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Meu Intercâmbio

A experiência de viver em Malta e a volta para o Brasil

Carol Braziel postou em 06 abr 2016

Para mostrar que a importância de um intercâmbio vai muito além do local que se escolhe – mas que a nossa linda Ilha é fantástica, isso é! – entrevistamos quem teve a experiência em outro país. O Carlos Eduardo, mais conhecido como Caê Pelosi, 34 anos, nos conta como foi esse processo todo.

The interview

Valetta. Créditos: Caê Pelosi.

Valetta. Créditos: Caê Pelosi.

Qual o período e em qual cidade você ficou?

3 meses (dez de 2014 à março de 2015) em Sliema, Malta.

Por quê decidiu fazer o intercâmbio?

Sempre tive vontade, mas era muito inseguro e não falava inglês. Com o passar do tempo, percebi como falar inglês é importante e pesa em uma seleção de candidatos à uma vaga de emprego, entre outras coisas…

Quais foram as principais dificuldades que encontrou nessa fase? 

Foram muitas. Eu nunca tinha ido para a Europa ou feito algo desse tipo sozinho, principalmente porque fui sem moradia, sem escola e amigos. Lá na ilha é que eu procurei uma escola, um apartamento pra dividir, etc. Por conta disso, dormi noites na rua, passei fome por pedir comida errada e quase passei o natal sozinho, pois ainda não conhecia muitas pessoas. Eu tinha dificuldades até em falar “36” em inglês no hotel, para pegar minha chave do quarto toda hora.

Cometi muitos erros por conta do inglês. Logo no aeroporto, por exemplo, tentei comprar um chip de celular. Eu pedia chip, mas só me empurravam planos de celular de 250 megas. Só depois entendi que eles falam SIM CARD, e não chip – chip, aliás, que eles entendiam como “cheap”, e tentavam me vender algo mais barato. Aliás, decidi fazer a imigração pela Espanha, justamente porque me sentia mais confortável falando espanhol do que inglês.

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Eu me atrapalhava tanto com o inglês que nos primeiros dias eu só comia em um McDonald’s que tinha uma máquina de fazer pedidos, assim eu tocava na tela, pagava com o cartão e só apresentava o papelzinho no balcão, sem a necessidade de conversar com ninguém. Um dia fui comprar 2 cookies para uma aluna italiana que eu “estava afim”, da escola. Depois de pedir e pagar, a atendente me deu 2 garrafinhas de Coca-Cola. Minha pronuncia era tão ruim que ela entendeu “2 cokes”. A italiana riu e me chamou de estúpido. (Aliás, depois tivemos um relacionamento e a gente ainda viaja e se vê de vez em quando. Ela adora ouvir minhas histórias engraçadas).

Popeye Village. Créditos: Caê Pelosi.

Popeye Village. Créditos: Caê Pelosi.

Considera que o intercâmbio mudou sua vida?

Agora mudou para pior, rs! Antes do intercâmbio eu tinha uma vida sossegada e feliz no Brasil, e achava que era impossível e muito caro ir para a Europa. Estava conformado com isso e achava que aqui tudo estava bom. Mas depois de volta, não! Estou tentando tirar meu passaporte europeu, quero sair daqui o tempo todo. Sem contar aquela “depressão” de quem volta do intercâmbio, que não há remédio que cure!

Mas os motivos pelo qual fiz o intercâmbio foram justamente esses: melhorar meu inglês e perder um pouco esse medo de viagens, além de tentar resolver tudo sozinho. Então, vendo o lado bom da coisa, hoje já consigo arranhar um inglês com os gringos. Fiz muitos amigos, tive um relacionamento com uma europeia e falo com todos o tempo todo só em inglês. E isso é bom, porque estou o tempo todo aprendendo, sonhando, e pensando em inglês, mesmo com a ajuda do Google Translator, às vezes.

Tem muita coisa errada que acontece aqui no Brasil. Estamos acostumados com isso, e viajar para fora nos faz abrir os olhos para algumas coisas e ver como estamos atrasados e pelo o que temos que lutar ainda. Todos deveriam morar um tempo fora, para voltar e perceber as diferenças.

O que diria pra quem pensa em fazer intercâmbio?

Vá o quanto antes! Provavelmente você não vai querer voltar pro Brasil, e ainda dá tempo de procurar algo por lá – ou ao menos fazer isso mais e mais vezes. Pare de pensar e vá logo!

A maioria pensa em ir para estudar outra língua. Vejo pessoas aqui no Brasil estudando anos e anos em escolas caríssimas, pagando professores particulares que cobram uma nota por hora… enquanto lá fora tem muitas aulas baratas e de qualidade. Um professor particular em Malta custava 10 euros por hora, enquanto aqui está em torno de 80 reais.

Aliás, me lembro até de outra história engraçada: no caminho da escola tinha um mendigo pedindo dinheiro na porta de uma igreja. Um dia sentei perto dele, dei um lanche e fiquei conversando. Ele tinha perdido os dois pés em um acidente e não conseguia trabalhar por conta disso. Então eu sugeri para ele ir para o bairro de Pembroke, que é perto de várias escolas. Eu disse que faria uma placa para ele escrito: “Treino conversação por 3 euros/hora”. Ele tinha bastante histórias para contar, e os estudantes precisam conversar para treinar, mas não tem quem faça isso, só colegas e professores. Ele seria perfeito. Concluindo a história: Ele não quis. Deve estar na porta da igreja pedindo dinheiro ainda. Mas fazer intercâmbio para estudar língua é ótimo, eu digo que até conversando com mendigos você pode treinar melhor e “de grátis”!

Em Roma. Créditos: Caê Pelosi.

Em Roma. Créditos: Caê Pelosi.

Trabalhou nesse período ou só estudou?
Eu fazia Home Office lá. Eu toco o marketing de uma empresa e hoje em dia, com o digital, dá pra fazer de tudo. O horário também ajudava bastante, porque eu ia pra escola e quando voltava era justamente a hora em que começava a reunião semanal, 8 da manhã aqui. Mas o chefe foi super legal e disse pro pessoal só me chamar quando fosse urgente, porque lá eu devia focar no inglês, estudar, passear e praticar.

Mas trabalhar em algum lugar lá em Malta mesmo era mais complicado. Nem tentei e os brasileiros que encontrei, que tentaram, também não conseguiram (exceto os que conseguiram entrar para um time de futebol), pois em Malta existem muitos italianos, e eles davam prioridade para contratar a molecada italiana e espanhola, por ser mais fácil de se comunicar e também para ajudar os países que estavam em crise.

Mas eu fiquei sabendo que trabalhar em Malta não é moleza. A espanhola que morava comigo, fazia horas e horas de trabalho em um restaurante. Eu mal a via. Só quando ela estava de folga, tipo quarta-feira, ou de tarde, quando ela chegava depois de trabalhar a noite toda, mas já tinha que se preparar pra fazer outro turno de noite. Então quem pensa em ir para Malta estudar, vá, porque é super legal. Mas se você está indo para trabalhar, pense duas vezes. Se conseguir, será em um restaurante e provavelmente de forma ilegal. A não ser que você seja de TI… pra isso tem bastante vaga no mundo todo. Aliás, pelo LinkedIn tem muitas vagas para sites de poker online, onde procuram justamente pessoas com português fluente. Mas só vi isso muito tempo depois, quando já estava aqui no Brasil.

O melhor no intercâmbio?

Aprender inglês, sem dúvida. Isso quebrou todas as minhas barreiras! Hoje me sinto muito mais seguro para sair e viajar. Me sinto uma pessoa mais interessante, tenho muitas histórias bizarras e engraçadas para contar. Quero viajar mais e conhecer o mundo todo. Cada continente, ilha e pedacinho da Terra. E tudo isso graças ao inglês.

Os Cliffs de Malta. Créditos: Caê Pelosi.

Os Cliffs de Malta. Créditos: Caê Pelosi.

Existe uma idade e período certo para alguém fazer intercâmbio?

O quanto antes. Tenho primos que fizeram com 12 anos. Eu fiz com 32. Na minha classe tinha um alemão de 70 e poucos anos, tinha um casal de 40 e poucos… não tem idade, mas se você já pode ir, vá! Eu sugiro que vá quando se é solteiro, talvez depois de acabar a faculdade. Porque depois de casado você tem que conversar muito com o parceiro para ir, e lá fora vai conhecer muita gente, vai passar por muita coisa e tudo pode acontecer, rs.

Mas tive um amigo por lá que era casado e foi sozinho. Ele se comportou numa boa, a gente saía juntos, ia para bares, jogava futebol, etc. E ele falava o tempo todo da família. Não digo que quem viaja sozinho vai para “aproveitar e aprontar”, mas acho que ir livre é melhor, porque lá você vai ter outras coisas para se preocupar além de dar telefonemas – como, por exemplo, onde lavar as suas roupas ou como explicar pro cabeleireiro não cortar muito sua franja.

Qual a sensação ao pisar no país que escolheu fazer intercâmbio? E qual a sensação de voltar pra casa?

Quando cheguei em Malta foi horrível, porque o aeroporto fica num lugar bem estranho e distante, e dentro do táxi eu estava em pânico pensando: “Meu Deus, não tem nada a ver com as fotos da internet. Só ruas e pedras. Cadê o mar e aquelas paisagens? É tudo muito confuso, não vou conseguir andar por aqui. E as casas, são todas iguais!”.

Todas as casas e prédios em Malta são feitas de um tijolo meio bege, bem parecidas, porque é o tipo de terra de lá. Eu perguntei pro taxista qual era a cor daqueles tijolos, estava curioso pra saber como se falava “bege” em inglês, para postar algo no face. Mas o taxista só me respondia: “Stone!” [Pedra]

– Sim, sim!! Mas qual é a cor?!

– Stone!

– Bege?! Amarelo?!

– Stone!

– …Ok.

Mas depois, chegando no hotel, de frente para a orla, o mar, os restaurantes e tudo mais, já me senti mais tranquilo.

E voltar pro Brasil foi horrível também. Isso porque deixei muita coisa para fazer, e nos últimos dias chovia muito, não deu para fazer isso tudo e curtir. Peguei o avião muito triste. Nas primeiras semanas me dava vontade de chorar. Sinto falta, ainda, da minha vida de lá, dos novos amigos e rotina que deixei. Isso é ruim, porque ao mesmo tempo que tenho vontade de conhecer outros lugares, também tenho vontade de voltar para Malta para rever algumas coisas. Acho que o mesmo acontece com outros intercambistas. Apesar de “mochilarmos” para tantos outros lugares, aquele lugar em que você viveu, não importa qual seja, sempre dá saudades, aquela nostalgia de coisas que aconteceram naquela praça, em um restaurante, naquela rua específica, etc.

Os tijolos de Malta. Créditos: Caê Pelosi.

Os tijolos de Malta. Créditos: Caê Pelosi.

Se pudesse, você faria de novo? 

Sim, penso nisso o tempo todo. Mas dessa vez gostaria de trabalhar e, se possível, ficar em uma casa de família um tempo. Além de ser uma experiência incrível, acredito que você pegar um metrô com as pessoas indo trabalhar, sair na hora do rush, ver o que todos pensam e fazem após o trabalho, no dia a dia, se é mais ou menos como nós aqui, é a melhor forma de realmente entender o lifestyle de um país, sua comida e seus costumes.

St. Peter´s Pool. Créditos: Caê Pelosi.

St. Peter’s Pool. Créditos: Caê Pelosi.

Revisado por Tarcísio Junior
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Sobre o Autor


Carolina Braziel é formada em Relações Públicas e pós-graduada em MKT pela ESPM|Brasil. Com mais de seis anos de experiência em MKT, decidiu vivenciar o sonho de morar na Europa, mais precisamente na terra dos Leprechauns. Apaixonada incurável por viagens, tem como vício a leitura e pesquisa sobre destinos, curiosidades e roteiros de viagens pelo mundo.

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