes de Dublin City é em relação ao emprego, mas a dúvida mais comum é sobre as escolas. Seja sobre localização, infra-estrutura, qualidade das aulas, número de alunos por classe, e porque não, os professores.

Fizemos uma avaliação da Grafton logo que chegamos aqui, e acredito que antes de saírmos de lá, faremos um “update” dessa avaliação, porque muita coisa mudou.

Entre essas mudanças, professores. O turnover de professores na Grafton é absurdamente alto. Em 4 meses que estamos aqui, já tive 6 professores. E são eles:

Maurício – Irish, aprox. 30 anos. Novo, porém grisalho, era um professor meio acelerado no mau sentido. Isso porque ele não explicava, e praticamente lia o livro como se estivesse lendo uma notícia. Era bem chato, não tinha dinamica nenhuma na aula, e quando os alunos tinham dúvidas, a resposta era curta e grossa:

“Teacher, what does Loony meas?”
“crazy.”
“Aah.. hm.. thanks.”

Não tinha aquele desafio de explicar e fazer o aluno tentar entender, mas enfim… ele durou apenas algumas semanas, quando entrou a Pamela.

Nota: 4.9

Pamela – Americana, aprox. 29 anos. Bom, já começa pela nacionalidade dela. Apesar de ter o inglês como primeira língua, ela esta a poucos anos na Irlanda, e ainda não tem o accent de um irish. Ótimo pra entender, mas não tao bom pra treinar. Ela é uma boa pessoa, e tenta explicar sempre.

Nota 6.8

Elena – Irish, 28 anos. Cara de menina, nerd, adora livros e história. Ela era bem by-the-book, e como eu chego atrasado por conta do trabalho, sempre tinha meia presença na aula dela. Ela não era muito de brincar, mas explicava bem.

Nota 7.1

Pat Collins - Irish, aprox 28 anos. Talvez o melhor professor que tive na Grafton até entao. Além de ser (acelerado) super dinâmico, ele sempre tinha novidades para não deixar a aula entediante. Pra começar, no primeiro dia ele pediu sugestões, e leu todas, uma por uma, discutiu sobre elas, e anotou no caderninho dele.

Ele não seguia tanto o livro, e pra mim era ótimo, porque deixa a aula mais viva. Desde pequenas brincadeiras de adivinhação, jogo forca com palavras novas, disputa de equipes, até mini apresentações de algo que você gosta (sugestão minha, hihi, o famoso “show & tell”).

Muitos alunos também pediram um pouco de história da Irlanda, e ele prontamente trouxe vídeos e artigos para lermos/assistirmos e discutirmos em aula (comparando com outros países, com Brasil, etc).

Tudo fazia a aula correr bem e com um ótimo clima.

Infelizmente ele está se mudando para Seoul, para trabalhar em uma universidade.

Nota 9

Professora X – não lembro o nome! Aprox. 26 anos, Irish. Ela durou apenas 1 semana, pois estava substituindo a futura professora. Na verdade vou explicar o que aconteceu:

Estávamos todos alegres e contentes na sala do Pat, quando a turma do intermediate migrou para nossa sala (upper), e virou um caos. Era muita gente. Conversamos com a coordenadora, e depois de algumas semanas, conseguimos uma sala nova, que virou o advanced. Pra isso, eles precisariam de um novo professor também, e aí chegou essa professora X, enquanto não contratavam ninguém.

Curioso que muitos professores saem e voltam direto porque geralmente eles vão passar um tempo fora da Irlanda. Seja no Japão, seja no afeganistão.. são sempre países “fora do comum” para nós brasileiros.

Bom, voltando aos professores, após uma semana, eis que surge a bruxa nova professora: dona Clotilde Mary.

Mary – Irish, aprox. 45 anos. Uma senhora (ou senhorita) que literalmente dormiu no ponto. As aulas são muito cansativas, porque não tem dinâmica nenhuma, e as vezes simplesmente não tem voz! Sim, imagine uma aula mais ou menos assim:

So.. let’s do a listening… ” – professora
What page?“- aluno
humn..?” – professora
[10 min de silencio....]
Did you see the news about xxxx?” – aluno
yeah, blabla” – outro aluno
[...mais 15min de silencio]
class.. we have 15 minutes..” – professora (aqui ela já esqueceu que daria o listening)

Parece estranho, mas é assim mesmo.
Esse post vai ser também um desabafo, porque É o cúmulo ter uma aula assim. Ontem a Mary resolveu “brigar” com a gente. Falou que ta todo mundo desmotivado e ninguem quer saber de nada, etc etc.
Como eu já não estava aguentando, eu perguntei:

Mas professora, nós tivemos aulas com vários outros professores, e nunca foi assim..
ai ela
Você não tem direito nem de falar, porque chega atrasado todo dia!
Entao eu sou o problema?” – eu
sim” – ela
ok.

Ai ela continuou falando, falando.. e voltei e falei novamente:
Parece que todos os alunos dessa sala são o problema então
ela
Sim, vocês não estão nem ai pra nada
eu
Ok, galera, nós somos o problema.” – e todo mundo quieto.

Muitos alunos não gostaram da minha atitude, e no final vieram falar comigo, pois acharam que eu devia ser “direto” e falar o problema. Na verdade não citei problemas, só estimulei a professora a pensar um pouco, e sozinho não vou fazer nada. Se a classe quis ficar quieta durante essa “discussão” e resolveu falar comigo só no final, só prova que ninguem teve peito pra conversar ou explicar o que estava acontecendo.

Não adianta reclamar comigo, e sim com a escola.

Aliás, não vou nem dar uma nota pra essa professora, mas fica aí a “dica” de bons e maus professores, que muitas vezes vao fazer mais diferença que uma escola cherando meia.