Inverno na Irlanda: como gastar pouco

Inverno na Irlanda: como gastar pouco

Larissa Fontes

2 semanas atrás

Enquanto as temperaturas caem, as camadas de roupa aumentam. Os dias estão mais curtos, e é oficial: o inverno está chegando. Há quem diga que na Irlanda é inverno o ano todo, mas é depois de outubro que a brincadeira fica séria. 

Estima-se que irlandeses desembolsam cerca de 1.800 euros para manter a casa aquecida. Imagem: Pixabay

O país tropical onde fomos “abençoados por Deus” não nos permite experimentar as temperaturas negativas com tanta frequência. Logo, o susto ao passar o primeiro inverno irlandês é inevitável. Não só na pele, mas no bolso.

De acordo com o site Money Guide, que compila informações sobre preços e custo de vida na Irlanda, o valor médio cobrado por uma conta de energia de 4200 kWh é de 1.035 euros por ano. A informação é baseada nos dados da Electric Ireland, a principal fornecedora de energia elétrica do país. 

Ainda segundo o site, para se ter uma ideia mais clara, um apartamento com 2 quartos utiliza, em média, aproximadamente 5000 kWh, o que daria uma conta anual de 1.193 euros, ou seja, 199 euros a cada 2 meses. Isso sem contar o gás.

No inverno, a tendência é que esse valor dispare. Principalmente se você abusar dos aquecedores. Sejam eles de ventilação, sejam elétricos ou à base de óleo, os conhecidos “heaters” gastam, em média, 2500W por hora. O que implica, aproximadamente, 50 centavos de euro a mais a cada 60 minutos. Parece pouco, mas não é não, viu? 

Anota aí algumas dicas para se manter quentinho sem falir:  

Escolha o aquecedor certo e saiba usá-lo

Aquecedores podem ser o maior inimigo da conta de energia durante o inverno. Imagem: Pixabay

Segundo informações do Sustainable Energy Authority of Ireland, o SEAI, acredita-se que, em média, donos de casa gastam em torno de 1.800 euros aquecendo suas casas no inverno irlandês. O valor assustador faz a gente repensar antes de apertar o botãozinho do heater. Mas não precisa se desesperar. 

O aquecedor é, sim, um eletrodoméstico necessário nos meses mais frios. Dentro da infinidade de opções que existem disponíveis, é importante pesquisar quais puxam menos energia e qual é o tempo mínimo necessário para aquecer um quarto.

Na verdade, esses aquecedores devem ser sempre usados de forma pontual, quando o sistema central de aquecimento da casa não der conta. Mas sabemos que, aqui na Irlanda, as instalações são bem antigas e, muitas vezes, desprovidas desse sistema. 

Nesse caso, acredita-se que uma boa opção seja o Fan Heater. Por meio de ventilação, é o que aquece o ambiente mais rápido gastando menos energia, de acordo com os especialistas do SEAI. 

Você pode encontrar no mercado e custa em torno de 15 euros os mais simples e até 100 euros os mais sofisticados. Vale avisar que ele é um pouco barulhento em comparação aos outros aquecedores de quarto comuns na Irlanda, como é o caso dos aquecedores por convecção. Esses são mais potentes, mas são uns dos que mais puxam energia. 

Uma dica do SEAI é comprar os aparelhos com timer e termostato. O preço é geralmente mais caro do que os demais, mas eles ajudam a economizar energia a médio e longo prazos. Ainda segundo o órgão, é possível economizar 150 euros por ano só diminuindo um grau no termostato.

Leia também: Em apuros com o inverno europeu? Se ligue nessas dicas

Dê um fim nas correntes de ar frio e não deixe o ar quente sair 

O simples ato de vedar as portas pode ser decisivo para manter o quarto aquecido sem gastar muito. Imagem: Pixabay

É aqui que tá o pulo do gato. É muito comum o quarto congelar poucos minutos depois de desligar o aquecedor. E aí o próximo passo é ligar o aquecedor novamente e ver nossos eurinhos indo embora. Se isso estiver acontecendo com você, observe se o ambiente está devidamente vedado. Sabemos que o ideal seria que todas as casas fossem revestidas por um isolamento térmico e vidros duplos nas janelas para não permitir a entrada do vento frio e a saída do calor. Porém, sabemos que não é bem assim.

Para ter uma ideia, é recomendado até que o buraquinho na porta por onde o carteiro entrega as correspondências seja vedado. A capa para a “letter-box” é vendida nos mercados por 10 euros. Nos quartos, veja se o espaço entre o chão e a porta é grande. Se sim, talvez seja bom comprar um “draught excluder”, um veda-porta. 

Você com certeza já viu um desses no Brasil, provavelmente de tecido e formato de cobra, acertei?  A diferença é que lá usamos para não deixar entrar barata em casa. Aqui, os irlandeses usam para não deixar o precioso (e caro) ar quente sair do quarto. Você pode encontrar os mais simples por 10 euros, feitos de alumínio e borracha, ou os estampadinhos de tecido por mais ou menos 30 euros.

E tem mais buraco que precisa ser tapado. Se a sua casa tem lareira, verifique a chaminé. Todo o ar quente gerado pelos aquecedores tende a subir e, muitas vezes, sai por lá. Se isso estiver acontecendo na sua casa, a solução é adquirir o “chimney ballon”, um balãozinho que bloqueia a entrada e saída do ar.

Incentivos das companhias e do governo irlandês

Já contamos aqui que trocar de fornecedora, de tempos em tempos, pode ser excelente pro seu bolso, já que a maioria das companhias de energia elétrica oferece descontos significativos pros novos clientes. 

Outra dica é aplicar para o Better Energy Homes grant, uma ajuda do SEAI para incentivar que as casas irlandesas sejam mais sustentáveis. Segundo informações do órgão,  mais de 400.000 casas já fazem parte do esquema. A medida promove, a longo prazo, a diminuição das contas de energia, da emissão de gases poluentes e, consequentemente, da taxa de imposto paga por isso. Sem contar que a casa vai ficar sempre quentinha. 

Algumas companhias também oferecem incentivos para quem topar o desafio, por meio de descontos na conta de energia, desde que contratem os profissionais da empresa para realizarem o serviço, como é o caso da Electric Ireland. Confira o check-list e converse com o seu landlord. 

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O guia completo do clima na Irlanda

Larissa Fontes,

Jornalista, geminiana e curiosa. Dona de uma mente inquieta num corpo semi-sedentário de 20 e poucos anos. Sobrevive à base de café, música alta e papos de boteco. (@larifontes_)

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