Para quem ainda está se perguntando quais os principais desafios e aprendizados de um Intercâmbio, segue um bate papo com a Intercambista que já se aventurou 11 vezes e escreveu um livro, falando tudo, de A a Z sobre esta experiência insubstituível…
Marina Motta, fala tudo sobre Intercâmbio, e eu (Homero), tento aprender um pouco mais com ela neste E-Dublincast! Fiquem de olho, vamos sortear o Livro Intercâmbio de A a Z no Facebook e/ou Twitter. Para quem quiser conhecer mais do livro, da Marina Motta, ou então comprar seu exemplar, visite http://www.intercambioaz.com.br/
A viagem de intercâmbio começa muito antes do embarque. Quando você decide pela Irlanda ou qualquer outro lugar do mundo e até mesmo quando você ainda esta decidindo o destino.
A busca por informações já é uma jornada que te possibilita descobrir quão pequenos somos e quanta gente bacana tem por aí, seja simplesmente postando dicas no orkut, procurando se ajudar e se encontrar para ir, chegar e quem sabe ficar juntos no destino.
Bom até então, somente coisas genéricas, mas vou explicar o porquê disso.
Até o embarque…
Ainda na época da procura / decisão, além das pessoas obvias (mãe, namorada, amigos próximos) tantas outras começam a chegar até você com um carinho que não se podia imaginar. Frases como “vou sentir sua falta” começam a vir de diversas pessoas, e às vezes repetidamente… Pra mim foi um primeiro estralo no sentido de “caramba, eu devia dar mais atenção pra essa ou aquela pessoa”.
Pra mim, o fato mais marcante pré-viagem foi a despedida no aeroporto. Uma amiga querida, mas de pouco contato (e que gravou a minha música de despedida comigo), saiu da casa dela, pegou um baaaaita congestionamento na via Dutra, para chegar e simplesmente me dar tchaw… Foi um abraço, 5 minutos de papo, lágrimas e fim… E estávamos falando no caminho, ela sabia que ia ser assim, poderia ter meia volta a qualquer momento.
E os primeiros dias de desespero?
Antes mesmo do embarque, assim como todos que no lê, saímos a procura de informações e ombros amigos. E a que mais me marcou foi um contato que o Edu encontrou, a nossa atual colaboradora Kenia. Ela recebeu nossos PPS e muitas ligações perguntando informações básicas que tínhamos nos primeiros passos. Não foi a toa que se tornou uma grande amiga nossa e dos velhinhos irlandeses.
Logo na chegada conhecemos alguns outros recém chegados, mas que já tinham quase 1 mês Irlanda e já estavam estabelecidos com casa e emprego. Estas almas caridosas nos chamaram para almoçar na casa deles. Compramos a carne e levamos. Talvez quem ainda não foi não tenha noção do valor deste nobre ato hehehe. Comida na rua em Dublin é caro, na hostfamily só se serve café e janta… Logo, almoçar com amigos pode trazer ótimas economias e principalmente uma alimentação mais adequada, o que pode te ajudar a não contrair uma gripe na sua chegada, o que é muito comum por conta da mudança de clima, umidade, hábitos (ex. andar muuuuuito e no frio) entre outras coisas.
E como esquecer o dia do Matrix, quando os ficamos horas andando em circulos pelas ruas de Dublin 2 sem saber como ir para a O’Connell? Quando estávamos completamente perdidos, em uma esquina da Dame St., um caro brasileiro viu a gente se debatendo com o mapa e nos ofereceu ajuda. Assim como um senhor que eu não entendia nada… ou então em Paris a velhinha falando em francês comigo… são vários os exemplos neste caso!
E por que não ajudar para matar o tempo e alegrar a alma?
O cara que inventou o trabalho não sabia o monstro que ele estava criando, e que pra piorar se tornou um mal necessário. Sendo assim, nesta árdua tarefa de encontrar o tão almejado emprego de garçom, contar com os amigos é importante. Graças a indicação do Edu me tornei garçom em Punchestwon. Certamente, cedo ou tarde eu encontraria algo, mas ele foi mais umas pessoas especiais que fez parte da minha vida irlandesa e da minha carreira em catering. Além disso, nada melhor que um verdadeiro amigo para te dizer tudo que você não quer, mas precisa ouvir… Neste tópico a recíproca foi (e ainda é) verdadeira hehehe.
Aquela história de ajudar quem está chegando virou coisa séria né Mocotó? O fulano resolveu ajudar E-Dubliners que estavam chegando apenas pela alegria de ajudar. Pagava as passagens do bolso mesmo estando desempregado… E depois, quando todo mundo queria uma mãozinho, criou o Mocotour , mas não deixo de criar amigos e dava sempre a mão, o braço e muitas vezes o ombro. Mostrava os principais lugares, ajudava no PPS, oferecia almoços e até ajudou os novos viajantes a arrumar um lugar para morar, (ele alugou até a minha casa para novos viajantes quando eu estava de saída), e por que não virar amigo também dos novos moradores? O envolvimento proporcionado aos que deixavam a casa foi tanto que algumas das pessoas que moraram eu até fantasiei que conhecia…
Pra não dar ponto sem nó, como nos últimos dias eu não tinha casa, ele se privou da sua privacidade e me deu seu chão e um colchonete no seu quitinete (que dividia com a noiva) por alguns vários dias, inclusive o meu último!
Bom, já adianto que não sou fã de feijoada, mas sabe comida da mãe? Casa da avó? E não estou falando da idade, pois elas poderiam sim ser minha mãe, estou falando do carinho com o qual elas preparavam o arroz, a feijoada e o cafézinho brasileiro… e acima de tudo nos recebiam e criavam o cliema! Pode parecer bobagem, ou fora do contexto, mas mais importante que fazer baladas brasileiras (coisa que não fiz) é suprir a carência que temos do nosso Brasil, do nosso jeito de viver e conhecer as pessoas… E a única lembrança que posso ter disso é o meu último fim de semana em Dublin, junto a elas e tantos outros e-dubliners. Isso é real, admiro a quem quer manter as coisas boas do Brasil sem deixar que isso seja uma vida brasileira no exterior e a morte do propósito do intercâmbio. Parabéns Rô e Lili!
E-Dubliners na Fejuca!
Muitas vezes quando estamos em nosso dia-a-dia acabamos olhando e ressaltando sempre o lado ruim das pessoas, mas o intercâmbio nos dá a possibilidade de acreditar no lado bom, pois se não acreditarmos nisso, podemos sentar e chorar sozinhos. Confiar nas pessoas não é fácil, confiar nas pessoas quando não se tem onde se escorar, é o básico da fé. Quando um ou outro disser que acredita em Deus, porém não acredita nas pessoas (sim, eu já ouvi isso), esta pessoa pode por o ponto final no seu intercâmbio.
Eu aprendi, mas talvez não pratique ainda 100% (a gente é burro, humano, erra demais, fazer o que?), que o importante da jornada é saber olhar o que e quem é especial e tentar ao máximo ser também especial quando possível. Mesmo que não te digam, tem sempre alguém esperando isso de você e no intercâmbio todo dia é dia de ser e encontrar alguém especial.
Essa é a pergunta que muita gente beirando seus 30 ou com mais de 30 nos perguntam. Bom, muitos ouviram o depoimento da Rosângela, e até o belo texto do Homero sobre porque ele veio.
Estava lendo uma reportagem sobre Roger Milla na internet, e lembrei, vagamente (pois tinha apenas 6 anos de idade) de como falavam bem do Camarões na Copa de 90.
Pra quem tem mais de 30 anos, vai se lembrar bem da Copa de 90, e vai lembrar também da grande surpresa do mundial que foi a seleção de Camarões, junto com o excepcional Roger Milla.
Roger Milla
Até então, ninguém falava de Camarões, e nem davam nada por eles. Acontece que a equipe africana surpreendeu a Argentina, campeã mundial, e vencendo por 1 a 0 no jogo de abertura da Copa. Avançou até as Quartas de Final, com vitórias sobre a Romênia 2 a 0, (dois gols de Milla) e Colômbia 2 a 1 (com mais dois gols de Milla, que ao marcar seu segundo gol, tirou a bola do goleiro Higuita)
Mas infelizmente perderam perdeu por 3 a 2 da Inglaterra, em um jogo sensacional com viradas dos dois lados.
O primeiro destaque aqui é pra seleção. Um time que surpreendeu pela habilidade e sua alegria de jogar. Eles eram claramente movidos pela sua paixão pelo futebol. Isso te lembra alguma coisa? Sim, nós Brasileiros, com nossa alegria natural, que chama atenção dos Europeus.
Mas essa não foi a maior diferença. A verdadeira atração da Copa de 90 foi Roger Milla. Ele disputou a Copa com 38 anos de idade, idade o qual muitos já estariam aposentados. E não simplesmente jogou, como foi o artilheiro da sua seleção e grande diferencial do time. Milla provou ter energia e um fôlego que poucos jovens de 20 e poucos anos tem.
Roger Milla (Copa do Mundo 1994)
Em 1994 Milla disputou a Copa do Mundo novamente, aos 42 anos de idade, e foi considerado o jogador mais velho a disputar e fazer gol em uma Copa do Mundo. Mas como a própria reportagem diz, o grande momento de Milla foi mesmo em 1990… “quando ele conseguiu provar três coisas: Primeiro, a si mesmo, que ainda era decisivo aos 38 anos. Depois, aos seus companheiros, que irreverência não é necessariamente sinônimo de arrogância. Por fim, e mais importante, que o futebol africano pode, sim, ser protagonista de uma Copa. Sempre com sorriso no rosto e talento no pé.”
Hoje Milla é um embaixador no seu país, e reconhecido em todo o planeta.
Esse é Roger Milla, mas… e você? Ainda consegue ser decisivo? Já sabe qual a melhor idade pra vir? Que tal provar que ainda tem fôlego pra encarar novos desafios? E começar provando a si mesmo que essa barreira não existe?
Venha, e prove que você também pode ser o protagonista do seu intercâmbio.
Nós sempre falamos de vir, porque vir, como se preparar pra vir, mas após ler uma reportagem recente, resolvi comentar um pouco sobre a volta. Porque algumas pessoas, mesmo que empregadas, voltam para seu país de origem?
O exemplo que vou usar é do jogador Adriano. Graças a uma carreira de sucesso no Brasil, Adriano foi parar na Europa. Defendeu grandes clubes, era artilheiro de temporadas, e tinha um contrato até o final de 2010 com o Inter de Milão.
Adriano tinha fama, dinheiro, uma boa vida na Europa, mas resolveu voltar para o Brasil. Reincidiu o contrato e foi parar no Flamengo, em sua cidade natal, o Rio de Janeiro.
Ele disse em uma entrevista recente no Globo Esporte: “Eu precisava disso. Aqui (no Brasil) as pessoas falam a minha língua, entendem a minha cultura. É muito mais fácil. Volto para casa após os jogos e tenho minha família, os meus amigos. Isso me faz muito mais feliz do que antes. Aqui é Brasil. Apesar das dificuldades somos um povo vencedor“.
Saudade? Não necessariamente. Adriano se sentia deslocado, um peixe fora d’água.
As vezes vejo brasileiros com bons empregos, vivendo razoavelmente bem, alguns a mais de 2, 3 anos aqui na Irlanda, e de repente eles simplesmente voltam pro Brasil. Muitos vem pra viver essa experiencia em 1 ano, outros em 3, 5. Mas a maioria vem com um plano de um dia voltar.
Porque isso acontece? Será que estão se sentindo deslocados? Já deu o que tinha que dar?
Acredito que tudo na vida é uma experiência. A maior diferença aqui, é que a experiência é mais intensa. Acontece de repente, muda muito rápido e muda muito.
Por melhor que seja seu inglês, você sempre vai ter um momento que vai sentir um certo alívio ao falar português com um brasileiro. Não pela fluência da língua, mas pela familiaridade cultural, pela gesticulação em comum, pelo mesmo repertório histórico. E é por isso que muitos criam um apego muito rápido com algumas pessoas ou flatmates.
Seu repertório de vida pode não ser o mesmo de outro brasileiro, mas ambos sabem o que é o trânsito de São Paulo, o queijo de Minas, O chimarrão do Sul, o carnaval de Salvador ou as praias do Rio.
Outro fator que acredito ser crucial é a família e os amigos. A família do ponto de vista da segurança. Eu, particularmente, nunca fui fã de festas de família e participava muito pouco. Porém, quando tenho uma boa notícia pra contar, a primeira pessoa que penso é minha mãe.
Ouvir o que meu irmão esta fazendo ou evoluindo me dá vontade de participar mais da vida dele. Não considero isso “saudade”, mas sim envolvimento. Interesse em se manter próximo de alguém que você ama.
E os amigos? Quem nunca foi pra um lugar aqui e pensou: “Ah, se aquele meu amigo X estivesse aqui! É a cara dele!”
Acompanhar e-mails dos seus amigosprogramando a viagem de fim de ano, a cervejinha do fim de semana ou mesmo contando do almoço com o pessoal do trabalho. São momentos que você sente ter perdido, apesar de outros milhares que você ganha aqui.
Não existe certo e errado. Você faz escolhas. É um desafio de uma experiência que infelizmente não vai ser compartilhada fisicamente com seus amigos do Brasil ou familiares. Porém, será sua história. A história que você está fazendo, pra caso pense em voltar, poder sentar na mesa de bar e contar como foi.
Adriano, o jogador, continua recebendo propostas, mas não aceitou nenhuma até agora.
E você? Vai aceitar a proposta de virar estudante na Irlanda ou vai preferir se acolher à sua vida no Brasil?
Episódio #22 Intercâmbio de A a Z, o mas e o porquê! O que trazer de bom do seu intercâmbio? Por que fazer um intercâmbio? Como tirar o melhor da sua viagem e como lidar com as novas situações e pessoas! Entrevista com a escritora do livro Intercâmbio de A a Z, a intercambista profissional que teve 11 experiências ao redor do mundo.
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