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Um quarentão no intercâmbio aos olhos da sociedade

Colaborador E-Dublin postou em 01 fev 2017

Os desafios daqueles que decidem encarar o intercâmbio na maturidade

Em outros posts comentei sobre como foi a minha tomada de decisão para vir estudar na Irlanda, mas o que eu não comentei é como meus amigos e familiares receberam a notícia. E é sobre isso que vou falar hoje!

Fabiano de Araújo pronto para encarar o intercâmbio quase aos 40 anos. Foto: Arquivo Pessoal

Fabiano de Araújo pronto para encarar o intercâmbio quase aos 40 anos. Foto: Arquivo Pessoal

Se você já passou dos 30 anos e tem pensado em embarcar nessa história de intercâmbio, prepare-se! Lidar com a surpresa dos outros será o seu primeiro desafio pré-viagem! No meu caso, muitos não entenderam e tive que lidar com as mais diversas reações. Talvez o fato de eu ter decidido tudo muito rapidamente (três meses), não tenha dado tempo para as pessoas digerirem.

Teve muita gente que não viu com bons olhos, e outros só acreditaram de verdade quando eu já estava a caminho do aeroporto. Ainda hoje, depois de passados alguns meses da minha chegada, lembro-me da reação de todos. Para mim ficou muito claro que a surpresa maior era justamente por eu ter decidido realizar o intercâmbio com quase 40. Afinal, é fato que o intercâmbio é muito associado a garotada.

Mas se você pensa que as comparações terminam quando você deixa o Brasil, está muito enganado. Nos primeiros dias em Dublin vi muita gente abismado quando eu revelava a minha idade, e principalmente por ter largado tudo no Brasil para vir para a Europa estudar inglês. A surpresa ocorre tanto por parte dos brasileiros quanto dos nativos.

Prepare-se para os questionamentos

Os questionamentos não serão poucos. Foto:Arquivo Pessoal

Os questionamentos não serão poucos. Foto: Arquivo Pessoal

Está ai uma coisa que você terá que se acostumar ao achegar aqui, especialmente se você foge do perfil da maioria: os questionamentos! As pessoas não conseguem entender como uma pessoa com quase 40 anos, com trabalho fixo e vida estável, larga tudo para estudar em outro país. E no fundo é compreensível, uma vez que nossa vida aqui, na condição de estudante de línguas e imigrante, muda completamente.

Desde ter que se acostumar a viver em turma, a encarar as ofertas de empregos abaixo da nossa qualificação, passando pelo desafio diário da comunicação, já que muitos chegam aqui com inglês zero. É preciso, de fato, muita coragem e desprendimento para viver uma experiência assim e, principalmente, quando a sua situação no Brasil nem era tão ruim.

Por mais que você tente explicar que será só por um período temporário, e use o discurso do objetivo principal: “a busca pelo novo idioma”, eles não conseguem entender. Pior é quando os familiares ou amigos entram em contato querendo saber de sua nova vida e a gente prefere não comentar, devido aos problemas que só quem está realizando o intercâmbio consegue entender.

Se na juventude eu não tive coragem de fazer um intercâmbio, talvez por falta de conhecimento ou disponibilidades financeiras, agora que resolvi encarar confesso que a coragem deve ser redobrada. Como já disse em outros posts, o intercâmbio é moldado para os mais jovens e não para nós com mais idade e aos olhos de muitos, nosso tempo já passou.

Aprender com as diferenças

Fabiano já curtindo a Irlanda e claro uma boa Guinness. Foto:Arquivo Pessoal

Fabiano já curtindo a Irlanda e claro uma boa Guinness. Foto:Arquivo Pessoal

No decorrer dos meses, nas experiências vividas e principalmente nos problemas e desafios que o intercâmbio vai lhe apresentando, você por diversas vezes irá se perguntar: “Será que eu fiz a coisa certa?”

É complicado dividir espaço com pessoas estranhas, estudar uma nova língua com menos gás de absorção de conhecimento, se sujeitar a sub-empregos e ainda assim ser julgado por familiares, amigos e os nativos de onde você está vivendo no momento.

Essas situações nos fazem repensar, muitas vezes, as escolhas realizadas lá no passado e isso pode ser um divisor de águas para tomar coragem de seguir em frente ou jogar a toalha e voltar para casa.

De uma coisa eu tenho certeza, se o foco é o aprendizado de um novo idioma, mantenha isso sempre em primeiro lugar na mente pois os desafios são grandes e teremos de encará-los sozinhos e como adultos.

O lado positivo de ter mais idade

Mas nem tudo nessa jornada de questionamentos se resume à incompreensão. De certa forma, o fato de se ter mais idade também de traz benefícios e respeito. É muito engraçado, por exemplo, quando na sala de aula, em festas ou em outras tantas situações, você percebe que, no fundo, acaba virando um espelho para os mais jovens.

No fim das contas o que realmente importa é como vemos a nossa situação. Não podemos querer encarar um desafio como esse se baseando no que os outros vão pensar. Se for necessário trabalhar de “cleaner” por um tempo, mesmo que você seja o ex-gerente de produção de uma grande empresa ou que tenha vários cursos em seu currículo, posso te garantir que a experiência de estar aqui e vivenciar isso tudo é única. E, se me faltou coragem ou recursos na juventude, agora é a hora! É abraçar a coragem e viver cada dia com intensidade.

Todo o conhecimento absorvido nos meses que você estará realizando o seu intercâmbio será de crescimento pessoal e isso te dará um diferencial para competir no mercado de trabalho, sem se importar com a idade que você tenha. O importante é acreditar e encarar!

Crédito Samantha Camelo Sobre o autor:
Fabiano de Araújo é gaúcho de carteirinha, mas catarinense de coração. Formado em Comércio Exterior, trabalhou 10 anos com exportação. Um belo dia resolveu largar tudo e encarar um intercambio próximo dos 40 anos, como forma de entrar na melhor idade realizando sonhos. Amante por viagens inesperadas está sempre com uma mochila pronta para encarar desafios. Resolveu compartilhar de sua aventura com os demais por acreditar que nunca é tarde para realizar sonhos.

Revisado por Tarcisio Junior
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