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Já pensou em morar em Bali na Indonésia?

Colaborador E-Dublin postou em 02 jul 2016

Por quê Bali?

Quem desembarca por aqui para responder a esta pergunta é o brasileiro Carlos Scheerer Pimentel, que após viver cinco anos em Berlim, decidiu partir em direção à Bali planejando ficar apenas 5 meses, mas pelo visto ainda não tem planos de voltar tão cedo!

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Crédito: Shutterstock

Clima

A primeira razão que nos levou a Bali foi a fuga de mais um inverno. Cada inverno na Alemanha trazia consigo diversos questionamentos e um deles era quantos ainda teríamos que suportar em Berlim. Por quanto tempo vai valer a pena passar metade do ano reclamando e aceitando o frio? Esse questionamento constante me levou a considerar Bali, onde a temperatura, durante todo o ano, varia entre 23 e 34ºC.

Custo de vida baixo

Os motivos financeiros também foram bastante atraentes, já que em Bali os euros que ganhei com o trabalho de arquiteto e inventor maluco poderiam durar muito mais antes de desaparecerem da minha conta bancária, porque, como de costume, dinheiro cedo ou tarde vai sumir da conta.

Calculei a cotação da taxa de câmbio e, realmente, com uma certa disciplina é possível ter gastos abaixo de 800 euros por mês de custo mensal para duas pessoas em Bali. Isso inclui aluguel de duas scooters, hospedagem, alimentação e custos com os vistos.

Sair da Roda de Hamster

A vida na cidade grande e os trabalhos que estávamos fazendo em Berlim não eram os nossos trabalhos dos sonhos. Percebemos que estávamos na típica “roda de hamster” – ganhando dinheiro com trabalhos que não gostávamos, pagando o aluguel e, no final, nunca sobrava dinheiro suficiente para viajar com mais frequência para o Brasil ou para curtir mais a Europa. A pressão financeira estava tirando o prazer e o sentido de estar em Berlim. Já não sabíamos mais quando seria possível nos dedicarmos aos nossos sonhos e projetos. Já não havia tanto espaço para a criatividade.

Todo o tempo estava sendo dedicado à vida rotineira, assim como acontece com muitos casais jovens nas cidades grandes. Nós víamos o tempo passando e os nossos projetos pessoais ficando cada vez mais distantes da realidade. Ter ido para Bali também serviu como um espaço onde podemos repensar o que queremos das nossas vidas profissionalmente e pessoalmente.

Contato com a natureza

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Crédito: Shutterstock

Uma cidade grande como Berlim oferece apenas os parques como opção de fuga para o mundo natural. Mas isso não estava mais sendo suficiente. Bali é muito mais natural e menos estruturada, oferece muito mais contato direto com a natureza e tem um ritmo mais lento do que a capital internacional da cultura e das festas inesquecíveis.

O Surf

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Crédito: Shutterstock

Além de tudo o que já mencionei até aqui, Bali também tem ondas de qualidade durante todo o ano – o sonho de qualquer surfista que esteve longe do mar durante alguns anos. É para lá que milhares de praticantes dessa modalidade são atraídos, causando um movimento migratório de surfistas de todo o mundo que cruzam oceanos e continentes para visitar a Meca do Surf.

O Hinduísmo

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Crédito: Shutterstock

Bali é majoritariamente Hindu e é possível perceber uma cultura muito mais baseada no respeito e com ambições mais espirituais do que materiais na população. As festividades, eventos e rituais religiosos fazem parte da vida dos balineses durante o ano todo. Diariamente, 3 vezes por dia, é possível inalar os cheiros dos incensos diversos, que são colocados nos altares e na frente das casas para os Deuses e antepassados. Os Hindus acreditam no Karma: bons pensamentos e boas ações aumentam o bom Karma e abreviam os ciclos de repetidas reencarnações necessárias para se tornar “o Todo”. Quanto mais boas ações, mais leve e melhor se torna o Karma e a alma aprende mais rápido a sabedoria necessária para finalmente se desligar da vida terrena.

Baixos índices de violência

A gentileza é uma regra básica para lidar com os balineses. Pessoas arrogantes ou agressivas, que falam gritando, podem ser ignoradas. A honra e a honestidade também têm uma grande importância, e eu já pude experienciar isso quando esqueci um microfone novo, que custa 200 euros (isso é muitas vezes o salário de um mês de um trabalhador comum) na frente de uma loja. Voltei 3 horas depois para recebê-lo carinhosamente das mãos de um funcionário.

Porém, apesar dos fatores religiosos que resultam em um comportamento pacífico e gentil, a polícia é bastante dura e condena estupradores, assassinos e traficantes de drogas. Em muitos casos, as penas são duríssimas, o que pode incluir muitos anos de detenção, castração e pena de morte. Os criminosos pensam duas vezes antes de fazer alguma coisa na Indonésia. As punições, em geral, têm o valor de fazer justiça e também servir de exemplo para qualquer um que esteja planejando cometer o mesmo crime.

Quem quiser saber mais sobre os detalhes por trás dos processos judiciais e presídios, sugiro a leitura do Hotel Kerobokan (Kathryn Bonella). É um livro interessante, com vários relatos sobre a vida no cárcere em Bali e revelações direto do submundo do crime na ilha.

Multiculturalidade e refúgio para empreendedores e nômades digitais

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Foto: Alexander Mazurkevich/ Shutterstock

Em Bali, encontramos diversas pessoas que saíram da Europa – e outros continentes – com histórias semelhantes: excesso de trabalho e pouco tempo para curtir a vida. Muitos encontram em Bali um refúgio para abaixar os custos de vida e ter, finalmente, a oportunidade de dedicar tempo aos projetos pessoais.

Além de surfistas e turistas, blogueiros, programadores, designers, professores de yoga, microempreendedores e também aposentados que desejam apenas relaxar, tomando uma água de coco ao observar o pôr do sol, fazem parte da comunidade internacional que povoa Bali durante períodos mais prolongados.

Também é possível notar que a cena digital está criando ambientes de trabalho e interação entre os nômades digitais. Coworking Spaces como Dojo Bali, Hubud, The Sanur Space, entre outros, são pontos de encontro para um público jovem, multicultural e moderno, que dá um novo significado ao que chamamos de trabalho.

Flexibilidade

A palavra-chave é a flexibilidade: Com um laptop e uma boa conexão, é só escolher onde, quando e quanto trabalhar a cada dia. As reuniões via Skype e o remote working estão se tornando cada vez mais comuns para essa nova geração de trabalhadores.

Trocamos as bicicletas e os subways pelas nossas scooters, a correria pelo ritmo mais lento, o frio e o cinza pelo calor tropical e pelas ondas. Reduzimos o tempo dedicado aos trabalhos que não nos agradavam e estamos aumentando gradativamente o tempo de dedicação aos nossos projetos. Bali nos agradou tanto que acabamos por estender a nossa estadia para mais 6 meses, com o visto Social Visa, uma categoria de turismo/estudo, que pode ser convertido em visto de residência temporário.

Naturalmente sentimos falta dos amigos em Berlim, dos festivais de verão e de ter restaurantes do mundo todo em um raio de alcance de 10 minutos de bicicleta, na região de Neukölln e Kreuzberg. Mas, assim que chegar mais um inverno na Europa, com certeza estaremos de volta na Ilha dos Deuses!

Sobre o autor:
11Depois de cursar 2 anos de Geografia na Universidade Federal da Bahia e de ter trabalhado por um curto período na área de Cartografia no Instituto de Gestão de Águas e Clima em Salvador, Carlos Scheerer Pimentel mudou-se para Berlim, no final de 2010, e experimentou diversas profissões – desde vendedor de sorvete, aprendiz de marcenaria e agente de marketing até vendas para uma StartUp de cerveja artesanal. Atualmente trabalha em Bali como escritor, tradutor e oferecendo Voice Over para empresas alemãs que desejam conquistar  o mercado brasileiro.

Revisado por Tarcísio Junior
Imagens via Shutterstock
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