Viajante Sincera: escolhendo a acomodação em Dublin

Viajante Sincera: escolhendo a acomodação em Dublin

Colaborador E-Dublin

8 meses atrás

Seguro Viagem

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Fiz o meu intercâmbio em Dublin entre 2015 e 2017 e, até hoje, não conheci outro intercambista que tenha ficado nos três tipos de acomodação mais comuns no intercâmbio durante o primeiro mês. Isso mesmo, caro leitor, em um mês eu experimentei todos os tipos de hospedagem estudantil. Esse mês foi louco.

Você deve estar pensando: essa pessoa é problemática e de difícil adaptação. Muito pelo contrário, sou do time “está tranquilo, está favorável” e foram as circunstâncias que me levaram a essa experiência peculiar.

Mari Neubra conta como foi sua experiência nas diferentes acomodações em Dublin. Foto: Arquivo pessoal

Depois de um intercâmbio na Argentina e outro nos Estados Unidos, estava relativamente tranquila indo para Dublin. Saí do Brasil com tudo planejado nos mínimos detalhes — inclusive duas semanas de estadia em uma host family já garantidas. Esse foi o meu primeiro erro.

Host Family: prós e contras

Expectativa: Eu, chegando em Dublin, morta com farofa depois de longas horas de viagem. Uma irlandesa gentil e sua família de comercial de margarina abrem a porta e me recebem felizes e sorridentes. Nós conversamos muito e uma semana depois já estou falando com sotaque irlandês.

Realidade: Eu chego em Dublin, pego um táxi super faturado até o endereço, uma senhora abre a porta dizendo que cheguei mais tarde do que combinado. Ela me leva até o quarto e diz que o jantar já está na mesa e que seu quiser comer tem que ser agora. Quando eu olho para a mesa, vejo uma belíssima seleção de produtos congelados no prato só esperando para serem levados ao microondas. Tenso. Percebi ali que era uma cilada, Bino. Uma cilada que se arrastaria por duas longas semanas.

Pois logo aí está a primeira desvantagem de ficar em uma host family: a sua expectativa. Quanto mais alta, mais improvável.

Ora, mas não façamos dessa minha experiência uma regra. Eu tenho um amigo que amou tanto a host dele que ao invés de ficar uma semana, ficou um ano. Já no meu caso, eu não queria nem ficar aquela noite. Acredita que a bruxa da dona da casa desligava a água quente pra ninguém tomar banho depois das 21 h?!

A verdade é que esse tipo de acomodação é uma loteria. Em um mundo ideal, a host family é uma excelente opção. Vai ser a família que vai te inserir no país, te estimular a falar inglês “all the time”, te deixar à vontade bem no estilo “mi casa, su casa” e permitir que você tome seus bons banhos quando quiser.

Além disso, na maioria dos contratos você já tem duas ou três refeições inclusas, o que é uma mão na roda quando você acabou de aterrissar em Dublin e não sabe nem onde fica o mercado mais próximo.

#DicasSinceras:

  • leia bem o contrato e entenda o que a família tem obrigação ou não de oferecer;
  • conte com o suporte da escola ou agência caso se sinta lesado(a);
  • aproveite para aprender sobre a cultura irlandesa;
  • fale inglês o máximo possível.

Enfim, sobrevivi às duas semanas e ainda sem ter conseguido uma vaga permanente, parti para a minha segunda hospedagem: a acomodação da escola.

Acomodação da Escola: prós e contras

A minha primeira sensação ao chegar na acomodação da escola foi de alívio. Alívio ao encontrar um monte de brazucas recém-chegados assim como eu e poder compartilhar as tretas vividas até então.

Ter companhia para jantar, tomar umas pints, partir para a Diceys pela primeira vez… aí sim, tinha começado o meu intercâmbio. Foi uma semana incrível e fiz amizades que mantenho até hoje. Outra cilada, Bino! – Olha a zona de conforto aí, gente!

É claro que o apoio emocional é fundamental e que estar entre brasileiros é sinônimo de diversão, mas não é pra isso que a gente despenca do Brasil para Irlanda, né?

A verdade seja dita: a acomodação da escola tem muitos brasileiros e é a pior opção para quem busca imersão, sair da zona de conforto e praticar inglês.

Mas, sim, é de longe a opção mais divertida e a que vai te render as melhores histórias.

#DicasSinceras:

  • aproveite para fazer networking;
  • é conhecendo outros brasileiros que você vai arrumar sua vaga permanente e provavelmente seu primeiro emprego na Irlanda;
  • lembre-se do porquê de ter ido para a Irlanda e não perca o foco.

Dividir casa: prós e contras

Uma semana depois, lá vai Mariana para uma vaga permanente encontrada no Daft.ie. Fui dividir uma casa de dois quartos com uma mexicana e uma espanhola. Obviamente, sem contrato e no estilo “la garantia soy yo”. Errei feio, errei rude.

Imagina você dar uma grana de depósito caução para uma pessoa desconhecida e não assinar nada? Pois é, bem bizarro – e muito comum em Dublin. Tive dois amigos que caíram em um golpe sinistro por causa disso.

Acontece que, no desespero de arrumar uma vaga permanente, a gente faz cada burrice que até Deus duvida. No meu caso, me mudei confiando na palavra de outra inquilina e nem vi o contrato.

“Mas vamos ser otimistas e acreditar que vai dar tudo certo!”, disseram.

Corta para uma briga no estilo “Casos de Família” na casa. Mesmo eu não estando diretamente envolvida, optei por não participar daquele ou de barracos futuros e “meti o pé”.

Até hoje estou esperando me devolverem o dinheiro daquele depósito.

Mesmo em um cenário em que você se muda e dá tudo certo, até você criar laços, confiar nos seus flatmates e entender a dinâmica da casa leva um tempo. É justamente aí que você aprende a sair da zona de conforto rapidinho.

#DicasSinceras:

  • nunca se mude para uma casa compartilhada sem ler o contrato;
  • tente encontrar a sua vaga através de amigos;
  • não sinta que precisa se mudar para um lugar onde não se sentiu à vontade só porque está com pressa;
  • entenda que encontrar uma boa vaga em Dublin leva tempo e continue procurando.

Então vamos ao veredito…

Com base na minha experiência, a melhor opção de hospedagem temporária para quem vem fazer intercâmbio em Dublin é a acomodação da escola ou da agência. Isso porque o primeiro mês é crucial e todo intercambista tem milhares de coisas para resolver. Paz e tranquilidade são bem-vindas nessa fase.

Hoje eu conto esses perrengues com notas de humor, mas na época foi uma sofrência só! Passar por isso tudo logo de cara me fez querer desistir e pegar o primeiro voo de volta inúmeras vezes. Só não fiz isso porque meu objetivo era viajar o máximo possível e os voos baratecos da Ryanair iriam viabilizar esse sonho.

Bem, depois dessa maluquice toda, eu finalmente encontrei um lar doce lar onde morei feliz e radiante por mais de dois anos.

Veja também

Acomodação temporária

Mari Neubra,

Atualmente mora em Portugal onde é guia turística e autora do blog Viajante Sincera no qual escreve dicas sinceronas e roteiros completos das suas viagens pelo mundo

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