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Saúde

Vai morar no exterior? Então cuide da sua saúde emocional

Colaborador E-Dublin postou em 23 mai 2017

Quando comecei a escrever este artigo, a primeira imagem que veio em minha mente foi aquela cena muito emocionante do filme do Spielberg, E.T –  O Extraterrestre, quando ele fala “ET… casa”.

Você também já se sentiu como um peixe fora d'água vivendo na Irlanda? Reprodução: Universal Pictures

Você também já se sentiu como um peixe fora d’água vivendo na Irlanda? Reprodução: Universal Pictures

Se você mora no exterior e também já se identificou com essa cena, ou tem aquela constante sensação de que pertence a outro planeta… ops, quero dizer, a outro país, acredite, você não está sozinho!

Este sentimento de desconforto, de sentir saudades de casa, de estar fora da sua zona de conforto, é muito comum para aqueles que se aventuram numa experiência em outro país. Tudo parece estranho e os sentimentos se amplificam. É uma sensação natural, não importa a sua origem, cor ou raça.

É muito comum surgir uma necessidade de se adequar. Buscar esta identificação faz com que as pessoas sintam-se emocionalmente fragilizadas, o que pode desencadear algumas dificuldades e, consequentemente, afetar o seu bem estar emocional.

Como Psicoterapeuta Intercultural, estou acostumada a observar esses processos em meu consultório e por isso, para você que está se preparando para viver fora do seu país – ou já está imerso em outra cultura – destaco, aqui, quatro pontos importantes para refletir sobre a importância de se preparar emocionalmente e cuidar da sua saúde mental.

1. Preparo emocional é tão importante quanto o planejamento

Sim, é muito importante se planejar, pesquisar, organizar todas as questões práticas e burocráticas (visto, acomodação, trabalho, etc). Porém, por mais racionais que as decisões sejam, não podemos esquecer que somos seres humanos e as emoções fazem parte de nós. Por isso, se preparar emocionalmente é fundamental. Isso não quer dizer que você não irá sentir tristeza, medo ou insegurança. No entanto, cuidar do emocional fará com que você lide melhor com as incertezas e emoções afloradas quando elas surgirem durante a viagem.

Os problemas e as frustrações ainda existirão, mas a diferença será a sua percepção e, consequentemente, a forma mais saudável de enfrentar os momentos de dificuldade.

2. Aprenda a lidar com as suas expectativas

Trabalhar as expectativas é por os pés no chão é o segredo para evitar grandes decepções. © Radu Razvan Gheorghe | Dreamstime.com

Trabalhar as expectativas é o segredo para evitar grandes decepções. © Radu Razvan Gheorghe | Dreamstime.com

Ao decidir viajar para o exterior, abrimos mão de muitas coisas para alcançar o nosso objetivo. Sendo assim, geralmente as expectativas são tão altas quanto os nossos sonhos. Mas a realidade pode não sair como o esperado.

Pode ser que você não aprenda o inglês tão rápido como imaginava, talvez o trabalho encontrado não seja exatamente da forma que você pensou, ou que você enfrente dificuldades inesperadas.

A dica importante para trabalhar as expectativas é pôr os pés no chão. Se questione constantemente sobre o que você espera e qual a sua realidade. As expectativas são importantes para nos mover, motivar, mas também podem causar profundas frustrações.

3. O impacto dos pensamentos negativos

Sentir nostalgia e tristeza é natural e até saudável do ponto de vista emocional, pois faz com que valorizemos o momento de nossa vida e as pessoas que sentimos falta – desde que os pensamentos e lembranças tenham um enfoque positivo. Sentiu saudades? Ligue, fale com as pessoas que estão distantes.

O problema é quando este sentimento se intensifica de forma negativa, provocando sensações de arrependimento e mágoas. Tais pensamentos e lembranças negativas, quando intensificados, podem ser um convite à depressão.

A distância geográfica, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não resolverá as mágoas do passado com as pessoas que ficaram para trás. Muitas vezes, as pessoas não percebem que os sentimentos e comportamentos são o resultado da qualidade de seus pensamentos. Assim, nunca é tarde para perdoar ou aceitar aquilo que não podemos mudar ou deixamos para trás.

4. Os desafios emocionais de viver no exterior com o parceiro

© Kmiragaya | Dreamstime.com

© Kmiragaya | Dreamstime.com

É necessário muito mais do que amar e ter o mesmo objetivo de vida para manter um relacionamento amoroso em outro país.

A decisão de morar em outro país com o seu parceiro(a) da mesma nacionalidade ou alguém que você conheceu no novo país, traz uma série de variáveis que implicam no relacionamento quando você está longe de sua casa.

Muitas vezes, o motivo de permanecer no exterior por uma paixão encurta a distância das fronteiras geográficas, mas traz muitas frustrações, como as diferenças culturais que precisam ser trabalhadas para a harmonia do relacionamento.

Há muitos casais de namorados que decidem mudar juntos para outro país e, ao morar debaixo do mesmo teto, passam a conviver 24 horas com as qualidades que adoram no outro, mas também a conhecer hábitos e aspectos negativos do parceiro. Além disso, outro fator que os casais devem levar em consideração é a dificuldade natural no processo de adaptação. Lidar com as adversidades de começar do zero em um lugar novo pode ser ainda mais estressantes a dois, o que pode gerar conflitos que antes não existiam no relacionamento.

Por isso, é muito importante que a comunicação seja um elemento crucial no dia a dia. Ter claros os objetivos de cada um, os desafios juntos e individuais, assim como as oportunidades de aprendizado, podem ajudar e muito a superar os momentos de desconforto e fortalecer ainda mais a relação.

E você, o que tem feito para manter o seu bem estar emocional vivendo nas adversidades de um país estrangeiro? Você consegue perceber o impacto dos seus pensamentos e percepções em suas emoções e como estes influenciam os acontecimentos de sua vida? Se esse artigo te ajudou, compartilhe com outras pessoas  e se você  tem algo a acrescentar, deixe seu comentário = )

Um abraço para todos.

Silvana Sapyras Byrne, C. Psychol., Ps.S.I.Psicoterapeuta Intercultural.
www.silvanabyrne.com

Revisado por Tarcísio Junior
Imagens via Dreamstime
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