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Cultura

Cuidado ao burlar as regras na Irlanda

Colaborador E-Dublin postou em 04 dez 2017

Morar em outro país também significa estar atento às leis e normas de conduta da cultura local. A Irlanda é um país historicamente conservador, com qualidade de vida acima da média e onde as coisas no geral costumam funcionar – isso inclui baixo nível de corrupção.

Segundo dados do Índice de Percepção de Corrupção (IPC), da organização não governamental Transparência Internacional (2016), a Irlanda pontua no top 20 dos países menos corruptos do mundo. Já o nosso Brasil varonil, aparece na 79º posição, na lista de 176 países – o que não é de se estranhar, principalmente no atual cenário político e moral que estamos atravessando.

Para conhecer os países mais e menos corruptos acesse o link. http://www.transparency.org/cpi2016.

Para conhecer os países mais e menos corruptos acesse o link. http://www.transparency.org/

Ao contrário do Brasil, questões como fiscalização e respeito às normas são levadas muito a sério na Ilha Esmeralda e malandragens tidas como banais no Brasil, aqui podem ser levadas para outras esferas, incluindo prisão e deportação. Com a comunidade brasileira não para de crescer por aqui, neste texto vamos citar alguns comportamentos que já aparecem visivelmente entre nossos conterrâneos em solo esverdeado.

O famoso “gatonet”

Uma das situações mais corriqueiras no Brasil é não pagar pelo serviço de TV à cabo e fazer o conhecido “gato” para ter acesso aos canais. Na Irlanda, além de pagar pela TV à cabo, você também tem de arcar com uma licença de uso do seu aparelho (160 euros por ano). Se o fiscal aparecer e a taxa não estiver paga, a multa pode chegar a 2000 euros.

Sabe aquele amigo do Detran?

Aquele seu amigo do Detran ficou no Brasil. Na Irlanda esse jeitinho não existe. Fonte: © Afxhome | Dreamstime

Aquele seu amigo do Detran ficou no Brasil. Na Irlanda esse jeitinho não existe. Fonte: © Afxhome | Dreamstime

Outra ocorrência comum é a tentativa de infringir as leis de trânsito, e isso também ocorre entre os brasileiros na Irlanda. O hábito de recorrer a um amigo que trabalha no Detran não vai funcionar por aqui e, além de multas altas, você corre o risco de perder o direito de dirigir. Sabe aquela história de passar os pontos para a carteira da sua bisavó que não dirige há duas décadas? Esqueça!

Vale lembrar que a nossa carta de habilitação no Brasil vale por um ano aqui na Irlanda. Para quem pretende dirigir após esse período, deve tirar a habilitação irlandesa.

Learner Driver

E falando em conduzir por aqui, o “Learner Driving Permit”, que equivalente à nossa permissão provisória para dirigir no Brasil, permite que você dirija, mas deve haver sempre uma pessoa com habilitação definitiva dentro do carro, além do adesivo com o L (Learner) estar sempre visível no veículo.

Burlar essa regra, não expondo o L, ou dirigindo sem a segunda pessoa, custará uma multa de 80 euros, além da possibilidade de perder 2 pontos na carteira.

Desde 2014, os condutores recém-qualificados precisam exibir a placa N (novice) – para novatos – também por dois anos após o L. Assim, com essas medidas, se forem acumulados seis pontos de penalização, os motoristas N serão banidos por seis meses. 

A penalização para as infrações e aplicação dos pontos é mais rígida com os novatos. Se você descumprir o “novo” sistema, terá dois pontos acumulados na licença e uma multa de até € 1.000. 

E seu eu fingir que tenho os 3 mil euros?

A exigência dos 3mil euros existe para proteger o próprio estudante. Fonte: © Delstudio | Dreamstime

A exigência dos 3mil euros existe para proteger o próprio estudante. Fonte: © Delstudio | Dreamstime

No período em que novas regras para estudantes estrangeiros foram lançadas e o valor financeiro de 3000 euros foi inserido, não foram raras perguntas do tipo: E se eu pegar um dinheiro emprestado com meu tio, meu pai ou a vizinha da esquina, só para apresentar na imigração? Vou ter problema?

A exigência dos 3 mil euros para estudantes na Irlanda não é só uma simples regra. Ela está ligada a uma conta prática que visa proteger o próprio estudante. Esse valor seria o montante mínimo para manter um estudante no país por 6 meses, caso ele não consiga outro aporte financeiro durante o intercâmbio, como um trabalho de meio período.

Não tem cobrador! Pagar para quê, né?

© Bred2k8 | Dreamstime

© Bred2k8 | Dreamstime

Outra tentação pra muita gente aqui (e isso também inclui os irlandeses) é a de não pagar passagem no transporte público, principalmente no Luas. O fato também se repete em outros países da Europa. Como citado lá em cima, a fiscalização aqui funciona e numa dessas, além do constrangimento, a multa pode ser bem salgada. Em Dublin, ela custa 45 euros para o Luas. No caso de o espertinho tentar burlar a distância percorrida para pagar menos no ônibus, poderá ser multado em até 100 euros.  

Trabalhar mais horas que o permitido

Todo mundo sabe que a vida de estudante com apenas 20h de permissão de trabalho não é fácil, principalmente na Irlanda, por não ser um país barato. Mas essa é uma regra que sempre existiu. Chegar aqui e dar o truque básico de trabalhar mais horas, deixar de ir às aulas e pagar um dinheirinho pela attendance foi justamente o que culminou em regras mais duras aos intercambistas. Ou você acha que o governo decidiu limitar as 40h só em períodos específicos do ano por acaso?

Como muito bem citado pelo historiador brasileiro Leandro Karnal, o brasileiro tem o hábito de criticar o governo, as grandes mazelas em nosso país, mas quase sempre esquece das pequenas corrupções que cometem todos os dias.

É preciso lembrar que se em nosso país alguns desses comportamentos passam despercebidos por parecerem banalidades, ao menos no país alheio deveríamos obedecer às regras vigentes e, quem sabe, aprender e levar conosco modos melhores em nossa bagagem.

Imagens via Dreamstime
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