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Meu Intercâmbio

Casal de brasileiros a bordo de um motorhome pela Europa

postou em 30 set 2018

Na busca por Segurança viemos para Dublin, mas foi a Liberdade que nos fez decidir viver e morar em um motorhome, o Rogerinho.

Percebemos que saímos do Brasil em busca de SEGURANÇA, mas que ela não era tudo, então decidimos mudar. Foto: Arquivo Pessoal

Percebemos que saímos do Brasil em busca de segurança, mas que ela não era tudo, então decidimos mudar. Foto: Arquivo Pessoal

Liberdade e segurança – Zygmunt Bauman dizia que esses são os dois valores essenciais a uma vida satisfatória e que uma existência digna não se faz possível na ausência de um deles. O grande problema, segundo ele, é que esses dois valores são excludentes entre si. Toda vez que você obtém mais segurança, você entrega um pedaço da sua liberdade. E toda vez que você alcança mais liberdade, você abre mão de uma parte da sua segurança. Não há outra maneira. 

Em 2018, eu e minha namorada, Eve, colocamos em prática um plano que demoramos mais de um ano para amadurecer: nos mudamos para um motorhome. Foi uma mudança extrema em busca de mais liberdade. Mas essa nem sempre foi minha vontade.

Assim como a maioria das pessoas, eu passei grande parte da minha vida buscando por segurança. É o curso natural das coisas e é muito difícil se esquivar da influência implacável do sistema. Nossa formação passa por vários estágios, mas o objetivo final é um só: nos fazer consumir. E para consumir nós precisamos de dinheiro, e o que é o dinheiro se não a maior de todas as seguranças?  

Dá pra viver em um motorhome?

Como é viver no espaço mínimo de um motorhome? Bem apertado, mas possível. Foto: Arquivo Pessoal

Em 2017, tentando ganhar um pouco mais de liberdade, eu me mudei para Dublin e no começo dessa nova vida eu realmente me sentia mais livre. Tudo era novidade, as pessoas, os lugares, as sensações. Foi nessa época que conheci a Eve e através de longas conversas fomos descobrindo como eram parecidos nossos anseios e desejos por uma vida mais simples.

Percebemos então que aquela empolgação inicial foi se esvaecendo e dando lugar a uma nova rotina, e que a mudança para o exterior não passava de uma busca por ainda mais segurança.  Não me entenda errado, nós amávamos Dublin e a cidade pra sempre ficará marcada para nós como um símbolo de mudança. Mas algo dentro de nós clamava por uma vida mais simples e sabíamos que não teríamos outra opção além de atender ao insistente chamado.

Foi assim que, com apenas 6 meses após minha chegada em Dublin, nós decidimos que moraríamos em um motorhome. Começamos então a guardar dinheiro e a pesquisar muito. Um ano depois era chegada a hora de deixar a Irlanda. 

Com seis meses na Irlanda, ao invés de renovar o nosso visto decidimos cair no mundo a bordo de um moto home. Foto: Arquivo Pessoal

Com seis meses na Irlanda, ao invés de renovar o nosso visto, decidimos cair no mundo a bordo de um motorhome. Foto: Arquivo Pessoal

Nem tudo são flores a bordo de um motorhome

Essa é história de como viemos morar no Rogerinho, nome que carinhosamente demos ao nosso motorhome. O baque inicial foi grande e a primeira coisa que sentimos foi a falta de espaço. O Rogerinho é um modelo menor que a maioria dos campers e sua área interna não passa de 3m², por isso cada centímetro deve ser otimizado.

Hábitos considerados básicos, como o banho e a ida ao banheiro, ganharam uma nova perspectiva. Só com água fria disponível, nosso banho é de garrafinha com água fervida no fogão. Quanto ao banheiro, evitamos ao máximo usar o do motorhome porque o cheiro pode se tornar bem desagradável, por isso estamos sempre usando sanitários públicos ou de cafés e restaurantes.

A busca pela segurança ficou para trás

Com relação à segurança, nossa estabilidade financeira não existe mais e teremos que nos virar com trabalhos temporários e de freelance. Até mesmo nossa segurança física está mais frágil, afinal, apenas alguns centímetros de lataria velha separam a rua de onde dormimos.

Tudo isso junto à saudade de Dublin e o medo de ter jogado fora algo tão certo fez dos primeiros dias um desafio. Mas nossa adaptação foi rápida e, em pouco tempo, começamos a sentir os efeitos da liberdade recém conquistada.

Aprendemos a contornar a falta de conforto inicial e agora nos sentimos livres dos hábitos que considerávamos indispensáveis. Já o sentimento de liberdade de viver sobre rodas é praticamente indescritível. Começamos nossa viagem na Holanda e em 24 dias dormimos em 16 lugares diferentes.

Nesse pequeno período de tempo já tivemos a chance de conhecer lugares e pessoas que ficarão marcados pra sempre em nossas lembranças, e saber que cada nascer do dia traz consigo outras chances como essa é extremamente empolgante. 

Dormir em 16 lugares diferentes em um curto espaço de 24 dias ilustra como o mundo é uma caixinha de possibilidades. Foto Arquivo Pessoal

Dormir em 16 lugares diferentes em um curto espaço de 24 dias ilustra como o mundo é uma caixinha de possibilidades. Foto Arquivo Pessoal

Nós não temos a mínima pretensão de afirmar que encontramos a fórmula para uma vida satisfatória. Até onde sabemos, essa jornada pode terminar tão logo quanto na próxima semana. Bauman mesmo já dizia que ninguém nunca encontrou o equilíbrio perfeito entre liberdade e segurança e já alertava para os perigos de uma vida muito próxima dos dois extremos.

Segundo ele, segurança sem liberdade é escravidão, e liberdade sem segurança é um caos total. Sabemos que ainda vamos errar muito em busca do equilíbrio, mas sabemos também que preferimos errar pelo excesso, e se o excesso nos fizer flertar com algum dos dois extremos, então que seja com o caos e nunca com a escravidão. 

Sobre os autores:

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Nós somos um casal vivendo e viajando pela Europa no nosso motorhome, o Rogerinho. Deixamos os nossos empregos e vidas em Dublin para tentar uma vida nômade, trabalhando e morando na estrada. Para quem quiser acompanhar essa aventura em busca do equilíbrio entre a Segurança e a Liberdade basta seguir o casal no Instagram @rotaalternativarv.

Sobre o Autor


Uma vida sem desafios não foi desenhada para essa baiana de Salvador. Jornalista por profissão, já passou por editorias de moda, gastronomia, história e turismo. Amante das viagens, coleciona mais de 80 destinos no passaporte. Quer saber mais? Corre porque até você terminar de ler esse perfil já terei alguma novidade.

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