2008
Fatos Reais! O pizzaiolo Viramundo
Pra quem não se lembra, Viramundo era o personagem do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino. Geraldo Viramundo era um aventureiro, andarilho, louco, despossuído, vagabundo, idealista que deslocava-se por um espaço indefinido. Já o interpretei em uma apresentação no colegial, mas não é esse o tema do post
Algum tempo atrás o Homero contou pra gente a história do Ciro. Hoje vou contar a história do Rocco, não o ator de filme porno, mas aquele que conheci na Dinamarca.
Rocco é um Italiano que resolveu viver sua vida de forma diferente. Desde os 16, ele trabalha como pizzaiolo. Aprendeu na Alemanha, em sua primeira peregrinação.
Depois de aprender seu ofício, Rocco resolveu se mudar novamente, dessa vez para Romênia. Visto que o mercado não era tão bom, mudou-se para França. É aí que começa sua vida nômade.
Com apenas 24 anos, Rocco já morou em mais de 15 países, incluindo a Tailândia, Austrália, Argentina e até o Japão.
Fluente em inglês e espanhol, ele me disse que adora fazer isso. Sua bagagem é apenas uma mochila. Ele diz que não costuma guardar coisas, e carrega com ele somente o básico. Disse que foi pra Austrália quando estava frio na Europa, e o mesmo quando estava na Argentina.
Encontrei ele na Dinamarca e adivinhem: ele havia acabado de “se mudar” pra lá, estava procurando emprego. Sim, ele se muda pro país sem ter um emprego certo. Segundo ele, não tem muito risco:
“Os donos de restaurantes Italianos são sempre Italianos. E como trabalho montando pizza, não preciso falar o idioma do país. Sempre consegui emprego assim“.
E ele disse que tem muita vontade de morar no México e no Brasil. Temporariamente, claro.
Louco? Alguns acham que sim. Se você conversar com ele, vai ver o quão aberta é a cabeça dele, o quanto ele conhece do mundo sem ter sequer terminado o colegial. Além disso, essa foi a opção de vida dele.
Nós viajamos com tudo racionalmente pensado: quanto vou gastar, onde vou morar, estudar, quais lugares devo procurar emprego, etc etc. Pro Rocco isso nunca existiu, talvez ele nem saiba planejar uma viagem.
Ao mesmo tempo que planejamos tudo pra vir pra Irlanda, jogamos tudo pro alto no Brasil: emprego, família, amigos. Não seria essa uma loucura?
Voltando ao Viramundo, a grande sacada do livro O Grande Mentecapto, é que Sabino nos faz questionar a loucura. Qual o limite entre a loucura e a razão? Se é que existe uma divisão, claro.

























