Outro dia uma amiga minha mordeu outra brasileira. Pois é, as fofas saíram no tapa, com direito a puxões de cabelo, socos, gritarias e aqueles palavrões cheios de …unda.
Na ocasião, uma das brasileiras foi até a Garda e registrou a ocorrência. Uma hora depois, lá estava o policial batendo na porta da minha amiga. Ai você pode pensar, nossa, mas tudo isso por conta de uma briga de comadres? Na Irlanda, qualquer tipo de agressão é coisa séria e, se a pessoa ofendida levar o caso adiante, uma simples mordida pode te colocar no banco dos réus.
Drama? Quisera fosse. Na lei irlandesa, qualquer tipo de ofensa, verbal ou corporal, é motivo para corte e consequentemente prisão. Sem falar que, quando um tipo de ocorrência dessas é registrado, você poderá ter problemas futuros, ao querer entrar no país, ou mesmo, em países membros da UE.
Por sorte, a vítima não quis levar o caso adiante e registrar queixa oficial, mas o policial foi claro com a minha amiga. Se o caso fosse levado a frente, ela certamente seria convidada a deixar o país depois do processo, e com grande possibilidade, dependendo da gravidade da agressão, não teria permissão para entrar na Europa por um bom tempo.
Já o José Arruda, de 32 anos não teve tanta sorte assim. Ele, que já tinha morado na Irlanda por alguns anos ilegalmente, tentou sair e voltar como estudante. Fez tudo direitinho. Mas foi deportado. O motivo? Não foi o histórico de ilegalidade, pois nem existia, mas um registro de uma confusão de trânsito, que ele nem se lembrava. Mas que continuava no registro da Garda.
Mas esse rigor é só para estrangeiros? Não. É para todos. Outro dia, uma mãe Irish estressada deu uns tapas no filho de três anos num ponto do Luas. Por quase uma semana leitores indignados escreveram para o Metro Herald, lembrando a mãe infeliz, que ela poderia ser presa, mesmo sendo a vítima, seu filho.
Um outro irlandês, foi parar na corte por insultar um motorista do Dublin Bus, que pediu que ele apagasse o cigarro. Mesmo estando ele errado, ainda se achou no direito de insultar o motorista por sua nacionalidade. “P***i bastard”. Foi o suficiente. Levado a corte foi condenado a três meses de prisão.
Nesse caso, o irlandês foi enquadrado na lei irlandesa sobre discriminação, descrita como o tratamento de uma pessoa de maneira menos favorável que outra pessoa é, foi, ou seria tratada em situação comparável nas categorias: gênero, estado civil, situação familiar, idade, raça, religião, deficiência física/metal, membro da comunidade (nômades) e orientação sexual.
Aliás, quando fiquei sabendo que até 1993 ser homossexual na Irlanda era considerado ofensa grave e crime fiquei imaginando como era a vida dos gays por aqui. Afinal, se Oscar Wilde em 1889 teve que cumprir dois anos de prisão, por ser gay, imagina! Pois então, conversando com o irlandês Glenn Cunningham, ele me disse o seguinte. “ A Irlanda é um dos países que mais protegem o cidadão contra discriminação, sendo ele gay ou não.” A última vez que ele recorda ter sido insultado pela sua orientação sexual foi há 15 anos.
Sabe aquele costume brasileiro de mesmo que sem maldade, nomear pessoa pela região? Tipo, “e ai paulista”, “alemão”, “fala sergipano”, ou mesmo, baianada. Pois é, evite. Não vá sair por ai, fazendo esse tipo de referências, pois, o que pode ser apenas uma brincadeira, pode virar um problemão.
Se você for insultado, taxado de imigrante, vítima de brincadeirinhas de mal gosto, lembre-se: aqui essa história de discriminação é levada a sério. Colha provas, testemunhas e vá atrás de seus direitos.Para saber mais sobre as leis que protegem o cidadão europeu clique nos links abaixo.
Irish Human Rights Commission
Access Ireland
The Equaity Tribunal