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18
jun
2009

Aventuras de uma Intercambista!

Essa história foi contada na nossa lista de discussão pela Cla Araujo. Para completar, a nossa já tradicicional Rô (mãe de todos os intercambistas na Irlanda) enviou suas reflexões a respeito!

Complete a leitura antes de julgar as ações dela, é uma história incrível! =o)
A hhistória da Cla!

Então, gente, deixa eu contar pra vcs o que me aconteceu. Se preparem, que eu escrevi muito!! Eu fui pra Dublin em setembro de 2007, e a idéia inicial era ficar 6 meses lá, mais um viajando pela Europa, depois vir embora. Estudei na Language Centre of Ireland – LCI (qualquer hora eu faço a avaliação dela pra vcs, mas já adianto que gostei muito), fui pra ficar um mês em host-family mas acabei morando
lá até ir embora de Dublin (me custou muuuito dinheiro, mas foi muito bom, a melhor coisa que eu poderia ter feito). Bom, meu visto de estudante acabava no início de maio, junto com o curso. Nessa época eu estava planejando ficar ainda mais uns dois meses em Dublin, queria pelo menos pegar um pouco do verão. Até pensei em pagar outro curso de inglês pra estender o visto, mas desisti por causa dos preços e por
meu nível de inglês já ser avançado. Achei que daria pra ficar lá como turista (geralmente, se vc entra como turista, pode ficar até 3 meses na Irlanda sem visto). Fui me informar na Garda, conversei com algumas pessoas, e todos me falaram que em uma situação como a minha geralmente basta sair da Irlanda por alguns dias e na hora de voltar explicar pro oficial da imigração que eu quero entrar como turista.
Claro que não é garantido que eu entraria, mas não costuma dar problema.

Meu curso acabou no dia 5 de maio. Lá pro dia 19 eu viajei para Paris, e voltei pra Dublin uma semana depois. No aeroporto, na imigração, eu expliquei pro oficial que meu visto de estudante já tinha vencido e que eu queria entrar como turista. Ele me perguntou pra que eu estava voltando, e pra simplificar (na verdade fiquei com preguiça de responder a muitas perguntas) eu falei que as minhas coisas estavam
todas lá e que meu vôo pro Brasil saía de lá, e mostrei minha passagem (que estava marcada pro dia 6 de junho). O cara olhou, viu que estava tudo ok e me deixou ir.

Uma semana depois disso eu resolvi ir pra Londres, pra passar uns 3 dias. Nesse meio tempo eu remarquei a minha passagem pro Brasil pra agosto (eu já ia remarcar de qualquer jeito, só deixei pra última hora). Fiquei com um certo receio de sair da Irlanda de novo, mas como tinha sido tranquilo na minha volta de Paris, e tinha um amigo que eu queria muito encontrar em Londres, resolvi arriscar. Fui e voltei de
ônibus. A entrada na Inglaterra foi tranquila, o oficial fez umas poucas perguntas e olhou meu passaporte, mas nem carimbou (a gente tava no porto, parecia um lugar um pouco improvisado, e ele não tava carimbando o passaporte de ninguém). Chegamos em Londres de manhã, e logo no meu primeiro dia lá, enquanto eu estava passeando pelo Hyde Park (recomendo muitíssimo!), me apaixonei pela cidade e decidi que era ali que eu queria passar meu verão. A minha amiga que me recebeu
trabalhava num restaurante turco que, por coincidência, estava precisando de garçonete, e eu já conversei com o gerente e pedi o emprego. Expliquei que eu tinha que voltar pra Dublin pra buscar minhas coisas e organizar tudo mas que eu voltaria em duas semanas, e ele aceitou.

Bom, embarquei de volta pra Irlanda já com tudo planejado, ficaria mais duas semanas (o tempo de despachar parte da minha bagagem pro Brasil, conhecer alguns lugares que eu ainda não tinha visitado na Irlanda, e da minha host-mom achar outro estudante pra morar com ela) e voltaria pra Londres. Eu ia trabalhar ilegalmente mesmo, coisa que sempre tive medo de fazer, mas como seria só por dois ou três meses, não quis desperdiçar a chance e me dispus a correr o risco. Na chegada
em Dublin, estávamos parados no porto, e um oficial da imigração entrou no ônibus pra ver o passaporte de todo mundo. Mostrei o meu e falei a mesma coisa do visto, que o de estudante tinha vencido e eu queria o de turista. Ele ficou meio sem saber o que fazer e me pediu para acompanhá-lo até o escritório, para que eu falasse com o
responsável. O ônibus ficou me esperando e eu fui, entrei numa salinha dentro do prédio e o cara pegou meu passaporte e foi falar com o outro. Estava lá esperando tranquila quando entra o outro oficial, que devia ser o responsável, já bravo, meio agressivo comigo, perguntando por que eu estava voltando pra Irlanda, pedindo explicações porque a informação que ele tinha era que eu ia embora pro Brasil no dia 6 de junho (e acho que já era dia 7), perguntando se eu menti em relação a
isso. Daí eu me dei conta que o cara do aeroporto de quando cheguei de Paris tinha colocado no sistema a data da minha passagem pro Brasil, e eu não sabia que tinha essa informação lá. Eu expliquei que eu tinha remarcado a passagem pra agosto, que eu queria passear mais pela Irlanda e pela Europa, e disse que estava voltando porque minha base era Dublin, minha casa, minhas coisas estavam lá, e eu queria fazer turismo pelo país, que eu não conhecia quase nada. Ele tava super
bravo, falou que eu não podia fazer aquilo, não podia falar uma coisa e depois fazer outra, que se eu tinha falado que ia embora tal dia tinha que ser daquele jeito, e que eu já tinha tido muito tempo pra fazer turismo no país, etc etc. E eu completamente surpresa, não esperava uma reação dessas, ainda mais que na época que eu fui a
Irlanda ainda tinha essa coisa de ser mais tranquila em relação à entrada de estrangeiros, eu não conhecia muitos casos de gente que tinha tido problema com isso lá. Pedi desculpas, falei que não achava que teria problema em remarcar a passagem, tentei me explicar, tudo com calma. No fim das contas o cara falou que eu não poderia ficar, e me deu uma semana pra eu sair da Irlanda. Ficou com meu passaporte,
pegou meus dados e os da minha host-family (nome, endereço, telefone), disse que eu tinha que voltar lá durante a semana pra mostrar que já tinha passagem pra algum lugar e só assim ele me devolveria o passaporte e que se eu não aparecesse a minha host-family poderia ter problemas por minha causa. Enfim, fez o maior drama!
Eu sei que fiquei meio em estado de choque com a situação toda, demorei um tempinho pra assimilar tudo, e tentei correr com minhas coisas. A situação só não foi pior porque eu já tinha resolvido ir embora de qualquer forma, só que eu precisava de mais tempo. Vou falar uma coisa pra vocêss, finalizar as coisas, fechar de maneira tão abrupta um período de 7 meses da sua vida, não é fácil. Principalmente porque
foram 7 meses riquíssimos, absolutamente especiais. Não consegui encontrar com todas as pessoas pra me despedir, tive que despachar parte das minhas coisas pro Brasil pelo correio, foi caríssimo e eu ainda fiquei com mais um monte de mala, não consegui fazer quase nada do que pretendia. E com isso tudo eu fiquei com medo de chegar em Londres de avião, se eu já tinha tido problema na Irlanda, o que não
era comum, imagina em Londres, que a gente sempre ouve caso das pessoas sendo deportadas! Daí resolvi fazer um caminho que um amigo já tinha feito e que não costuma nem ter controle de imigração: dublin- belfast-edimburgo-londres. Fiz reserva nos albergues em Belfast e em Edimburgo, peguei minha passagem pro Brasil e todos os meus outros documentos, e fui lá buscar meu passaporte, com o mesmo cara que falou comigo. Pedi a ele que me desse mais alguns dias porque eu não estava
achando a melhor forma de despachar minhas malas (queria uma melhor alternativa que os correios), ele parecia mais calmo, perguntou quantas malas eu tinha e coisas do tipo. Eu falei que iria para o Reino Unido, que queria conhecer algumas cidades e que estava pensando em ir para a Espanha fazer um curso antes de voltar ao Brasil. Mostrei as reservas dos albergues, disse que não tinha passagem ainda porque
iria de Aircoach (para quem não sabe, uma empresa de ônibus) e compraria na hora, mostrei minha passagem pro Brasil e tudo o mais.
Ele leu absolutamente tudo, disse que ia ligar pra companhia aérea pra se certificar que aquele número de reserva era verdadeiro, fez mil perguntas, enfim, ele tava procurando qualquer sinalzinho de que eu poderia estar mentindo em alguma coisa. E eu não estava! Em certo momento eu disse a ele que não tinha razões para ficar na Irlanda, que minha vida era no Brasil, eu tinha tudo aqui, casa, família, amigos. E
ele disse que era justamente isso que ele estava querendo ver, se eu não tinha mesmo a intenção de ficar lá. Ou seja, o cara cismou que eu queria ficar lá ilegal, e não tinha nada que eu falasse que o fizesse mudar de idéia. Daí ele devolveu meu passaporte, e falou que não me daria mais tempo pra me organizar, e que ia ligar nos albergues em
Belfast e em Edimburgo pra saber se eu apareci por lá, e se não tivesse notícias minhas eu teria problemas.
Sendo assim, lá vou eu sair de Dublin em um ônibus rumo a Belfast às 11hs da noite de um sábado, carregando duas malas, uma daquelas grandes e outra pequena, uma mochila nas costas, e duas bolsas no ombro, tudo pesadíssimo, claro. E comecei minha peregrinação… Só sei que até chegar em Londres, 5 dias depois, eu passei por tudo: quase tive que dormir na rua, passei frio, recebi muita ajuda de estranhos,
fui acolhida em um hotel, embarquei e desembarquei carregando todas as minhas coisas em ônibus, trens, metrô, táxis, passei por momentos de desespero, cheguei a me perguntar o que diabos eu estava fazendo ali e se aquilo tudo valia a pena, pra no momento seguinte eu ver uma paisagem maravilhosa e já achar que valia, sim, a pena… Conheci brevemente algumas pessoas muito bacanas, e me surpreendi com a
solidariedade humana. Se não fosse a ajuda de algumas pessoas, mesmo pra coisas aparentemente simples do tipo me ajudar a tirar as malas do trem, eu não sei se teria conseguido! Mas cheguei em Londres, sã e salva, e no dia seguinte já comecei a trabalhar. A partir daí basicamente deu tudo certo, e eu passei um verão de muito trabalho, mas maravilhoso, e que mudou minha vida.

E essa é, em resumo, a minha história. Eu sei que não contei da vida em Dublin especificamente, mas achei mais bacana contar a experiência com a imigração e o que aconteceu depois. Mesmo porque já tem muita gente aqui contando do cotidiano, as escolas, a cidade, as pessoas, os pubs, essa coisa toda, e eu acho interessante contar um outro lado, algo bem diferente. Depois eu escrevo da minha vida lá também. Aliás,
eu tenho um site – caica.multiply.com – onde eu contei muita coisa da viagem toda. Podem acessar e deixar recados se quiserem (mas pra isso é preciso fazer cadastro no multiply). Podem comentar ou perguntar qualquer coisa por aqui também.

E só pra adiantar uma pergunta que vcs devem ter na cabeça já (e que muita gente me fez quando eu disse que queria voltar pra Irlanda esse ano): como eu posso voltar, eu não fui expulsa? Pois então. Eu estou um pouco apreensiva quanto a isso, mas como eu não passei por nenhum processo, não fui deportada nem nada, eu espero que isso não me cause mais problemas. Eu cheguei a perguntar ao cara da imigração se aquilo me impediria de voltar à Irlanda algum tempo depois, e ele disse que
não, que o importante era eu sair de lá naquele momento. Aliás, eu tive que voltar pra Irlanda depois pra pegar meu vôo pro Brasil, não tinha como mudar. Fui de Londres pra Dublin pela Ryanair, já queria chegar no aeroporto porque se eu tivesse algum problema era só ficar por ali mesmo que dali a algumas horas eu embarcaria pro Brasil. E foi tranquilo, o carinha mal olhou meu passaporte, eu disse que estava só
de passagem porque embarcaria no mesmo dia, e ele me deixou passar.

Agora eu não tenho garantia nenhuma de que vou entrar de novo, mas na verdade ninguém tem porque na hora que a gente chega se o oficial não quiser vc não entra no país. E eu estou olhando tudo direitinho, quero ir com tudo certo pra evitar qualquer problema e não dar motivo pra eles não me aceitarem. Desejem-me boa sorte!! :)
E a conclusão da Rô!

Meninos e meninas,

Disso é feita a vida”!
Vejam que as circunstancias e situações pelas quais nossa amiga “Cla” passou foram todas criadas por ela, por sua vontade de ver e viver.
Muitos sustos, com certeza, mas momentos plenos de vida!
Adoro isso! Viver é tudo!
Esse negócio de não fazer por achar que não vai dar certo, ou pior, por ter medo de não dar certo, não tá com nada.

O que temos que saber é:
1 as coisas “estão dificeis”, muitas vezes “são” dificeis e podem até piorar muitissimo, mas…(tem sempre o “mas”), a vida tem um final conhecido, que aliás todos sabem o nome: “morte”.
Deixar de existir, de repente, da noite pro dia. Esse é o final seguro e certo.

2 Pra quem tá com medo a grande noticia é que não é preciso se desfazer dele para estar na Irlanda: a imigração pode até pérceber que voce está com medo e encher o seu saquinho mas, definitivamente, medo não é item proibido na bagagem. Controle seu medo, não o deixe controlar voce. Sussa!

3 Pra quem tá com a cara e a coragem, pensando em vir: arrume o máximo de euros que puder e chegue aqui procurando um meio de ganhar dinheiro. Sei lá, até segurar placa na Grafton a 7 euros a hora pode rolar, de inicio, e já pagar seu lanchinho.

Pra quem ainda tá pensando se valerá a pena:

Sair da nossa zona de conforto, em qualquer circunstancia, é muuuuito chato. Mas nada pode ser mais chato do que uma vida “linear” e sem stress. Fora que, nesse caso, a gente nasce e cresce e vive “chato”.

Portanto, meus queridos, já que conhecemos o final de nossa “corrida” contra o tempo (morte), o que determina se seremos vencedores ou perdedores são as realizações, as experiencias vividas durante nosso trajeto.

A máxima maior é: “não roubar, não matar e, se possivel, não mentir nem roubar a mulher do próximo” O resto tá liberado.

beijusssssss
ro

24
set
2008

Está com dúvida pra vir? Medos e incertezas?

Esse email foi enviado ao grupo e-dubliners pela Rosângela alguns dias atrás, e achamos o texto motivador, escrito por quem tem uma real experiência de vida. Segue:

“Amores,

Tenho lido algumas mensagens angustiadas, em maior ou menor densidade, de alguns membros do nosso grupo, em relação a “Ir ou não ir?”, se “ir” “o que nos espera?”, etc…,etc…etc…

Bem, acho que posso dizer alguma coisa sobre isso. Afinal, sou o membro “mais experiente”.

Vivi grande parte de minha viajando a trabalho.
Conheço o Brasil inteiro, de ponta a ponta. Igarapés, palafitas, prédios modernos, favelas, sertão, areia, chuva e sol…e eu no caminho.
Sempre trabalhei para o governo federal e nessa condição me aposentei.

Trabalho, entretanto, desde os 13 anos de idade.
Hoje tenho cinquenta anos, aposentei-me com 30 anos de serviço e tenho uma aposentadoria que poucos em nosso país podem ter.

Das sequelas do serviço público a que mais me atormenta é a decorrente da vida sedentária: males da coluna, pressão alta, colesterol alto e…síndrome do pânico!…”Braba”. Daquelas de lagartixa na parede virar jacaré.

Tomo diariamente muitos medicamentos, todos de uso contínuo.

Bem, vocês devem estar se perguntando: “O que essa velha louca está querendo fazer na irlanda?” E eu respondo: na Irlanda, nada. Em mim, tudo.

Sempre tive uma vida relativamente confortável, conheci mais de 80 países e fiz amigos no mundo todo.
Tenho um filho que adotei quando ele tinha 05 dias de vida. Hoje ele tem 14 anos. Fiz e faço tudo o que posso por ele.

No ano passado, prestes a me aposentar, sugeri ao meu filho que ele se preparasse para estudar fora do Brasil e que escolhesse entre Canadá, Inglaterra, EUA e Austrália.
Para isso ele teria que “passar” de ano e aos 16 anos poderia matricular-se em escola no exterior. Os requisitos são esses: não ter repetido de ano nos últimos 02 anos e ter no mínimo 16 anos.

Ele repetiu de ano. Por preguiça, por desleixo, por desânimo, tédio e sei-la-o-que-mais. Entrou água no meu barco!

Pensei: “Tudo bem. Isso aconteceu porque “EU” quero que ele estude fora. E ele, quer?

Aí vi que esse é um projeto único e pessoal. Não pode ser vivido por ninguem que não seja você mesmo.

Pedi que ele pensasse a respeito e ele está pensando até hoje.
É claro que ele diz querer estudar fora do Brasil, mas estou aguardando pra ver o quanto ele vai querer isso.

A partir daí resolvi deixar meu carro, minha casa e meus confortos todos, para viver uma nova realidade, fora de minha zona de conforto.

Falei pro meu filho:

Se vira aí. Te espero lá” “Vou realizar um sonho antigo: viver na Irlanda. Assumindo todos os riscos“.

Na Irlanda vou viver única e exclusivamente do dinheiro que vou levar (inicialmente), que é o mesmo valor que a maioria de vocês pensa em levar: 1000 euros para abrir a conta no banco, 1000 em VTM e 500 euros para o inicial.

De resto, vou correr atrás de um trabalho que me garanta o mínimo necessário para comer, morar, passear e comprar meus remédios.

Com relação a trabalho:

1- saio de um ambiente de trabalho estritamente formal: reuniões com políticos, reuniões com entidades como FEBRABAN/FIESP/ABECIP/BACEN/BNDES, seminários, congressos, viagens, trabalhos em grupo, etc..

2- perspectiva de ambiente de trabalho: boteco, fumaça, bêbados, pano de chão, lavanderia, latas de lixo, pilhas de pratos ou copos pra lavar, varrer e lavar chão, entregar jornal na chuva, etc….

Tudo a ver, não é??!

Na minha última reunião de trabalho fui aplaudida por mais de cem pessoas. E houve um almoço em minha homenagem, no próprio local de trabalho. Um luxo!!!

NAAAAAAADAAA!!!!!!!

Estou me sentindo como quem não sabe ler nem escrever. Uma completa ignorante, sem qualificação profissional nenhuma!

Minhas chances são muito menores do que quem tem até 35 anos. Vinte e poucos, então…nem se fale!

Tenho medo?? Lóóóóóógico!!Afinal, tenho um filho que depende de mim, sou uma pessoa prejudicada em termos de saúde e se eu despirocar em Dublin (síndrome do pânico), dificilmente vou conseguir me recuperar.

Mas tô achando o maáááááááximoooooo!!!
Sabe porquê???

Porque agora vou ter tempo de ser gente. Sem aquela máscara, aquela arrogância própria de cargos e funções.

Aí vocês podem dizer: “Mas assim é fácil: já fez a vida! Pode voltar a hora que quiser e terá uma aposentadoria esperando“.

Posso garantir a vocês que justamente por essa minha condição é que foi tão dificil decidir ir pra Irlanda! Aqui no Brasil sou o que se pode chamar de “vitoriosa”.

Se eu voltar por um motivo que não seja “vitorioso”, estarei condenada a dias de completa frustração. Começarei, então a morrer.

Nesse mesmo sentido, se um de vocês não “aguentar” e voltar para o Brasil, terão toda a vida e todo o gás para realizar o que quiserem. Sem nenhum problema, sem nenhum desgaste emocional.

É isso o que tenho a dizer: ainda que eu tivesse 70 anos, ninguém (pelo meu caráter, minha personalidade) me impediria de tentar realizar um sonho. Não seria justo, portanto, que eu mesma me impedisse, por medo ou insegurança.

Enfim, decidi sair do meu conforto porque se você não paga pra ver, dificilmente consegue alcançar um objetivo, realizar um sonho.

A maioria de vocês é muuuuuito mais jovem do que eu, por isso arrisco em dizer: dispensem o medo em favor da “adrenalina boa”, aquela que dá força, que inspira e não deixa desistir. Mais do que coragem, tenham fé. Persistam, insistam, sejam tolerantes, pacientes, saibam dividir, sejam menos críticos e saibam perdoar. Aí vocês poderão ir pra qualquer canto do mundo, sem o menor medo de “não dar certo”: o futuro é certo, virá. O que não existe mesmo, é o que nunca foi feito. Mas aí, nem sabemos que gosto teria.

Espero ter, de alguma forma, confortado vocês. E contem comigo!”

Rosângela

4
mar
2008

e-mail dúvidas gerais

Alguns dias atrás, o Vagner me contactou via e-mail, para sanar algumas dúvidas. Como as dúvidas são todas pertinentes e acredito que são dúvidas comuns para muita gente, pedi autorização dele para postar aqui no Blog. Estão sem anexos, mas acredito que ajuda mesmo assim.

Então ai vai:

From: vagtur@xxxxx
To: eduardogiansante@hotmail.com
Subject: IRLANDA E GOTOLODON
Date: Fri, 29 Feb 2008 18:01:05 +0000

Olá Edu!!!

Lhe escrevo porque em minhas pesquisas no orkut vi que vc está planejando um intercambio na Irlanda ou já está lá e fechou com a agência GOTOLONDON. Estou planejando minha viagem pra Dublin, para o final de julho, e pelo que percebi esta é a agência com os melhores preços. Porém, sua sede fica em Minas Gerais e eu moro no Paraná, sendo assim o trâmite seria todo via e-mails. É aí que peço sua ajuda cara. Gostaría de saber como foi sua transação com a agência, se ocorreu tudo certo. O investimento que realizamos é alto, por isso a preocupação com a seriedade da empresa….

Vc fechou tudo online ou fez uma visita pessoalmente?Recebeu algum contrato com antecedência, antes de efetuar o pagamento?? Tudo certo com o contrato, sem ‘trambiques’? O pagamento que vc fez foi a vista, deposito bancario mesmo ou via boleto??Como é realizada a entrega da carta da escola? Eles lhe encaminharam via email ou correio?? Demorou muito?? Junto com a carta da escola eles enviam algum documento referente ao seguro saúde??

E o lance da moradia cara….como foi contigo?? Hostfamily mesmo….eles lhe encaminharam algum documento referente a isso tambem, alguma garantia?? Vc fechou tudo (escola, moradia, seguro e passagem) com muita antecedencia ao embarque? Tenho receio quanto aos prazos para recebimento da papelada, embarcar sem alguma coisa, sei lá…. Outra dúvida é com relação a escola. Estou entre 3: Abbey college; Graffton e Liffey.Vc está em alguma delas?? É isso Edu.

Desculpe pela quantidade de perguntas. Mas vc deve ter passado por isso também…pra quem não conhece o país e não tem nenhum contato lá é complicado. É mesmo um ‘tiro no escuro’. Penso que quanto mais informado vc sair daqui melhor, pra não passar nenhum ‘aperto’.

Abraços. Boa sorte.

resposta:

From: eduardogiansante@hotmail.com
To: vagtur@xxxxx
Subject: RE: IRLANDA E GOTOLODON
Date: Fri, 29 Feb 2008 21:31:12 +0300

Fala Vagner, blz cara?

Obrigado pelo contato e o voto de confiança!

Vamos lá, respondendo suas perguntas (que até 1 mês atrás, eram minhas dúvidas tb!)
1 – A GotoLondon realmente tem melhores preços, e fica em Patos de Minas, estou em SP. No início foi minha maior preocupação, devido ao valor alto de transação, e o fato de fazer tudo via web.. então, o que fiz primeiro: – fiz uma busca no serasa, orgãos do governo e whois (internet) pra checar de quem era o dominio ‘gotolondon.com.br’ e ‘gotolondon.net’. Ambos são da mesma pessoa, e já estao a alguns anos na web. Peloo governo, tudo ok, a empresa existe, nao tem ‘antecedentes’.- Descobri pelo whois tambem, o nome do proprietario, e fiz uma caça enorme dele pela web. também tudo limpo- comecei a caçar em blogs, orkut sobre a gotolondon… só tive boas recomendações.- mandei um email pra TODAs as escolas que eles trabalham em londres e dublin, e todas falaram muito bem deles, e confirmaram que tudo sempre deu certo, etc. Bom, problema 1 resolvido!

Agora vamos ao restante: Tudo é feito via email e msn. A primeira coisa é fazer o preenchimento do formulario no site deles, e colocar o nome da pessoa que esta te atendendo (quem me atendeu foi a Kenne Sant’Anna). Quando você conclui o cadastro, eles enviam um formulario (atraves do Fabricio Melo), estou te enviando uma cópia do meu, pra você ver como chega. Essa é a parte que dá medo, rs. Você faz um TED de aprox. R$ 6.500,00 para a GotoLondon (veja se vc tem limite, senao peça ao banco, é bem tranquilo, eles resolvem no mesmo dia – no meu caso o unibanco). Você preenche o contrato, assina, rubrica e envia via fax junto com o comprovante de pagamento.

Pra minha segurança, pedi que enviassem uma confirmaçao de recebimento. alem disso, eu tenho o comprovante de pagamento online pelo banco. Depois disso, você precisa fazer uma manobra, que é a seguinte: a Escola pede o numero da sua reserva de voo, pra saber que dia você chega (geralmente 3, 4 dias atnes de começarem as aulas). A KLM tem um atendimento excelente, e foi com eles que fechei. Pelo site da decolar (http://www.decolar.com/), o custo da passagem é aprox. R$2200,00. Quando você liga e diz que vai estudar, eles cobram a tarifa de estudante, e o custo abaixa muito! Paguei R$1.700,00 (ida e volta). Mas pra ter a tarifa de estudante, eles pedem sua carta da escola, e a escola, está aguardando sua reserva de voo… ou seja, fodeu! rs Nao, nao fodeu não!!! A KLM reserva pra você, e te dá 5 dias úteis para você enviar a carta da escola pra eles confirmarem a tarifa de estudante.

Então, você pode enviar a reserva para a gotolondon, que vai enviar para a escola, e eles te mandam a carta da escola. ( o tempo que eles dao de prazo pra chegar a carta da escola, é de 15 dias úteis, então, pra todo esse tramite dar certo, voce faz a reserva do voo uns 8 dias depois de ter feito o pagamento do curso).

Quando sua carta da escola chegar (estou te mandando um modelo, de outra pessoa), você encaminha para o email da klm (que a atendente vai te passar) junto com o seu codigo de reserva de voo. Pronto, tramite 2 resolvido! O seguro que eles oferecem é o básico, que só cobre a irlanda. Fiz o seguro da GTA plano Bronze, que é o seguro internacional. Custa U$ 440,00 e cobre qualquer país, e é um plano muuuuito mais parrudo que o plano básico da irlanda (que custa 300 ou 400 reais se nao me engano). É um investimento que vale a pena. EStou anexando também um doc com a cobertura desse seguro bronze da GTA.

Fechei 2 semanas de moradia, e ainda aguardo a carta de acomodação (paguei depois, por isso ainda não chegou). Ainda nao tenho muito o que ajudar sobre isso, mas assim que tiver te passo também. Ah, fechei com a Grafton! Minha idéia não é aprender inglês na escola, e duvido que vc aprenda em qualquer uma dessas, porque tem muito estrangeiro/brasileiro. Vai te servir mais pra fazer um networking e conhecer gente nova.

Dica: se cadastre nos sites de emprego, linkedin, bebo.com, e outros sites da Irlanda. Tente se “transformar” em um cidadão irlandes, mesmo que digitalmente no início, pra começar a pegar as manhas. Eu vou com um amigo, o Homero, e juntos estamos criando o blog http://e-dublin.blogspot.com/ pra ajudar o pessoal, com as infos que estamos conseguindo. Espero ter te ajudado!

Como você fez muita pergunta que muita gente faz, queria pedir sua autorização pra publicar esse email/resposta no blog, afim de ajudar outras pessoas. Você autoriza? Obrigado e boa sorte pra você também!
Edu

réplica:

From: vagtur@xxxxx
To: eduardogiansante@hotmail.com
Subject: RE: IRLANDA E GOTOLODON
Date: Tue, 4 Mar 2008 02:01:27 +0000

E aew Edu!!
Valeu pelo retorno cara. Muito bacana da sua parte!!!!

Realmente você pesquisou muito sobre a agência! Também já havia entrado em contato com pessoas que contrataram os serviços da empresa e foram pra Dublin ou Londres com ela. Só ouvi boa referências também…mas nunca se sabe, quanto mais informações a gente tem, mais garantido fica né? Mas to achando que vou fechar com eles sim…os preços são muito bons, a diferença pra concorrência é grande, e como ando meio sem grana, hehe….

Agradeço o envio do contrato, da carta da escola e das informações sobre o seguro GTA. Já deu pra ter uma idéia melhor de como tudo funciona. Agora sobre estas “manobras” na compra do bilhete aéreo com desconto: Será que nao teria sido tudo mais fácil se vc comprasse o bilhete com uma agencia de turismo ao inves de comprar diretamente com a cia aerea. Talvez os prazos para apresentar a carta da escola fossem maiores, sei lá. Ou talvez se vc tivesse fechado o bilhete com a gotolondon tambem.

Assim eles mesmos se encarregariam de encaminhar a carta pra cia e o numero de reserva do voo para a escola. O que vc acha? Teve algum motivo especifico para comprar a passagem direto com a cia aerea? Vc diz: “Mas pra ter a tarifa de estudante, eles pedem sua carta da escola, e a escola, está aguardando sua reserva de voo… ou seja, fodeu! rs Nao, nao fodeu não!!! A KLM reserva pra você, e te dá 5 dias úteis para você enviar a carta da escola ” Como eh feita esta reserva? Vc paga 100%, paga uma parte e depois o restante? Como funcionou cara?

Uma dúvida sobre a moradia: É a própria escola quem escolhe onde vc vai morar? Ou vc dá palpites sobre localização, tipo de família, algo assim? Penso que o ideal eh morar o mais perto possivel da escola, mas jah ouvi casos onde a casa eh longe……..como foi contigo? A escolha pela escola está dificil…cada uma tem um ponto negativo…..a vantagem da Grafton eh a localização, central.

Mas acho q vou acabar escolhendo pelo critério “tranquilidade”, ou seja, uma que nao seja muito rigorosa com horarios, frequencias…..pois a vida aí deve ser bem corrida, com trabalho e tal….acho q ausencias nas aulas serão coisa normal…ouvi dizer que a Liffey eh boa neste sentido. A Grafton eu já nao sei…. Valeu pela dica de sites de emprego…com certeza utilizarei. Pode postar este email no seu blog sim cara.

Excelente sua iniciativa, show de bola!!! Como vc ve, continuo perguntando. Espero que possa me ajudar. Quando eu chegar aí, tomamos um chopp juntos, rs!! Abraço e toda sorte do mundo!! Ateh.

tréplica:

From: eduardogiansante@hotmail.com
To: vagtur@xxxxx
Subject: RE: IRLANDA E GOTOLODON
Date: Tue, 4 Mar 2008 09:01:27 +0000

Fala cara! Sem problemas! Estamos ai pra isso!

Como disse, antes era eu quem tinha as duvidas, então vou ajudar com o que puder :) Sobre a passagem, optei por comprar direto com a KLM pela diferença de preço. Com a Gotolondon (ou outra agência qualquer) eles cobram R$ 2.200,00. Com a KLM saiu R$ 1.700,00. Essa diferença de preço não é só por causa da tarifa, é também pela antecedência da compra! (quanto antes comprar, mais chance de ter um bom preço). Sobre moradia, o critério é justamente a escola.

Eles tentam te colocar o mais próximo. Mas como disse, ainda não recebi a carta de hospedagem, então não sei onde vou ficar ainda. Sobre a escola, realmente, tem a questão da Grafton ser mais bem localizada, mas as vezes você quer fugir do centro, justamente pelo trânsito, etc. Não sei como são os outros bairros, mas acabei optando por lá, também, pelas opiniões do pessoal. Vamos ver né?

Te aguardo pro Chopp Guiness então!

Abração, Edu