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Cultura

Comparando Brasil e Irlanda Parte 1: A Educação

postou em 20 abr 2009

Parece estranho, mas foi isso. Passei férias no Brasil. Aproveitei a época
de carnaval e fui rever amigos, familiares e matar saudade de algumas
peculiaridades brasileiras.

E falando em peculiaridades, gostaria de falar um pouquinho sobre isso:
Brasil vs Ireland.

Pode parecer contraditório, pois sempre evito comparar nossa vida no Brasil
com a vida daqui, porém, irei comparar outras coisas. Detalhes que eu não
enxergava e passei a ver depois de passar uma temporada fora.

Bom… a começar dizendo que morava na região sul de São Paulo (beeem sul,
mas não grajaú!) e como um bom turista, estava sem carro na cidade.

Logo na segunda-feira, eu havia marcado dentista. Sabendo que haveria trânsito, resolvi sair com 1:30h de antecedência.

Como o dentista era no Itaim, ao invés de pegar um ônibus direto, resolvi pegar uma lotação até a estação de trem, e de lá pegar um trem pra estação cidade jardim.

Aí começa o nosso primeiro ítem da comparação: Educação, ou pra ser mais explícito: a disciplina.

“Pô Edu, mas o que que tem a ver pegar ônibus com educação?”

Tudo. É um ciclo gigante. Vou contar porquê.

Tudo comeca quando o cobrador da lotação projeta sua enorme cabeça para fora da janela e grita sem pudor:

“Largo 13, Santo Amaro!”

Vamos entender os fatos:

1. Há (do verbo haver) uma sinalização na frente da lotação que já diz o seu destino, não precisa gritar, muito menos colocar a cabeça pra fora.

2. O cobrador não tem um lugar fixo pra sentar. Ele fica de pé ou sentado nos canos de suporte, sem cinto, nada. Em 2 meses ele não terá mais coluna vertebral.

3. Qual a real função do cobrador? Foi a pergunta que fiz ao ver 99.8% das pessoas “pagando” com seu bilhete único (ou seja, sem necessidade de cobrador).

O cobrador não tem o papel “cobrar” o bilhete das pessoas, mas sim auxiliar o motorista a sair vivo do caos de São Paulo, porém, isso só é necessário pelo fator que eu disse lá no começo: a educação das pessoas.

Quer ver?

Pouco antes de chegar no ponto, o farol fechou. Exatamente nesse momento, entra em cena uma jovem, de rosto cansado e suada, gritando:

“Oooh seu motorista.. abre a porRRRta pra mim aqui fazen-favor!”

“Poxa… mas aí a senhora me complica… vai que passa um motoqueiro aí”

Complica cacete! E se complica porque você não falou “NÃO” senhor motorista?

A gente as vezes acha os motoristas da Dublin muito rudes porque eles não abrem exceções, pois isso é uma violação da regra: ônibus só para no ponto de ônibus.

O fato da mulher ter tentado burlar essa regra, já demonstra uma falta de educação (ou disciplina), e o fato do motorista não ter sido objetivo o suficiente em sua resposta, abriu um leque de respostas… entre elas:

1 – Porque um motoqueiro passaria no vão do onibus com o farol fechado? Falta de educação.

2 – Porque o motorista levantou uma possibilidade remota e não disse simplesmente “não”? Falta de educação (disciplina).

A resposta da mocinha foi imediata:

“Mas não ta passando nenhum motoqueiro seu mótorista!”

Pronto. Comecou a argumentação. Por uma distancia de 100 metros ou 20 segundos do semáforo, a moça suada e o motorista se estressaram. Tudo pela falta de educação, pois se ela fosse educada saberia da regra e não pediria pra descer no local inapropriado, e se mesmo assim ela perguntasse e ele dissesse “não” (afinal, é uma regra) e simplesmente ignorasse, também não se estressaria.

Pois bem… desci da lotação, peguei o trem. 14 minutos. Foi o tempo que levou pro trem chegar na estação. Sensacional. Tão sensacional que admirei o trem estar tão vazio as 9 da manhã, enquanto os onibus passavam lotados nas ruas.

Aí entra um problema um pouco maior… as pessoas querem economizar passagens, mesmo com o bilhete único. Economizar e se estressar, porque os onibus estao lotados e levam muito mais tempo que o trem.

“Ah, mas esse trem não serve pra mim”

Pega metro então. Esse trem te leva até a barra funda (fazendo conexão por Osasco sem pagar) ou você pode descer em alguma estação e caminhar na rua (foi o que fiz pra ir pro Itaim)

“Po, mas ai vou chegar todo suado.. e não da pra andar de salto/sapato”

Use tênis! Aqui as pessoas andam.. e andam muito! Não existe o benefício “Vale-transporte”, e pra economizar de verdade, as pessoas andam.

“Mas e o sapato/salto?”

Aqui não tem essa frescura ou medo de se mostrar para os outros como nós brasileiros. Eles prezam qualidade de vida, e nesse caso, conforto. As meninas saem com tênis (mesmo de saia, meia-calça) até chegar no escritório. Lá sim, elas trocam pelo salto.

Suado? Leva um desodorante, outra camiseta. Ou precisa economizar camiseta também?

Bom… como paulistano adora onibus lotado, stress, argumentar com o motorista e ficar na frente do espelho, precisamos do cobrador como uma figura de suporte (voltando ao que falei e concluindo). O cobrador auxilia psicologicamente o motorista, ou no melhor português: diminuindo o peso das costas de 1 só.

Esse foi o primeiro problema (que na verdade é um ciclo) que vi, e essa é minha percepção.

Vou contar de outros problemas que vi nos próximos posts.

Sobre o Autor


Fundador e CEO do E-Dublin, Edu chegou na Irlanda em 2008, no ano pré-crise, pegou a nevasca de 2010 e comeu cérebro de cabra em Marrakesh. O Edu também é baterista da banda Irlandesa Medz.

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