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Cultura

Primeiro campo de concentração da Alemanha fica em Dachau

Rubinho Vitti postou em 09 ago 2018

Primeiro campo de concentração da Alemanha fica em Dachau

As viagens pela Europa são sempre acompanhadas por momentos únicos ao visitar alguns dos pontos turísticos mais conhecidos do mundo. Porém, a história nem sempre é feliz. Muitos países guardam memórias da guerra, seja em museus ou em locais onde, de fato, ocorreram barbaridades, e a Alemanha é um deles.

É quase automático pensar no campo Auschwitz, quando o tema circunda as atrocidades da Segunda Guerra Mundial. Porém, é a cerca de 30 minutos de Munich, na Alemanha, que se pode conhecer o primeiro campo de concentração da Alemanha nazista,  o Dachau Camp, erguido há 85 anos.

Campo era destino de presos políticos

Entrada do Memorial de Dachau, localizado cerca de 12 km da cidade de Munique. Foto: Ávany França

Entrada do Memorial de Dachau, o primeiro campo de concentração nazista da Alemanha, localizado a cerca de 12 km da cidade de Munique. Foto: Ávany França

Dachau foi criado em 10 de março de 1933, pouco mais de um mês após Adolf Hitler ter se tornado chanceler da Alemanha. Ele foi o modelo para outros campos construídos ao longo do período de regime nazista.

Ao menos 160 mil prisioneiros passaram pelo campo de Dachau. A maioria foi de presos políticos, seguidos de homossexuais, ciganos e testemunhas de Jeová.

Do total, registros apontam que 32 mil teriam morrido de doenças, desnutrição, cansaço físico ou execução. Outros muitos foram enviados para campos de extermínio na Polônia.

Terror, terror e mais terror

Fotos mostram como era a vida dos prisioneiros do primeiro campo de concentração da Alemanha. Foto: Ávany França

Fotos mostram como era a vida dos prisioneiros de Dachau, primeiro campo de concentração da Alemanha, localizado perto de Munique. Foto: Ávany França

O campo de Dachau ficou conhecido pelas inúmeras torturas praticadas contra os presos. Entre as piores, estavam os testes de médicos em cobaias humanas não-voluntárias.

Lá, foram realizados procedimentos para saber efeitos no corpo humano, por exemplo: aumento e redução da pressão atmosférica, congelamento, infecção de doenças como malária, efeitos colaterais de inúmeras drogas, além do processo de definhar ao ficar sem comida ou água. Um verdadeiro filme de terror real.

O que encontrar em Dachau?

Espaços aterrorisantes como os fornos para encineração de corpos podem ser vistos no Memorial de Dachau. Foto: Ávany França

Espaços aterrorizantes do campo de concentração nazista, na Alemanha, como os fornos para incineração de corpos, podem ser vistos no Memorial de Dachau. Foto: Ávany França

O campo de Dachau foi descoberto e libertado em 1945 pelos Estados Unidos. Na época, o grupo realizou inúmeras fotografias e vídeos, mostrando o horror do local em uma documentação crucial para divulgar ao mundo o que houve durante o regime nazista. Além de estar no local onde aconteceram os fatos, o visitante poderá conhecer parte deste acervo.

A exposição principal do memorial concentra-se no destino dos prisioneiros: como chegaram, como foram suas vidas dentro do campo e a morte ou libertação. Relatos escritos e desenhos dos prisioneiros também narram essas histórias.

Salas históricas foram preservadas

Salas do Memorial de Dachau estão preservadas e mostram crua realidade aos turistas. Foto: Ávany França

Salas do Memorial de Dachau, na Alemanha, estão preservadas e mostram a crua realidade do campo de concentração nazista aos turistas. Foto: Ávany França

A experiência da exposição começa justamente onde os prisioneiros eram forçados a entrar no campo de concentração. Remanescentes dos edifícios originais são destacados e explicados com detalhes e “in loco”.

Dois quartos são destaques: Schubraum e os banhos de prisioneiros. Ambas as salas eram de particular importância no procedimento degradante e brutal que os prisioneiros tinham de suportar ao chegar ao campo de concentração, onde se despiam e entregavam tudo o que lhes pertencia. Seus corpos eram completamente raspados e uma solução desinfetante era aplicada.

Por que visitar um campo de concentração?

Parte externa do campo de concentração de Dachau onde vivistantes podem sentir na pele a sensação de estar naquele lugar. Foto: Ávany França

Parte externa do campo de concentração de Dachau, na Alemanha, onde visitantes podem sentir na pele a sensação de estar naquele lugar. Foto: Ávany França

O terror do nazismo jamais pode ser esquecido, para que não aconteça novamente. Em muitos países da Europa existem museus que contam a história dos efeitos do nazismo em suas regiões, seja na Alemanha, na Polônia, seja na Holanda. Sempre são lembranças terríveis, em que a humanidade pagou um preço caro pela ganância e ódio de líderes e povos.

Quem já visitou um campo de concentração sabe que a sensação é uma das piores já existentes. Mesmo sendo “ruim”, do ponto de vista sensorial, a experiência leva à reflexão de como o passado pode estar presente no futuro mais do que a gente imagina.

É por esse motivo que eles seguem abertos e é importante conhecer, relembrar sempre e reconhecer qualquer vestígio de violência nos tempos atuais como forma de lutar para que as ideias de 80 anos atrás não voltem nunca mais.

Como chegar a partir de Munique?

Os turistas que visitam Munique podem ter acesso fácil ao memorial de Dachau, que fica a 12 km ao norte da cidade. A melhor maneira de viajar é de transporte público.

Embarcando no trem S2, na Estação Central de Munique (Hauptbahnhof) em direção a Petershausen, a viagem leva 25 minutos até a Estação de Dachau. Da estação, o ônibus
726, em direção a Saubachsiedlung, leva até a entrada do memorial. É indicado comprar um bilhete único para acesso ao trem e ao ônibus.

De carro, é possível acessar o memorial pelas estradas A8 e A9. Há estacionamento que pode ser gratuito ou custar de 3 a 5 euros, dependendo do mês de visitação.

O memorial fica aberto todos os dias, exceto 24 de dezembro, das 9h às 17h, sem necessidade de compra antecipada de ingresso para o acesso.

Sobre o Autor


Rubinho Vitti é jornalista de Piracicaba, SP. Vive em Dublin desde outubro de 2017. Foi editor e repórter nas áreas de cultura e entretenimento. Também é músico, canceriano e apaixonado por arte e cultura pop.

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