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31
out
2008

Fatos Reais! O pizzaiolo Viramundo

Pra quem não se lembra, Viramundo era o personagem do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino. Geraldo Viramundo era um aventureiro, andarilho, louco, despossuído, vagabundo, idealista que deslocava-se por um espaço indefinido. Já o interpretei em uma apresentação no colegial, mas não é esse o tema do post :)

Algum tempo atrás o Homero contou pra gente a história do Ciro. Hoje vou contar a história do Rocco, não o ator de filme porno, mas aquele que conheci na Dinamarca.

Rocco é um Italiano que resolveu viver sua vida de forma diferente. Desde os 16, ele trabalha como pizzaiolo. Aprendeu na Alemanha, em sua primeira peregrinação.

Depois de aprender seu ofício, Rocco resolveu se mudar novamente, dessa vez para Romênia. Visto que o mercado não era tão bom, mudou-se para França. É aí que começa sua vida nômade.

Com apenas 24 anos, Rocco já morou em mais de 15 países, incluindo a Tailândia, Austrália, Argentina e até o Japão.

Fluente em inglês e espanhol, ele me disse que adora fazer isso. Sua bagagem é apenas uma mochila. Ele diz que não costuma guardar coisas, e carrega com ele somente o básico. Disse que foi pra Austrália quando estava frio na Europa, e o mesmo quando estava na Argentina.

Encontrei ele na Dinamarca e adivinhem: ele havia acabado de “se mudar” pra lá, estava procurando emprego. Sim, ele se muda pro país sem ter um emprego certo. Segundo ele, não tem muito risco:

Os donos de restaurantes Italianos são sempre Italianos. E como trabalho montando pizza, não preciso falar o idioma do país. Sempre consegui emprego assim“.

E ele disse que tem muita vontade de morar no México e no Brasil. Temporariamente, claro.

Louco? Alguns acham que sim. Se você conversar com ele, vai ver o quão aberta é a cabeça dele, o quanto ele conhece do mundo sem ter sequer terminado o colegial. Além disso, essa foi a opção de vida dele.

Nós viajamos com tudo racionalmente pensado: quanto vou gastar, onde vou morar, estudar, quais lugares devo procurar emprego, etc etc. Pro Rocco isso nunca existiu, talvez ele nem saiba planejar uma viagem.

Ao mesmo tempo que planejamos tudo pra vir pra Irlanda, jogamos tudo pro alto no Brasil: emprego, família, amigos. Não seria essa uma loucura?

Voltando ao Viramundo, a grande sacada do livro O Grande Mentecapto, é que Sabino nos faz questionar a loucura. Qual o limite entre a loucura e a razão? Se é que existe uma divisão, claro.

29
out
2008

Pra onde ir! Dinamarca

Voltando as viagens! No comeco da semana falei da Suécia, e como adoramos viagens, vou falar um pouco da Dinamarca.

Talvez eu seja suspeito pra falar, porque me apaixonei por Copenhagen. Uma cidade é linda, onde 112% da população anda de bicicleta e o clima era favorável. Mas situando um pouco o pessoal, vou falar o que aprendi (e nao tenho certeza de que seja 100% certo) sobre København.

Copenhagen (ou København em dinamarquês) é a capital da Dinamarca e tem mais ou menos 1,2 milhões de habitantes (ou seja, do tamanho de Dublin). O nome (essa aprendi!) e a foto mais aclamada pelos turistas tem história. Havn significa porto, e devido ao seu crescimento no século XII, se tornou um grande centro comercial da Dinamarca. Aí o nome Køben + havn (em Danish) – “porto dos mercadores”.

Um dia meu pai me disse “Esses países que sofreram com a guerra evoluiram muito. Veja a Alemanha por exemplo”. Com a Dinamarca nao foi diferente, sofreram ataques dos alemaes, e logo depois enfrentaram batalhas contra a frota britanica. Foi a tal Batalha de 1807. Com isso, a cidade foi destruída (nao tanto quanto Berlin, imagino).

Apesar de tudo isso, Copenhagen é hoje uma das cidades mais “desejadas” da Europa.

Vejam algumas nomeações:

- Em 2008 a revista Monocle listou Copenhagen como “Top 25 Most Livable Cities list”
- A revista também premiou Copenhagen como “Best Design City” e “Most desirable city”
- Rankeada #14 no MasterCard Worldwide Centers of Commerce Index e primeira na Scandinavia.
- #6 no ranking da revista Grist como “15 Green Cities”
- #7 no ranking de cidade mais cara do mundo e #3 como mais cara da Europa.

E como mostrei as linhas de trem/metrô da Suécia, vou mostrar que aqui também não é diferente:

Dado o background, vou contar como cheguei.

Usando meu Interrail Global Pass, vim pela cidade de Malmö (Suécia), em uma “viagem” de aprox. 30 minutos sob a ponte do Øresund.

Ponte do Øresund (foto de olga)

Chegando, fiquei hospedado em um hostel excelente (acho que o melhor que já fiquei na Europa), chamado Danhostel. Existem mais de um na cidade, fiquei no Danhostel Downtown, que como o nome já diz, esta no centro.

Pra se hospedar lá, você precisa da carteirinha de alberguista. Caso não tenha (meu caso) pode comprar na hora, dura 1 ano e custa 140 krones (coroas dinamarquesas) – equivalente a 20 euros.

A diária custou aproximadamente 22 euros em um quarto de 8 camas mistas. Foi lá que conheci 3 caras de histórias completamente diferentes, inclusive um deles vai virar história aqui em breve.

São eles: Achi, o japonês, Frank, o colombiano e Rocco, o italiano.

Além da incrível hospitalidade da cidade, fiquei impressionado com a qualidade do inglês. Eu achava que falavam bem na Suécia, mas na Dinamarca foi impressionante. Do estudante colegial de 16 anos, até o vendedor de cachorro-quente, é como se eu estivesse na Inglaterra. Um sotaque limpo e bem pronunciado.

Na viagem também conheci um grupo de estudantes do colegial que iriam passar 3 meses na Alemanha, em um “intercâmbio” para aprimorar o idioma. Detalhe que o rapaz de 16 anos estava falando fluentemente inglês comigo, mas a lingua nativa dele é o Danish (dinamarquês). Sem preconceitos contra Irlandeses, mas aparentemente, eles também são muito mais bonitos (os “meninos e meninas” como diria Renato Russo). Não sei explicar, mas é uma aparência de “bem-cuidado”, banho tomado, sabem?

Como passei uma Segunda e Terça-feira lá, não tive a oportunidade de ir para uma balaaada, mas fui em alguns pubs, jantei com os amigons e fui até em um Karaokê.

Noite não tão fria quanto na Suécia, tranquila, e bem agradável.

Apesar da fama de cidade cara, talvez meu “tour” não tenha sido o mais popular entre os turistas. Fiz apenas passeios que não gastam nada (Visitei o porto, a Sereia, parques, mas nada pago). A comida típica lá é o cachorro-quente vendido na rua. Na verdade não típica, mas clássica, digamos.

O cachorro-quente tradicional é minúsculo, com uma salsicha fina e comprida, coberta por maionesese, ketchup, mostarda, cebola e picles. Fiquei imaginando se esses caras forem pra Morato Coelho em São Paulo, e degustarem um hot-dog com cheddar, catupiry, pure, batata-palha, etc… ou até mesmo um “hot-dog-da-usp”. Enfim, cultura.

O tempo foi pouco, mas excelente. Se eu tiver outra oportunidade, gostaria de voltar lá, passar mais tempo, finais de semana e viver um pouco mais o clima dinamarquês. É outra cidade que recomendo muito.