Posts com tag ‘sub-emprego’

2
set
2009

Fique de Olho! Criando, inventando, buscando, vislumbrando oportunidades…

Confesso que estava escrevendo outro post, parei para escrever este. Eu estava conversando com uma amiga E-Dubliner e me veio a inspiração para escrever sobre isto, idéia que tinha desde quando cheguei aqui.

Antes de colocar o ponto, acho que vale aqui uma comparação. Ao andar pelas ruas de Dublin e entrar em mercadinhos, photocopiadoras, bazares, lojinhas é possível notar de forma relativamente assídua coreanos, indianos, mauricius (da Ilhas Mauricio) trabalhando como auditores, coordenadores, gerentes de loja, etc, ou seja, um passo adianta na humilde carreira de caixa, estoquista, floor staff, etc. Não tenho notado brasileiros na mesma situação, e então fica a pergunta: se estamos aqui sob a mesma condição de visto que eles, por que eles conseguem estes empregos e nós não?

Bom, ao meu ver, a resposta é simples: paciência (a tão famosa), com uma dose insistência ou persistência, chamem como quiserem. O que quero dizer é que vejo brasileiros pulando de emprego para emprego, comemorando os 50 centavos a mais por hora que vai receber e as 3 horas a mais por semana que vai trabalhar, mas ninguém, ou quase ninguém investindo no longo prazo. Obviamente vai do objetivo de cada um, mas muitas e muitas pessoas acabam ficando por aqui mais de 1 ano, e é tempo suficiente para galgar uma posição melhor no trabalho, vou citar 2 exemplos ficticíos (infelizmente não conheco ninguem que sucedeu nisso, mas certamente há, e se não há, é por falta de tentativa).

Imagine-se faxineiro… você pensa: “preciso de algo melhor”. Tudo bem, pode ser. Mas todo faxineiro tem um chefe, por que não tentar virar chefe dos faxineiros? Se eu tivesse conseguido um trabalho de cleaner com certeza eu tentaria, eu tenho capacidade de sobra pra isso e não é difícil provar.

Ainda imaginando faxineiro, mas desta vez trabalhando em um escritório. Por que não tentar se aproximar das pessoas e galgar uma vafa de office-boy, recepcionista ou qualquer outra coisa?

Agora imagine-se caixa do Spar Por que não investir em se tornar auditor, coodernador ou gerente da loja? Não é preciso fazer nada de muito diferente para ser notado neste tipo de trabalho, todos estão lá para fazer o mínimo para apenas receber o salário e voltar para casa. Dar idéias, sugerir mudanças, melhorar pequenos processos diários. Por que não? Não dá grande trabalho e pode render bons frutos.

Um exemplo real, é de uma amiga minha, que tinha experiência com Comercio Exterior, e foi chamada para ser Au Pair por uma gerente do HSBC. Oportunidade? Acho que qualquer um consegue responder essa…

Existem algumas posições que são mais dificeis de imaginar este tipo de crescimento, porém acho que vale a pena sempre ficar de olho, as oportunidades as vezes estão mais próximas do que imaginamos, e ficamos buscando ela sempre em outros jardins, mas os nossos jardins podem dar bons frutos também. Seja trabalhando em uma grande empresa, servindo sanduíches no McDonald’s ou atendendo no caixa de um mercado ou whatever…

Publicado em 09/03/09
15
jul
2009

Dica de Trabalho: Será que estamos procurando o emprego certo?

Desde as primeiras pesquisas que fizemos sobre morar fora, os “sub-empregos” disponíveis eram sempre os mesmos: cleaner, kitchen porter, garçon, entregador de jornal, etc..

Na Irlanda não foi diferente. Mas será que é só isso mesmo?

Tenho certeza que alguns brasileiros, alguns anos atrás, encontraram uma forma de ganhar dinheiro trabalhando nesses empregos. Porém, está cada vez mais saturado esse mercado, ainda mais em uma cidade pequena lotada de imigrantes. Pelo menos é assim em Dublin.

Aí a gente fica naquele desespero, que está cada vez mais difícil conseguir algo, mas será que é só isso mesmo?

Tive a oportunidade de velejar com o pessoal aqui do trabalho, lá em Dun Laoghaire, um passeio rápido, de 40 minutos. Mas foi suficiente pra me abrir a cabeça quando vi que eles estavam precisando de um “Sailing Assistant”, ou seja “um ajudante de marinheiro”. Conversando com um deles, vi que o emprego consistia em auxíliar a desembocar os barcos do pier, enrolar e desenrolar as velas, limpar o barco, etc etc.

Coisas SIMPLES, fáceis, e as vezes muito mais legais do que lavar prato.

Agora me pergunta se algum brasileiro foi lá tentar pegar esse emprego? Nenhum. Isso já faz um tempo, e até enviei na comunidade do Orkut na época.

Mas Edu, precisa de experiência!

Respondo: Pra ser garçon também. E você não tenta mesmo assim?

Em um dos famosos Churrascos na casa do Geandro, conheci um romeno, e perguntei o que ele faz. É pintor. Ele disse que depende de época pra conseguir alguns trabalhos, mas 1 casa que ele pinta no mês, cobre as contas de 2 meses. Faça as contas. Fora aquelas pinturas de “manutenção”, pra manter algo parecendo novo, etc.

Semana passada haviam dois jardineiros na frente de casa (e já anunciaram empregos de jardineiro até em outras cidades na nossa lista de discussão). É difícil cortar grama? Não fica nenhum chefe no seu pé como ficaria se você trabalhasse como garçon.

Quantos outros milhares de empregos existem? Poxa, antes de reclamar da crise, tentem ser criativos. Tudo precisa de manutenção nessa vida. Seja consertar um vidro, um armário, um fogão, um jardim, um pneu de bicicleta, uma roupa rasgada, um sapato sem graxa, uma unha sem pintar, etc.

Espero que isso ajude vocês a abrirem a mente em relação a “sub-empregos”, e vamos em frente que a marolinha já está passando! =o)

Publicado em 29/09/08 e atualizado em 15/07/09
1
jul
2009

Direitos na Irlanda – Acidente de Trabalho – Parte 1

Pessoal, o Adriano que em outros dias esteve aqui enviando uma bela mensagem de Natal, agora vem contar uma história não muito feliz, mas que é importante para que todos tomem cuidado e saibam como correr atrás quando algo assim acontecer! Todos rezamos para que nunca aconteça, mas como dizia Forest Gump: “Shit Happens”.

Já faz um tempo que estou para escrever este artigo, mas preferi segurar para tentar finalizar com uma ótima notícia, mas como ela ainda não chegou melhor compartilhar um pouco da minha experiência com os leitores deste site.

Há pouco mais de 1 mês, sofri um acidente dentro do ambiente de trabalho. Trabalhava como car washer (lavador de carros), estava no meu primeiro dia de emprego naquela filial, sem registro e cometi a estupidez de fechar a porta do carro no meu dedo enquanto estava terminando de fazer uma lavagem. Até aí tudo bem, se uma parte do meu dedo não fosse mutilada no mesmo momento.

Com o desespero tomando conta de mim, procurei logo a ajuda dos meus chefes, que para minha surpresa foi em vão, pois eles apenas enrolaram uma toalha no meu dedo e pediram para procurar um hospital.

Resumindo: Fiquei sem a parte do meu dedo, sem trabalhar por mais de 1 mês e perdi o emprego.


Resolvi então procurar meus direitos, pois se até o Lula conseguiu algo, por que eu não conseguiria? Infelizmente as leis são diferentes, mas mesmo assim descobri bastante coisa que podem ajudar os brasileiros aqui.

A primeira coisa que fiz foi me informar sobre meus direitos com a Citizen Information (Serviço à população e ao estrangeiro) – http://www.citizensinformation.ie/categories. Após explicar meu caso, eles informaram todos os procedimentos que deveria fazer para receber uma assistência do governo, enquanto estivesse inválido para trabalhar. Para isso foi necessário que eu pegasse um formulário Form Injury Benefit com meu médico. O médico assina este formulário e você precisa colher a assinatura do empregador para depois levar no Social Welfare Services Department of Social and Family Affairs (espécie de ministério do trabalho).

No meu caso o empregador não queria assinar, porque era meu primeiro dia e foi meu erro, pois eles que iriam “teoricamente” pagar a minha pensão. O governo que paga, mas depois ele cobra da empresa.


Após essa jornada, que demorou duas semanas, finalmente dei entrada no Social Welfare da minha região. Lá fui informado de que meu caso seria muito demorado, pois nunca paguei taxas e ainda estava sem registro. Até agora aguardo a posição deles. Não sei ainda se vou ganhar ou não o caso, mas o importante é que consegui ir atrás dos meus direitos e percebi que aqui a gente pode fazer muita coisa.

Esta história foi apenas uma parte da longa jornada que tive desde que perdi um pedaço do meu dedo. Se vocês gostaram desta história e quiserem saber sobre outros órgãos que virei expert, como Reclamação de condições de trabalho; processo indenizatório (advogado do governo e advogado particular), mandem seus comentários.

4
mai
2009

Recessao na Irlanda: 500 pessoas na fila

Esse texto foi enviado pela Thay, nossa nova colaboradora, em respeito a fila gigante vista recentemente para vagas de Sales Assistant na Londis.

Viajar é bom demais. Descobrir novos lugares, entrar em contato com pessoas diferentes e aprender a conviver com distinções culturais. Tudo vai muito bem até o momento em que se precisa buscar um emprego para se sobreviver hoje em dia.

Quem caminhou ao redor de uma das vias mais famosas de Dublin na semana passada pôde ver uma enorme fila de em media 500 pessoas, se formando na Grafton Street com Stephen Green`s North.

O alvoroço crescia a cada minuto e curiosos perguntavam do que se tratava pensando ser a provável venda de ingressos para um show de alguma banda incrível. Algumas câmeras não profissionais registravam o acontecido e a constatação da realidade – o motivo pelo qual a multidão se juntava no queue: propostas de emprego da rede Londis, na promessa de abertura de duas unidades com geração de quarenta novos postos de trabalho (sales assistant).

Indianos, Paquistaneses, Maurícios e Brasileiros, em sua grande maioria, engrossavam a fileira de desempregados. Quem até hoje vivia sua vida de forma normal alheio a crise atual, se chocou desacreditando no que via. O vídeo foi postado no youtube gerando centenas de comentários ao redor do mundo.

O que espanta não é nem somente a situação em si, mas o racismo e a falta de percepção de alguns nativos, autores de respostas ofensivas cheias de revolta quanto à globalização, imigração e xenofobia – um deles chega a sugerir a instalação de uma placa oferecendo vôos gratuitos aos imigrantes para voltar aos seus países de origem.

O teor de muitos comentários mostra o medo de que o dinheiro que deveria circular por terras celtas seja mandado para outro lugar e de que pessoas de fora roubem trabalhos de irlandeses. Alguns também se surpreendem com a visível miscigenação cultural que toma conta da Irlanda nos últimos anos.

É triste ver tanta ignorância por parte de gente esclarecida e sofrer nas filas de entrevistas enquanto se tenta garantir seu sustento de forma honesta sem a opção de esperar a ajuda governamental da qual muitos europeus desfrutam.