2010
Dicas para aspirantes a Garçom (Waiters)
Em mais um Conte sua História, dessa vez Paula Albocino, vai contar um pouquinho sobre sua experiencia como garconete, e ainda compartilhar dicas valiossíssimas! Tomem nota
Entre todos os chamados “sub-empregos” que os brasileiros conseguem em Dublin, um dos melhores é o trabalho como garçom. Entre as vantagens estão refeições gratuitas durante o intervalo e, em alguns locais, ótimas gorjetas.
Para conseguir um emprego como garçom é essencial ter um bom nível de inglês e alguns anos de experiência no currículo. Quanto ao nível do inglês não dá para enganar, mas já as experiências… Eu sei que a nossa mãe ensinou a não mentir, mas se você nunca trabalhou como garçom, vale a pena tentar. Os restaurantes dificilmente checam experiências fora da Irlanda, mas pedem que os candidatos façam um “trial” – que significa trabalhar algumas horas de graça – para avaliar a performance.
Antes do trial, aprenda a carregar bandeja. Não há nada que denuncie mais a falta de experiência de um garçom do que vê-lo carregando bandeja com as duas mãos. Coloque os copos mais pesados no meio e distribua bem o peso dos outros mais leves ao redor. Na hora de servir, nunca, jamais e em hipótese alguma coloque a bandeja em cima da mesa. Continue a segurando com uma mão e retire os copos, cuidadosamente, com a outra.
Dependendo do restaurante, você terá que abrir garrafas de vinho. O segredo é treinar em casa e carregar seu próprio abridor. Existem vários modelos de abridores e leva-se um tempo para se acostumar com cada um deles.
Na hora de retirar o pedido, divida na comanda as bebidas das refeições. Isso facilita o trabalho do pessoal da cozinha e do bar.
No dia do trial, o gerente vai avaliar também a sua simpatia e relacionamento com os colegas. Sorria sempre, mesmo cansado e com dor no pé. É, eu nunca disse que era fácil.
E agora, o melhor: as gorjetas, chamadas de “tips”. Alguns locais juntam as gorjetas e as distribuem no final do expediente entre todos os funcionários, incluindo o pessoal do bar e da cozinha. Esse é um dos métodos mais justos, na minha opinião, pois o garçom não vai conseguir agradar o cliente se o cozinheiro não tiver preparado direito a comida ou se o cappuccino feito pelo barista não estiver bom. Mas, é claro que em locais onde o garçom não precisa dividir suas tips ele lucra mais.Enquanto estive em Dublin, de 2007 a 2009, trabalhei sempre como garçonete e também como como barista. Não sei quais dos locais onde trabalhei continam abertos, pois vários restaurantes fecharam por causa da crise. Eles também podem ter mudado seu método de distribuição das gorjetas, mas segue abaixo como era na minha época:
- Lemon Jelly: Fica no bairro italiano, serve crepes e bebidas diversas. Divide as gorjetas entre todos os funcionários no final de cada expediente, proporcionalmente ao número de horas trabalhadas. Eu recebia em média 15 euros por dia. Na hora do intervalo, podia escolher um dos crepes do local e uma bebida. Altamente recomendável como local para trabalhar, mas já aviso que acabei engordando alguns quilos.
- The Church: Ao lado do shopping center Jervis, é dividido em bar e restaurante. Cada garçom é responsável pelas mesas de sua seção e, no final do dia, entregam 10% do total de suas gorjetas para ser dividido entre cozinheiros e baristas. Eu fazia parte do quadro de baristas, mas meus colegas garçons me contavam que, em dias mais lotados, retiravam até 80 euros por dia! Como barista, minhas tips male, male chegavam a 20 euros por semana. Nos intervalos, tínhamos a opção de um sanduíche de graça ou podíamos pagar 3 euros por um dos pratos do cardápio.
- Irish Films Institute: O restaurante do IFI fica no Temple bar e serve bebidas, lanches e pratos mais elaborados. Os garçons guardam toda a gorjeta que recebem. Eu retirava, em média, 30 euros de tips por dia. Assim como na The Church, algumas refeições eram gratuitas para funcionários e outras custavam entre 3 e 5 euros. O único problema de se trabalhar lá era o dono do local, que fazia muita garçonete chorar com seu temperamento difícil.
- Restaurante da Guinness Storehouse: Fica no quinto andar da fábrica da Guinness. Toda a gorjeta era dividida igualmente entre os funcionários e variava entre 5 e 10 euros por dia. Qualquer um dos pratos era gratuito para funcionários na hora do “break” e ainda era possível frequentar o restaurante da empresa fora do expediente. O melhor era terminar o trabalho e tomar uma Guinness de graça no último andar, com vista para toda a cidade.
Além da parte financeira, outra vantagem de se trabalhar como garçom é o contato constante com o público. Ser simpático e puxar conversa com o cliente é a melhor forma de garantir boas gorjetas e, de quebra, ainda melhorar seu inglês. Afinal, ninguém quer ser garçom para sempre!
Paula Albocinodeixou o avental de lado e atualmente trabalha para o curso de inglês Englishtown. Twitter: @palbocino / @englishtownbr |





















