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Meu Intercâmbio

Valentine’s Day: E quando surge um amor no intercâmbio?

Colaborador E-Dublin postou em 13 fev 2016

E quando, além do novo idioma, você se depara com um novo amor durante o intercâmbio? Quem conta sobre os desafios e alegrias de encontrar um amor para chamar de seu durante o intercâmbio é a psicóloga paulistana Rafaella Peres. Com 25 anos e a quase dois na Irlanda, ela acabou encontrando o Allen, um inglês que tem feito seus olhos brilharem. Como é namorar com um estrangeiro? Quem conta é a própria!

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Foto: Arquivo Pessoal

Por Rafaella Peres
Colaboração: Fabiano de Araújo

Eu já estou aqui na Irlanda há quase dois anos e no momento estou me preparando para renovar pela terceira vez,  pois sinto que ainda tenho muito o que aprender por aqui. Escolhi a Irlanda pelo simples fato de poder trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Sempre quis conhecer o continente europeu e essa foi a maneira mais fácil que encontrei de estar perto da maioria dos países que pretendia visitar, além de adquirir um segundo idioma, é claro.

A minha história de namoro com o Allen começou de uma brincadeira entre amigas. Eu o conheci em uma dessas redes sociais de paquera. Ele é inglês mas vive na Irlanda, e apesar dos países serem bem próximos, segundo relatos de amigas namorar um inglês era diferente de namorar um irlandês em muitos aspectos. Mas eles têm, sim, suas semelhanças.

Por serem de uma cultura diferente, aqui rola mesmo esse lance de paquera mais lenta. Lembro que demorou por volta de cinco encontros até darmos o primeiro beijo. Parece coisa de adolescente, mas é verdade! Porem, por outro lado foi a melhor coisa que fiz, porque a gente pode se conhecer melhor. Aí quando rolou foi algo mágico.

Para alguns pode parecer tempo demais, especialmente quando você conhece alguém em um site de paquera, mas deixei as coisas acontecerem no tempo dele. Meses depois ele me disse que tinha tentado me roubar um beijo no primeiro encontro e que eu o recusei. No entanto, eu não me lembro dessa investida – vai ver eu não estava acostumada com esse tipo de paquera, mas ele preferiu esperar, então. Depois ele me comentou que estava com medo de “avançar o sinal” e estragar tudo, mas enfim, no quinto encontro o beijo rolou.

Logo começamos a namorar, o que achei uma loucura, mas hoje entendo que para a maioria deles (digo maioria porque tenho outras amigas que namoram irlandeses e dizem que nesse requisito é a mesma coisa) ou você está com a pessoa, ou você não está. Não existe essa de “ficar de vez em quando” por um longo tempo, naquela enrolação vai ou não vai. Se para eles a relação está sendo boa para ambos, eles já encaram como um relacionamento sério.

Acredito, sim, que existam muitos brasileiros que são cavalheiros e respeitadores mas, na minha experiência, ingleses são, sem dúvida, muito mais. O respeito, carinho e educação que meu namorado tem comigo e com meus amigos é impressionante. Claro que isso vai da pessoa ou da relação, mas nunca fui tão respeitada. Nunca vi alguém que tenha dado tantos presentinhos, flores, chocolates e viagens sem datas comemorativas como ele faz.

Tudo que ele faz, ele me inclui: do futebol ao poker, das férias aos almoços corridos no intervalo do trabalho. Viagens, aniversários, supermercado, tudo ele quer fazer junto. Mas claro que eu também tenho meus momentos “clube da lulu” e vice versa. Estamos juntos e nossa relação tem como base a amizade, o respeito e o companheirismo.

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Foto: Arquivo Pessoal

Quando o requisito é cultural, “Oh my God!!!” Cultura é o ponto mais complicado. Nós, brasileiros, somos mais calorosos (em todos os sentidos, segundo eles), abraçamos, beijamos, fazemos piadinhas. Eles já são mais sérios, mais formais e distantes. Nós damos gargalhadas e falamos alto – e como falamos alto.

Já aconteceu várias vezes de eu estar na casa dele, na cozinha e ele no quarto e de repente eu precisar de algo, gritar o nome dele, e o coitado vir desesperado achando que aconteceu alguma coisa, que eu me machuquei ou que estou morrendo, quando na verdade quero apenas perguntar onde ele guarda os pratos para o jantar. Eles não estão acostumados com gritos e a gente tem que se controlar um pouco para não assustá-los, o que é bem difícil.

Limpeza, higiene e organização é algo que com o tempo vai se ajustando. Nós, brasileiros, temos aquela impressão que banho e higiene pessoal passa longe por aqui, mas não é sempre assim. O meu é bem limpinho, viu! É claro que existem diferenças culturais, de clima, de educação, etc. Aqui, por exemplo, não faz aquele calor de quase 40 graus de manhã cedo, onde você precisa tomar um banho antes de sair para o trabalho e outro quando chegar. Vantagens do tempo frio :)! Dessa forma, de fato, os banhos aqui são mais escassos e em menos quantidade.

Das coisas mais engraçadas que ocorreram entre eu e meu namorado, destaco o dia que baixou a Marinete em mim. Eu saí tirando pó, lavando janela, descongelando geladeira, organizando armário, jogando coisa fora e não havia nada que me fizesse parar. Nunca esquecerei a cara de assustado do meu namorado achando que eu estava louca. Mas, depois do susto, ele se acostumou.

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Foto: Arquivo Pessoal

Mas o pior de tudo é o idioma. Gente, se uma DR em português é complicada, tentem imaginar em inglês! Quem nunca tentou traduzir ao pé da letra algo que queria dizer em inglês? Pior é que muitas vezes não faz sentido algum e eles ficam sem entender nada. A gente tenta mudar as palavras, eles entendem outra coisa, daí você tem que se explicar de novo, desenhar, voltar no assunto anterior, mil coisas. E no fim nem você e nem eles sabem mais do que estão falando. A probabilidade da DR virar um manual de como usar essa ou aquela palavra corretamente é bem grande, viu?! Então vá se acostumando!

Nessa história de namorar gringo, a paciência é lei. Tanto para você quanto para ele, pois a falta de sincronia cultural sempre surge para tornar as coisas mais complicadas. Então, se você não estiver aberto ao outro, o relacionamento acaba antes mesmo de começar.

Mas quem disse que seria fácil?

Nem o intercambio é fácil. O importante é concluir aquilo que realmente você veio em busca. Começar do zero é desafiante. Parece que metade de você acabou de nascer novamente. Você tem que aprender outra língua, comer outras comidas, aceitar outras ideias, vivenciar um novo clima, uma nova cultura, mas no final a gente sempre cresce e amadurece, como pessoa e como profissional, seja lá qual for a sua área. E se no meio disso tudo você ainda tiver a oportunidade de encontrar um amor, celebre, enjoy e deixe as coisas fluírem.

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Foto: Arquivo Pessoal

Ah, e fica a dica, essa história de redes sociais por aqui funciona muito – pelo menos comigo funcionou. Eu sei que nós, na maioria das vezes, associamos essas redes de encontro com pura sacanagem, mas a verdade é que até nisso a coisa muda de figura por aqui. Conheço várias amigas que, assim como eu, encontraram os bofes dos seus sonhos nessas comunidades. Acredito que pelo fato deles serem mais contidos, esses canais acabam funcionando bem para quebrar o gelo do primeiro contato.

A série Meu Intercâmbio conta com a colaboração do repórter Fabiano de Araújo e tem o objetivo de dar oportunidade a estudantes que estão vivendo a experiência de intercâmbio na Irlanda, de contar suas histórias, alegrias e perrengues como intercambistas. Se você também quer compartilhar como tem sido a sua nova vida desse lado do globo, basta entrar em contato com: [email protected]

Revisado por Tarcísio Junior
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