É possível fazer intercâmbio aos 60 anos?

É possível fazer intercâmbio aos 60 anos?

Rubinho Vitti

5 meses atrás

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Viver em um país estrangeiro é diferente para cada um, mas, definitivamente, decidir morar fora do Brasil na terceira idade é bem mais raro de se ver e, muitas vezes, chega a ser até estigmatizado. Não para Edna Maria Vieira Alano, que decidiu fazer intercâmbio aos 60 anos.

Edna chegou à Ilha no dia 14 de fevereiro de 2020, pouco antes de começar a pandemia do novo coronavírus e às vésperas de completar 60. Ela contou sobre as dificuldades, o aprendizado e a força de vontade de viver em Dublin, a capital da Irlanda, como estudante de inglês.

Leia também: Intercâmbio na Irlanda: o guia definitivo (2020)

Intercâmbio aos 60 anos: a melhor idade

Edna narra sua trajetória de intercâmbio aos 60 anos na Irlanda. Foto: Acervo pessoal

Natural de São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul, Edna cresceu e viveu a maior parte de sua vida em Caxias do Sul, onde começou a trabalhar como telegrafista nos Correios, em 1986.

Hoje, divorciada, aposentada e com os dois filhos — Aline e Douglas — já criados, Edna resolveu começar estudar inglês e frequentou uma escola por dois anos ainda no Brasil.

Após a experiência de uma colega e de sua própria filha, que fizeram intercâmbio na Irlanda, ela também decidiu que escolheria Dublin para morar, estudar, trabalhar e viver por um tempo.

“Meus filhos sempre foram muito guerreiros. Sempre me espelhei neles. Eles me apoiam e ajudam. Me deram muita força e incentivo para eu vir fazer o intercâmbio”, disse Edna, ressaltando que foram Aline e Douglas que deram as passagens de presente para ela.

Intercâmbio: aos 60 anos, começando uma nova vida

Intercâmbio aos 60 anos: Edna estuda e trabalha em Dublin, na Irlanda. Foto: Acervo pessoal

“Fiz muitas amizades com os jovens e aprendo muito com eles. Acho os jovens brasileiros uns guerreiros e tenho muito orgulho deles.”

Mas guerreira mesmo é a Edna. Há três meses, ela trabalha como “cleaner” (auxiliar de limpeza) em uma universidade. Acorda 4h30 da madrugada, pega o ônibus às 5h20 e trabalha das 6h às 9h.

Meia hora depois do fim do expediente, ela começa as aulas de inglês, que agora são realizadas online. O curso segue até 13h15.

“Eu sempre fui de acordar cedo, mas aqui tem dias que tu pensa duas vezes antes de levantar por causa do frio. A minha maior dificuldade é aprender inglês. Eu acho que as aulas online não têm a mesma qualidade das aulas presenciais”, diz.

Leia também: Como é fazer intercâmbio depois dos 30 anos?

Mesmo com a rotina puxada e com as pedras no caminho, Edna não desiste de seu intercâmbio aos 60 anos. Seu visto expirou em setembro, quando ela supostamente voltaria ao Brasil, mas ela resolveu continuar na Irlanda e renovou.

“Meus filhos me deram muita força e disseram que eu fiquei mais jovem aqui”, brinca Edna.

Altos e baixos no intercâmbio aos 60

Garra aos 60 anos: Edna trabalha na Irlanda e estuda inglês. Foto: Acervo pessoal

A distância também é difícil quando Edna fala dos filhos, que estão longe. Aline, nutricionista e casada há 11 anos, está no Brasil. Douglas mora há 11 anos em Rochester, estado de Minnesota, nos Estados Unidos. Ele é médico e trabalha como gastroenterologista em um hospital.

Edna contou que Douglas, inclusive, escreveu uma carta para ela, que guarda e leva consigo para onde vai, com todo carinho. “Ele não sabe que guardo esta carta comigo. Ela é o meu incentivo.”

Com altos e baixos, aprendizados e dificuldades, Edna se orgulha de ter tomado a atitude de mudar de vida e fazer intercâmbio. Por isso, ela super recomenda o intercâmbio aos 60 anos ou mais na Irlanda.

“Eu destaco a aprendizagem com os jovens, o conhecimento de novas culturas, o aprender a compartilhar, a ter humildade, a valorizar as amizades.”

E a gente fica super orgulhoso de ver pessoas como a Edna e sua coragem! Tem uma história para contar? Mande para nós por meio deste link.

Leia também: Intercâmbio depois dos 40 anos. Eu não estou sozinho

Rubinho Vitti
Rubinho Vitti, Jornalista de Piracicaba, SP, vive em Dublin desde outubro de 2017. Foi editor e repórter nas áreas de cultura e entretenimento. Também é músico, canceriano e apaixonado por arte e cultura pop.

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