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10
out
2011

Tel Aviv, Primeiras horas

Quem é vivo sempre aparece! Depois de problemas tecnicos estou de volta com a viagem ao Oriente Médio.

Como descrito no post anterior, vamos continuar a viagem por Israel começando pela primeira cidade, Tel Aviv.

Viajei à Israel sozinha, mas tenho alguns amigos e conhecidos no país, o que com certeza me ajudou bastante e não me deixou tão insegura. Um dos meus amigos, o Pietro me buscou de carro e me ajudou em boa parte das aventuras que irei relatar aqui.

Reservei algumas noites no Florentine Hostel, que aparecia muito bem cotado no Hostel World no coração de Tel Aviv com diárias a 21 euros. Meu amigo, o Pietro entrou nas ruelas que o GPS indicava e comecei a ficar com medo. Eram ruas escuras, sem calçadas, com um pessoal muito esquisito e caçambas à céu aberto… Até o momento pensei se tratar de um erro de tecnologia, mas o GPS indicava que era ali mesmo. Aí eu falei: “Pronto, onde é que eu fui me enfiar?”.

 

Onde é mesmo?

Descemos. Passamos pra lá, passamos pra cá buscando o tal número que o GPS indicava e nada.

Adivinhem qual das portas a seguir pertencia ao hostel? Vamos chegar um pouquinho mais perto?

Essa é a placa indicativa do hostel! Agora pergunta se eu consegui ler isso aí de noite.

O hostel que escolhi não tinha recepção 24 horas por dia, então a impressão que tive de que tudo já começaria dando errado foi bem pequena, imaginem vocês. No dia anterior, conforme pede o hostel (Só e somente no dia anterior à chegada), peguei o código de entrada achando a situação a das mais suspeitas possível.

Essa era a entrada:

A cada segundo eu ficava mais assustada e só conseguia pensar que infelizmente tinha sido enganada como uma patinha porque COMO ASSIM O MELHOR HOSTEL DE TEL AVIV ERA AQUELE MUQUIFO? E calma que piorou.

Eu e meu amigo subimos as escadas nos entreolhando e morremos de medo do que encontraríamos lá em cima. Recepção! Vimos umas europeias loiras correndo descalças pelo hostel, nós procuramos a recepcionista e nosso olho arregalou até o queixo quando a encontramos! Ela parecia ter 16 anos com uma camiseta regata 4 números maior que ela, de saiote hippie e descalça!

Cabine da recepção à esquerda. Reprodução

Dentro da recepção, um quartinho no meio da sala/cozinha, uma dúzia de toalhas e lencois se abarrotavam dentro dele e o braço da recepcionista estava completamente rabiscado enquanto buscava minha reserva. Nem descrevo o que passou na minha mente recém-saída da Irlanda até o melhor hostel da maior cidade do Oriente Médio.

Depois dessas surpresas vieram outras: Não tinha armário no hostel (Quê como assim? Armário tamanho caixa de sapato conta?) Eu entrei no quarto de cinco camas (a parte de cima da beliche ficava a exatos 50 cm do teto – Adivinhem qual não foi minha cama) e haviam malas abertas com computadores, carteiras, celulares, carregadores por todos os lados. Gente, alguém pode roubar isso aí, fechem, tranquem essas malas!

Confesso que não sentia uma angústia, uma sensação de ter sido passada pra trás há muito tempo. Fiquei alguns minutos, longos minutos olhando toda aquela situação se confrontando com a minha realidade Brasil-Irlanda e tentando encaixar em algum lugar. Meu amigo bateu na porta e perguntou se estava tudo bem. Eu falei que estava e falei que já podia ir.

Eu pensei sim em escolher outro lugar depois desse baque, mas como só iria passar duas noites, perderia o dinheiro das reservas e ainda corria o risco de não conseguir nada melhor não (e imaginem que aquele era o melhor) para o mesmo dia ou o dia seguinte porque fui em alta temporada. Com os cabelos arrepiados, resolvi ficar.

Depois entendi o conceito do hostel, o gerente me explicou que eles tentam fornecer uma atmosfera familiar, não o ambiente hotel que os hosteis ao redor do mundo costumam oferecer. Mas mesmo assim, falta muito pro

Área de convivência

hostel ser bom. O lugar é limpo duas vezes ao dia e a área de convivência é excelente, bem ao clima do Oriente Médio, mas em contrapartida, eles não fornecem nenhuma programação pra quem chega. Onde é o mercado, pra que balada o pessoal vai hoje, tem algum mapa indicando o mercado de pulgas ou pontos turísticos? Então todo mundo chega sabendo de tudo, é isso mesmo produção? Eu me perdi nessas. Não quero parecer exigente, mas sair da Europa e ver o que eu vi (ou o que não vi) foi assustador.

Resolvi comprar um cadeado voando e cheguei à única solução razoável depois de todo o perrengue desde o aeroporto e a surpresa do Hostel: tomar

Atenção, não são centavos!

todas abraçada à minha mala. Com o passaporte e os Shekels (dinheiro israelense) em mãos fui comprar o famoso falafel e umas boas de umas cervejas. Andando pelo agradável arredor já citado acima, achei um falafel modesto no fim da avenida e passei em um dos 50 mil off licenses que encontrei por lá. Uma das coisas engraçadas é o leque de cervejas ‘saborosas’ que encontrei. Nem na Alemanha me deparei em uma simples adega com cervejas de sabor: morango, framboesa, frutas vermelhas, pêssego, limão, uva… Fica aí a recomendação. Comprei e o senhorzinho falou que não tinha troco. Como assim o senhor não tem como me dar o troco? – UMA MORTE QUE TAL? Pensei, mas fiquei calada – Ele me deu umas moedas, que pelo o que eu entendi, ele foi bonzinho e me deu a mais e só depois descobri que em Israel não existe centavos. Muita informação pra um dia.

Saí do Off license, vi uma viatura de polícia vindo na contramão, eles dirigiram formando um círculo e adivinhem o quê? Me pararam! É isso aí pessoal, mais essa! Eles desceram do carro já falando em hebraico. Eu olhei pra um lado, olhei pro outro e não era que estavam falando comigo mesmo? Não falo hebraico, Sir, respondi. Aí começou outro interrogatório. Notei a cerveja já abertinha, lembrei que aqui na Irlanda é proibido beber na rua e fiz as contas do porquê da indignação. Perguntaram minha idade, onde eu comprei e pediram o documento. Pronto, mesmo interrogatório do aeroporto. Por que você veio? Chegou quando? Veio com quem? Tá hospedada onde? Quando vai embora? Aí eu já respondi o resto com a má vontade que havia guardada em mim desde que aterrissei em solo israelense porque pera aí VOCÊS JÁ ESTÃO ME ABSUSANDO, CARAMBA! Resolveram me liberar, porque do caso contrário pensei que iriam me dar uma carona até o hostel ou a delegacia.

Mili aventuras não é? Estão resumidas aí minhas primeiras duas horas em Tel Aviv. Alguém tem dúvida das experiências provenientes do resto dessa viagem? Continuem acompanhando que o restante vai vir com menos atraso e mais emoções!

9
mai
2010

Mundo Afora (Mundo Adentro) – DNI ou DNA?

DNI ou DNA?

Irene é minha companheira de trabalho, do turno da tarde. Irene deve ter uns 20 e poucos anos. Irene nasceu e cresceu na Colômbia. Sua mãe é de lá. Mas morando aqui Irene é uma… sudaca. Esse é o termo pejorativo que os espanhóis utilizam para se referir aos indivíduos provenientes de suas ex-colônias do sul d’América. Em castelhano: Sudamérica. Daí sudaca.

São os sudacas que aqui normalmente limpam as privadas onde os outros defecam e os pratos onde todos cuspimos. Mas Irene é uma sudaca especial. Ela atende hóspedes internacionais na recepção de um albergue no centro da cidade, Barcelona. Atende hóspedes e faz check-ins. Faz check-ins and check-outs.

Irene é uma sudaca especial também porque seu pai é daqui, Barcelona, capital da Catalunha. O pai de Irene migrou para a ex-colônia Colômbia durante os anos de ditadura franquista, aliás, bem piores e mais longos que os nossos de ditadura “cirquista”…

Sendo assim, enfim, Irene é portadora de cidadania espanhola. Irene, portanto, está legalmente apta a viver, morar, circular e trabalhar em qualquer um dos 25 países que compõem este big-burg pós-contemporâneo. O muro caiu, mas outros, institucionais-burocrático-legais, foram levantados, altíssimos. A moeda? Uma só. Forte. Canhões foram substituídos por oficiais de alfândega mirándote feo. Welcome to… União Européia.

Unidos?

Ontem à noite, depois do trabalho, Irene caminhava pelas Ramblas com o namorado Bryan, americano do Texas. Bryan já leva algum tempo aqui. E ao contrário de Irene, Bryan não tem ascendência européia, apesar de ser branco, alto, loiro, olhos azuis, bem educado, culto, bem alimentado, bem vestido, enfim “bonitinho”… Bryan, portanto, não tem os mesmos direitos civis que Irene, de ir-e-vir. Bryan não tem cidadania européia. Teoricamente não poderia estar aqui, a não ser sob o status de visitante ou estudante, gastando livremente seus dólares, isso pode, mas com data marcada pra sair. Entretanto, Bryan mora aqui. Bryan mora aqui e tem trabalho.

Naquela noite, Bryan levava à mão uma lata de cerveja aberta. Irene não bebia. Caminhava apenas. Caminhavam em direção à casa de Bryan. Em algum momento um polícia se aproxima de Bryan e informa que ele não poderia estar bebendo álcool ali, em local público, ao ar livre, nas Ramblas ainda por cima, a maior vitrine da Espanha… Bryan apologizes. O polícia pede documentação, o que Bryan imediatamente informa “não tenho”, em inglês ou em castelhano carregado de texano. O polícia se dirige à Irene e igualmente lhe pede documentação. Irene lhe apresenta e, sob petição, lhe entrega seu DNI español. Documento Nacional De Identificación.

Quem não mora aqui não sabe, nem os europeus sabem, mas a Espanha só existe como Estado. Estado e reino. A Espanha não é uma nação, pois está formada por pessoas, povos, gente cujos sentimentos não apresentam a… “convicção de um querer viver coletivo” (wikipedia.com), isto é, separatistas. Os catalães são mais diplomáticos. Os bascos, terroristas. E os galegos vão na onda. Sendo assim, o poder central Madrid (também casa dos reis católicos, patrocinadores oficiais de grandes descobertas continentais e, atualmente, prestáveis inauguradores de museus quando a agenda do primeiro-ministro está cheia…), comete um erro sócio-político-terminológico explícito, embora sutil, ao batizar o documento real-estatal de… “nacional”. Que o Senhor esteja convosco.

Mas isso é assunto para outra discussão…

O polícia lhes pede que o acompanhem. E vão até a delegacia mais próxima. Lá, e durante todo o percurso, Irene fica sem a posse de seu DNI, o qual segue em mãos do agente. Ao chegar à delegacia, após argumentação infrutífera com a personificação armada do Estado real, isto é, o polícia, e sem entender o que se passava, Irene tensiona-se, exaltada: “Pero ¿qué pasa? Me puede decir ¿qué pasa? O que eu fiz! Poderia devolver meu DNI, por favor?” O polícia lhe diz à queima-roupa, straightfowardly: “A senhorita se crê espanhola apenas porque possui isto?”, indicando-lhe o cartão de papel plastificado, material do qual é feito o tal DNI. Irene é estrangeira pela boca, pelo sotaque da ex-colônia, colombiano-sudaca, indefectível. Não há DNI que disfarce.

Irene, agora criticamente tensa, arranca seu DNI da mão do polícia. No mesmo instante Bryan é levado para fora daquela sala. “Pra uma cela talvez?”, imaginei. Irene permanece ali, ela, aquele policial, e outros três mais rodeando-a.

Três mais?

Julgando o ato de Irene um desacato à autoridade, o polícia responde com um abuso de autoridade sub-bárbaro: pega Irene pelo cabelo, longos rastas, puxa-a em sua direção, e lhe dá um tapa na cara.

Irene imediatamente rebate dando-lhe outro.

Estava formado o episódio.

Todo o resto da história e sua conclusão eu não sei. Não consegui continuar prestando atenção… Irene nos contava hoje, chorando, inconsolada, e com medo de sair à rua… Exame de corpo de delito pra quê? Um tapa na cara não deixa marcas. E que provas? E Bryan?

Bryan não havia sido levado pra cela alguma. Apenas para uma sala de espera ao lado.

Sala de espera?

Irene, portanto, não possui testemunhas, a não ser os três outros policiais que a cerceavam.

Câmeras? Não. Nunca houve “grandes irmãos” em salas de tortura…

Bryan não viu nada do que se passou com Irene e nem sequer chegou a ser multado por infringir a nova “Lei de Ordenança Civil” do novo prefeito, que proíbe as pessoas de irem nuas na sua pelas ruas e de tomarem cerveja pelas Ramblas, e calles, e outros becos mais. Ao contrário de Gabrielito, um outro companheiro meu de trabalho, ajudante de limpeza, desses que limpam o chão por onde as pessoas pisam… Boliviano, traços inca, pele parda, cabelo grosso preto. Em 2007, Gabrielito foi pego pela polícia na mesmíssima Rambla. Dormiu aquela noite no xadrez e recebeu uma “carta-convite” para “retirar-se” do reino, ou Estado, mas definitivamente não-nação. Gabrielito, ao contrário de Irene, não tinha “papeles en regla”, isto é, documentação em dia. Todos os seus dias eram noites. Estava ilegal no país, assim como Bryan…

Parece-me, então, que “papeles en regla” ou passaportes capa cor vinho, letras douradas e emblemas do rei já não garantem mais o acesso. Mais importante que o DNI ficou o DNA. Portar uma cara “limpa”. Está acima da lei. É isso?

Lei?

Sendo assim, estou trocando meu passaporte europeu por uma lata de cerveja. Aberta… Inglês eu já falo. Posso até forçar um acento texano. Ou californiano. Melhor: nova yorkino…

Bonitinho eu já sou…………………….

Adriano Barchese
Barcelona, janeiro 2010

24
jun
2009

Fatos Reais! Pai Irlandês

Dentre os vários aprendizados que temos como intercambistas, o trato com o dinheiro é um deles. Muitas vezes porque estamos com a conta completamente zeradas e finalmente nos vemos na situação em que precisamos controlar até a quantidade ônibus que pegamos (ou deixar de pegar ônibus e ir a pé).
Acredito que nós (eu e Edu) tivemos uma oportunidade de ver ainda um outro lado a respeito do “trato com o dinheiro”. Como vivíamos com irlandeses, pudemos ter a oportunidade de entender como eles viam e lidavam com o dinheiro que tinham. Mesmo com uma relação um pouco distante, algumas atitudes foram marcantes para nós.
Quem acompanha o blog há mais tempo ou quem nos conhece no dia-a-dia sabe que chamamos um de nossos flatmates de “Pai”. Nem todos sabem exatamente a justificativa para isso, mas agora todos saberão!
Fato 1

Logo que nos mudamos para a casa, haviam dois computadores jogados no chão, quebrados. Certo dia o Edu resolveu perguntar se eles funcionavam. O Pai, técnico em informática, começou a mexer no computador. Ao final, descobriu que realmente não tinha jeito, nada poderia ser feito com aquele computador.
Cerca de uma semana depois, ele chega em casa com um computador novo: um Core Duo Quad,2 gigas de RAM, Monitor 17″ widescreen, etc. Ele instalou tudo e deixou lá para que usássemos. O detalhe é que ele mal usou o computador, já que ele tinha um notebook, e normalmente ficava no quarto dele fazendo as coisas dele. O computador TOP de linha foi praticamente um presente pra nós e um investimento sem uso pra ele.
Fato 2

Meses depois, chegando o inverno, descobrimos que por conta das pilantragens de um antigo flatmate, o gás havia sido cortado. Isso significa que estávamos sem aquecedor para o inverno.
Ele fez algumas ligações pra o Board Gas (empresa fornecedora do gás) e algum tempo depois tinhamos gás em nossa casa novamente. Nunca ficamos sabendo como ele havia reativado, até que um dia, estávamos em uma festinha na casa do vizinho e ele contou: ele pagou 600 euros que estavam atrasados para que o gás voltasse a funcionar.
Ele contou isso meses depois, nunca cobrou um centavo por causa disso… Eu não consigo imaginar um brasileiro fazendo isso. Se não fosse ele, ficaríamos sem gás, porque era a época mais dura que passei por lá.
Fato 3
Quando eu decidi que eu voltaria para o Brasil e nos mudaríamos da casa, fizemos o anuncio no Daft mas não tivemos nenhum retorno.
Conversamos com ele que estava difícil, que não havíamos recebido nenhum contato.
Ele pediu para esperarmos mais uma semana, e depois disso ele aceitou diminuir 50 euros do preço do nosso quarto, e aumentar este valor no quarto dele. Ele entendeu que janeiro / fevereiro é o pior período para alugar a casa. Além disso, sabia que muita gente estava indo embora por causa da crise.
A primeira proposta dele foi para baixarmos em 45 euros. Mas realmente não era necessário, e seria completamente injusto com ele.
Fato 4
Haveriam várias historinhas do dia-a-dia para contar, mas prefiro resumir isto em um só fato.
Sabendo da nossa dificuldade financeira, ele nunca cobrou pela garrafa térmica nova que comprou, pelo ferro de passar. Pagou cerveja na balada para mim, quis pagar ma chapelaria pra eu deixar minha mala, entre outras pequenas coisas que mostravam seu “desapego” ao dinheiro.
Não quero dizer que todos são assim, existem também os pilantras como já dissemos aqui!. Mas pelo que percebi do irlandeses que conheci, existe uma grande porcetagem que realmente é assim. Podemos justificar isso com o fato de que eles tem uma vida mais bem estrutura e poucos tem que realmente contar os centavos no final do mês (como muitos brasileiros que estão na Irlanda).
Acredito que em nossa sociedade capitalista / competitiva e principalmente sub-desenvolvida aprendemos a ver o dinheiro como a coisa mais importante de nossas vidas, fazendo dele a prioridade máxima. Acredito que esta convivência me fez repensar um pouco esta questão, e talvez ser mais brando em relação a dinheiro, principalmente com as pessoas ao meu redor. Vivendo e aprendendo, é pra isso que viemos… a terra!
16
mar
2009

Fatos Reais! Jegiscleide

Foco! já diria o sábio chinês… ou nem tão sábio assim, já que nem tudo nesta vida precisamos de um foco, de um objetivo, muitas vezes é permitido apenas viver um dia após o outro…

Entretanto, todos nós temos objetivos nesta vida, mesmo que não saibamos estamos agindo inconscientemente para algo que talvez, lá no meio da nossa cabeça, seja nosso objetivo. Temos o dom da razão, que nem sempre nos faz racicionar tão bem, um dia somos um, outro dias somos outro… esta é grande parte da nossa beleza!

Mas acredito que quem toma uma decisão de mudar de país, passar um ano fora (mais, ou menos, não sei), tenha um objetivo. Seja experiência de vida, conhecer a Europa, aprender inglês, ou mesmo juntar um dinheiro (objetivo mais complexo atualmente). Seja ele qual for, tenha foco, e atinja seus objetivos!

A história da Jegiscleide parece algo banal mas não é, principalmente quando você a conhece.

Ele chegou a Irlanda em Dezembro de 2007 com um objetivo: Aprender inglês! Oras, se o seu objetivo principal é este, ir as aulas é o primeiro passo, e os demais se tornam superfulos (a não ser o de trabalhar para se sustentar).

Pois bem, a Jê conseguiu um emprego para se sustentar, mas ela trabalhava várias horas por dia e nestes dias, perdia as aulas da escola. Nos outros, ela estava cansada, não estudava, e nem ao menos se esforcava para ir a escola. Como ela trabalhava como Floor Staff (geralmente recolhendo copos, limpando coisas), ela não interagia muito com as pessoas e não praticava o inglês.

Chegou a sair do emprego e começando em outro que lhe dava mais tempo para estudar. Mas continuou não indo a aula, e logo as aulas acabaram. Seu circulo de amizades eram todos brasileiros, raramento algum outro Europeu nativo, portanto, nada de praticar o idioma.

O segundo trabalho lhe dava mais tempo, mas menos dinheiro. Mais chance de comer porcarias. Como boa mulher que é, está morreeeeeeeendo de saudades da família, do cachorrinho, da vizinha, da amiga, do avô, e de tudo mais. Carência, mais vontade de comer porcarias.

Finalmente, ufa… chegou dezembro, missão cumprida! 1 ano na Irlanda estudando inglês, hora de voltar para o Brasil! Opa, calma… Voltar para o Brasil para os feriados de fim de ano? Puts, não tenho dinheiro… Ah, tudo bem, vou passar o ano novo em algum lugar na Europa! Ixi, não tenho dinheiro, gastei tudo para renovar o visto! Ué, mas você não queria ir embora?

Pois é, disse bem, ela QUERIA voltar para o Brasil, abraçar a família e o cachorrinho, mas vai ficar mais um ano para tentar aprender inglês… talvez reclamando que está gorda, fazendo massagem nos bracos que doem de tanto segurar bandejas e, principalmente, chorando de saudades das pessoas que ela gostaria de estar junto!

Tenham em mente, ponham um bilhete no teto em cima da sua cama para você lembrar todos os dias quando você acorda: Qual o seu objetivo? Para no final, você poder dizer: “Foi pra isso que eu vim e foi isso que eu consegui!”