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Trabalho

Por que o termo “subemprego” incomoda tanto?

Ávany França postou em 29 fev 2016

Com tantos anos de E-Dublin, se tem um assunto que continua a intrigar é o desconforto de alguns quando uma matéria ou outra cita o termo SUBEMPREGO.
Afinal de contas, alguém teria uma explicação para tal?

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Crédito: Shutterstock

O tal do SUBEMPREGO até já foi tema de redação no ENEM, que na ocasião o classificava como:

“O subemprego é relacionado ao desemprego, pois ele surge quando pessoas sem nenhuma ou pouca formação profissional necessitam de trabalho e optam por empregos como diaristas, catadores de papel, entre outros. Assim, os subempregos quase que em sua totalidade oferecem baixas remunerações, o que resulta em baixa qualidade de vida aos subempregados, além de certa instabilidade com relação ao salário…” 

Um artigo do Salary.com enfatiza quais são os motivos para que uma pessoa aceite um trabalho aquém de suas qualificações e com cifras mais baixas. Entre eles, o autor cita um período de transição na vida, em que aquele trabalho temporário venha a beneficiá-lo no futuro, seja educacionalmente ou profissionalmente.

A NBC News Career também abordou o tema, citando que os empregos com menores salários sempre foram uma realidade na economia americana, e que quase sempre esteve relacionado com grandes mudanças na economia no país, especialmente em consequência da demanda. O artigo ressalta, ainda, o perfil dos profissionais que trabalham nesses setores: pessoas muito jovens, em busca do primeiro emprego, ou ainda pessoas que têm encontrado dificuldade em encontrar trabalho em sua área por longo período e acabam “agarrando o que aparece”. Um bom exemplo veio da mocinha com seu vestido lilás da foto abaixo. Malia Obama investiu no seu primeiro emprego e serviu cafezinho em um set de filmagens por algumas semanas, assim como muitos jovens de sua idade fazem. E, pelo visto, a filha de um dos homens mais influentes do mundo não parece ter se importado com sua primeira sub-posição de trabalho!

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Crédito: Shutterstock

O tema também foi mencionado no LinkedIn, onde a Consultora de Carreira, Margarete Soares, enfatiza os prós e contras dos SUBEMPREGOS, deixando claro que nem tudo são flores nesse tipo de posição, onde geralmente exige-se, muitas vezes, maior esforço físico, muitas horas de trabalho e renumeração mais baixa.

“One in 10 of all workers in the UK is now officially underemployed”

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Crédito: Shutterstock

A BBC usou em uma de suas matérias o termo Underemployment para mostrar que pelo menos 1 em cada 10 profissionais no Reino Unido trabalha em cargos abaixo de sua qualificação! E, inclusive, traz o relato de uma jovem graduada dizendo que, apesar de ter o sonho de trabalhar em sua área, os entraves são tantos que, enquanto a chance não chega, ela segue atuando em áreas aquém das suas qualificações.

Como podem observar, o tal do subemprego é tema recorrente em diversos canais, e de forma muito consistente. Em todas as materias citadas, assim como nas oportunidades em que utilizamos o termo aqui no E-Dublin, não se observa tom de depreciação dos trabalhadores dessa classe. Entretanto, alguns de nossos conterrâneos continuam se magoando quando utilizamos a tag “Subemprego”.

Então continuo a perguntar: Por que o termo incomoda tanta gente?

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Crédito: Shutterstock

Não seria por conta da discriminação do próprio indivíduo em não aceitar o fato de que o subemprego é, sobretudo, quando se está no exterior a primeira possibilidade de adentrar no mercado de trabalho? Ou mesmo uma estratégia para desviar o foco do fato de que grande maioria dos intercambistas uma hora ou outra terá que recorrer a essas posições de trabalho? Afinal, quem nunca ouviu por aí expressões carregadas de preconceito, do tipo “lavar muita latrina no exterior”?

E ao contrário do que afirmam alguns por aí, o termo é, sim, bem empregado e tem sido utilizado por conceituados veículos de comunicação. SUB-EMPREGO, sub-pago, sub-qualificado, sub-…, o próprio Aurélio pontua que o termo refere-se a elemento designativo de inferioridade, substituição, aproximação. Ou seja, um profissional graduado que esteja fazendo um trabalho abaixo de suas qualificações, está em uma situação de substituição, inferior à posição para qual está qualificado e, por isso, opta temporariamente por uma substituição no setor empregatício.

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Um médico, advogado ou publicitário que decidiu fazer intercâmbio para melhorar o inglês, certamente não poderá exercer as suas qualificações no país de acolhida, por motivos óbvios, e também terá que recorrer a um trabalho inferior ao que está qualificado a exercer se quiser ter um dindim extra para pagar as contas que, diga-se de passagem, não são nada baixas na Europa. Então, alguém me explica o por quê do melindre com relação ao emprego da palavra SUBEMPREGO?

Vale ressaltar, ainda, que as próprias condições do visto de estudante (Stamp 2) já pré-seleciona o intercambista para o subemprego. Com a autorização de trabalho de apenas 20h semanais, as possibilidades desse profissional conseguir um trabalho na área são mais limitadas, já que os empregadores procuram por profissionais que possam trabalhar full-time.

O mais curioso é que esse tipo de questionamento, mal-estar – ou sei lá como pode-se definir – não é comum entre os europeus e norte-americanos que fazem o chamado gap year (ou ano sabático) logo depois de concluir o colegial, para descobrir o que fazer em seguir na vida. E adivinha? São os mesmos SUBEMPREGOS que os mantêm na estrada até a hora de voltar para casa. Aproveite as oportunidades e não faça disso um big deal!

Revisado por Tarcisio Junior
Imagens via Shutterstock
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Sobre o Autor


Uma vida sem desafios não foi desenhada para essa baiana de Salvador. Jornalista por profissão, já passou por editorias de moda, gastronomia, história e turismo. Amante das viagens, coleciona mais de 50 destinos no passaporte. Quer saber mais? Corre porque até você terminar de ler esse perfil já terei alguma novidade.

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