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Ter cidadania europeia resolverá todos os seus problemas?

Andre Luis Cia postou em 22 ago 2016

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Crédito: Shutterstock

Para quem sonha em viver na Europa, a conquista do passaporte europeu é o sonho a ser alcançado, já que ele te proporcionará muitos benefícios, principalmente o fato de poder morar legalmente e por tempo indeterminado em qualquer país membro da União Europeia. Mas essa não é a única vantagem.

» Com a cidadania é possível trabalhar full time, o que abre as portas para o mercado profissional;

» Gastar tubos com curso de idioma, seguro saúde, passagem de ida e volta? Não se preocupe! Você é um cidadão europeu;

» Depósito de 3 mil euros no banco? Relaxe!

» Gastar mais 300 euros com o cartão GNIB? O que é isso?

» Sabe aquela correria de resolver toda documentação no prazo de 30 dias? Não há. Como cidadão europeu, basta chegar no país de sua escolha.

No entanto, apesar dessas e outras vantagens, nem sempre entrar na Europa com o passaporte vermelho é sinal de vida tranquila e estabilidade. Sobretudo para quem, apesar do passaporte europeu, não possui a fluência no inglês. E é sobre essa limitação que o post de hoje vai falar. Convidamos três brasileiros com dupla cidadania e uma especialista em carreira internacional para ilustrar que, muitas vezes, ter a cidadania europeia não quer dizer que a vida do intercambista será menos desafiante que a de um não europeu.

A falta do inglês como a principal barreira

Esse é o caso da gaúcha Aline Girardi. Ela saiu há três meses de Porto Alegre junto com o marido Cristiano Garcia. Sua primeira opção era a Austrália, mas a burocracia do visto e o alto custo a desmotivaram. A Inglaterra também era uma opção, mas diante da possível saída do país da UE, seus planos foram direcionados para a Irlanda. “Optamos em vir para Dublin porque além de aprender inglês, também poderíamos viajar para outros países”.

Mesmo com cidadania, a falta de inglês tem sido um problema para Aline

Mesmo com cidadania, a falta de inglês tem sido um problema para Aline/ Créditos: Arquivo pessoal

Aline garante que o fato de não ser fluente em inglês está sendo tão difícil para ela quanto para muitos estudantes que não têm cidadania. “Estou tendo que fazer aulas particulares de inglês e também tenho aproveitado as gratuitas”. Aline explica, ainda, que mesmo tendo passaporte, ela não está 100% isenta das burocracias, já que ela continua tendo que abrir conta bancária. E para tê-la, é preciso comprovar residência no país, dentre outros.

A verdade é que com a pouca fluência, as dificuldades para se conseguir trabalho são grandes. Ela acredita e tem esperança de que com a melhora do inglês as coisas vão fluir, mas aconselha mesmo aos que tenham dupla cidadania, que só saiam do Brasil com um nível razoável do idioma. “Eu estou tendo que correr atrás de vários cursos para acelerar o inglês, e só depois tentar um trabalho, por isso recomendo: Não venham sem inglês”.

Pesquise muito e aprenda o idioma

Quando saí do Brasil, em junho deste ano, para retornar à Europa, mais especificamente para Dublin – já havia morado aqui em 2008 como estudante – , vim com esperança renovada, porque acreditava que desta vez, tendo cidadania italiana, tudo seria mais fácil, principalmente a conquista de um trabalho e a estabilidade financeira, que me dariam condições de viver mais tranquilamente nesta minha segunda passagem pelo país.

Ledo engano! Há dois meses em Dublin, tenho passado pelas mesmas dificuldades enfrentadas por um estudante que não domina o idioma. Apesar de ter permissão de trabalhar full time e em qualquer área, isso não me beneficia em nada se eu não tiver um bom nível de inglês, ou seja, eu nem passo pelos processos seletivos, e as oportunidades de trabalho são sempre no segmento dos “subempregos”, que não exigem um nível tão alto de inglês.

Então, meu conselho para quem conquistou o passaporte europeu é: opte por países com economia em crescimento e oportunidades, além de investir no idioma local, antes de sair do Brasil. Possuir pelo menos um domínio razoável do idioma facilitará e muito o acesso ao mercado de trabalho favorável a cidadãos europeus.

Vida nova na Itália

Felipe Civolani mudou-se para a Itália após a conquista da cidadania. Créditos: Arquivo pessoal

Felipe Civolani também decidiu mudar-se do Brasil para a Itália assim que conseguiu a sua cidadania. A tiracolo trouxe a mulher Anna. Ambos sabiam  que mesmo na Europa teriam que esperar dois anos para pedir cidadania por matrimônio- no Brasil, a espera é de três anos-. Até agora, poder viver legalmente tem sido a principal vantagem da cidadania. Desempregado, Civolani tem aproveitado o tempo livre para estudar e se aperfeiçoar em outras áreas.

Atualmente, mora na Comune di Brescia, região da Lombardia, já fez dois cursos gratuitos (assistente domiciliar e mercado de trabalho italiano) e se inscreveu para outros dois : barman e pizzaiolo. Graças à cidadania, ele tem acesso a cursos financiados pelo governo italiano. Apesar de ainda não ter uma situação perfeita na Itália, Civolani não se arrepende de sua decisão. “Tenho um sistema de saúde de qualidade gratuito. No Brasil, eu tinha que pagar um plano particular. O custo de vida aqui também não é diferente do que eu levava em São Paulo”.

Investir em uma carreira internacional exige preparação e direcionamento

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A coach de carreira Tana Storani ressalta: Considerar as ofertas de vagas e pesquisar destinos que atendam as suas necessidades são fundamentais para potencializar as vantagens da cidadania. Foto: Arquivo pessoal

Segundo a coach de carreira Tana Storani, especializada em expatriados brasileiros, “fazer o dever de casa” é imprescindível mesmo para quem tem cidadania europeia. Preparação, foco e um plano estruturado são alguns elementos que qualquer cidadão deveria levar em consideração ao sair do seu país. “Na Irlanda, o mercado para TI é potencial. Alguém com experiência nessa área e com cidadania, tem grande possibilidade de encontrar uma vaga mesmo sem sair do Brasil.

Porém, uma pessoa com cidadania e com conhecimentos em áreas como gastronomia e administração, por exemplo, certamente terá maior possibilidade de sucesso ao apostar em países como Itália, Espanha e Portugal, já que a barreira da língua será muito menos limitadora. A cidadania é apenas um dos fatores para ter sucesso profissional na Europa, mas não é tudo”, explica. Tana, que também é expert em Linkedin, lembra ainda que criar uma estratégia de ação é fundamental para ter sucesso no exterior.

Revisado por Tarcísio Junior
Imagem de capa via Shutterstock
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Sobre o Autor


Jornalista com pós-graduação em Roteiro para TV e Cinema, é autor do livro Desejo de viver, que conta a história de luta, superação e de amor à vida de Eliete Gandolfi Cia, sua mãe, falecida em2015. Profissional com 18 anos de experiência na área de comunicação, incluindo a idealização, produção e escrita de duas séries de jornalismo internacional: sonho americano e sonho italiano, e atuação em diferentes veículos de mídia do Brasil, como redações de jornais impressos, assessorias de imprensa e TV, dentre outros.

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