É possível fazer intercâmbio na Irlanda sem saber inglês?

É possível fazer intercâmbio na Irlanda sem saber inglês?

Colaborador E-Dublin

1 mês atrás

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Muita gente se pergunta se é possível fazer intercâmbio na Irlanda sem saber inglês. A resposta é sim, é perfeitamente possível fazer intercâmbio para aprender inglês do zero. Para ilustrar isso, convidamos a publicitária Alessandra Assis, que contou sua história de superação.

O exemplo de Alessandra, que assina este artigo, pode inspirar futuros intercambistas que se sentem inseguros de embarcar para um intercâmbio na Irlanda sem ter muito conhecimento da língua inglesa.

Confira o depoimento completo de Alessandra abaixo:

Como comecei meu intercâmbio sem saber nada de inglês?

A exigência da disciplina no ensino básico aumenta a pontuação no ranking de proficiência.@ Mohamad Faizal Ramli | Dreamstime

Chegar no intercâmbio na Irlanda sem saber inglês é perfeitamente normal. Foto: Mohamad Faizal Ramli | Dreamstime

A vida no Brasil não andava tão ruim. Tinha um emprego, um carro, uma casa, família e nas férias fazia uma viagem… Sim, eu tinha uma vida normal e estável na pátria amada.

Mas algumas coisas faziam com que eu não me sentisse muito bem, como ver meus colegas de trabalho sendo promovidos ou até mesmo trocando de emprego – e eu nunca conseguia, porque não tinha o bendito do inglês. Isso mesmo, não sabia uma só palavra!

Foi então que eu num ato de coragem, pensei: Vou fazer um intercâmbio, assim acabo com este problema de falar inglês de uma só vez!

Organizei tudo e quando me dei conta, pronto, já era o dia de embarcar para a Ilha Esmeralda e encarar os desafios de viver em um país com outro idioma e a cultura totalmente diferente da minha.

Saí do Brasil com o coração cheio de esperanças e uma vontade enorme de vencer mais esta etapa na minha vida.

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O começo de tudo sem nada de inglês

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Chegar para o intercâmbio na Irlanda sem saber inglês pode ser difícil, mas não é impossível. Imagem: CLP

O voo foi tranquilo, mas passei algumas dificuldades na imigração – ser interrogado e não saber do que se trata é um tanto quanto constrangedor, mas eu não podia fazer nada.

Não estava entendendo e não sabia responder, então sorri, peguei minha pastinha com toda a papelada, entreguei para o atendente e pensei Seja o que Deus quiser.

Ele ainda tentou fazer algumas perguntas e eu dizia com um inglês preso e sem graça “me desculpe, eu não sei falar inglês” – frase que eu tinha treinado antes de sair do Brasil. Finalmente ele me deixou em paz. Peguei mais um voo… Dublin, aqui estou!

O começo para mim foi complicado, mas nada que se diga impossível. Como Dublin tem muitos brasileiros, você não tem tantos problemas, pois vai ter algum colega para te ajudar, te dar informações, te auxiliar…

Enfim, para te dar uma mão nesse começo. Mas o que você tem que pensar que isso é só uma ajuda, um socorro. O seu foco não é depender dos brasileiros, mas sim aprender inglês.

Aos poucos a vida foi tomando rumo e eu consegui criar uma rotina, ia para a aula e dentro de mim vinha aquela vontade de colocar em prática tudo que eu sabia, mas não era tão simples assim.

Leia também: Existe emprego para brasileiro na Irlanda?

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Superando a vergonha de falar inglês

Crédito: Easyread

Muitas vezes a vergonha é uma barreira quando o brasileiro faz intercâmbio na Irlanda sem saber inglês. Crédito: Easyread

Para mim foi necessário aprender inglês e também engolir a vergonha de falar. Parece engraçado e contraditório, mas você sabe que está aprendendo, que vai falar errado e que as outras pessoas devem entender isso, só que é complicado domar a vergonha.

Passei por muitos momentos em que brasileiros me cobravam, me julgavam e me pressionavam para falar inglês. Passei por situações desagradáveis por não saber falar o idioma: às vezes pessoas me diziam “você não sabe falar porque não pratica”, e eu pensava, “Vou praticar o que? Acabei de chegar e estou aprendendo… cores, frutas, móveis, etc, eu não tenho vocabulário para conversar”.

Os meses foram passando, as aulas foram evoluindo, a vergonha foi diminuindo, os amigos gringos foram aparecendo e quando me dei conta já conseguia desenvolver um pequeno diálogo – ainda que com a voz meio embargada, gaguejando, falando errado, cometendo erros gramaticais, mas me comunicando.

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Comecei a trabalhar. E agora?

Networking é fundamental para o sucesso profissional no exterior. Crédito Rawpixelimages | Dreamstime

Muitas vezes é durante o trabalho que o intercambista irá começar a falar melhor o idioma. Crédito Rawpixelimages | Dreamstime

O tempo correu novamente, o emprego apareceu e aí não tive escolha, ou fala ou fala! Mais amigos gringos surgiram, mais aulas, mais vida e quando assustei novamente, já estava falando mais e mais.

Dizer que meu inglês é perfeito, isso não posso dizer. Ainda cometo muitas falhas e sei que ainda tenho muito que estudar, mas com toda a certeza eu afirmo que, comparando o meu tempo de intercâmbio com o mesmo tempo estudando em uma escola de inglês no Brasil, eu não estaria falando um terço do que falo hoje.

Aqui aprendi muito mais rápido e posso viver a cultura do lugar. Isso uma escola no Brasil não me ofereceria. Mesmo passando algumas dificuldades, mesmo me sentindo constrangida ou sabendo que a luta seria diária, nada tirou o sentimento de que eu iria conseguir.

Quando olho para trás e vejo que cheguei sem saber falar nem “Hello” e que hoje falo o que quero e o que preciso, me sinto muito feliz, orgulhosa e sei que fiz a escolha certa.

Eu não fui a primeira pessoa a sair do Brasil sem falar nada de inglês e também não serei a última. O que posso dizer é que se você tem vontade, tenha coragem e arrisque. O sucesso é garantido e a vitória é muito mais saborosa.

Alessandra Assis,

Mineira, publicitária e blogueira, enlouquecida por viagens e apaixonada por conhecer novas cultuaras. Descobriu no intercâmbio a mais diversificada forma de se conhecer. Trabalhou por muitos anos com marketing de relacionamento e hoje tem como profissão colocar seu Batom na Mala e contar em seu blog como é a vida fora do Brasil, como são suas viagens e um pouco da moda na Europa.

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