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Cultura

Existe discriminação na Irlanda?

Caroline Rodrigues postou em 14 out 2016

Foto: Shutterstock

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Um dos principais receios de quem deseja viver em terras estrangeiras, seja por um longo ou curto período, é a discriminação, problema latente no mundo inteiro, e que faz parte do nosso cotidiano, inclusive no próprio Brasil.

Na Irlanda, uma das formas encontradas para se combater o crime é divulgar estatísticas das ocorrências, dando notoriedade aos dados coletados pelo governo por meio da Garda, polícia irlandesa. Isso ajuda a incentivar as vítimas a denunciar os casos, que não devem ser deixados de lado.

O relatório mais recente, publicado pela European Network Against Racism – ENAR Ireland, aponta o registro de 165 ocorrências na segunda metade de último ano (seis meses). A organização, que funciona de forma independente, avalia o número como alto e ainda considera a incidência maior de casos devido à subnotificação.

Entre os mais hostilizados, estão os africanos (33 casos), sul-asiáticos (20 casos) e brancos de outros países da Europa (18 casos).

Quem está aqui, vez ou outra ouve histórias sobre situações vexatórias, na maior parte das vezes não sabe onde fazer o registro da denúncia ou acredita que a notificação será perda de tempo.

Uma pessoa próxima me contou que foi fazer um bico como cleaner em um evento e ouviu o responsável falar de negros, repetindo mais de uma vez que “black people” não sabem fazer o serviço. O homem conversava com outro funcionário e demorou a perceber que ela, contratada por uma terceirizada, estava perto, ouvindo. “Eles estavam comentando sobre um grupo de africanos que estava junto conosco. Eu me senti extremamente constrangida e minha vontade era ir embora dali na mesma hora”.

1000 Words / Shutterstock.com

1000 Words / Shutterstock

Contraponto

Mas os dados não devem assustar os intercambistas que estão ou que querem vir para a Irlanda. Por ser uma cidade com grande número de estudantes, a mistura de nacionalidades – de todas as partes – é sempre grande. Alguns dias você consegue falar com alemães, franceses, angolanos, ingleses, americanos e italianos em menos de 24 horas.

A diversidade cultural nas ruas de Dublin é evidente nas primeiras passadas e nos afastam instantaneamente do medo da exclusão. O espaço é dividido por pessoas de diferentes nações e crenças.

O principal exemplo disso ocorre na região central da cidade, principalmente perto do prédio central do correio, onde encontramos o maior número de estrangeiros de vários grupos, sejam voluntários em prol dos desabrigados, muçulmanos, católicos e evangélicos, distribuindo panfletos e se colocando à disposição de quem queira saber mais sobre os costumes deles.

Ocorrências

A Rede Irlandesa contra o Racismo aconselha que as pessoas vítimas de racismo registrem a ocorrência na Garda, a polícia irlandesa.

Em caso de emergência, a vítima deve ligar para os números 112 ou 999.

Owen J Fitzpatrick / Shutterstock.com

Owen J Fitzpatrick / Shutterstock

Rede de proteção

Akidwa Migrant Womens Network
[email protected]/ 01-8349851

Crosscare
2 Sackville Place/ Dublin 1/ 8732844

Cultúr, Trim, Co. Meath
(046) 9093120/ [email protected]

Doras Luimni, Limerick
061 310 328/ [email protected]

The Integration Centre, Dublin
01 6453070 / [email protected]

The Immigrant Council of Ireland, Dublin
[email protected]/ Tel: 01 674 0200

The Jesuit Refugee Service:
Limerick – 061 480922 /Dublin – 01 1 8148644
[email protected]

The Irish Traveller Movement
01 6796577 / [email protected]

The Irish Refugee Council, Dublin
(01) 764 5854 / [email protected]

The Migrant Rights Centre, Dublin
01 889 7570 / [email protected]

NASC Immigrant Support Centre, Cork
021 450 3462 / [email protected]

The New Communities Partnership, Dublin
01 8727842 / [email protected]ties.ie

Offaly Traveller Movement
057 9352438 / [email protected]

Pavee Point Traveller and Roma Rights Centre
[email protected] / 01 8780255

Sobre o Autor


Caroline Rodrigues estudou Jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso e trabalhava em Cuiabá, onde perambulou por vários veículos de comunicação e assessorias de imprensa por 13 anos. Depois de tomar um café e conversar com amigos, achou que estava engaiolada e resolveu encarar um intercâmbio depois dos 30.

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