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24
mar
2010

Dicas para aspirantes a Garçom (Waiters)

Em mais um Conte sua História, dessa vez Paula Albocino, vai contar um pouquinho sobre sua experiencia como garconete, e ainda compartilhar dicas valiossíssimas! Tomem nota :)

Entre todos os chamados “sub-empregos” que os brasileiros conseguem em Dublin, um dos melhores é o trabalho como garçom. Entre as vantagens estão refeições gratuitas durante o intervalo e, em alguns locais, ótimas gorjetas.

Para conseguir um emprego como garçom é essencial ter um bom nível de inglês e alguns anos de experiência no currículo. Quanto ao nível do inglês não dá para enganar, mas já as experiências… Eu sei que a nossa mãe ensinou a não mentir, mas se você nunca trabalhou como garçom, vale a pena tentar. Os restaurantes dificilmente checam experiências fora da Irlanda, mas pedem que os candidatos façam um “trial” – que significa trabalhar algumas horas de graça – para avaliar a performance.

Antes do trial, aprenda a carregar bandeja. Não há nada que denuncie mais a falta de experiência de um garçom do que vê-lo carregando bandeja com as duas mãos. Coloque os copos mais pesados no meio e distribua bem o peso dos outros mais leves ao redor. Na hora de servir, nunca, jamais e em hipótese alguma coloque a bandeja em cima da mesa. Continue a segurando com uma mão e retire os copos, cuidadosamente, com a outra.

Dependendo do restaurante, você terá que abrir garrafas de vinho. O segredo é treinar em casa e carregar seu próprio abridor. Existem vários modelos de abridores e leva-se um tempo para se acostumar com cada um deles.

Na hora de retirar o pedido, divida na comanda as bebidas das refeições. Isso facilita o trabalho do pessoal da cozinha e do bar.

No dia do trial, o gerente vai avaliar também a sua simpatia e relacionamento com os colegas. Sorria sempre, mesmo cansado e com dor no pé. É, eu nunca disse que era fácil.
E agora, o melhor: as gorjetas, chamadas de “tips”. Alguns locais juntam as gorjetas e as distribuem no final do expediente entre todos os funcionários, incluindo o pessoal do bar e da cozinha. Esse é um dos métodos mais justos, na minha opinião, pois o garçom não vai conseguir agradar o cliente se o cozinheiro não tiver preparado direito a comida ou se o cappuccino feito pelo barista não estiver bom. Mas, é claro que em locais onde o garçom não precisa dividir suas tips ele lucra mais.

Enquanto estive em Dublin, de 2007 a 2009, trabalhei sempre como garçonete e também como como barista. Não sei quais dos locais onde trabalhei continam abertos, pois vários restaurantes fecharam por causa da crise. Eles também podem ter mudado seu método de distribuição das gorjetas, mas segue abaixo como era na minha época:

- Lemon Jelly: Fica no bairro italiano, serve crepes e bebidas diversas. Divide as gorjetas entre todos os funcionários no final de cada expediente, proporcionalmente ao número de horas trabalhadas. Eu recebia em média 15 euros por dia. Na hora do intervalo, podia escolher um dos crepes do local e uma bebida. Altamente recomendável como local para trabalhar, mas já aviso que acabei engordando alguns quilos.

- The Church: Ao lado do shopping center Jervis, é dividido em bar e restaurante. Cada garçom é responsável pelas mesas de sua seção e, no final do dia, entregam 10% do total de suas gorjetas para ser dividido entre cozinheiros e baristas. Eu fazia parte do quadro de baristas, mas meus colegas garçons me contavam que, em dias mais lotados, retiravam até 80 euros por dia! Como barista, minhas tips male, male chegavam a 20 euros por semana. Nos intervalos, tínhamos a opção de um sanduíche de graça ou podíamos pagar 3 euros por um dos pratos do cardápio.

- Irish Films Institute: O restaurante do IFI fica no Temple bar e serve bebidas, lanches e pratos mais elaborados. Os garçons guardam toda a gorjeta que recebem. Eu retirava, em média, 30 euros de tips por dia. Assim como na The Church, algumas refeições eram gratuitas para funcionários e outras custavam entre 3 e 5 euros. O único problema de se trabalhar lá era o dono do local, que fazia muita garçonete chorar com seu temperamento difícil.

- Restaurante da Guinness Storehouse: Fica no quinto andar da fábrica da Guinness. Toda a gorjeta era dividida igualmente entre os funcionários e variava entre 5 e 10 euros por dia. Qualquer um dos pratos era gratuito para funcionários na hora do “break” e ainda era possível frequentar o restaurante da empresa fora do expediente. O melhor era terminar o trabalho e tomar uma Guinness de graça no último andar, com vista para toda a cidade.

Além da parte financeira, outra vantagem de se trabalhar como garçom é o contato constante com o público. Ser simpático e puxar conversa com o cliente é a melhor forma de garantir boas gorjetas e, de quebra, ainda melhorar seu inglês. Afinal, ninguém quer ser garçom para sempre!

Paula Albocino

Paula Albocino
deixou o avental de lado e atualmente trabalha para o curso de inglês Englishtown. Twitter: @palbocino / @englishtownbr
8
abr
2009

Mais cortes na crise…

É desesperadora a sensação de que as pessoas fazem sempre o contrário do que deveriam. As vezes isso é uma cadeia, um ciclo e se torna inevitável, mas a maioria das vezes a maioria poderia evitar.

Falamos no podcast que a crise era derivada de uma perspectiva ruim, ou seja, alguém com medo, que diminuiu os negócios, que faz alguém ficar com medo e diminuir os negócios e assim sucessivamente. Dá para fazer uma comparação na vida real (não financeira)… quantas vezes a gente não deixa para amanhã algo que poderíamos resolver hoje, na esperança de qua amanhã vai ser um dia melhor para fazê-lo? Se fizéssemos hoje, evitaríamos a crise… Assim seria com as empresas, se em vez de parar de investir / contratar, continuassem fazendo ou investissem ainda mais, a economia giraria e a crise seria superada mais rapidamente!

Dentre os setores que são vítimas e não podem impulsionar a resolução da crise sozinha é o setor de serviços de catering. Como falei aqui anteriormente, With Taste e Masterchefs foram drasticamente afetadas pela crise. E ontem, recebi um e-mail que mostra que realmente os impactos na With Taste, podem ser maiores do que eu imaginava.

Quando estava voltando para o Brasil, trezentas e sete mil pessoas me pediram que os indicasse na With Taste. Como estava saindo, o faria com todo prazer, mas acredito quem tenta ajudar a todos, não ajuda a ninguém! Então enviei currículo de dois amigos que já estavam na Irlanda há um tempo e continuavam desempregados. Este e-mail abaixo é também, em partes, a notícia de que nem eles consegui ajudar.

Na realidade o e-mail não fala muito mais do que já falamos por aqui a respeito de outras empresas: redução de receita, cortes de salário, redução de jornada de trabalho, etc. Basicamente o e-mail diz:

Caro funcionário,

Visto a redução na economia, a demanda por nosso serviços tem caído muito.
Além disso, os preços pagos por nossos serviços está diminuindo.

Os salários comõe mais da metade dos nossos custos, portanto
realizaremos as seguintes mudanças a partir de 6 de abril:

  • Todos salários serão reduzidos em 10%
  • O pagamento mínimo de horas em um dia será de 4 (antes era 5, o que
    significa que se você fosse chamado para trabalhar, e fizesse apenas 2 horas,
    receberia 5)
  • Todas as horas terão pagamento mínimo, exceto domingo que terá 25% de
    acréscimo (antes era 50% de acéscimo)
  • Subsídios para viagens serão descontinuados

Esperamos que entendam, estamos tentando garantir negócios futuros em um
mercado muito competitivo.

Ass: O dono

O que mais me assustou neste e-mail, foi o corte de 10%, valor considerável para quem recebia 11 euros a hora (garçons) ou 9,50 (kitchen porters).

Eu entendo que eles realmente são um reflexo da economia e não os causadores dos problemas, visto que realmente os clientes agora realmente estão buscando o mais barato possível, com melhores condições de pagamento e sem comprar nenhum extra. No caso deles, não existe propaganda que os faça vender mais…a não ser que eles consigam convencer os potenciais clientes que eles tem dinheiro e a crise é realmente só brincadeirinha da tv! Quem sabe dá certo…

2
mar
2009

Fatos Reais! Férias da Masterchefs

Sim, isto tem a ver com a crise! Vocês já devem conhecer a Masterchefs de outros carnavais aqui no E-Dublin, entretanto ocorreu recentemente um fato atípico.

No final do ano, quando soube que receberia as férias da With Taste, então decidi ligar para a Masterchefs e solicitar também que pagassem minhas férias. Já era a segunda quinzena de dezembro e disseram que a Masterchefs não costuma pagar as férias no fim do ano, porém, meu nome seria mantido em uma lista para o pagamento no início do ano.

Passada a virada de ano, liguei novamente para saber o status. Na verdade, tentei ligar. Foram quase 10 ligações, 5 mensagens na caixa postal, alguns e-mails e não tive retorno.

Finalmente, na última semana do mês recebi uma ligação:

- Olá Homero. Recebi sua ligação, desculpa por nao conseguir retornar antes.
- Sem problemas…
- Homero, a empresa está passando por uma dificuldade economica muito grande e estamos em um processo peculiar e no momento todas as férias estão retidas, não podemos efetuar o pagamento agora
- Mas eu vou embora em fevereiro, como vamos fazer?
- Na verdade, este processo deve demorar cerca de 4 semanas, daí entao poderemos pagar suas férias. Caso você não tenha mais uma conta, pode nos indicar algum amigo que vá ficar por aqui.
- Tudo bem…

Pra mim foi um choque, pois a empresa é gigante fez eventos enormes (como Punchestown o maior evento de cavalos da Irlanda). Fiquei com medo de nao receber o dinheiro nunca mais, era poucom, mas era meu.

Após esta conversa, liguei mais duas vezes para ela para saber o status. Todas as vezes pareceu me enrolar. Ainda mais quando pedi as contas, explicava pela metade, parecia não dar atenção.

Até que finalmente, em uma tarde chuvosa de quinta-feira, eu estava com dúvidas a respeito do processo demissional. Conversando com uma pessoa, depois com outra, percebi que não teria direito restituição de impostos, pois os poucos que eu havia pago eram irrestituiveis! A RH da Masterchefs foi quem me ajudou com isso!

Aproveitei este papo, já que ela parecia disposta a ajudar, e voltei a perguntar das minhas férias. Desta vez, ela passou informações mais claras, dizendo que até no próxima dia 23 o processo deles estaria resolvido e as férias comecariam a ser pagas. Ela mesmo pareceu mais tranquila que das outras vezes.

Bom, passado o medo maior (ainda não recebi, portanto ainda existe o receio), entendi que no início do ano ela deveria realmente estar completamente atolada de trabalho por conta dos problemas financeiros da empresa, e que agora, que ela tinha mais noção do que iria de fato acontecer, ela fez questao de ajudar.

A outra conclusão que posso tirar é que se para a With Taste a crise nao foi tao forte, para a Masterchefs o “bicho ta pegando”. Uma empresa enorme, que parecia 100% confiável, está no só passando por uma redução nos seus negócios, como está passando por, pelo que entendi, praticamente uma concordata. Pelas pessoas que conheci lá, e pela forma que a empresa parecia trabalhar, espero que superem esta complicação… mas espero principalmente, que paguem minhas férias! Ficamos no aguardo…

16
jan
2009

Aqui garçom também é gente: Férias + Festa de Fim de Ano

Dia 22 de dezembro de 2008, Dicey’s Reily Bar. Data e local da festa da empresa… empresa de garçons, With Taste.

Quando me falaram que haveria uma festa da empresa, eu confesso que fiquei meio descrente. Como assim uma festa para uma empresa de garçons. Talvez preconceito meu imaginar que uma empresa de eventos não pudesse promover uma festa para seus garçons, talvez…

Os primeiros boatos vieram em outurbo, falaram sobre a festa que aconteceu ano passado. Disseram mil maravilhas, disseram que foi open bar e que todos ficaram mais locos que o batman! Era a segunda melhor notícia do ano depois de saber que eu teria pagamento de férias, sendo 8% de tudo que eu recebi naquele ano =o) . Ótimas surpresas de fim de ano.

Fiquei ansioso pela festa. Eu cheguei a comentar aqui as palavras de um gerente, que disse que este ano certamente a festa seria mais simplória por conta da redução dos negócios.

De qualquer forma, fiquei ansioso, trabalhei bastante neste final de ano, e comecei a ter um relacionamento mais próximo com as pessoas, que antes pareciam estranhos e distantes… muitos nem olhavam na minha cara. A maioria poloneza se fecha, e não se interessa muito pelos demais, coisas que só o tempo a convivência ajudam a melhorar, agora, até algumas palavrinhas em polonês eu arrisco! =oP

Encontrei 2 dos brasileiros que trabalham lá, e fomos. Uns dos primeiros a chegar, fomos recebidos por um dos caras do RH que entregou 5 vouchers de bebida para nós. Nao era um open bar, mas 5 bebidas já podem animar uma noite.

A festa em si, não teve nada de muito diferente de uma festa normal de empresa. Um salão fechado para nós, teve uns poucos petiscos, bebidas e um DJ. Mas foi um dia em que me senti leve, eu estava bem, feliz, e as pessoas também pareciam estar.

No final da festa, abraços e desejos de Feliz Natal e próspero Ano Novo.

Comecei a andar, a caminho de casa (é impossível pegar na taxi onde eu estava, muuita gente), então tinha que andar para outro lugar. No caminho, passando pela Grafton Street, tinha um cara tocando, e uma galeeeeeeera em volta, cantando felizes e contentes no alto de sua bebedeira.

Assim que eu passava, começaram a tocar Sex on Fire, do Kings of Leon. Amo a música, assim como todo irlandês também. Depois dessa, eu estava decidido a ir embora… comecei a caminhar em direção ao centro para pegar um taxi, quando ouvi, ao longe, o começo de Mr. Btightside, do The Killers, outra que gosto muito. Voltei para o “show”, e lá fiquei até a hora que o guitarrista resolveu parar, cerca de 40 minutos depois. Fechou minha noite com chave de ouro.

Foi um dia feliz, voltei leve e sorridente para casa! =o)

Esta foi a música Irish de natal que alegrou a festa, e alegra os Irishes em baladas e festas de fim de ano! The Pogues – Fairy Tale of New York.

O vídeo é só para mostrar a música, aproveitei para por umas fotinhos da festa!