Posts com tag ‘With Taste’

8
abr
2009

Mais cortes na crise…

É desesperadora a sensação de que as pessoas fazem sempre o contrário do que deveriam. As vezes isso é uma cadeia, um ciclo e se torna inevitável, mas a maioria das vezes a maioria poderia evitar.

Falamos no podcast que a crise era derivada de uma perspectiva ruim, ou seja, alguém com medo, que diminuiu os negócios, que faz alguém ficar com medo e diminuir os negócios e assim sucessivamente. Dá para fazer uma comparação na vida real (não financeira)… quantas vezes a gente não deixa para amanhã algo que poderíamos resolver hoje, na esperança de qua amanhã vai ser um dia melhor para fazê-lo? Se fizéssemos hoje, evitaríamos a crise… Assim seria com as empresas, se em vez de parar de investir / contratar, continuassem fazendo ou investissem ainda mais, a economia giraria e a crise seria superada mais rapidamente!

Dentre os setores que são vítimas e não podem impulsionar a resolução da crise sozinha é o setor de serviços de catering. Como falei aqui anteriormente, With Taste e Masterchefs foram drasticamente afetadas pela crise. E ontem, recebi um e-mail que mostra que realmente os impactos na With Taste, podem ser maiores do que eu imaginava.

Quando estava voltando para o Brasil, trezentas e sete mil pessoas me pediram que os indicasse na With Taste. Como estava saindo, o faria com todo prazer, mas acredito quem tenta ajudar a todos, não ajuda a ninguém! Então enviei currículo de dois amigos que já estavam na Irlanda há um tempo e continuavam desempregados. Este e-mail abaixo é também, em partes, a notícia de que nem eles consegui ajudar.

Na realidade o e-mail não fala muito mais do que já falamos por aqui a respeito de outras empresas: redução de receita, cortes de salário, redução de jornada de trabalho, etc. Basicamente o e-mail diz:

Caro funcionário,

Visto a redução na economia, a demanda por nosso serviços tem caído muito.
Além disso, os preços pagos por nossos serviços está diminuindo.

Os salários comõe mais da metade dos nossos custos, portanto
realizaremos as seguintes mudanças a partir de 6 de abril:

  • Todos salários serão reduzidos em 10%
  • O pagamento mínimo de horas em um dia será de 4 (antes era 5, o que
    significa que se você fosse chamado para trabalhar, e fizesse apenas 2 horas,
    receberia 5)
  • Todas as horas terão pagamento mínimo, exceto domingo que terá 25% de
    acréscimo (antes era 50% de acéscimo)
  • Subsídios para viagens serão descontinuados

Esperamos que entendam, estamos tentando garantir negócios futuros em um
mercado muito competitivo.

Ass: O dono

O que mais me assustou neste e-mail, foi o corte de 10%, valor considerável para quem recebia 11 euros a hora (garçons) ou 9,50 (kitchen porters).

Eu entendo que eles realmente são um reflexo da economia e não os causadores dos problemas, visto que realmente os clientes agora realmente estão buscando o mais barato possível, com melhores condições de pagamento e sem comprar nenhum extra. No caso deles, não existe propaganda que os faça vender mais…a não ser que eles consigam convencer os potenciais clientes que eles tem dinheiro e a crise é realmente só brincadeirinha da tv! Quem sabe dá certo…

16
jan
2009

Aqui garçom também é gente: Férias + Festa de Fim de Ano

Dia 22 de dezembro de 2008, Dicey’s Reily Bar. Data e local da festa da empresa… empresa de garçons, With Taste.

Quando me falaram que haveria uma festa da empresa, eu confesso que fiquei meio descrente. Como assim uma festa para uma empresa de garçons. Talvez preconceito meu imaginar que uma empresa de eventos não pudesse promover uma festa para seus garçons, talvez…

Os primeiros boatos vieram em outurbo, falaram sobre a festa que aconteceu ano passado. Disseram mil maravilhas, disseram que foi open bar e que todos ficaram mais locos que o batman! Era a segunda melhor notícia do ano depois de saber que eu teria pagamento de férias, sendo 8% de tudo que eu recebi naquele ano =o) . Ótimas surpresas de fim de ano.

Fiquei ansioso pela festa. Eu cheguei a comentar aqui as palavras de um gerente, que disse que este ano certamente a festa seria mais simplória por conta da redução dos negócios.

De qualquer forma, fiquei ansioso, trabalhei bastante neste final de ano, e comecei a ter um relacionamento mais próximo com as pessoas, que antes pareciam estranhos e distantes… muitos nem olhavam na minha cara. A maioria poloneza se fecha, e não se interessa muito pelos demais, coisas que só o tempo a convivência ajudam a melhorar, agora, até algumas palavrinhas em polonês eu arrisco! =oP

Encontrei 2 dos brasileiros que trabalham lá, e fomos. Uns dos primeiros a chegar, fomos recebidos por um dos caras do RH que entregou 5 vouchers de bebida para nós. Nao era um open bar, mas 5 bebidas já podem animar uma noite.

A festa em si, não teve nada de muito diferente de uma festa normal de empresa. Um salão fechado para nós, teve uns poucos petiscos, bebidas e um DJ. Mas foi um dia em que me senti leve, eu estava bem, feliz, e as pessoas também pareciam estar.

No final da festa, abraços e desejos de Feliz Natal e próspero Ano Novo.

Comecei a andar, a caminho de casa (é impossível pegar na taxi onde eu estava, muuita gente), então tinha que andar para outro lugar. No caminho, passando pela Grafton Street, tinha um cara tocando, e uma galeeeeeeera em volta, cantando felizes e contentes no alto de sua bebedeira.

Assim que eu passava, começaram a tocar Sex on Fire, do Kings of Leon. Amo a música, assim como todo irlandês também. Depois dessa, eu estava decidido a ir embora… comecei a caminhar em direção ao centro para pegar um taxi, quando ouvi, ao longe, o começo de Mr. Btightside, do The Killers, outra que gosto muito. Voltei para o “show”, e lá fiquei até a hora que o guitarrista resolveu parar, cerca de 40 minutos depois. Fechou minha noite com chave de ouro.

Foi um dia feliz, voltei leve e sorridente para casa! =o)

Esta foi a música Irish de natal que alegrou a festa, e alegra os Irishes em baladas e festas de fim de ano! The Pogues – Fairy Tale of New York.

O vídeo é só para mostrar a música, aproveitei para por umas fotinhos da festa!

17
jul
2008

É pra isso que eu vim! – Parte 1

A Parte 1 será a repeito de Trabalho, um dos assuntos mais importantes para todos. Com o tempo postaremos mais aprendizados no É pra isso que vim! relacionados a outros assuntos também.

Na semana passada, encerramos a segunda de nossas enquetes sobre as suas pretencoes ao vir para Irlanda.

Nao surpreendentemente, para grande maioria (mais de 40%) o motivo principal é estudar / aprender ingles. Mas outra opcao que foi bastante votada (20%) foi ‘Experiencia de vida’, que particularmente foi o meu voto.

Desde que cheguei aqui, passei por umas poucas e boas. E foi pra isso que eu vim para Dublin! Me desafiar, frustar, tentar de novo, talvez passar um tempo no aperto… e no meio de tantas outras licoes mais importantes, aprender ingles.

Eu contei algo no post sobre Bus Eireann que fui até Punchestown, mas nao contei como terminou.

Caso 1 – Oxegen

Fui fazer a entrevisa na quarta-feira para trabalhar no Oxegen. Fiz a entrevista, no dia seguinte, o cara me ligou, e confirmou que entraria no dia seguinte as 7 da matina. Para trabalhar em uma barracha de churrasco alemao.

Fui pra casa do meu amigo que mora perto de Punchestown, cidade de Naas. Acordei as 5 da manha, e fui com a namorada dele trabalhar.

Das 7 as 10:40 cortando cebola. Até aí tranquilo! Depois, virei churrasqueiro ajudante. Tudo meio baguncado, cada hora fazendo uma coisa diferente, mas basicamente virando carne na churrasqueira. Mas ninguém tava controlando as brasa. Dublin = vento, vento + brasa = fogo, churrasco + fogo = carne queimada + faíscas voando. E uma dessas faíscas quase entrou no meu olho (queimou ambas as pálpebras, de cima e de baixo do olho direito).

Passado o susto, vesti meus óculos escuros para me proteger da fumaca, e principalmente das faíscas. Continuei trabalhando pensando “Homero, pense no dinheiro”, pois realmente foi o pior trabalho que fiz até entao, e mais ‘arriscado’. Continuei assim, e depois de um tempo relaxei.

Quando eram 17:30 (faltava 1:30 para terminar o expediente), o alemao Stephan, dono da barraca, chamou eu a Frances (namorada do meu amigo) de canto e comecou a despejar no melhor estreotipo alemao:

“Eu estou muito insatisfeito com voces, estao fazendo o que voces querem… as carnes tao queimando na churrasqueira. Sabe quanto me custa esse tomate? Quando se está trabalhando voce tem que mecher o seu rabo”.

Eu podia responder tudo o que ele falou. Parecia que eu sabia que ele ia falar aquilo tudo, mas preferi calar, para ao menos receber o dinheiro referente ao dia de trabalho.

A verdade disso tudo, é que a barraca estava com muito menos movimento que ele previa, e ele estava com mais staff do que precisava. Logo, eu e a Frances que éramos os mais inexperientes fomos os escolhidos. Justo, eu faria o mesmo se fosse ele, só nao falaria aquele monte de bobagem.

Recebemos o dinheiro, retiraram nossas credenciais, e fomos impedidos de ver os show do evento Oxegen. Eles tinham um esquema de seguranca que realmente funcionava, infelizmente para nós.

Caso 2 – With Taste

No final de Junho, fui contratado pela With Taste, para trabalhar como garcon casual também. Trabalhei um dia até agora, e acho que neste sábado trabalharei novamente. Ou seja, apesar da ilusao inicial que eles passaram, os eventos nao sao tao frequentes., e nao tem entrado nada de grana.

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Caso 3 – Accenture e Masterchefs
Acho que esse foi o pior deles, e mereceu dois posts, aqui, e no meu blog.

No Brasil, eu trabalhava na Accenture. Fui funcionário da companhia por 3 anos e meio. Aqui, como uma sutil ironia do destino, um dos meus primeiros trabalhos como garcon pela Masterchefs foi em um evento da Accenture.

Era minha oportunidade de falar com alguém, entregar meu CV para um diretor ou gerente. Mas a festa nao estava tao cheia quanto esperavam, e me dispensaram mais cedo, antes que eu pudesse falar com alguém que realmente pudesse me ajudar.

Foi um dos dias mais difíceis por aqui.

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Caso 4 – Dee Set

Fui contratado na primeira semana para trabalhar na Dee Set, ajudando a organizar prateleiras na Dunnes Stores.

Trabalhei um dia. Ficaram de me ligar, e nunca ligaram. Liguei de volta, me enrolaram. E o pior, vagas para trabalhos próximos a minha casa estavam disponíveis, e era esse o principal requisito: morar perto da Dunnes Stores em questao.

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