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Intercâmbio depois dos 30? E por que não?

Colaborador E-Dublin postou em 18 mai 2016

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Se antes fazer intercâmbio era coisa de adolescente ou recém-formados, hoje em dia essa realidade mudou bastante e os jovens intercambistas estão ficando cada vez mais “experientes”.  A carreira, o namoro, o casamento e mesmo filhos, não mais impedem a busca pelo desejo de uma experiência no exterior e encontrar estorias de trintões que largam tudo, botam a mochila nas costas e correm para realização de seus sonhos, são cada vez mais comuns.

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Assim fez Carlos Fernandes, 35, de Taubaté -SP. Como a empresa que trabalhava estava fechando as portas, ele viu a oportunidade de se aventurar no exterior bater a sua porta e mesmo tendo convite para assumir uma vaga em outro cidade, preferiu jogar tudo para o alto e voltar à vida de estudante. E assim, fez as malas com a namorada – que já havia morado em Dublin – e correu para realizar um sonho antigo: conhecer castelos medievais. “Quem tem mais que 30 anos sabe que certas oportunidades passam a serem únicas em nossas vidas. Era a hora certa, tudo se encaixou, minha família me apoiou. Tudo conspirava a favor”.

Mas, o desejo acompanha aqueles que também já viveram uma vida inteira, criaram filhos e então fizeram a mala.

Assim também fez jovem senhora Maria Ideni Tatsch Dias. Gaúcha de sorriso fácil, 58 anos e viúva, botou a mochila nas costas e voou pra cá para acompanhar a filha que se casou com um Irlandês e hoje tem residência fixa na Irlanda. Maria encara aulas de inglês e fotografia entre passeios e visitas à filha que mora próximo à capital. “Decidi vir porque minha filha mora aqui há mais de cinco anos. Me adaptei muito facilmente, pois não é muito diferente de como me criei”, diz, referindo-se ao ritmo de vida calmo e a qualidade de vida que a Ilha proporciona. Ela teve apoio de todos sobre sua decisão, então não pensou duas vezes antes de mergulhar em uma nova cultura.

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Maria Ideni Tatsch Dias Foto:Arquivo Pessoal

Saudades do sol, do calor e da culinária brasileira são constantes, mas é difícil encontrar alguém que se arrependa do vôo alçado. Carlos Fernandes volta ao Brasil com a sensação de dever cumprido. “Quando chegamos temos em mente muitas ideias, algumas delas se concretizam, outras não e muita coisa que você não havia planejado acaba acontecendo também. Em resumo, volto feliz”.  Já Maria Tatschi talvez alterne meses aqui em Dublin e outros no Brasil, entre ambos os filhos, mas se diz feliz morando aqui, entre parques e pubs.

Um dos textos mais populares publicados aqui no E-Dublin também serve de exemplo para quem ainda teme a idade na hora de fazer as malas e cair no mundo. A Rosangela, uma dessas personagens incansáveis, resolveu deixar o Brasil no auge dos seus 50 anos, bem vividos, bem viajados, já que possui mais de 80 carimbos no passaporte.

Na época, seu desejo era enviar o filho de 14 anos para que ele recebesse uma educação no exterior, mas no final da historia quem veio foi ela. Sim, a cinquentona desembarcou aqui cheia de entusiasmo como a maioria, procurou emprego como todos fazemos, dedicou-se as aulas, chorou, riu, divertiu-se e no final do período estipulado por ela voltou ao Brasil. E você pensa que ela parou por ai? Da última vez que ela passou por aqui para nos encher de força e coragem ela escreveu assim: “Hoje tenho 53 anos, uns pedaços de orgãos internos a menos, um filho de 17 anos maravilhoso, que continua repetindo de ano, e a mesma certeza de antes: com humildade, sem preconceitos, força de caráter e Deus, se quisermos, ainda vamos fazer intercâmbio com São Jorge e o Dragão, na Lua.

Precisa dizer mais alguma coisa? Então, você ai: Rosangelas, Eduardos, Marias, Joãos e Bernadetes, ou seja qual for o seu nome, lembrem-se: sonhos nós mantem vivos, alimentam a alma e nos fazem transpor muros altíssimos, muitos deles criados unicamente em nossas mentes, outros pela sociedade, mas uma coisa é certa, não há idade para acreditar em si mesmo e muito menos para se aventurar num intercâmbio!

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