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Cultura

Host family e intercâmbio: Expectativa vs realidade

Andre Luis Cia postou em 04 jul 2016

Se tem uma coisa que entusiasma os intercambistas a caminho de um novo país, é a oportunidade de interagir diretamente com o povo local. Essa possibilidade pode surgir logo no fechamento do pacote de viagem, já que, junto com a escolha da escola, uma das opções para as primeiras semanas de acomodação quase sempre vem acompanhada do conforto de se imaginar desembarcando no destino escolhido e ser abraçado por uma família local, a famosa host family.P

Mas será que na prática é tudo lindo assim? Será que a sua “nova família” te receberá bem e te fará se sentir literalmente em casa?

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Crédito: Shutterstock

No caso da empresária Jéssyka Campeão, de 35 anos, quando ela chegou a Dublin, em 2008, ao lado do namorado Rômulo e de um amigo, o David, a sensação inicial foi de desconfiança diante de tantas novidades que a vida nova lhe reservava. Para ela, era a primeira vez em muitas coisas: Primeiro intercâmbio, primeira viagem internacional e contato com pessoas do mundo todo – sem contar o grande entrave de sua nova jornada, a barreira do idioma. “Eu não falava nenhuma palavra em inglês. Imagine chegar em um lugar totalmente diferente de sua casa e de sua rotina? Ao mesmo tempo que tudo era novidade, tinha a questão do medo sobre esse desconhecido”.

Jéssyka conta que quando comprou o pacote do curso de idioma no Brasil, ela nem imaginava que, ao chegar na Irlanda, teria que se separar do namorado temporariamente. “Era um pacote de seis meses, que incluía hospedagem por duas semanas em casa de família. Eu nunca imaginei que teria essa surpresa desagradável logo no início da minha estada no país. Eu tive que ir para uma família e ele para outra. Nunca imaginei ficar separada dele num país estranho e sem falar a língua”.

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A host family não foi uma experiência fácil para Jéssyka. Arquivo pessoal

Apesar do susto inicial, ela diz que tentou encarar tudo naturalmente, porque seria apenas por duas semanas, e como adorava crianças e na casa tinha um casal, ela tentou se adaptar à rotina deles e aproveitar aquele período para praticar o inglês diretamente, já que não teria como falar português com ninguém de sua moradia.

Tudo parecia contornável, até o momento que chegou a segunda estudante (vinda da Alemanha),  que seria acomodada assim como ela. “Eu não entendia nem o que ela e nem o que a família falavam. Foi um mês bastante complicado pra mim. Tudo o que eu precisava tinha que ser na base da mímica.”

Das situações inusitadas que ela vivenciou naquele período, sem dúvida, há uma que nunca irá esquecer. Ela nos conta que sua imunidade caiu e teve candidíase. Como tinha levado na bagagem Violeta Genciana – uma planta indicada como tratamento alternativo -, a proprietária de sua host family achou que ela usava drogas e ficou histérica. “Fora isso, ela não me ajudou em nada e não fez questão de ser simpática. Colocava comida na mesa e só me chamava para comer as sobras deles. Eu odiava ficar lá e passava o dia na rua e só voltava para tomar banho e dormir”.

Porém, nem sempre a experiência é tão traumática assim. Emanuela Amaral chegou à Irlanda em 2013, falava um pouco do idioma e por isso a comunicação com a família não foi tão traumática. Porém, apesar de ter tido uma experiência boa, ela cita que é clara a diferença entre a expectativa que se cria e a realidade.

“No final das contas, a host family nada mais é que um negócio. As escolas possuem uma grande demanda, as famílias possuem quartos de visitas disponíveis, então por que não unir as necessidades de ambas? No entanto, isso não significa que você será recebido como um filho no novo endereço.

Uma amiga minha, por exemplo, chegou a pensar que os seus novos irmãozinhos irlandeses iam dar aquela força nos primeiros dias de escola, porém, cada vez que ela tentava perguntar algo, alguém dizia ‘amanhã você pergunta na escola’. No final das contas, aquela ilusão de que no final de semana a host family ia te levar para te apresentar as belezas irlandesas ficaram mesmo só na vontade.”

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Crédito: Shutterstock

Especializada em Psicologia Intercultural, Ávany França acrescenta que questões culturais também devem ser levadas em consideração. Uma host family na África do Sul terá comportamento completamente diferente de uma família irlandesa ou da Noruega. No geral, os irlandeses, por exemplo, levam muito mais tempo para se relacionar com desconhecidos e mesmo um abraço de boas vindas pode ser uma tarefa difícil, já que a distância social compreendida no país é muito mais ampla que a que se pratica no Brasil. Já na África, um estudante pode até achar o welcome muito exagerado, quando na verdade representará apenas o entusiasmo natural do povo.

Em suma, o que o intercambista deve ter em mente é a oportunidade de observar essas diferenças culturais e acrescentá-las no seu diário de viagem, pois fazer intercâmbio é também descobrir que nem tudo no mundo tem a mesma conotação que vivenciamos em nosso país.

No entanto, se a família falhar com questões básicas assinadas em contrato, o estudante pode e deve entrar em contato com a agência e reportar o ocorrido.

Revisado por Tarcísio Junior
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Sobre o Autor


Jornalista com pós-graduação em Roteiro para TV e Cinema, é autor do livro Desejo de viver, que conta a história de luta, superação e de amor à vida de Eliete Gandolfi Cia, sua mãe, falecida em2015. Profissional com 18 anos de experiência na área de comunicação, incluindo a idealização, produção e escrita de duas séries de jornalismo internacional: sonho americano e sonho italiano, e atuação em diferentes veículos de mídia do Brasil, como redações de jornais impressos, assessorias de imprensa e TV, dentre outros.

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