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Meu Intercâmbio

Trabalhando com enfermagem na Irlanda

Colaborador E-Dublin postou em 30 mai 2016

Existem muitos depoimentos de intercambistas aqui no E-Dublin contando sobre suas experiências com os chamados “subempregos”, já que encontrar trabalho na área como estudante de línguas é uma realidade pouco comum na Ilha Esmeralda. Ainda assim, cada vez mais encontramos relatos de outros brasileiros que chegaram lá e, na contramão da maioria, conseguiram entrar no mercado de trabalho em sua área. A paulista Aline Lima, que praticamente caiu na Irlanda de paraquedas, é uma dessas pessoas, e pode dizer de boca cheia: sim, eu sou estudante, brasileira e consegui trabalho na minha área na Irlanda!

Por Aline Cristina Pereira de Lima
Colaboração: Fabiano de Araujo

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Arquivo pessoal

Trabalhar na área de saúde é algo que me completa. Desde cedo, sabia que essa seria a profissão que eu iria seguir em minha vida. Prova disso foi que em 2004, eu me formei como auxiliar de enfermagem e logo em seguida entrei para a faculdade para fazer o Bacharelado em Enfermagem. Em 2008, me formei e não parei. Encarei, também, a Pós-Graduação em Docência do Ensino para Enfermeiros em 2013.

Trabalhei por 1 ano com home care e depois, por 5 anos, como funcionária pública em um programa de internação domiciliar, realizando procedimentos em domicilio para portadores de doenças crônicas, pessoas que se tornavam completamente acamados e, portanto, necessitavam de assistência, mas não necessariamente de uma internação em unidade Hospitalar.

Também em 2013, entrei no ambiente hospitalar trabalhando em Pronto Atendimento, principalmente na sala de Emergência. Após concluir a Pós-Graduação, comecei a ministrar aulas para estudantes do Ensino Técnico em Enfermagem, no início de 2014.

Ao retornar às salas de aulas para mais duas pós-graduações, observei o quão difícil estava para trabalhar em Enfermagem, com baixa oferta salarial e muitas exigências em relação a pós-graduações e vivência profissional. Tendo contato com inúmeros profissionais que já tentavam trabalhar na área e não conseguiam colocação no mercado, decidi tentar algo no exterior.

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Arquivo pessoal

Minha primeira opção era o Canadá, por ser um país que sempre busca mão de obra e porque também tinha uma conhecida realizando intercâmbio por lá na época – inclusive, ela trabalhava em uma escola de idiomas.

Comecei a me planejar, pedir uma licença na Prefeitura, vender o meu carro para levantar o dinheiro, separar documentação para conseguir o visto, e por aí vai. No decorrer desse processo, uma amiga se juntou aos meus planos, com a proposta de realizarmos a viagem juntas.

No entanto, ela não conseguia entrar em contato com a minha conhecida e isso gerou uma certa desconfiança com as propostas apresentadas. Certo dia, ela me ligou dizendo que tinha comprado o pacote de intercambio para a Irlanda e, inclusive, já havia fechado até a data de embarque.

Fiquei um pouco confusa e receosa em ter que trocar meus planos e decidir pela Irlanda, pois não sabia nada sobre o país e muito menos se conseguiria atingir os meus objetos. Por outro lado, eu estaria na Europa e aqui existem muitos países nos quais eu poderia pesquisar mais sobre a minha profissão como área de atuação. Conversei com meus pais, orei para Deus e resolvi encarar esse desafio.

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Arquivo pessoal

Ao receber a primeira proposta da agência de intercâmbio, eu pesei as vantagens e desvantagens. Sendo assim, decidi vir para cá. O plano inicial era de trabalhar em qualquer uma das inúmeras oportunidades dos “subempregos” que são oferecidos aqui e estudar muito o inglês para juntar uma grana a ponto de poder pagar uma nova especialização em minha área.

Logo que cheguei, conheci um amigo que me indicou para um trabalho de caregiver, em uma das muitas empresas de Senior Care (cuidador de idosos) que existem aqui na Irlanda. O Caregiver tem por objetivo oferecer o serviço de acompanhamento para idosos que possuem dificuldades em realizar tarefas do dia a dia, seja pela idade ou uma doença. O trabalho inclui ajuda para tomar banho, se vestir, preparar uma refeição ou ir ao mercado, nos casos mais simples. Em casos de pacientes cadeirantes ou acamados que demandam um pouco mais de auxílio, o procedimento é diferenciado e exige algumas informações técnicas. Após analisarem o meu currículo e verem as minhas qualificações, eu passei por uma entrevista e logo em seguida fui contratada.

Trabalho em plantões noturnos, não realizo procedimentos invasivos como no Brasil, mas os cuidados são bem parecidos com os que eu já realizava quando iniciei em Home Care. O cliente não tem necessidade de uma internação hospitalar, mas precisa de vigilância constante – ele apenas não quer deixar sua casa para ir morar em uma Nurse House, como são chamados as Instituições de longa permanência aqui.

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Arquivo pessoal

Sempre gostei de trabalhar com idosos e tenho a oportunidade de desenvolver meu conhecimento em inglês. O salário é um pouco acima do mínimo pago na Irlanda e suficiente para gastos mensais e alguns luxos.

É reconfortante trabalhar em algo que sempre me senti confortável e ter o respeito dos meus clientes. Outro fato curioso é que, ao trabalhar nessa área, acabo aprendendo um inglês mais técnico e mais direcionado à minha profissão, e isso tem ajudado muitos amigos brazucas que precisam passar por uma consulta com um GP (General Practitioner), o nosso clínico geral, uma vez que na Irlanda é quase impossível marcar consulta diretamente com um especialista.

Tudo que eu imaginava quando embarquei para a Ilha Esmeralda foi bem diferente, porém deu muito certo. O intercambio é assim, é uma aventura na qual as coisas podem mudar a qualquer momento.

Se você pretende realizar o seu intercambio e atuar na sua área de formação, sugiro que procure informações desde cedo – se possível, antes mesmo de começar a fechar com a agência de intercâmbio.

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Arquivo pessoal

É bom lembrar que muitas vezes só o reconhecimento de diplomas não é suficiente para que as portas se abram. O Inglês pesa bastante por aqui, além do temido teste IELTS, que é exigido em algumas profissões. Mas o desafio está lançado, basta agora você acreditar e encarar. Boa sorte!

A série Meu Intercâmbio conta com a colaboração do repórter Fabiano Araújo e tem o objetivo de dar oportunidade a estudantes que estão vivendo a experiência de intercâmbio na Irlanda, de contar suas histórias, alegrias e perrengues como intercambistas. Se você também quer compartilhar como tem sido a sua nova vida desse lado do globo, basta entrar em contato com: [email protected]

Revisado por Tarcísio Junior
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