Poeta africano fala sobre racismo na Irlanda

Poeta africano fala sobre racismo na Irlanda

Rubinho Vitti

4 meses atrás

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Rapper, poeta e farmacêutico, Dagogo Hart já tem um histórico de conquistas na Irlanda em nove anos de residência. Vindo da Nigéria, mesmo com sua língua nativa sendo o inglês, ele enfrentou dificuldades por ser estrangeiro e negro. Apesar da história de sucesso, ele narrou momentos em que pode ser visto o racismo entremeado à boa hospitalidade tradicional da Irlanda. Afinal, será que há racismo na Ilha das Esmeraldas?

Dagogo Hart é nigeriano e se mudou para a Irlanda em 2010, aos 16 anos. Foto: Divulgação

Hart deu seu depoimento ao Irish Times. Ele trabalha como farmacêutico em Clondalkin ao mesmo tempo em que escreve seus poemas. Veio à Irlanda aos 16 anos, em 2010, com o sonho de ser médico.

Nascido na Nigéria, onde o principal idioma é o inglês, Hart mudou-se e, pouco depois de chegar, teve que fazer um teste para provar que sabia falar inglês. “Eu fiquei, tipo, essas pessoas estão falando sério? Se eu não falo inglês, não falo nenhum idioma, porque o inglês é o único idioma que eu falo. Mas eles nos fizeram fazer o IELTS (International English Language Testing System). Não é preciso muito para perceber que o inglês é a principal língua falada na Nigéria”, disse.

Hart teve o auxílio de uma bolsa de estudos a um grupo de nigerianos. Ele passou seu primeiro ano na cidade de Tralee, no condado de Kerry. “Havia um grande grupo de alunos. Andando de bicicleta até a escola, você via todos olhando para você e perguntando: ‘quem são eles?’.”

Hart se candidatou a estudar farmácia na University College Cork. Lá, começou a escrever canções de rap com alguns amigos que, ao longo do tempo, progrediram em seu interesse por poesia. Após concluir seu curso, Hart mudou-se para Dublin, onde passou seu ano de estágio trabalhando em farmácias. Na capital, ele encontrou um local que abrigava um coletivo, onde testou alguns de seus textos. Em 2018, ganhou o Africa Day, um prêmio a africanos de destaque na ilha.

“Dublin é muito diferente de Cork, é muito mais multicultural. Claro, existem algumas partes da cidade que ainda são muito irlandesas, mas, em outros lugares, você pode realmente ver a influência dessas diferentes culturas — de restaurantes, shows e música.”

O racismo é um problema na Irlanda, diz Hart. No entanto, nem sempre pode ser racionalizado como vindo de um lugar de ignorância. “Nem todas as pessoas são ignorantes. Elas entendem quem você é, mas simplesmente não querem que você esteja em seu país, é tão simples quanto isso. Eles acreditam que a cultura irlandesa deveria ser pura. Essas pessoas sabem exatamente o que estão fazendo.”

Ele reflete sobre uma experiência em que ouviu dois homens em um ônibus discutindo a imigração na Irlanda de forma preconceituosa. “Eles estavam dizendo que as pessoas deveriam falar inglês, e achei isso engraçado porque o inglês não é a língua da Irlanda, é irlandês. O inglês é uma língua estrangeira aqui, nunca ninguém lhe disse isso?”

Rubinho Vitti
Rubinho Vitti, Jornalista de Piracicaba, SP, vive em Dublin desde outubro de 2017. Foi editor e repórter nas áreas de cultura e entretenimento. Também é músico, canceriano e apaixonado por arte e cultura pop.

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