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Crônicas

Engole o choro e volte ao trabalho, querida!

Colaborador E-Dublin postou em 30 nov 2016

Por Marluce Lima

No momento mais busy do dia, uma brasileira não aguentou a pressão. As lágrimas saíram dos olhos dela de forma dolorosa. Em questão de segundos, passou um filme na cabeça. A família longe, a saudade, as dores nas pernas, o feijão da mãe, o calor do abraço da amiga de infância. Alguém que falasse a mesma língua…

A colega do leste europeu: “Os brasileiros são muito sentimentais!”

O brasileiro: “Eles são muito frios”.

Talvez exista um meio termo, uma linha tênue entre amores. Que existem para todos, mas são demonstrados de formas diferentes.

“Go back to work” seria o equivalente à minha mãe dizer: “Engole o choro”.

E eu engolia. Talvez era ela me ensinando a ser forte e a lidar com os poloneses um dia. Ou quem quer que fosse.

Ninguém falou que ia ser fácil, mas também ninguém contou o quanto difícil seria, às vezes.

O frio que contrai os músculos, o peso de tanto casaco na pele acostumada com roupas leves, o gosto da comida sem o mesmo tempero, o samba no pé que nem sempre funciona, as piadas incompreensíveis em outra língua.

A morte de alguém dentro da gente que aconteceu inesperadamente, e sem ressurreição.  Mas a vida de um novo ser. Que transcende a cada nova estação.

A cada inverno ultrapassado, um novo suspiro de um desafio é conquistado.

As despedias começam a ser menos dolorosas. Vamos nos tornando “frios”.

Então talvez não seja tão ruim ser frio.

Toda perda aqui é dolorida. Mas talvez seja a vida nos preparando.

Todos morremos sós.

Em um mundo gigante por fora. E por dentro.

Sobre a autora:
Marluce Lima estudou Recursos Humanos em São Paulo, porém caiu de gaiato na área Financeira sem saber fazer cálculos, até que resolveu achar o “x” da equação que faltava e então resolveu trocar a selva de pedra e fazer um check-in pelo mundo. Morando em Dublin por quase três anos, descobriu que ainda há muito o que ver por aí – e a escrever.

Revisado por Tarcísio Junior
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