2011
Tel Aviv, Primeiras horas
Quem é vivo sempre aparece! Depois de problemas tecnicos estou de volta com a viagem ao Oriente Médio.
Como descrito no post anterior, vamos continuar a viagem por Israel começando pela primeira cidade, Tel Aviv.
Viajei à Israel sozinha, mas tenho alguns amigos e conhecidos no país, o que com certeza me ajudou bastante e não me deixou tão insegura. Um dos meus amigos, o Pietro me buscou de carro e me ajudou em boa parte das aventuras que irei relatar aqui.
Reservei algumas noites no Florentine Hostel, que aparecia muito bem cotado no Hostel World no coração de Tel Aviv com diárias a 21 euros. Meu amigo, o Pietro entrou nas ruelas que o GPS indicava e comecei a ficar com medo. Eram ruas escuras, sem calçadas, com um pessoal muito esquisito e caçambas à céu aberto… Até o momento pensei se tratar de um erro de tecnologia, mas o GPS indicava que era ali mesmo. Aí eu falei: “Pronto, onde é que eu fui me enfiar?”.
Descemos. Passamos pra lá, passamos pra cá
buscando o tal número que o GPS indicava e nada.
Adivinhem qual das portas a seguir pertencia ao hostel? Vamos chegar um pouquinho mais perto?
Essa é a placa indicativa do hostel! Agora pergunta se eu consegui ler isso aí de noite.
O hostel que escolhi não tinha recepção 24 horas por dia, então a impressão que tive de que tudo já começaria dando errado foi bem pequena, imaginem vocês. No dia anterior, conforme pede o hostel (Só e somente no dia anterior à chegada), peguei o código de entrada achando a situação a das mais suspeitas possível.
Essa era a entrada:
A cada segundo eu ficava mais assustada e só conseguia pensar que infelizmente tinha sido enganada como uma patinha porque COMO ASSIM O MELHOR HOSTEL DE TEL AVIV ERA AQUELE MUQUIFO? E calma que piorou.
Eu e meu amigo subimos as escadas nos entreolhando e morremos de medo do que encontraríamos lá em cima. Recepção! Vimos umas europeias loiras correndo descalças pelo hostel, nós procuramos a recepcionista e nosso olho arregalou até o queixo quando a encontramos! Ela parecia ter 16 anos com uma camiseta regata 4 números maior que ela, de saiote hippie e descalça!
Dentro da recepção, um quartinho no meio da sala/cozinha, uma dúzia de toalhas e lencois se abarrotavam dentro dele e o braço da recepcionista estava completamente rabiscado enquanto buscava minha reserva. Nem descrevo o que passou na minha mente recém-saída da Irlanda até o melhor hostel da maior cidade do Oriente Médio.
Depois dessas surpresas vieram outras: Não tinha armário no hostel (Quê como assim? Armário tamanho caixa de sapato conta?) Eu entrei no quarto de cinco camas (a parte de cima da beliche ficava a exatos 50 cm do teto – Adivinhem qual não foi minha cama) e haviam malas abertas com computadores, carteiras, celulares, carregadores por todos os lados. Gente, alguém pode roubar isso aí, fechem, tranquem essas malas!
Confesso que não sentia uma angústia, uma sensação de ter sido passada pra trás há muito tempo. Fiquei alguns minutos, longos minutos olhando toda aquela situação se confrontando com a minha realidade Brasil-Irlanda e tentando encaixar em algum lugar. Meu amigo bateu na porta e perguntou se estava tudo bem. Eu falei que estava e falei que já podia ir.
Eu pensei sim em escolher outro lugar depois desse baque, mas como só iria passar duas noites, perderia o dinheiro das reservas e ainda corria o risco de não conseguir nada melhor não (e imaginem que aquele era o melhor) para o mesmo dia ou o dia seguinte porque fui em alta temporada. Com os cabelos arrepiados, resolvi ficar.
Depois entendi o conceito do hostel, o gerente me explicou que eles tentam fornecer uma atmosfera familiar, não o ambiente hotel que os hosteis ao redor do mundo costumam oferecer. Mas mesmo assim, falta muito pro
hostel ser bom. O lugar é limpo duas vezes ao dia e a área de convivência é excelente, bem ao clima do Oriente Médio, mas em contrapartida, eles não fornecem nenhuma programação pra quem chega. Onde é o mercado, pra que balada o pessoal vai hoje, tem algum mapa indicando o mercado de pulgas ou pontos turísticos? Então todo mundo chega sabendo de tudo, é isso mesmo produção? Eu me perdi nessas. Não quero parecer exigente, mas sair da Europa e ver o que eu vi (ou o que não vi) foi assustador.
Resolvi comprar um cadeado voando e cheguei à única solução razoável depois de todo o perrengue desde o aeroporto e a surpresa do Hostel: tomar
todas abraçada à minha mala. Com o passaporte e os Shekels (dinheiro israelense) em mãos fui comprar o famoso falafel e umas boas de umas cervejas. Andando pelo agradável arredor já citado acima, achei um falafel modesto no fim da avenida e passei em um dos 50 mil off licenses que encontrei por lá. Uma das coisas engraçadas é o leque de cervejas ‘saborosas’ que encontrei. Nem na Alemanha me deparei em uma simples adega com cervejas de sabor: morango, framboesa, frutas vermelhas, pêssego, limão, uva… Fica aí a recomendação. Comprei e o senhorzinho falou que não tinha troco. Como assim o senhor não tem como me dar o troco? – UMA MORTE QUE TAL? Pensei, mas fiquei calada – Ele me deu umas moedas, que pelo o que eu entendi, ele foi bonzinho e me deu a mais e só depois descobri que em Israel não existe centavos. Muita informação pra um dia.
Saí do Off license, vi uma viatura de polícia vindo na contramão, eles dirigiram formando um círculo e adivinhem o quê? Me pararam! É isso aí pessoal, mais essa! Eles desceram do carro já falando em hebraico. Eu olhei pra um lado, olhei pro outro e não era que estavam falando comigo mesmo? Não falo hebraico, Sir, respondi. Aí começou outro interrogatório. Notei a cerveja já abertinha, lembrei que aqui na Irlanda é proibido beber na rua e fiz as contas do porquê da indignação. Perguntaram minha idade, onde eu comprei e pediram o documento. Pronto, mesmo interrogatório do aeroporto. Por que você veio? Chegou quando? Veio com quem? Tá hospedada onde? Quando vai embora? Aí eu já respondi o resto com a má vontade que havia guardada em mim desde que aterrissei em solo israelense porque pera aí VOCÊS JÁ ESTÃO ME ABSUSANDO, CARAMBA! Resolveram me liberar, porque do caso contrário pensei que iriam me dar uma carona até o hostel ou a delegacia.
Mili aventuras não é? Estão resumidas aí minhas primeiras duas horas em Tel Aviv. Alguém tem dúvida das experiências provenientes do resto dessa viagem? Continuem acompanhando que o restante vai vir com menos atraso e mais emoções!
























