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Reflexões

Curiosidade – Os Irlandeses são grandes crianças da fazenda?

postou em 03 dez 2008

Essa impressão veio depois de passar alguns meses convivendo com Irlandeses na empresa que trabalhei. Irei generalizar com base na experiência que tive nessa empresa em que trabalhei, portanto, não tomem como verdade única, e sim como uma opinião.

Diferente dos vizinhos Ingleses, os Irlandeses parecem no geral, ser um povo muito mais do interior e informal do que o que estamos acostumados a ver até mesmo no Brasil.

Vou dar exemplos básicos e vocês poderão tirar as próprias conclusões:

1 – Um almoço/jantar chique. Aqui é sempre o mesmo: uma
Entrada: salmão defumado, ou alguma micro-salada.
Prato principal: bife Irlandês com batatas e vegetais ou frango com batata e vegetais.
Sobremesa: cheesecake ou “sonhos” e “carolinas” daqui.

Esse almoço é o que eu tinha com meu chefe naqueles dias que ele resolve pagar a conta no Badebec ou Ráscal.

2 – Festas de empresa. TODOS ficam bêbados. E com orgulho. Sim, na frente do chefe, com direito a tapinha na bunda. No dia seguinte, todos chegam atrasados ou fazem o pior (mas que parece ser bem tolerável aqui): Mandam email dizendo que estão doentes e não poderão comparecer para trabalhar. Home-office? Nem pensar, isso é coisa de Americano.

3 – Aproveitando essa de “doente”, nunca vi ficarem tão doentes aqui. Ok, é frio e a chance de pegar uma gripe aumenta, mas eu por exemplo, que sou um dos caras mais estragados, tenho rinite, como mal no almoço, estou acostumado com clima quente, venho trabalhar de bicicleta todo dia, deveria ao menos ficar gripado mais vezes do que eles.

Pois isso não acontece. São pelo menos 2 faltas por semana de funcionários “doentes”. Engraçado que é sempre em uma sexta ou segunda-feira.

3.1 – Ainda sobre faltar e ficar doente, geralmente fazemos o possível para marcar médico/dentista ou resolver coisas pessoais ANTES ou DEPOIS do expediente, ou quando não é possível, durante o horário de almoço.

Aqui, até agora só vi médicos/dentistas sendo marcados as 10, 11 da manhã (ou seja, meio período “perdido” de trabalho) e já vi pior: nego saindo 4 da tarde pra ir buscar a bicicleta no mecânico, e indo DIRETO PRA CASA! Com direito a aviso “Pessoal, estou indo buscar a bike, e na sequência vou pra casa”.

4 – As piadas. Parece piada, mas são aquelas do tipo “o que é isso na sua camisa?” e quando você olha eles levantam o dedo até o seu nariz fazendo “póóóóin…hahahaha”. Eu lembro de dar risada disso com 7 anos.

Ou brincadeiras de encostar. Odeio esse tipo de brincadeira (tipo aquelas que nosso tio faz, que coça seu ouvido ou aperta seu nariz).

5 – Reuniões com diretoria. Bom, tive o prazer de participar de várias reuniões com diretores da Danone, Nokia e até Universal Pictures aqui. Em NENHUMA houve aquela formalidade que estamos acostumados com reuniões do mesmo padrão no Brasil. A começar pelas piadinhas, gírias, perguntas pessoais (se você já conhece a pessoa e tem certa intimidade, tudo bem) e o pior: o ATRASO.

Nunca vi atrasarem tanto as reuniões aqui! São atrasos que as vezes beiram o absurdo: 40 minutos, 1 hora, 1:30 hora. É muita informalidade para uma reunião desse porte.

6 – Apresentando um projeto para um Diretor de uma empresa em uma manha de QUINTA-FEIRA e ele com cara amassada, olhos vermelhos e concordando com tudo projeto importante, de 3 meses). Aí no fim da reunião ainda ouço um

ainda bem que ele estava de ressaca, acabou aprovando tudo, rs“.

Eu perguntei (inocentemente de propósito) “sério? Eu achei que era só sono“… ainda me responderam

nada, normal isso, acontece direto com os bambambams aqui, eles sempre saem e de manhã estão sempre com ressaca“.

Oras, que diretor vai participar de uma reunião a qual ele é o decisor, com uma ressaca EXPLÍCITA? Já vi muitos que vão pra farra na noite anterior, mas nenhum está acabado no outro dia a ponto de percebermos nitidamente.

Posso estar sendo chato, ficando velho, workaholic mas estou falando de coisas da nossa vida corporativa, que apesar de tudo, são (ou deveriam) ser levadas a sério.

Trabalhei em outras multinacionais no Brasil, e esse tipo de coisa era inaceitável. Na Intel, 15 minutos de atraso com um Diretor é motivo de cancelamento da reunião. Quem dirá 40! Isso em uma cidade caótica como São Paulo, mas aqui, em uma cidade onde a maior distância é de 20 km, isso não deveria acontecer.

Por essas e outras que vejo os Irlandeses como grandes moleques. Moleques que gostam de brincar, se divertir e não levar as coisas tão a sério. Talvez deveríamos ser assim, talvez não. Falar que não leva a vida tão a sério pra mim tem outro significado. Por enquanto só vi essa informalidade aqui. Ou seja, mais um ponto pro Brasil (o outro ponto foi em relação ao sistema bancário).

Sobre o Autor


Fundador e CEO do E-Dublin, Edu chegou na Irlanda em 2008, no ano pré-crise, pegou a nevasca de 2010 e comeu cérebro de cabra em Marrakesh. O Edu também é baterista da banda Irlandesa Medz.

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