Economia na Irlanda: de país pobre à referência de desenvolvimento

Economia na Irlanda: de país pobre à referência de desenvolvimento

Colaborador E-Dublin

2 meses atrás

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A Irlanda é um país muito interessante para se estudar economicamente. A Ilha Esmeralda já passou por diversas transformações socioeconômicas ao decorrer do tempo, já que em meados do século XX era considerada “o país mais pobre do mundo rico” e no início dos anos 2000 se transformou no Tigre Celta (expressão que se refere ao período em que o país passou por um crescimento econômico real rápido, alimentado pelo investimento estrangeiro).

Durante a crise financeira de 2008, ergueu-se depois de um colapso econômico. Hoje, o país se tornou um polo de atração imigratório de muitos países do mundo, principalmente de brasileiros, latinos americanos e até mesmo europeus.

Mas por que a economia na Irlanda cresceu com os estrangeiros?

Economia na Irlanda cresceu com investimentos de empresas externas, como exemplo, a americana Google. Foto: Stephen Bergin/Unsplash

Os principais porquês desse fluxo imigratório para a Irlanda são bem conhecidos, tais como: aprender inglês, oportunidades de trabalho, país com boa localização na Europa, receptividade dos irlandeses, etc.

Contudo, ao se ter um olhar mais analítico sobre algumas características econômicas do país, é possível encontrar mais fatores que atraem pessoas do mundo todo e, além disso, ajuda a entender o desenvolvimento que o país vêm tendo em relação às questões econômicas e sociais – fundamentais para quem quer ser residente permanente na Irlanda.

Irlanda: 3º no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

Criado na década de 1990 pela Organização das Nações Unidas, o IDH é o principal indicador da qualidade de vida da população de um determinado local. Medido anualmente, o IDH vai de 0 a 1 – quanto maior, mais desenvolvido o país – e tem como base indicadores de saúde, educação e renda.

Em 2019, a Irlanda alcançou o IDH de 0,942 segundo último estudo divulgado pela Nações Unidas. A grande maioria dos países do continente Europeu apresentam IDHs elevados, fato esse que é consequência de planejamento e altos investimentos na área social durante décadas.

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Educação auxiliou a economia da Irlanda

Economia na Irlanda é destaque na Europa e no mundo. Foto: Christine Roy/Unsplash

A educação é um do fator importante para a Irlanda ter alcançado altos patamares econômicos atuais. A partir da década de 1960, o governo irlandês passou a investir fortemente na educação fundamental e superior. Tudo começou quando o governo tornou gratuitas as escolas e universidades, que antes eram pagas.

A estratégia ganhou força, com investimentos constantes para melhorar a qualidade do ensino. E hoje, as principais universidades vêm se especializando em oferecer recursos importantes para empresas nos setores de tecnologia da informação, farmacêutica e saúde.

Além disso, fatores demográficos do país também o beneficiaram, dado que na época a Irlanda apresentava uma população mais jovem e em crescimento (comparada aos outros países da Europa).

A grande oferta de capital humano qualificado foi uma das vantagens competitivas do país na estratégia de desenvolvimento dos últimos anos. Consequentemente, com pessoas mais escolarizadas, os trabalhadores são mais qualificados, e assim, os salários são mais altos.

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Economia na Irlanda: 3º no ranking do Índice de renda per capita

A Irlanda em 2019 ficou em terceiro lugar no ranking mundial de renda per capita. A Ilha Esmeralda apresentou o valor de $ 79.703. A renda per capita é um indicador econômico que permite o conhecimento do grau de desenvolvimento de um país.

Ele é calculado através do valor PIB (Produto Interno Bruto) dividido pelo número de habitantes – como o próprio nome já diz, é o total de riqueza produzida dividido “per capita”, ou seja, por cabeça. A renda per capita corresponde à renda média da população de um país em um determinado ano.

É comum observarmos que países desenvolvidos tenham nesse indicador, números bastante superiores em relação aos países menos desenvolvidos. No entanto, essa não é uma regra absoluta, pois podemos encontrar países com economias subdesenvolvidas e mesmo assim eles apresentam indicadores de renda altos.

De forma geral, como a Irlanda tem baixo nível concentração de renda (baixo Índice de GINI), a terceira colocação traduz a realidade já que o país apresenta alto grau de desenvolvimento, levando em conta o padrão e a qualidade de vida da população.

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Porque o PIB irlandês é alto?

Altas taxas de crescimento no PIB tornaram a economia na Irlanda uma potência. Foto: Robert Anasch/Unsplash

O fator principal da boa colocação neste ranking é que devido à altas taxas de crescimento do PIB irlandês, elas são relativamente altas comparadas com o número total de habitantes da ilha.

A principal razão para esse fato é que nos últimos anos, devido a baixas taxas de imposto sobre corporações, várias grandes empresas multinacionais voltaram suas atividades econômicas e propriedade intelectual para a Irlanda.

Como resultado, as vendas (produção) geradas a partir do uso da propriedade intelectual agora contribuem para o PIB irlandês e não para o PIB de outros países. Dado o tamanho dessas empresas que foram para a Irlanda (como Google, Apple, Facebook e LinkedIn), o aumento do crescimento do PIB também foi alto.

Estes fatores são particularmente atrativos para quem busca melhor qualidade de vida, com melhores salários e oportunidades de trabalhar nas maiores multinacionais do mundo.

Irlanda: 10ª no ranking do Índice de GINI

Atualmente o Índice de GINI (ou Coeficiente de GINI) é um dos principais indicadores de desigualdade social utilizado para comparar os países do mundo. Os valores deste coeficiente são representados entre 0 e 1, em que quanto mais próximo de zero menor é a desigualdade social – sendo igual a um, a desigualdade atinge o seu máximo.

A principal vantagem do índice de Gini é a sua capacidade de mensurar a distribuição de renda, não cedendo às limitações de outros dados, como a renda per capita e IDH.

O coeficiente da Irlanda apresentado em 2019 é de 0,318, sendo classificado em 10º lugar no ranking mundial.

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Irlanda é a 6 no ranking de Índice de Liberdade Econômica

Economia da Irlanda está concentrada na capital Dublin, onde estão instaladas multinacionais de todo o mundo. Foto: Pxhere

O Índice de Liberdade Econômica mede a liberdade econômica de um país com base em 12 fatores quantitativos e qualitativos, agrupados em quatro categorias: Estado de Direito, Tamanho do Governo, Eficiência Regulatória, e Mercados Abertos.

Resumidamente, liberdade econômica é fundamental para ter uma sociedade livre, em que os indivíduos são livres para trabalhar, produzir, consumir e investir da maneira que quiserem. Nas sociedades economicamente livres, os governos permitem que o trabalho, o capital e os bens circulem livremente.

A liberdade econômica traz maior prosperidade para os países e este índice apresenta a relação positiva entre liberdade econômica e uma variedade de objetivos sociais e econômicos positivos.

Os ideais de liberdade econômica estão fortemente associados a sociedades mais saudáveis, ambientes mais limpos, maior riqueza per capita, desenvolvimento humano, democracia e eliminação da pobreza.

A pontuação de liberdade econômica da Irlanda é 80,9 (sendo 100 a pontuação máxima), tornando sua economia a 6ª mais livre no Índice de 2020. A economia irlandesa voltou a se destacar no ranking em 2018 e manteve essa classificação desde então.

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Economia na Irlanda: uma potência em transformação

Como pode-se observar, cada um dos indicadores apontados apresenta certas limitações que, ao se focar unicamente em apenas um deles, este pode não retratar a realidade do país.

Contudo, olhando mais amplamente para os indicadores em conjunto, a Irlanda apresenta boas colocações nos principais índices socioeconômicos mundiais, mostrando que o país de fato tem bons resultados econômicos que são refletidos no bem estar social de quem vive no país.

A pequena (mas potente) economia da Ilha Esmeralda vem se transformando em uma economia moderna baseada no livre comércio, investimento estrangeiro e crescimento. Não é à toa que a Irlanda acabou se tornando a segunda casa de muitos que pensam em ir para o país apenas para o intercâmbio, e acabam ficando por muito mais tempo.

Mariana Fernandes,

é formada em Administração de Empresas pela FEA USP. Especialista em finanças pessoais e empresariais, já fez intercâmbio na Irlanda e quer voltar a morar com os Leprechauns para sempre. Viajante do mundo, tem o sonho de poder impactar pessoas através do conhecimento. Durante a quarentena criou o blog de finanças pessoais para viajantes, o My Money Tree.

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