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A caça ao gringo perfeito no intercâmbio?

Colaborador E-Dublin postou em 23 fev 2017

Quando você sai solteira do Brasil, uma das recomendações sempre é: “Namore com um gringo”. Pois bem, cheguei na Irlanda com duas malas pesadas, alguns sonhos e essa “meta” a ser batida. Digo meta, porque virou quase uma obrigação ter um relacionamento com alguém que não fosse brasileiro. E ainda com a cobrança dos amigos do Brasil e o julgamento dos novos amigos aqui do intercâmbio, não tinha como não pensar no tão sonhado relationship.

Fonte: blusherseduction

Fonte: blusherseduction

Quando eu estava para embarcar para a Ilha Esmeralda, várias pessoas do meu círculo de amizades e até mesmo familiares, me disseram: “Olha, se for pra namorar, que seja com gringo. Se for para pegar brasileiro, que volte para o Brasil”. E os conselhos não mudaram muito quando cheguei na Irlanda. Logo nos primeiros dias conheci algumas brasileiras que já moravam aqui há anos, e elas me disseram: “Não se envolva com brasileiros, por favor. Você só vai perder o seu tempo e não vai praticar o Inglês”.

Então, seguindo todos esses conselhos, eu decidi encarar a missão e fui em busca do gringo perfeito! Saí com italianos, espanhóis, franceses, irlandeses, poloneses, gregos, romenos, americanos, alemães, e até na porta do nosso vizinho, a Argentina, eu bati – tudo em prol do namoro com gringo. Você deve ter lido este parágrafo e pensando: “Credo! Que menina rodada”, mas não precisa pensar isso. Os encontros aqui são bem diferentes dos encontros no Brasil, e muitos destes eu não peguei nem na mão. Pasmem! Aqui os passeios são para conversar, comer e realmente conhecer a pessoa (claro que isso não é uma regra).

Sei que na maioria destes encontros eu me sentia super bem, apesar de um pouco constrangida devido ao nível do Inglês, que eu ainda arranhava e às vezes simplesmente sumia, mas eu precisava namorar um gringo. Todo mundo tinha me dito isso! Foram um, dois… dez… sei lá mais quantos encontros fracassados. Só que vários deles se transformaram em amizade, o que, sinceramente, me deixou muito mais feliz do que o próprio namoro.

Pop Art

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Nestas inúmeras tentativas posso descrever que estar com um gringo é uma sensação muito diferente e desafiadora. Primeiro porque você é obrigada a praticar o Inglês, e assim cumprir uma parte dos objetivos que te trouxe para o intercâmbio; e segundo, porque você tem a oportunidade de conhecer culturas e costumes que talvez você nunca teria acesso. Você vive uma realidade totalmente diferente da sua e também ensina a eles um pouco do “jeito brasileiro” de ser.

Porém, encucada com toda essa situação, conversei com algumas amigas que estão em um relacionamento sério com europeus há mais tempo, e percebi alguns fatores que mostram a realidade de uma relação assim. Namorar com alguém de um país diferente do seu é viver experiências novas, estar disposta a se isentar um pouco da sua cultura e viver mais a do outro (afinal, você está em um país diferente do seu). Ainda tem aquele pensamento de que o namoro pode realmente engrenar e talvez você se case e, possivelmente, não volte mais para a pátria amada.

Depois de conversar com elas, fiz uma análise do que eu sentia ao tentar me relacionar com alguém que tinha costumes tão diferentes dos meus, e cheguei às seguintes conclusões:

• Os homens daqui estão super preocupados com o seu bem estar, eles não se preocupam um só minuto se vão te beijar, e estão focados em aproveitar o momento;

• Eles estão interessados em saber mais coisas sobre você, sobre sua família, seus costumes e sua vida no Brasil;

• Eles querem saber dos seus planos para o futuro;

• Muitos te respeitam e te tratam como uma pessoa de extrema importância;

• Muitas vezes são inteligentes e falam mais de 2 idiomas.

101fundraising

Reprodução: 101fundraising

Realmente, é uma experiência única, mas para não falar que estou exclusivamente à busca de um gringo, também me envolvi com brasileiros (contrariando todas as recomendações recebidas) e, olha, valeu muito a pena. A gente falava só português mesmo. É isso ai… zero inglês! Mas ele conseguia acalmar a minha saudade de casa. Debatíamos assuntos sobre sub-emprego, sobre futuro, planos de viagens… enfim, conseguíamos compartilhar uma vida de igual para igual. O romance durou pouco, mas o que isso importa? Eu ainda seguia na caça do gringo perfeito.

O tempo passou e eu não consegui o namorar nem com gringo e nem brasileiro, sigo solteira.

Percebi que eu não consegui “bater a minha meta” porque simplesmente não era isso que eu queria. Eu não queria me envolver com alguém de verdade, e posso falar que não me arrependo das tentativas que fiz. Só digo uma coisa: nem eu, nem você ou qualquer outra pessoa deve se limitar em namorar só com brasileiro ou só com gringo, simplesmente porque isso não tem regra. Nosso coração não escolhe a nacionalidade.

Já vi casais se formando entre brasileiros e sua explicação foi: “Ele me entende, ele sabe o que estou passando aqui e ele me faz feliz”. Já vi casais gringos se formando, e adivinha qual era o discurso? “Ele me entende, ele sabe o que estou passando aqui, ele me faz feliz”. Ou seja, o coração é quem manda!

Reprodução: theoslotimes

Reprodução: theoslotimes

A lição que tiro disso tudo, é que não se pode escolher de onde virá o amor. Não é possível controlar esta situação. Uma coisa é fato, Dublin é uma cidade multicultural, com pessoas de todos os lugares do mundo. Então não será uma grande surpresa você se envolver com um estrangeiro. Você tem que viver com o coração aberto, sem fazer buscas e procuras específicas para o amor. Vai acontecer no momento certo. Se será brasileiro ou gringo, não sei. Só sei que o amor é lindo e um dia ele aparece.

Sobre o autor:
Alessandra Batom na MalaAlessandra Assis é mineira, publicitária e blogueira, enlouquecida por viagens e apaixonada por conhecer novas cultuaras. Descobriu no intercâmbio a mais diversificada forma de se conhecer. Trabalhou por muitos anos com marketing de relacionamento e hoje tem como profissão colocar seu Batom na Mala e contar em seu blog como é a vida fora do Brasil, como são suas viagens e um pouco da moda na Europa.

Revisado por Tarcisio Junior

Sobre o Autor


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