Temple Bar: o bairro mais popular de Dublin

Temple Bar: o bairro mais popular de Dublin

Rubinho Vitti

4 semanas atrás

Não poderia ser diferente. O coração de Dublin, capital da Irlanda, é festivo, animado, colorido, recheado de arte, música e, claro, pubs. Estamos falando do Temple Bar, o bairro mais famoso de Dublin e da própria ilha. Isso porque nele está localizado um dos bares mais antigos do país, o próprio Temple Bar, além de dezenas de lugares legais para ir.

A história do bairro deixa o local ainda mais interessante, que remete à era em que os Vikings dominavam a Irlanda, passando por altos e baixos até o século XX, quando ele foi redescoberto. Por isso mesmo, a dica é uma só: visite o Temple Bar.

O que fazer no Temple Bar?

The Oliver St. John Gogarty é um dos vários pubs com música tradicional irlandesa instalados no Temple Bar. Foto: Maguiss/Pixabay

Em 750 metros de extensão, entre as ruas Westmoreland Street e Fishamble Street, mais 190 metros, entre o rio Liffey e a Dame Street, há muita coisa para se fazer. Há galerias de arte, restaurantes de diversas nacionalidades, teatro, mercadinho de rua, lojas de produtos “indie” e roupas diferentonas, brechós, museus, cafés charmosos, clubes, casas de show, cinema alternativo e muito mais.

Para começar, os pubs mais tradicionais da ilha estão lá. Há dezenas deles espalhados pelos quarteirões do Temple Bar, inclusive o seu homônimo. Mas não é apenas um pub que se destaca dentro dessa porção de quarteirões localizados na área D2, centro de Dublin. São muitos!

Principais pubs do Temple Bar:

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The Temple Bar Pub

O verdadeiro cartão-postal do bairro Temple Bar é seu pub homônimo. Criado em 1840, ele ultrapassou todo o período decadente do bairro e sobrevive até hoje, sendo um dos pubs mais antigos de Dublin e da Irlanda.

Estamos falando de um estabelecimento que serve as melhores pints da Irlanda e tem uma programação musical tradicional irlandesa bastante extensa. Os músicos tocam instrumentos tipicamente irlandeses como violino, acordeão, bodhran, bandolim, banjo, “tin whistles” e “uilleann pipes”. As músicas vão da tradição celta, gaélica e bandas e cantores como The Dubliners, U2, Sinead O’Connor e The Cranberries.

Os shows ocorrem todos os dias em 20 sessões diárias, que começam à tarde e varam a madrugada. Desde 2002, o pub recebe o título de “Pub de música tradicional do ano”.

Whiskies da marca Temple Bar são premiados e integram um vasto menu da bebida no Temple Bar Pub. Foto: Tom Cleary/Unsplash

Outro prêmio que o Temple Bar pub sempre conquista é de melhor whiskey. Sim, a marca The Temple Bar Whiskey Company conquistou o World Whiskey Award em diversas categorias em 2019 e 2018.

Falando em whiskey, o Temple Bar tem mais de 450 tipos, muitos deles raros, e por isso mesmo é considerado o melhor bar para provar a bebida na Irlanda e um dos melhores do mundo.

Temple Bar: capital cultural de Dublin

Só de caminhar pelas ruas históricas do Temple Bar já é possível sentir o aroma de arte no ar. Isso porque as ruelas são cheias de grafites, arquitetura de bom gosto e buskers. Mas o bairro também é lar de muitos estabelecimentos que respiram cultura.

E se o Temple Bar é a capital cultural de Dublin, a Meeting House Square é o coração da arte do bairro. O local é uma espécie de praça com uma cobertura feita com grandes “guarda-chuvas” que são abertos quando há eventos realizados por lá.

As feirinhas que acontecem aos sábados são populares no espaço. Além disso, é por ali que ficam o National Photographic Archive e The Gallery of Photography, que realizam exibições e têm entrada gratuita.

Outro local popular e culturalíssimo é o Irish Film Institute (IFI), um cinema alternativo que exibe filmes fora do circuito comercial, principalmente estrangeiros. Ele também é palco do Dublin Film Festival, uma espécie de Oscar irlandês, que exibe e premia filmes locais e internacionais.

Em outra praça, bem ao centro do bairro, também há uma feirinha chamada Temple Bar Book Market, onde há venda de livros antigos, além de bijouteria, discos e outros artefatos.

Museu do rock homenageia músicos irlandeses

Museu do rock irlandês conta história de bandas como U2, Enya, Sinead O’Connor e Thin Lizzy. Foto: Divulgação

O Irish Rock N Roll Museum é outro ponto culturalíssimo dentro do Temple Bar. A história de bandas e artistas irlandeses está exposta em uma espécie de túnel do tempo. São recordações exclusivas de artistas como U2, Thin Lizzy, Sinead O’Connor e muito mais.

Para um país relativamente pequeno, a Irlanda teve uma lista impressionante de nomes icônicos da música rock e pop ao longo dos tempos. O museu conta essa história por meio de objetos, vídeos e experiências únicas. Um “wall of fame” fica no muro pelo lado de fora do museu, com fotos dos principais artistas irlandeses.

O museu fica colado ao Button Factory, casa de shows que recebe grandes artistas nacionais, internacionais e, até, brasileiros.

Teatros e casas de show

Olympia Theatre é um dos principais da Irlanda e fica no Temple Bar. Foto: Divulgação

Ainda no âmbito cultural, o Temple Bar é lar de grupos de teatro que também são espaços de apresentações. Eles estão entre os melhores da capital irlandesa.

Olympia Theatre

O Olympia Theatre hoje é palco de grandes shows musicais, além de peças de teatro e dança. O edifício foi inaugurado em 1879, mas teve uma reforma significativa em 1897, reabrindo como um teatro, “The Empire Palace”. Esse nome sobreviveu durante a Grande Guerra, a Revolta da Páscoa e viu a indústria do entretenimento mudar significativamente na Irlanda e no Reino Unido. Em 1923, o local teve outra reinvenção, dessa vez emergindo como The Olympia Theatre, apresentando drama, ópera, balé, além de filmes e eventos.

The New Theatre

Entre eles está o The New Theatre, que, além de ser uma companhia teatral, tem uma sala de apenas 68 lugares. A ideia é incentivar novos talentos e mostrar uma cena cultural em desenvolvimento na Irlanda.

Opera Theatre Company

O mesmo acontece com a Opera Theatre Company (OTC), que produz espetáculos de ópera há 30 anos no Temple Bar.

Project Arts Centre

Outro espaço cultural no Temple Bar é o Project Arts Centre, um centro para a apresentação e desenvolvimento de arte contemporânea, dedicado a proteger o setor independente e a nutrir a próxima geração de artistas irlandeses em todas as formas de artes cênicas e visuais.

Smock Alley Theatre

Criado para restaurar, restabelecer e manter o teatro na Irlanda, o Smock Alley Theatre está localizado na Exchange Street Dublin. Ele é disponibilizado para apresentação e aulas de teatro, música, dança e cinema. A política da casa é produzir teatro de alta qualidade, relevante, envolvente e acessível.

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O melhor da gastronomia no Temple Bar

Chicken Wings é um dos pratos irlandeses mais procurados em restaurantes tradicionais. Foto: Foodio/Dreamstime

Quem busca comer bem quando visita algum bairro novo, vai encontrar um sem-número de restaurantes no Temple Bar. São vários espaços gastronômicos de todos os tipos, da cozinha italiana à mexicana, dos “burgers” aos “tapas”, passando, é claro, pelo sabor brasileiro e o típico irish breakfast. Escolhemos cinco deles só para dar água na boca.

Mexico to Rome

O nome já diz que o restaurante faz um mix entre as cozinhas italiana e mexicana, não é mesmo? A combinação exótica produz um cardápio variado que vai das italianíssimas bruschettas às quesadillas a la México, do espaguete ao chilli con carne, e por aí vai.

Elephant & Castle

Já ouviu falar das famosas chicken wings ilrandesas? Pois bem! Nesse restaurante elas são ainda mais saborosas. Isso porque ele é famoso em oferecer as “asinhas de frango” com molhos especiais. Além disso, os hambúrgueres da casa também ganham o cliente à primeira mordida. Não à toa, o Elephant & Castle, aberto desde 1989, está sempre lotado.

Cleaver East

Alimentos irlandeses de qualidade são a “marca” do Cleaver East. Os pratos são feitos com produtos locais, e a especialidade da casa são os famosos “brunchs” (aquele momento entre o “breakfast” e o “lunch”). O ambiente aconchegante da casa também é a pedida para bons drinks.

Café Mineiro

Tem gastronomia brasileira no Temple Bar? Tem sim, senhor! Não só brasileira, mas mineira. O Café Mineiro é aquele restaurante para matar a saudade do Brasil. Além de pratos tipicamente verde-amarelos, tais como feijoada, bife à milanesa e feijão tropeiro, o restaurante vende coxinha, pastel, bolo de cenoura e Guaraná Antártica, além de uma variedade grande de pratos e produtos da nossa terrinha.

Shack Restaurant

Com mais de 20 anos de existência, Shack Restaurant oferece modernidade à conceituada gastronomia irlandesa. O amplo restaurante tem um menu variado com sopas, pratos com batata e “beef”, frango grelhado, “fish and chips”, “chicken wings”, ou seja, tudo que um irlandês mais adora.

A história do Temple Bar

Bairro começou a ser redesenhado a partir de 1991, quando uma instituição passou a coordenar sua evolução. Foto: Diogo Palhais/Unsplash

Não é porque o bairro é recheado de pubs que seu nome tem a ver com isso. Muito se engana aquele que pensar que o nome Temple Bar vem de “templo” e de “bar”. Ou uma tradução literal algo como “templo dos bares”. Nada disso.

Temple é o sobrenome de William. Sir William Temple. Renomado professor, filósofo e diplomata britânico, ele viveu na Irlanda no século 17, quando em 1609 foi nomeado reitor da Trinity College, em Dublin. Sua casa foi construída em uma área recém-recuperada, às margens do rio Liffey. O aterro era novo e possibilitava novos empreendimentos e construções.

“Barr”, em gaélico, significa justamente “banco de areia elevado”. Por isso, o aterro de William se tornou Temple Bar. O herdeiro do reitor, John Temple, tempos depois adquiriu outras áreas em volta da casa do seu pai e assim o bairro foi crescendo.

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Século XX: da desgraça ao sucesso

Sucesso entre turistas, Temple Bar é local tradicional para celebrar festas como o St. Patrick’s Day. Foto: Pxhere

Entre o século 18 e meados do século 20, o Temple Bar se tornou um bairro degradado no centro da cidade de Dublin. Honestamente, durante essa época, o local era bem inseguro e frequentado por pessoas não muito bem-intencionadas, digamos assim.

A área ficou com uma fama tão ruim que a ideia ali era uma boa parte do bairro se tornar uma estação de ônibus. Sim, nos anos 1980, o bairro poderia ter tomado um caminho completamente diferente. Porém, preços baratos e prédios vazios atraíram microempresários, principalmente artistas, lojistas e donos de restaurantes, com potencial para montar seus negócios, e uma esperança surgiu para o bairro.

Foi então que, em 1991, o estado irlandês se envolveu e criou uma empresa sem fins lucrativos para supervisionar o desenvolvimento futuro do Temple Bar, tornando-o um dos principais locais para visitação na Irlanda e em Dublin.

Área também foi dominada pelos Vikings

Agora que o nome Temple Bar já foi explicado, é preciso esclarecer o que era essa área em um tempo ainda mais antigo. Em 795 depois de Cristo, data considerada como o início da Primeira Era Viking na Irlanda, eles montaram acampamento no local.

Em 2011, arqueologistas encontraram ruínas de casas em escavações no centro do Temple Bar, provando a existência de um acampamento Viking na era Medieval da Irlanda. Foram duas antigas casas encontradas na Meeting House Square. Também foram encontrados pedaços de cerâmica utilizada na época. Acredita-se que o assentamento tenha sido construído em uma ilha do rio Poddle, no século 10 ou 11, antes de ser destruído por uma enchente.

Veja também

Tudo o que você precisa saber sobre os Pubs na Irlanda

Rubinho Vitti
Rubinho Vitti, Jornalista de Piracicaba, SP, vive em Dublin desde outubro de 2017. Foi editor e repórter nas áreas de cultura e entretenimento. Também é músico, canceriano e apaixonado por arte e cultura pop.

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