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Cultura

A volta e a vinda do Brasil para Irlanda

postou em 04 abr 2011

There and Back Again.

Fui convidado a descrever minha experiência de ter ido passar férias no Brasil e a volta para Irlanda.

Depois de um ano em Dublin, fui para o Brasil para passar três semanas, o que acreditei ser tempo suficiente para reencontrar os amigos, passar o natal com a família e estar de volta para o ano novo.

Não… Não é tempo suficiente. Uma vez no Brasil, tu tens muito mais a fazer do que imagina.

Meus planos eram simples: primeira semana resolver todas as pendências, como renovação de carteira de motorista, legalização de situação eleitoral e outras burocracias. Segunda semana, encontrar todos os amigos próximos e finalmente encontrar toda a família na última semana próxima do natal. Na teoria, tudo muito bonito, mas quando tu estas lá, nada disso funciona.

Preciso falar que não sou um bom filho… Eu disse que chegaria na quarta, mas na verdade terça-feira ao meio dia eu estava em Vitória-ES. Quase matei minha mãezinha do coração. Chegando em frente à minha casa, eu liguei do meu telefone daqui da Irlanda e fui entrando em casa enquanto falava com ela, só para dar um forte abraço quando ela ouvisse minha voz não só pelo telefone.

Umas duas horas depois, já tinha alguns amigos tocando a campainha… Ou seja… Na prática, a primeira coisa burocrática que consegui resolver foi renovar a habilitação, na segunda da outra semana.
Família vindo visitar, meus pais querendo que eu encontrasse com os amigos deles, que não deixavam de perguntar por mim, saía com alguns amigos, encontrava outros no barzinho que estávamos e saía de novo dalí mesmo pra outro lugar.

Cheguei à conclusão que era pouquíssimo tempo quando lembrei que tudo era muito longe: casa da avó, casa dos tios… E feriado da justiça eleitoral… Tudo parecia conspirar para que eu não voltasse na data que eu previa.
Bem… No fim das contas, eu só não vim no dia que eu queria, porque não tinha vôo mesmo… Eu viria no dia 28 e terminei vindo no dia 29.

Todos aqui me perguntam a mesma coisa: tu não pensou em ficar lá?
Sim… Eu estava ajudando meu pai a ampliar o orquidário da minha mãe, quando em meio a um longo silêncio meu pai me olha e pergunta:
– Meu filho, tu quer mesmo voltar para Dublin?
– Eu preciso pai, tenho muita coisa la ainda, eu já paguei o curso e a passagem…
– Não tem problema, se tu quizer ficar, você pode perder isso, a gente se vira aqui… Não tem problema. Tua mãe sente muito tua falta.

Não sei qual impacto isso teria em vocês, mas me abalou muito. Pela primeira vez meu pai se manifestou e pela primeira vez, desde que eu puz os pés em Dublin, eu pensei em ficar no Brasil, com o conforto da minha casa, o carinho de meus pais e amigos.
Mas meu lado racional fala mais alto e voltei.

Foi estranho estar na casa dos meus pais e não me sentir em casa… Tudo era diferente, eu não sabia mais onde estava o sal, eu sempre olhava para a bancada procurando a kettle, apagava a lâmpada do corredor ao entrar no banheiro…
Ufa… Estou de volta em casa…

Só que foi tudo muito diferente do que da primeira vez que cheguei no aeroporto.
Cheguei no dia 31, mais de uma hora da tarde… Tudo gracas a um temporal que me fez perder a conexão. Cheguei para passar a virada em uma das melhores house parties que tivemos aqui em casa, mas desta vez não tinha absinto… Tínhamos 6 litros da mais pura cachaça.

Eu já sabia que um dos meus flatmates estaria voltando para o Brasil de vez, o que eu não sabia era que o outro iria passar um mês de férias lá também.
Despedir-se dos amigos daqui já virou uma coisa comum, mas saber que em poucos dias ficaria sem as pessoas que passaram os momentos dificies e feliz, com os quais eu dividi uma pint nos dias de perengue, e que voltava do Tesco com 375 sacolas nos dias de fartura, logo depois de encontrar os melhores amigos, aqueles que mesmo distantes mandam um e-mail perguntando se tudo está bem quando fico muito tempo sem mandar noticias.

Sim… Não me arrependo de ter voltado, mas agora eu penso mais em voltar pro Brasil e dar um rumo pra minha vida lá.

Dicas de quem passou aperto na ida e na volta.
– Coloque todas as tuas roupas íntimas na tua bagagem de mão.
Não ocupa tanto espaco, e quando tua mala estravia, tu não precisas ir comprar cuecas no dia em que tu chegas ao destino.
– Não compre canecas de louça para levar de presente. Minhas malas (depois de dois dias de estravio) chegaram em minha casa destruídas e metade das canecas estavam quebradas, mesmo eu tendo enrolado uma por uma com plástico bolha.
– Não compre muitos wiskeys aqui, no máximo uns dois se sobrar espaço na mala. É muito mais barato e cômodo comprar no free shop do aeroporto de Dublin, comprei Powers por 10 euros… Mais barato que Queen Margot.
– Sabe todo o terrorismo que tu acha sobre remédios??? Nem é tão assim. Traga algo realmente útil, que tu estejas usando ou sabe que precisarás. Eu trouxe 3 caixas de neosaldina e não usei nenhuma. É fácil comprar vários destes medicamentos. Os remédios que tu precisas de receita são os que tu deve realmente procurar um médico antes de tomar, como antibióticos. Traga sim uma caixa de anti-gripal, um própolis, essas coisas que tu sabe que uma hora ou outra tu vai usar.
– Tu teoricamente terás bastante espaço na mala depois de distribuir os presentes, coloque no lugar bastante feijão e cachaça (a quantidade legal de transporte de bebidas alcoólicas é de 6 litros por pessoa) sem contar o que foi adquirido no free shop.
– Leve daqui aquelas balancinhas que tu compra na loja de dois euros pra pesar a mala… Talvez porque eu more num fim de mundo, mas eu não achei fácil pra comprar lá no Brasil… Levar duas malas de 32 kilos para a farmácia umas duas ou três vezes não é tão legal.
– E a dica de ouro (façam isso e deixem eu e o Edu felizes) – como trazer açaí: compre uma sacola térmica e coloque dentro. Coloque a sacola na mala. Lindo!
Eu comprei uma das boas, custou 49 reais na Lojas Americanas, mas vale muito a pena. Junto com o açaí, eu puz 3 kits feijoada, empadas (que chegaram totalmente destruidas) e suco maguari de caju e maracujá conjelados na embalagem (pra ajudar a manter tudo frio pelo tempo do voo).

Bem… Acho que é isso.
Se tiver qualquer outra dúvida é só comentar este post.
cya.

Gedson

Sobre o Autor


Fundador e CEO do E-Dublin, Edu chegou na Irlanda em 2008, no ano pré-crise, pegou a nevasca de 2010 e comeu cérebro de cabra em Marrakesh. O Edu também é baterista da banda Irlandesa Medz.

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