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Meu Intercâmbio

5 fatos negativos sobre estudar em Dublin

Caroline Rodrigues postou em 19 nov 2016

Foto: Shutterstock

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Fazer intercâmbio é como participar de um reality show de cidadania sem câmeras. Isto, porque os estudantes precisam estar preparados para exigir seus direitos e se fazerem entender, mesmo quando não se têm o domínio do novo idioma.

Considerando Dublin, o intercambista deve estar preparado para administrar a possibilidade de ocorrerem problemas na escola, na acomodação (geralmente dividida com várias pessoas) ou ainda encarar situações como a falta de educação de alguns habitantes, comportamento cívico inaceitável, consumo de drogas e outras adversidades.

Hoje elenquei cinco situações negativas que presenciei muito no dia a dia de intercambista na Irlanda. Mas como toda história tem dois lados, no próximo texto também contarei cinco surpresas positivas que tive ao desembarcar na Ilha Esmeralda.

Aproveito para deixar bem claro que nenhuma delas foi grave o suficiente para frustrar os meus planos ou me causar arrependimento pela escolha do país como destino para o meu intercâmbio

Salas de aula com muitos brasileiros

Esse é um assunto que sempre ouvimos sobre Dublin. Grande parte das escolas possui muitos alunos brasileiros, então os estrangeiros são caçados a laço para conversação. Eu, por exemplo, já estou na minha segunda turma. Na primeira,  logo que cheguei, havia só brazucas na sala. Já agora, somos 14 alunos, dos quais 11 são brasileiros, um é italiano, um coreano e outro mexicano.

Se você não se disciplinar, o cenário pode atrapalhar o aprendizado, tendo em vista que o português vira “muleta” ou porto seguro. Assim como nos cursos no Brasil, pode acontecer de o professor ficar pedindo para as pessoas falarem apenas inglês na sala. Em alguns momentos, me sinto no colegial, pois o coordenador chegou a interromper a aula para pedir aos alunos que falem em inglês no intervalo também.

Foto: Shutterstock

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Exigir para crescer

Quando cheguei, tinha a impressão de que os europeus eram mais organizados e eficientes nos processos. Sei que parece algo piegas, mas eu nunca tinha viajado para fora do Brasil antes e cultivava concepções errôneas.

Eu aconselho todos a lerem com atenção os detalhes sobre o serviço das escolas e agências de intercâmbio antes de chegarem aqui. Isto porque você precisa conhecer os seus direitos e exigir o que foi acordado.

Se a sala tem o limite de 15 alunos, todos os dias observe a quantidade. É clara a falta de controle com relação a isto.

Todas as segundas-feiras, novos intercambistas chegam às escolas, fazem o teste e precisam ser encaixados em alguma turma.  Eu já vi escola que precisou alugar um prédio extra para acomodar alunos recém-chegados.

Estou completando dois meses aqui e busquei a coordenação da escola duas vezes para pedir uma solução para a superlotação. E olha que nem sempre o problema é sanado de forma imediata. Foi preciso mandar e-mails e usar todos os recursos possíveis.

Então, fica um conselho: sempre formalize a reclamação na escola e também na sua agência de intercâmbio, caso tenha vindo com uma. Se o caso for extremo, comunique a Imigração.

Os procedimentos também valem para professores que passam dinâmica sem sentido apenas para consumir tempo de aula ou são claramente desqualificados. Lembre-se que no final do curso você precisa fazer uma prova para comprovar rendimento e fica difícil quando o ensino não é satisfatório.

Escolha os lugares que frequenta

Você pode viver uma vida apenas rodeado de brasileiros na Irlanda, se quiser. Eles estão por aí e carentes em falar a língua materna.

Desde que eu cheguei aqui, fico buscando amigos de diferentes nacionalidades, nos mais diversos pontos, e posso falar que existem alguns bares e áreas que funcionam como ponto de encontro de brasileiros.

Por outro lado, é complicado falar para não se misturar com os brasileiros porque eles são muito parceiros. Eles te ajudam na hora de conseguir um trabalho, tiram dúvidas e até acompanham você em serviços públicos sem cobrar nada. Tudo na camaradagem.

Mas, como o objetivo aqui é falar inglês, é bom variar os locais e buscar espaços onde estão pessoas de outras nacionalidades. O melhor lugar para se comunicar em inglês ainda é no bar, depois de uma Guinness.

Civilizados, mas nem tanto

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Foto: Shutterstock

Uma coisa que me deixou muito impressionada aqui é a falta de educação de muitos moradores com relação ao lixo nas ruas. Eles jogam bitucas de cigarro por todos os cantos. Latas, embalagens de lanche e copos.

Os carros de limpeza e os garis são frequentes e a presença deles não inibe o cidadão de jogar os resíduos no chão. Apesar de não serem tantas, existem várias lixeiras distribuídas por toda a cidade e na parte superior da estrutura, um espaço apenas para depositar o cigarro.

Esses dias, eu estava andando de trem e ao passar por um rio, vi um carrinho de supermercado jogado no leito.

A gentileza também não é algo prioritário no transporte público. O motorista de ônibus exerce diversas funções: dirigir, cobrar e dar informações. Então, quando você pega um com a pá virada, se prepare.

Moradores de rua e uso de drogas

Na cidade há muitos moradores sempre com um copinho pedindo moedinhas. Meu professor de inglês disse que alguns morrem de frio no inverno porque não existe abrigo para todos e as noites são severas.

Grande parte recebe ajuda do governo para sobreviver, mas o dinheiro não é suficiente porque, assim como no Brasil, a rua é um berço para o consumo de drogas e álcool, que custam caro.

Outro dia até aconteceu uma situação inusitada. Tem um beco que serve de atalho para eu chegar a minha casa. Sempre passo lá durante o dia e nunca tive nenhum contratempo até semana passada, quando vi dois jovens se drogando. Fiquei muito assustada.

Eu me senti assistindo aquele livro “Cristiane F”. (Acho que entreguei minha idade com essa referência, mas tudo bem).

Eram dois rapazes bonitos, mas em um estado triste. Apesar do susto, em nenhum momento os rapazes tentaram se aproximar de mim. Era como se eu nem tivesse lá. Depois, conversando com minhas colegas de casa, elas disseram que isto não é incomum aqui, pois as drogas sintéticas são baratas.

Revisado por Tarcísio Junior
Imagens via Shutterstock
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Sobre o Autor


Caroline Rodrigues estudou Jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso e trabalhava em Cuiabá, onde perambulou por vários veículos de comunicação e assessorias de imprensa por 13 anos. Depois de tomar um café e conversar com amigos, achou que estava engaiolada e resolveu encarar um intercâmbio depois dos 30.

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