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Papo de Chef

Intercâmbio: Um aprendizado muito além do idioma

Lays Gomes postou em 04 abr 2018

Algumas pessoas passam anos planejando o intercâmbio e esperando ansiosamente pelo o momento da mudança e acabam por não perceber que a mudança começa no momento em que você entra no avião na direção do desconhecido.

Seja por meio da novidade da nova rotina, dos desafios, por meio dos medos e das expectativas que se criam. Gosto de acreditar que não só o trabalho dentro da cozinha, mas qualquer trabalho exercido no exterior nos traz a chance de ver o mundo com outros olhos.

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No intercâmbio você passará a ver o mundo com outros olhos. Crédito: Shutterstock

Para não generalizar, vamos dizer que grande parte dos intercambistas na Irlanda acabam por trabalhar dentro de cozinhas. Sejam elas em hotéis, restaurantes ou em pubs. Como estudante, com pouco inglês e batalhando por um trabalho, provavelmente você irá se deparar com a função de Kitchen Porter, uma das mais comuns nas cozinhas irlandesas.

Como chef e atuando na minha área na Irlanda, eu descobri que o intercâmbio vai muito além da necessidade de aperfeiçoar a língua. A vivência toma outras proporções a cada dia e, no final, se descobre que o aprendizado é infinitamente maior.

Para quem já tem experiência na área como eu, o processo de adaptação pode ser mais difícil. Isso porque já chegamos com conceitos formados e às vezes alguns vícios de trabalho. A técnica usada no Brasil não é a mesma usada aqui, pratos elaborados de maneiras diferentes e ingredientes que para nós são inseparáveis, como feijão com arroz, para eles será tão bizarro quanto o guisado irlandês com coleslaw é para nós. No meio disso tudo, as emoções se misturam entre saber o que se está fazendo e se sentir completamente perdida.

Para os que não possuem nenhuma experiência na cozinha, a primeira impressão pode ser assustadora, pois às vezes parece ser impossível uma só pessoa lidar com tantas funções, manter a boa qualidade e tudo isso em um período de tempo geralmente curto. Mas acredite, é possível.

O que eu já aprendi até aqui, é que a vivência dentro de uma cozinha irlandesa tem me ensinado coisas que os muitos anos de estudo jamais me ensinariam e que certamente levarei para a vida toda. Autoconfiança, autoconhecimento, humildade e superação são apenas alguns aprendizados que hoje se destacam no meu dia a dia como chef e são eles que quero explorar nesta matéria.

Autoconhecimento

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Esteja aberto para o autoconhecimento que emergirá durante a sua experiência. Crédito: Shutterstock

Principalmente se você for kitchen porter, tenho certeza que irá passar a se conhecer melhor, pois provavelmente trabalhará horas em silêncio, concentrado e isso trará muito tempo para pensar e refletir sobre a própria vida. Se você for chef, estará colocando à prova todo o seu aprendizado e testando seus conceitos a cada dia trabalhado.

Autoconfiança

Sendo chef ou kitchen porter, é preciso saber muito bem o que se está fazendo, é preciso estar atento a todo momento e ter a certeza de que fez o seu melhor – e assim ficar com a cabeça tranquila. Você terá que provar a todo momento as suas habilidades, capacidades e determinação para se encaixar à nova rotina. Com o passar dos dias, você perceberá que os temores dos primeiros momentos se foram sem você ao menos perceber.

Humildade

Trabalhar em outro contexto é sinônimo de exposição, de ser questionado e testado a todo o momento. O ritmo é diferente, os hábitos são diferentes e até o preparo é diferente, então, inevitavelmente você estará mais exposto às críticas. Saber reconhecê-las e respeitá-las será algo imprescindível para te manter confiante. Dessa forma, com o tempo, o medo é superado e a humildade se torna a sua maior característica – e é ela que te ajudará a estar aberto ao aprendizado.

Tolerância

Para quem trabalha do lado de cá, as situações passam a ter outro sentido. Você certamente se tornará mais tolerante e a empatia passará a fazer parte de suas experiências. Quando você for em um restaurante como cliente e a comida demorar, antes de reclamar provavelmente irá observar se o salão está lotado e começará a questionar se não estão com falta de funcionários na cozinha. Um garçom que parece te atender “na obrigação”, sem muita simpatia, fará você refletir quantas vezes não teve que trabalhar sorrindo para os clientes, quando na verdade estava tendo um dia ruim. Um prato que veio faltando algum ingrediente que às vezes nem fará tanta diferença e que faria com que você reclamasse logo de primeira, agora fará você pensar duas vezes se vale a pena chatear o chef. Porque errar, todo mundo erra, e grande parte das pessoas hoje em dia está habituada a focar apenas nos erros, sem se colocar no lugar do outro. Obviamente, devemos saber diferençar quando o serviço é realmente ruim, mas eu garanto que após sentir na pele como é estar do outro lado, nossa mente irá sempre tentar nos colocar naquele lugar antes de nos fazer julgar. 

Superação

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Crédito: Shutterstock

Ah!!! Esse com certeza será o aprendizado mais grandioso durante a sua experiência! Porque quando a gente olha para trás e vê onde chegou, aí é que nos damos conta do quanto crescemos, aprendemos e melhoramos. É nessa hora que tudo faz sentido. Você perceberá que está se superando a cada dia, até o momento em que você perceberá que aquela pergunta lá dos primeiros dias, “O que eu estou fazendo aqui?”, já não aparece com frequência no seu diálogo.

Quando o seu chef, seja ele de cozinha ou em qualquer outra área de atuação, tecer um elogio sobre o seu trabalho, ou mesmo lembrar o quanto você evoluiu, aí você entende o tamanho das suas conquistas.

Também importante para tirar o melhor das oportunidades que o intercâmbio traz é, acima de tudo, ter muito amor pelo o que se faz. Muito foco em seu objetivo, especialmente se você pretende trabalhar na sua área de atuação. Muita energia, muito bom humor e mente aberta para a nova perspectiva de mundo que se abrirá diante dos seus olhos.

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Para saber mais sobre as aventuras culinárias da Lays basta segui-la no Facebook e YouTube.

Revisado por Tarcísio Junior
Imagens via Shutterstock
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Sobre o Autor


Nossa colunista gastronômica é uma mineira de 22 anos que sempre soube como correr atrás de seus objetivos. Apaixonada por viagem e gastronomia, ela tem muita energia e determinação para chegar onde quer. Cozinhar para os outros sempre foi uma inspiração e uma forma de demonstrar amor. Formada em Gastronomia, ela busca aprimorar suas habilidades e enriquecer seu conhecimento em cada canto do mundo que conseguir visitar.

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