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Meu Intercâmbio

8 aprendizados que a função de camareira me ensinou

Colaborador E-Dublin postou em 20 dez 2016

Por Camila Carvalho

Me chamo Camila, tenho 30 anos, sou de Salvador e advogada no Brasil. Vim para a Irlanda aprimorar meu inglês e aqui passei a ter uma nova profissão, a de camareira (housekeeper).

Em minha nova profissão, descobri que o intercâmbio, de fato, provoca em cada um que o realiza uma nova perspectiva de ver o mundo. E na minha experiência, aprendi que qualquer emprego é emprego, desde que seja honesto e te permita viver.

Housekeeper e muito feliz, obrigada!

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Foto: Arquivo Pessoal

Ter um “subemprego” nunca foi um problema pra mim. Viver longe de casa era o grande ponto e eu sabia que um trabalho poderia me ajudar financeiramente e emocionalmente. Ao chegar em Dublin, algumas das novas regras para estudantes estrangeiros já estavam em vigor, portanto, achar um emprego fixo naquele momento era uma tarefa difícil. Por quê? Porque sempre havia um porém. Às vezes, por não quererem dar a carta para o PPS, outras, porque a carga horária não era compatível com minhas aulas ou porque não queriam uma advogada fazendo trabalhos que não exigiam maiores capacitações – e, claro, o nível do inglês.

Foi assim, com tantos poréns, que começou o meu grande aprendizado sobre como é ser uma intercambista longe de casa.

1º aprendizado! A sua forma de ver o mundo muda drasticamente

Eu penei, penei muito, tentando encontrar qualquer trabalho que pudesse pagar minhas contas e me dar mais tranquilidade durante os meus estudos. E nessa hora, já no desespero, a gente aprende muita coisa. Aprende que todo aquele papo de lavar privada no exterior, tão depreciativo, como muitos costumam pontuar, é apenas uma forma engendrada de lidar com as circunstâncias da vida. Eu confesso que naqueles momentos de quase jogar a toalha e voltar ao Brasil, eu adoraria estar lavando privada para manter o sonho de aprender o inglês e conhecer outra cultura.

2º aprendizado! Aprender a contar mais com os outros

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Foto: Arquivo Pessoal

Por ironia do destino – ou não – quando estava preparando meu retorno ao Brasil, um amigo me indicou para uma vaga de housekeeper em um hotel do centro da cidade. Nesse momento, além de todo o medo de encarar a entrevista e de pensar se daria conta do trabalho, também lembrei que toda aquela conversa de fugir de brasileiros pode ser uma bela bobagem, porque, no final, as pessoas que vivem as mesmas dificuldades se ajudam. São os conterrâneos os mais propensos a te abrir uma porta.

3º aprendizado! Mais flexibilidade e companheirismo

Tive a sorte de encontrar trabalho em um hotel com horários excelentes e compatíveis com os das minhas aulas. Além disso, o hotel disponibiliza almoço para todo o staff, então acabo economizando um pouco com alimentação no dia a dia. Por sorte, tenho duas supervisoras que estão sempre preocupadas em saber se terei tempo de me alimentar antes de sair para a escola. Quanto a isso, tenho que agradecer por estar onde estou. Tenho amigos trabalhando em outros hotéis que estão sempre reclamando do tratamento dado a eles.

4º aprendizado! Aprendi a gerenciar meu tempo

Como housekeeper e correndo contra o tempo para entregar o quarto em 15 ou 25 minutos, dependendo da arrumação solicitada, aprendi a gerenciar o tempo com muito mais eficiência. No início, era muito cansativo. Havia muita pressão e eu tinha muito medo de ser taxada como lenta. Hoje, tiro de letra.

5º aprendizado! Valorizar o trabalho alheio

OMG! Eu nunca utilizei tanto o aspirador de pó na minha vida. É tanto carpete, é tanto abaixa e levanta, que hoje, quando entro em um quarto de hotel como hóspede, não deixo de agradecer pela organização e pelo trabalho das camareiras. Se eu não estivesse realizando esse intercâmbio, talvez eu nunca tivesse entendido o quão dura e estressante pode ser essa função.

6º aprendizado! A minha fluência melhorou muito

A melhor parte de trabalhar em um hotel é a variedade de nacionalidades que se encontra. Tenho colegas croatas, poloneses, irlandeses, franceses, brasileiros, espanhóis, mongoleses, coreanos, mexicanos, etc. Sem sombra de dúvidas, após o trabalho meu inglês melhorou significativamente – em especial a capacidade de compreensão.

7º aprendizado! Se sentir valorizada por outros

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Foto: Arquivo pessoal

O trabalho como camareira também pode ser muito gratificante. Certa vez, uma senhorinha japonesa estava tão agradecida por tê-la ajudado, que gastava cerca de 15 minutos todo dia perguntando sobre os meus planos para a vida. No último dia, ela deixou um bilhete fofo e um origami de pássaro dizendo “thank you”. Houve também uma família de brasileiros que se ofereceu para levar uma lembrancinha para minha família.

8º aprendizado! Ser camareira está me ensinando a ser uma advogada melhor

A coisa mais importante sobre ter um “subemprego”, do meu ponto de vista, foi ter um tipo de trabalho que eu jamais teria a oportunidade de vivenciar no Brasil. Sendo advogada, é interessante estar do outro lado e sentir na pele como as coisas funcionam para algumas pessoas que costumam vir até nós em busca de seus direitos.

E a melhor parte é que quando saio do hotel, o trabalho fica lá. Não preciso levá-lo comigo pra casa e pensar nele todo o tempo. Como advogada, isso é bem difícil.

No final, o que quero deixar aqui de aprendizado sobre a minha experiência é que não importa quantas qualificações você tenha ou deixe de ter. Como intercambista, você possivelmente terá que abraçar o chamado “subemprego” – e como qualquer emprego, ele te ensinará muito sobre você, seus limites e sobre como a vida te dá lições a cada dia.

A série Meu Intercâmbio conta com a colaboração do repórter Fabiano de Araújo e tem o objetivo de dar oportunidade a estudantes que estão vivendo a experiência de intercâmbio na Irlanda, de contar suas histórias, alegrias e perrengues como intercambistas. Se você também quer compartilhar como tem sido a sua nova vida desse lado do globo, basta entrar em contato com: jornalismo@e-dublin.com.br

Sobre o Autor


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