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Irlanda

Homofobia na Irlanda é uma realidade e está crescendo

Rubinho Vitti postou em 28 jun 2018

Casos de crime de ódio, incluindo a homofobia, estão crescendo na Irlanda. Isso é o que mostra a CSO (Central Statiscs Office).

Segundo os dados, de 2014 a 2016 esse tipo de agressão mais que dobrou no país. Recentemente, um casal homossexual – um brasileiro e um irlandês — foi agredido a pauladas por um grupo na cidade de Portlaoise, interior da Irlanda.

Mesmo com a aprovação do casamento gay, o apoio aos direitos LGBTs e sendo uma sociedade que prima pelos direitos de todos, a Irlanda parece não conseguir impedir que a homofobia circule por seus limites.

Mais de 300 ataques de ódio na Irlanda

Aumento no número de crimes de ódio, incluindo a homofobia, dobrou nos últimos anos. Foto: Ruletkka/Dreamstime

Aumento no número de crimes de ódio, incluindo a homofobia, dobrou nos últimos anos. Foto: Ruletkka/Dreamstime

“Mulher luta pela vida após ataque homofóbico”. “Garoto sofre fratura após briga: suspeita é homofobia”. “Jovem escreve mensagem homofóbica em muro de bar gay”.

Manchetes como estas pipocam constantemente nos jornais irlandeses. Todas as mencionadas acima foram publicadas na mesma semana.

Os últimos dados da CSO são de 2016 e somam 308 registros. Destes, 28 são casos de homofobia. Mas, assim como no Brasil, não existe uma lei específica que identifique homofobia como crime. Sendo assim, os números podem ser maiores. Existe até mesmo uma petição para que o combate e registro dos crimes de ódio sejam lei na Irlanda.

Casal de brasileiros sofreu agressão em junho

Casal gay foi agredido enquanto voltava para casa na cidade de Portlaoise. Foto: Aleksandra Milovic/Dreamstime

Casal gay foi agredido enquanto voltava para casa na cidade de Portlaoise. Foto: Aleksandra Milovic/Dreamstime

Um casal homossexual que preferiu não se identificar relatou um caso de violência ocorrido no dia 10 de junho que, segundo eles, foi motivado por homofobia.

O incidente ocorreu na cidade Portlaoise, onde vivem. “Estávamos voltando de um churrasco na casa de uma amiga nossa. Do nada, um grupo de quatro rapazes com bastões de madeira começaram a gritar de forma bem agressiva, a gente tentou ignorar e continuar caminhando, mas não adiantou. Eles vieram pra cima. Eu levei a primeira paulada nas costas e consegui correr. Já meu marido apanhou até cair inconsciente no chão”, disse o brasileiro que vive há três anos na Irlanda e conheceu seu marido há dois anos, com quem é casado há seis meses.

Segundo o rapaz, os agressores usaram termos pejorativos para ofendê-los, como faggot (bicha, viado), por isso ele acredita que a motivação foi homofóbica. Apesar disso, segundo eles, a Garda preferiu acreditar que a violência foi “gratuita”.

Sensação de insegurança

Homofobia ainda não é considerado crime na Irlanda. Foto: Kieran Li/Dreamstime

Homofobia ainda não é considerado crime na Irlanda. Foto: Kieran Li/Dreamstime

O brasileiro afirmou que depois do ocorrido ele está se sentindo do mesmo jeito que se sentia no Brasil. “Não consigo mais sair tranquilamente na rua sem ficar olhando para os lados e super preocupado em relação a tudo e a todos. Andar de mãos dadas com ele, não farei isso por um bom tempo”, ressaltou.

Para ele, a homofobia na Irlanda não é tratada do jeito que se deveria. “Só por causa do referendo que teve, onde a Irlanda foi um dos países com mais votos ‘sim’, não significa que não tenha homofobia. O povo tá escondendo demais.”

O E-Dublin já noticiou anteriormente sobre o aumento em casos de violência sexual na capital irlandesa e também nas mudanças ocorridas no país nos últimos anos.

Despesas médicas

A notícia da violência contra o casal tem ganhado repercussão pelo país. “A Garda não está fazendo nada sobre o assunto e os hospitais não estão querendo arcar com despesa nenhuma”, ressaltou o brasileiro.

“Por conta da gravidade da agressão, meu marido teve que ficar hospitalizado, pois sofreu fraturas na mandíbula e perdeu 4 dentes. Junto com a dor física, veio a depressão. Dentistas na Irlanda são extremamente caros e para o tratamento completo eles estão cobrando entre 7 a 8 mil euros. Seria maravilhoso se conseguíssemos pelo menos a metade disso”, disse.

Por isso, eles resolveram pedir o auxílio da população, fazendo uma “vaquinha online“.

Imagens via Dreamstime
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Sobre o Autor


Rubinho Vitti é jornalista de Piracicaba, SP. Vive em Dublin desde outubro de 2017. Foi editor e repórter nas áreas de cultura e entretenimento. Também é músico, canceriano e apaixonado por arte e cultura pop.

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