Amor no intercâmbio

Amor no intercâmbio

Colaborador E-Dublin

6 meses atrás

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© Osons163 | Dreamstime.com

E quando o amor tem data para acabar? Crédito: © Osons163 | Dreamstime

Eu te amei todas as vezes em que fomos ao mercado…

E se hoje eu te dissesse?

Hoje eu não hesitaria em responder a todas as vezes que ouvi “te amo” da tua boca. Te diria com a mesma intensidade de cada beijo que eu te dei.

Por diversas vezes, segurei nos meus lábios as palavras e te abracei buscando forças pra não deixar o sentimento evoluir.

Meu jeito tosco e alegre de ver a vida, de brincar com as responsabilidades e, até mesmo, de rir das situações complicadas, te fazia julgar imaturidade em mim, mas, nesse caso, eu agi da forma mais madura que pude.

Nossos planos eram diferentes, nosso rumo era diferente e talvez pensar dessa forma tenha sido meu maior erro.

O tempo era curto. Eu voltaria pro Brasil e tu querias dominar o mundo. Que bobo eu fui. Sempre quis dominar o mundo e deixei escapar a pessoa que queria fazer isso ao meu lado.

O fato é que agi pensando no bem de ambos. Precisava desapegar antes de vir embora e precisava que esse processo não fosse dolorido pra ti também.

Eu te amei… Muito!

Te amei todas as vezes em que fomos ao Tesco.

Te amei quando te via na janela fumando antes de dormir.

Te amei todas as vezes em que andamos pelas ruas de Dublin de mãos dadas.

Te amei quando vi a neve pela primeira vez na vida.

Te amei em todas as vezes em que tu agistes como minha mãe e por ouvir da tua boca as mesmas coisas que ela sempre disse. Não existe prova de amor maior do que se preocupar com o outro da mesma forma que uma mãe.

Te amei durante as infinitas playlists do Tiago Iorc, enquanto fazia o omelete, enquanto tomava banho.

Te amei em todas as crises de ciúmes e em todas as vezes em que precisei te convencer o quanto eras importante pra mim, ao mesmo tempo em que controlava a minha vontade de dizer que te amava pra amenizar o sofrimento de quando chegasse o dia da partida.

Há quase um ano no Brasil, sinto falta da vida que construí em Dublin, dos amigos, do trabalho, da minha casa e da primeira pessoa que eu amei depois de ter deixado meu coração adormecido por tantos anos. Injusto amar com data marcada pra despedida, mas foi assim.

A minha data de volta pra Dublin não está marcada, mas existe a certeza de que essa terra me deu a oportunidade de uma vida inigualável, me deu a oportunidade de viver um grande amor e me deu a alternativa de voltar assim que eu puder.

Nada será como antes. Talvez seja ainda melhor.

Sabe aquela última vez em que andamos de mãos dadas pela rua? E que uma educada senhora disse que ia chamar a Garda? Ali eu te amava.

E eu te amei também na última semana em que contava os minutos pra te ver, receber a tua visita que não veio ou o simples abraço de despedida.

Talvez tivesse sido mais dolorido dessa forma.

Talvez não tenha havido despedida porque não era pra haver — e outros abraços ainda virão.

Eu nunca disse…

Mas eu te amei de uma forma que não se apaga e hoje é uma brasa de saudade que me aquece aqui no frio do sul do Brasil.

Posso dizer que agora sei que meu destino não é aqui. Hoje eu cozinharia o feijão de lata do Tesco, a batata no forno e o frango que eu aprendi contigo, com cebola roxa e maionese.

Brindaríamos um amor sem data pra acabar e nas legendas das minhas fotos não haveria apenas uma letra de música que deixa subentendido o que está acontecendo.

Feliz Dia dos Namorados! Até breve…

Eduardo Marasciulo,

Tem um espírito aventureiro, uma paixão incondicional pela vida e um anseio por experiências novas. Viveu um ano em Dublin e dentre outras formas artísticas que usa para se expressar, está a escrita. Através de seus textos, externaliza alegrias, sensações, desejos, medos e muitas histórias de viagens. Para segui-lo, basta acessar o seu canal no Youtube, ou no Facebook.

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