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Alimentação

Comparando Brasil e Irlanda Parte 2: O excesso

postou em 13 mai 2009

Em continuação ao post anterior, o qual comparei a educação no Brasil e na Irlanda, vou falar de um outro detalhe que me chamou atenção:

O uso excessivo de “ítens” em casa (que chamamos aqui de furniture).

Reparei isso pela primeira vez assim que cheguei, e minha mãe fez um almoço especialíssimo pra mim: arroz, feijão, polenta, bife acebolado e salada.

Além de ser um prato que adoro, teve todo o carinho e talento que só as mães sabem fazer.

Deixando um pouco a parte emocional de lado, vi que nessa brincadeira do almoço, onde só estavam minha mãe, meu irmão e eu, foram utilizadas: 4 panelas, 1 frigideira, umas 6 colheres, 6 garfos, 8 facas e mais pelo menos uns 8 pratos.

Contando fica absurdo, mas na hora voce nem repara: prato pra colocar a salada, outro prato pra colocar os bifes, garfo pra pegar a salada, colher pra arroz, concha para feijão, outro garfo pra polenta, etc, etc.

Colocando em comparação aqui, nesse cenário eu não teria talheres suficientes para 3 pessoas.

Po Edu, mas voce mora sozinho e nem se compara

Como assim sozinho? São 3 pessoas aqui em casa. No Brasil são duas: minha mãe e meu irmão. Será que era necessário ter usado essa quantidade de talheres? Lembrando que isso gera mais trabalho pra limpar.

Eletrodomésticos. Lá em casa tem 3 televisões. Uma não funciona, outra só pega 1 canal pois não tem antena, e a da sala é a única que está 100%.

Porque não jogar fora ou doar as outras 2 televisões? Na minha visão, no Brasil temos a impressão de que estamos “jogando dinheiro fora” ao jogar um eletrodoméstico no lixo.

Aqui, se você for em um centro de reciclagem, vai encontrar computadores, televisões, rádios e vários outros eletrodomésticos que eram desnecessários e foram “jogados fora”.

Isso ajuda a manter a casa organizada e funcional.

Além de eletrodomésticos, vários outros ítens podem ser mencionados como “desnecessários” em uma casa de 2 pessoas: 3 rádios, 12 toalhas de banho, 3 guarda-roupas enormes além das cómodas. Precisa de tudo isso mesmo?

Lembro que alguém mencionou a história de um americano que prometeu a si mesmo viver com o mínimo necessário: 2 pares de calcados, 2 calcas jeans, etc, etc.

Claro que não quero colocar os extremos aqui, mas se pensarmos bem, temos uma mania de guardar coisas ou de ter coisas em excesso com a desculpa de “ah, isso é importante” ou “é uma lembrança de 1893, não posso desfazer” ou “ah, vai que chega um comboio de visitas”

Nao vou levantar a questão dos “ítens” emocionais, afinal de contas, faz parte da vida de cada um querer guardar o que quiser. Por outro lado, coisas que são meramente funcionais (TV, geladeira, rádio, roupas, etc) ainda são desnecessariamente guardadas em casa (pelo menos na de muitos que conheco).

Que levante a a mão aquele que não tem um “quartinho/cantinho da bagunça” onde ficam entulhadas todas essas coisas que falei :)

Discorda? Deixe seu comentário com seus pontos.

Sobre o Autor


Fundador e CEO do E-Dublin, Edu chegou na Irlanda em 2008, no ano pré-crise, pegou a nevasca de 2010 e comeu cérebro de cabra em Marrakesh. O Edu também é baterista da banda Irlandesa Medz.

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