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Ensino Superior

Vale a pena fazer faculdade na Irlanda?

Colaborador E-Dublin postou em 07 dez 2016

Se tem uma coisa que você já deve ter escutado sobre a Europa é que, na maioria dos países, o ensino superior para os estudantes não europeus custa uma fortuna. E é bem verdade. Na Ilha Esmeralda, essa premissa não é muito diferente, porém, nos últimos anos, com a chegada de parcerias entre o Brasil e a Irlanda, o sonho do ensino superior por aqui passou a ser possível para quem procura com mais cuidado, corre atrás das oportunidades e não tem vergonha de dar a cara a tapa!

Mas como? Onde?

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Foto: Shutterstock

É responder essas dúvidas que esse post se propõe, relatando histórias de dois intercambistas que encontraram oportunidades em universidades irlandesas e que após investir no inglês, decidiram ocupar uma cadeira em cursos de nível superior – e o melhor, sem pagar um valor absurdo por isso.

A experiência do Davi L. da Silva

Estuda na Dorset College Dublin. Cursa Bacharel in Business, com duração de 3 anos e opção de fazer licenciatura por mais um ano.

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Davi Lopes da Silva. Foto: Arquivo pessoal

“Assim que terminei a minha última renovação na Irlanda, comecei a pensar em estender a minha estadia por aqui com um curso universitário. Pesquisei várias universidades e percebi que a que condizia mais com o meu bolso era o curso de Bachelor in Business. Existem muitas instituições que fornecem esse curso, o que varia é o preço de uma para a outra, mas a grade é a mesma.

Eu paguei €3.500 pelo curso anual, um pouco mais que um curso de inglês que me renderia o visto de 8 meses. Fiz a prova de inglês, exigência obrigatória para saber se eu estaria apto a frequentar as aulas e logo depois realizei a matrícula. Uma das coisas que me chamaram a atenção ao visitar a página da universidade pela internet, foi o valor do curso, que é de €6.500 para estudantes internacionais e não europeus. Quando questionei com o representante sobre esse valor, ele me informou que esse é o preço cobrado para quem esta fora do país. Se o futuro estudante já estiver estabelecido na Irlanda, o que era o meu caso, o valor da mensalidade seria o mesmo de um irlandês.

Se existe algo que pode diferenciar a faculdade que eu estudo das outras, está relacionado à reprovação de alguma disciplina. Lá, se o estudante reprovar em uma matéria, o mesmo terá de pagar o valor integral do curso completo novamente e “refazer todas as matérias”.

Quanto ao attendance, eu reparei que eles são bem severos. Alguns dos professores fazem chamadas no início e final da aula, então nāo adianta você chegar lá 40 min depois do início e achar que vai ganhar 100% de attendance, porque não vai. Eles vão dar o percentual equivalente.

Mas afinal! Vale a pena?

Confesso que não foi fácil decidir entre ficar e fazer faculdade aqui ou voltar para o Brasil. O que me fez ficar, foi a conta final. Percebi que, mesmo trabalhando apenas 20 horas por semana, eu ainda conseguiria pagar menos que um curso de TI, minha ideia inicial. Por outro lado, se eu voltasse ao Brasil, correria o risco de ficar um bom tempo sem emprego – e, quando o conseguisse, ainda assim não saberia se conseguiria bancar uma universidade por lá.

No final, decidi correr o risco de apostar na graduação por aqui. Acredito que tudo na vida depende muito da vontade de cada um. Hoje, para ser sincero, eu sinto muito falta do Brasil e estou achando a faculdade bem maçante, já que não é um curso que eu tinha vontade de estudar.

Então, baseado na minha experiência, a dica que eu dou é não focar apenas no preço! Fazer uma faculdade só para ter um título internacional talvez não seja uma boa escolha!”

O que diz a Renata Reis?

Estuda no National College of Ireland. Cursa Psicologia, com duração de 3 anos, período integral.

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A sorridente universitária Renata Reis. Arquivo Pessoal

“Já estava para completar dois anos de vida na Irlanda. No meio dessa jornada, decidi em finalizar minha faculdade nesse país tão importante pra mim, que me deu a possibilidade de me organizar financeiramente e, mesmo estando longe da família de sangue, me trouxe pessoas maravilhosas, que me fizeram sentir que eu podia, sim, ter uma família do coração. Tudo ia muito bem.

E aí, no momento que eu realmente decidi correr atrás dos meus objetivos todas as dificuldades do mundo começaram a aparecer. Confesso que quase joguei tudo pro ar. Fiquei exausta de tanto trabalhar. Chorava preocupada com a grana. Chorava preocupada com o temido IELTS. Chorava até por chorar.

No pico do estresse, ainda tive problemas em casa com meus flatmates. Foi duro e lembro que em algum momento mandei minhas responsabilidades passearem e fui tomar uma pint. No dia seguinte, lá estava eu novamente, trabalhando de manhã, estudando à tarde e trabalhando à noite. Foi aí que decidi fazer as contas! Se no verão você trabalha 40 horas por semana, com o mínimo €9.15, tirando as taxas, contas e aluguel, provavelmente ainda vai sobrar entre 900 a 1000 euros por mês. Dentro das leis para estudantes, você tem 5 meses (junho, julho, agosto, setembro e 15 dezembro a 15 de janeiro) para trabalhar em tempo integral.

Percebi que eu conseguiria dar conta  de pagar os €4.500 de um curso superior sem passar fome e tomando uma pint de vez em quando. No entanto, segundo as regras, todo estudante não europeu teria que pagar o valor integral de uma vez. Pois é! Foi aí que um milagre aconteceu. Descobri, depois de muita pesquisa, que diversas universidades aceitam um depósito e parcelam o restante durante o ano letivo.

Ainda assim, o valor de 4500 euros me assustava. Sim, é realmente um investimento alto, muito suor e muito estresse. Mas, como falei no início, o primeiro passo é verificar se isso é realmente algo que você almeja. Eu, por exemplo, não teria ido tão longe somente para permanecer na Irlanda.

No final, abracei todos os meus receios e decidi finalizar minha graduação em Psicologia aqui na Ilha Esmeralda, com a vantagem de explorar grandes congressos em países vizinhos, berços dessa ciência. Estou feliz com a minha escolha!

Minha dica é: não se amedronte. Corra atrás, procure as universidades, exponha a sua situação, aposte em um curso que realmente tenha interesse e vá fundo!”

A série Meu Intercâmbio conta com a colaboração do repórter Fabiano de Araújo e tem o objetivo de dar oportunidade a estudantes que estão vivendo a experiência de intercâmbio na Irlanda, de contar suas histórias, alegrias e perrengues como intercambistas. Se você também quer compartilhar como tem sido a sua nova vida desse lado do globo, basta entrar em contato com: jornalismo@e-dublin.com.br

Revisado por Tarcísio Junior
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