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Meu Intercâmbio

O intercâmbio me ensinou que a saudade é um sentimento bom

Colaborador E-Dublin postou em 22 jul 2017

Essa vontade de morar fora do Brasil de certa forma existe dentro de muitos de nós. Aí um dia a oportunidade bata na porta e você, sem refletir muito nem pedir muita opinião, resolve embarcar nessa e ir morar em outro país.

A empolgação e felicidade, depois da decisão de partir, surgem como um turbilhão. Entre comunicar sobre a viagem aos que te cercam e as festas de despedidas, churrascos e mais um milhão de coisas que acontecem ao mesmo tempo, vai surgindo aquele medo de tudo, do novo, do incerto, mas ao mesmo tempo aquela vontade louca de mergulhar de cabeça nessa aventura quase que sem volta – logo você perceberá que nunca mais será o mesmo.

Chega a semana da viagem e você começa a sentir um negócio diferente. Não é tristeza, pois você está feliz com a viagem; não é insegurança, pois você pesquisou tudo sobre o país, se organizou e está tudo em ordem; não é ansiedade, pois seus dias estão tão corridos com a organização que quase não dá nem tempo de ficar ansioso. Mas, esse sentimento continua lá, e se fará presente durante todo o intercâmbio. Algumas vezes de forma intensa, outras nem tanto assim.

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Crédito: Shutterstock

Foi já do lado de cá que eu descobri que aquela agonia boa – às vezes perturbadora – era a tal da SAUDADE. Sim, você vai sentir saudade daquilo que ainda nem deixou.

Ao chegar aqui, principalmente nos primeiros dias, com tantas novidades, vai batendo aquela saudade da família, amigos, do papagaio e até daquela vizinha que você esbarrava todos os dias no caminho do trabalho.

Daí você faz novas amigos: amigos que falam a mesma língua, outros que falam uma língua que você mal entende. E ela, a SAUDADE, vai se aquietando. Mas, quando você menos espera, ela volta para te lembrar dos sabores, dos cheiros, do paladar brasileiro, daquele doce de leite cremoso que você nem em sonho verá por aqui. Das frutas suculentas, da nossa comida bem temperada e da variedade de vegetais, que temos em fartura em nosso país.

Mas essa saudade louca de tudo isso faz você descobrir o mercado do polonês, as lojas dos indianos e tudo e qualquer possibilidade que te permita se aproximar dos sabores que ficaram pra trás. Mas é assim que você também descobre novos sabores. Vira fã dos restaurantes indianos, árabes e de tantas outras nacionalidades. E dessa forma, mais uma vez, a SAUDADE vai dando lugar às novas descobertas sem você perceber.

Nos dias mais difíceis, molhados, chuvosos e escuros, típicos da nossa querida Irlanda, a SAUDADE voltará a te cutucar. Aí vai surgindo aquela vontade louca de dias ensolarados, com menos vento, com menos chuva, aqueles dias que marcam 25°C… como seria ótimo! Mas você também descobre que um pulinho na Itália, na Espanha ou mesmo em Portugal, mesmo que por poucos dias, vai renovar a carência de vitamina D, assim como a energia boa de um bom dia de sol.

Sabe aqueles serviços que você até reclamava no Brasil? Acredite, até eles passarão pelo crivo da nossa companheira SAUDADE. Aquele garçom gente boa do bar que você sempre ia, o rápido entregador de pizza do bairro, um bom corte de cabelo, uma manicure decente, o pastel daquele feirante no domingo…

O fato é que a SAUDADE está presente o tempo todo quando não estamos mais em casa. Seja nos momentos felizes ou tristes, ela sempre dará um jeitinho de estar presente. Mas, o que eu também tenho aprendido nesse processo todo e sobre essa companheira que volta e meia da as caras, é que a SAUDADE é um sentimento bom.

Ela te faz lembrar do que é importante de verdade na vida. Das coisas simples, das pessoas… de ser grata, de recordar com carinho do que você já superou e abraçar o desconhecido. E tudo isso é bom. Porque, como eu disse lá em cima, esse é um caminho sem volta. Quando você estiver de volta, do lado de lá, ela, a SAUDADE, vai voltar a te lembrar de cada história, de cada momentos e dos desafios que você encarou do lado de cá.

Sobre a autora:
Paula damascenoPaula Damaceno é uma campineira que vive na Irlanda há 2 anos e trabalha na área financeira.

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